Brejo de altitude
Os brejos de altitude, brejo interiorano, florestas de Caatinga ou florestas de serra são ilhas de florestas úmidas no polígono das secas, no interior da Região Nordeste do Brasil. Essas formações ocorrem em áreas de relevo acidentado em áreas acima de 500 metros de altitude, e clima tropical úmido, marcadas pela influência das chuvas orográficas que leva a maior pluviosidade e temperaturas mais amenas que contrastam com a matriz semi-árida circundante. A biodiversidade dos brejos de altitude testemunha dinâmicas evolutivas e biogeográficas peculiares, abrigam expressiva riqueza e várias espécies animais e vegetais endêmicas, incluídas no “Centro de Endemismo Pernambuco”, um importante centro de endemismo da América do Sul. Sua vegetação é em geral sempre verde com árvores altas espécies típicas da Mata Atlântica e da Amazônia, mas também pode apresentar espécies da Caatinga, principalmente em áreas de borda.
Os brejos de altitude são encontrados em áreas do Planalto da Borborema, Chapada do Araripe, Depressão Sertaneja Meridional, Serra da Ibiapaba e Maciço de Baturité. O relevo acidentado cria uma barreira natural às massas de ar, que, através do sistema de chuvas orográficas, acabam despejando nas vertentes a barlavento e escarpas assimétricas criando micro-climas únicos com temperaturas brandas e com maior umidade, capazes de assegurar condições ideais ao desenvolvimento de uma flora mais exuberante. Boa parte dos brejos de altitude estão localizados nos pontos mais elevados do Planalto da Borborema, entre os estados da Paraíba e Pernambuco, onde o domo alcança suas maiores elevações.
Os brejos de altitude cobrem aproximadamente 2.626,68 km² de extensão do Brasil, representados por mosaicos de vegetação da Mata Atlântica, Amazônia, Cerrado e Caatinga (Medeiros e Cestaro, 2019) O quadro a seguir relaciona 65 Brejos identificados no Nordeste, dos quais 31 estão em Pernambuco, 14 no Ceará, 4 no Rio Grande do Norte, 2 na Bahia e 1 em Alagoas.
São diversos os fatores do ambiente físico que determinam a sobrevivência de espécies nessas áreas relictuais, relacionados ao relevo e elementos climáticos como temperatura e precipitação. A altitude mais elevada (próx. a 600m) permite a ocorrência das chuvas orográficas, garantindo maiores níveis pluviométricos e temperaturas mais amenas que condicionam a presença de espécies de mata úmida. Além disso, a maior condensação de vapor d’agua devido a altitude promove um aumento da nebulosidade que permite uma diminuição da evapotranspiração potencial
Flora
Os brejos de altitude apresentam características botânicas bem particulares, contrastando com a caatinga encontrada no interior das regiões semiáridas do Nordeste brasileiro. A cobertura vegetal dos brejos de altitude varia segundo a fitofisionomia dos locais onde são encontradas, englobando vegetações perenes, caducifolias, espinhosas e rupícolas. Podem ser dividas principalmente em: Como espécies de flora ameaçada destacam-se espécies de Bromeliaceae como Aechmea eurymbus, Aechmea fulgens, Aechmea lingulata, Ananas comosus, Billbergia porteana, Cryptanthus burle-marxii, Cryptanthus zonatus, Hohenbergia catingae, Orthophytum disjunctum, Guzmania monostachia, Tillandsia juncea, Vriesea limae e Vriesea oleosa.
Fauna
Atualmente são reconhecidas 7 famílias, 37 gêneros e 63 espécies de Herpetofauna para 16 Brejos que foram estudados. Algumas consideradas raras, assim como as serpentes Cobra Corredeira (Echinanthera cephalomaculata), Surucucu (Lachesis muta) e Surucucu de Fogo (Spillotes sulphureus). E outras mais comuns como Coral Verdadeira (Micrurus ibiboboca), Jibóia (Boa constrictor), Salamanta (Epicrates assisi) e Falsa Coral (Oxyrhopus trigeminus) Para Avifauna foram observadas 251 espécies pertencentes a 40 famílias, sendo 19 endêmicas as áreas de Caatinga e 18 incluídas em categorias de ameaça, como Myrmotherula snowi (Thamnophilidae), Synallaxis infuscata (Furnariidae), Phylloscartes ceciliae (Tyrannidae) e Curaeus forbesi (Fringillidae). Quanto aos mamíferos, até agora foram registradas cerca de 45 espécies, carecendo de mais estudos.
Imagem: Otávio Nogueira · BY · Openverse
Muitos municípios dos estados de Pernambuco e Paraíba sobre o Domo da Borborema (agreste e Sertão) estão situados em áreas de brejo ou próximos a essas regiões, devido à presença mais abundante de água do que em seu entorno semiárido e árido, como, por exemplo, em Garanhuns (Pernambuco) e Bananeiras (Paraíba). Devido às suas qualidades excepcionais de solo e clima, os brejos foram alvo de desmatamento durante todo o processo de povoamento e ocupação do interior do Nordeste, levando à destruição de parte dos ecossistemas, espécies endêmicas e ameaçadas.


