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História da educação digital

A história digital da educação é uma abordagem da História da Educação que, a partir dos recursos digitais existentes, se utiliza de dados e softwares para coleta, organização, sistematização e leitura de fontes digitais ou digitalizadas. Para além de uma abordagem metodológica da pesquisa histórica no contexto digital, pode ser compreendido como um viés "epistêmico oportunize ao campo avanços nas discussões e análises", discutindo teoricamente sobre os aspectos da era digital e a produção historiográfica. Já a história da educação digital refere-se a uma abordagem historiográfica que investiga os percursos históricos da educação digital, em especial no contexto da virada digital, observada na década de 1990, com a comercialização da internet e dos computadores pessoais.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 03/08/2026
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Campo da história da educação no Brasil

Enquanto componente curricular nos programas de ensino, a história da educação alcançou aderência primeiramente como disciplina no curso de Pedagogia, da qual é oriunda, sendo implementada posteriormente ao chamado curso normal superior e na licenciatura. Seu processo de consolidação no campo educacional brasileiro remonta ao início do século XX e se apoiou “[...]no tripé formado pelos elementos: ensino, pesquisa e formação do campo”.Na atualidade é entendida “como tendo completado o processo de formação do campo” e “consolidada e com perspectivas, ao menos aparentemente, bastante promissoras de desenvolvimento”.

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História da educação como disciplina

Os nexos entre a história da pedagogia e história da educação encontram referências na Europa do século XVIII. A história da pedagogia fora marcada como “pesquisa elaborada por pessoas ligadas à escola, empenhadas na organização de uma instituição cada vez mais central na sociedade moderna”. Nascida como história ideologicamente orientada para formar técnicos e cidadãos, valorizava a continuidade dos princípios e ideais representados pela filosofia. “Tratava-se de uma história persuasiva por um lado e teoreticista por outro, sempre muito distante dos processos educativos reais referentes às diversas sociedades [...]”. Predominaram na Europa e nos Estados Unidos, entre a segunda metade do século XIX e meados do século XX, a escrita da história da pedagogia ancorada no estudo das ideias e sua sucessão histórica delineada pela filosofia. Entre os partidários dessa orientação: “Compayré na França, Jaeger na Alemanha, Cobberley e Dexter nos EUA” .Tal contexto contribuiu paulatinamente para mudanças na construção do conhecimento histórico que incidiu na aproximação entre a história da pedagogia e a ciência histórica. A partir dessa revolução historiográfica é instituído "[...]um modo radicalmente novo de fazer história dos eventos pedagógico-educativos, que rompeu com o modelo teoreticista, ideológico, continuísta do passado para dar vida a uma pesquisa mais problemática e pluralista, bastante diferenciada que pode ser definida como história da educação".

História da educação como pesquisa e formação do campo

Desde meados do século XIX, tratados sobre história da educação escritos por médicos, advogados, engenheiros, religiosos, educadores e historiadores circularam no país e no exterior, tendo como resultado um amplo horizonte de fontes documentais potentes nos estudos da história da educação, como documentos oficiais, séries legislativas, relatórios, projetos de Governo, discursos de autoridades políticas. Com o alargamento das possibilidades de análise documental a partir dos objetos de investigação, graças aos caminhos abertos pela história cultural, registros imagéticos, como fotografias, iconografia, como também, plantas arquitetônicas, imprensa pedagógica, cultura material escolar: arquivos escolares, diários de classe, cadernos de aluno, manuais escolares, programas de ensino, passaram por exemplo, a contribuir significativamente nas investigações no campo da historiografia da educação.

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Novas tecnologias

Imagem: TCarvalho (WMB) · BY-SA · Openverse

As novas tecnologias ofereceram desafios ao campo da educação e aos pesquisadores de história da educação sendo necessário desenvolver esforços para se apropriar dos novos recursos oferecidos pelo ambiente digital.Dessa forma um léxico específico associado à era digital foi apropriado pelo campo educacional como tempo real e virtual, mundo eletrônico, hipertexto, multimodalidade, aulas remotas, tempo presente, cibercultura e ciberespaço. As sociedades em rede e as novas materialidades estabeleceram novas demandas em torno das teorias e das práticas docentes, das pesquisas e suas fontes, na manutenção e na preservação de documentos digitalizados ou nascidos digitais. O final da década de 1990 marca a criação do Grupo de Trabalho de História da Educação da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (ANPEd), em 1999, e o início dos debates sobre o impacto das novas tecnologias nas fontes e na documentação e na memória sobre a educação e o ensino (WERLE, 2000, p. 45). Posteriormente esse movimento se intensificou com os historiadores da educação fazendo uso de produção documental informatizada e utilizando ferramentas ou recursos da internet como o acervo da Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional do Brasil criada oficialmente em 2006 ensino.

História e historiografia digital

A emergência e a consolidação da sociedade da informação estabeleceram novas relações de produção, circulação, transmissão e apropriação de conteúdos. Transformações estão centradas na premissa da “geração e de dispositivos de processamento/comunicação da informação, em um ciclo de realimentação cumulativo entre a inovação e seu uso”.Esse panorama também instituiu outras percepções de distâncias, fronteiras e temporalidades. A linearidade comunicacional foi suplantada pela fragmentação e multiplicação das redes relacionais. A popularização da internet estabeleceu novos arranjos e rearranjos da leitura centrados na “interconexão das mensagens entre si, por meio de sua vinculação permanente com as comunidades virtuais em criação que lhe dão sentidos variados em uma renovação permanente”.Os vídeos gravados pelos celulares e compartilhados instantaneamente na rede contribuíram para novos modos de lidar com o passado e o presente. Os hiperlinks presentes nos textos eletrônicos permitem que os leitores compartilhem experiências de leituras diferenciadas das costumeiras realizadas, por exemplo, no livro de papel. Os clicks permitem leituras enviesadas, fragmentadas e múltiplas a partir de único texto. Esse contexto encontrou consonância junto as novas possibilidades trazidas pelas Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) e, recentemente, pelas Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDICs). A possibilidade do armazenamento dos conteúdos em nuvens, os serviços de hospedagem de arquivos em larga escala trouxeram novos meios de construção da memória.

História pública digital

Em consonância à emergência da história digital e da história pública é instituída a chamada história pública digital (digital public history) ou história por meios digitais.O advento das tecnologias digitais estabeleceu novas vertentes na relação entre a história, o passado, os historiadores e o público em geral. No panorama digital, a escrita da história transpassa os círculos acadêmicos e passa a abarcar profissionais de outras áreas como o jornalismo. Por meio de biografias, canais de internet entre outras materialidades são produzidas leituras e releituras sobre o passado por indivíduos e grupos sociais que, em determinados contextos, estabelecem narrativas sem o rigor teórico-metodológico e as análises críticas necessárias ao fazer historiográfico.Dessa forma se abre espaço para fenômenos como o negacionismo histórico e o revisionismo histórico. Por outro lado, os historiadores também passaram a criar e a desenvolver espaços digitais com o propósito de ampliar a circulação e divulgação científica das pesquisas e conteúdos históricos produzidos na acadêmica e nos espaços escolares. Por exemplo: o portalCafé História.

Cultura digital

A cultura digital ou cibercultura é um movimento que compreende as relações sociais, comunicações e interações tecnológicas virtuais ou reais a partir dos meios digitais ou ainda do ciberespaço. São formas de relação desenvolvidas a partir das novas tecnologias de digitalização, navegação, memória, programação, linguagem, algoritmos, multimídia e interatividade. O acesso e uso destas novas tecnologias no cotidiano implica em sua apropriação e implicações como uma cultura digital do cotidiano.

Materialidade digital

O advento de novos contextos virtuais, especialmente por conta da pandemia de coronavírus, evidenciou uma urgência no trabalho em ambientes digitais e com materiais digitalizados. Para os professores e alunos diversas modalidades de ensino precisaram se adaptar às novas ferramentas, mas também a uma nova materialidade, a da tela, por exemplo. A familiaridade com a cultura da tela somada ao isolamento social nos fez refletir acerca das desigualdades sociais e seus impactos na atividade docente. As implicações trazidas pela nova materialidade digital, potencializam essa ideia de espaço constituído digitalmente, mas habitados por sujeitos históricos.

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Ensino e práticas digitais

Imagem: Sylvio Bazote · BY-NC-SA · Openverse

Aos poucos os microcomputadores chegaram na escola, e essa tendência foi se expandindo rapidamente. Embora, muitas das vezes visto como algo complementar, a parte da sala de aula, no laboratório de informática, se tornou ao passar dos anos uma ferramenta importante no processo de ensino e nas práticas cotidianas. Por muito tempo se acreditou que a introdução de tecnologias digitais nas escolas seria prejudicial, pois dispensaria, de certo modo, o papel do professor e distanciaria os educandos do objetivo principal da escola, ensinar. No entanto, de modo geral, os educandos e os professores, por estarem inseridos em uma cultura digital, foram aos poucos se apropriando do digital e das ferramentas digitais. Cultura digital, ensino e práticas digitais são termos que estão atreladas às novas perspectivas de conhecimento por inovações tecnológicas e que tem se mostrado um campo potente e vasto de possibilidades para discussão. Trata-se da “criação de uma outra cultura”, com outros referenciais. Diante disso é possível perceber como a cultura digital permeia também a cultura escolar, tanto na dimensão do ensino-aprendizagem, quanto nas práticas. As tecnologias oferecem de maneira mais eficiente o objetivo primário da escola, ensinar. O ensino e as práticas digitais, proporcionam ao aluno a possibilidade de mais dinâmicas nos seus mais diferentes aspectos tais como: relacionamento interpessoal entre pares, comunidade e família, e com os debates no âmbito social. Vale ressaltar que, embora se tenha ocorrido grandes avanços no uso do digital nas escolas e no processo de ensino-aprendizagem, a experiências das crianças e jovens com a tecnologia e o digital ocorre fora do contexto escolar.

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Fontes consultadas

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