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Califado Almóada

O Califado Almóada foi o maior império berbere da história da humanidade, estendendo-se sensivelmente entre a segunda metade do século XII até meados do século XIII, tendo sido o único império berbere a unir todo o Magrebe sob a mesma entidade política. O nome latino deriva do termo árabe الموحدون al-Muwaḥḥidūn, i.e. "os unitários" ou aqueles que acreditam na unidade e na unicidade de Deus.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 15/07/2026
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Origens

A fundação do movimento deve-se a ibne Tumarte (c. 1080 – ca. 1130), membro dos masmudas, uma tribo berbere do Alto Atlas. Filho do encarregado de acender as lamparinas de uma mesquita, e notado pela sua piedade desde a juventude, seria um rapaz pequeno e deformado que vivia como um mendigo devoto. Enquanto jovem, ibne Tumarte fez a peregrinação a Meca, de onde foi expulso pelas suas críticas ferozes à laxidão de outros. Daí foi para Bagdade, onde aderiu a uma escola ortodoxa. Mas construiu ele mesmo um sistema próprio, combinando os ensinamentos do seu mestre com o misticismo e partes das doutrinas de outros, centrado no unitarismo e que representava uma revolta contra o que na sua opinião seria o antropomorfismo de Alá na ortodoxia muçulmana. Após o seu regresso a Marrocos, com a idade de 28 anos, começou a pregar contra os princípios religiosos da interpretação pessoal, aceitando apenas a tradição (Suna) e o consenso (Ijma). O emir almorávida Ali ibne Iúçufe chegou a convocar um debate teológico em Fez, convocando ibne Tumarte. Na conclusão deste debate foi declarado que os pontos de vista deste eram demasiado radicais. ibne Tumarte foi condenado à prisão mas o emir ter-lhe-á permitido a fuga.

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Califado Almóada

É muito provável que a influência de ibne Tumarte não tivesse eco no futuro se não fosse por Abde Almumine, outro berbere, da Nedroma (hoje na Argélia), que seria um soldado e membro da classe governante. Quando ibne Tumarte morreu em 1128 no mosteiro que fundou em Tinmel, depois de uma grave derrota frente aos almorávidas, Abde Almumine manteve a sua morte em segredo por dois anos, até estabelecer o seu poder. Então assumiu-se como seguidor do mádi. Entre 1130 e a sua morte em 1163, Abde Almumine não só expulsou os almorávidas, como aumentou o seu poder por todo o norte de África até ao Egito, tornando-se emir de Marraquexe em 1149. O seu fundamentalismo levou até medidas de expurga dos suspeitos de pouca fé e falha em cumprir todos os ritos religiosos, a mais grave de todas terminando na eliminação de toda uma tribo. Os almóadas então trataram de unificar as taifas e formar um governo islâmico que pudesse fazer frente aos cristãos. Em pouco mais de trinta anos, os almóadas conseguiram forjar um poderoso califado que se estendia desde Santarém, no que é atualmente Portugal, até Trípoli na actual Líbia, incluindo todo o norte de África e o sul da Península Ibérica.

Arte almóada

As construções almóadas caracterizam-se pela simplicidade e austeridade, um reflexo da vida difícil dos nómadas do Magrebe. Apesar disso, muitos edifícios têm um tamanho considerável. Exemplos clássicos deste movimento são a Mesquita de Tinmel, a Torre del Oro e a Giralda, em Sevilha, a Mesquita Cutubia de Marraquexe, a Grande Mesquita de Taza e a Torre de Haçane em Rabate.

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Declínio do Califado Almóada

1212 marcou o início da decadência do Califado Almóada. As forças de Maomé al-Nácer (r. 1199–1214), sucessor de Almançor, depois de um avanço inicialmente bem sucedido para norte, foram aniquiladas por uma aliança de tropas cristãs na Batalha de Navas de Tolosa na Serra Morena. Em 1216-7 os merínidas enfrentam os almóadas em Fez. Após o assassinato do califa Abd al-Wahid e a usurpação do trono por um pretendente rival, em 1225 estalou a guerra-civil entre os almóadas no Andaluz. Neste mesmo ano, a região de Sevilha foi uma vez mais invadida por cavaleiros portugueses. Ibne Hude proclama-se emir de Múrcia em 1227, fazendo frente aos almoádas, e Tunes torna-se independente três anos mais tarde. Novos fossados portugueses e leoneses devastaram a região de Sevilha em 1228. A falta de resposta às incursões cristãs descredibilizaram os almóadas e precipitaram a revolta das populações andaluzas, dando assim início a um novo período de taifas. À medida que os governadores almóadas eram depostos por caudilhos locais, em Outubro deste ano, o califa Idris Almamune abandonou Sevilha e regressou a Marrocos com as tropas que lhe restavam quando a península Ibérica era já dada por perdida.

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