Bracara Augusta
Bracara Augusta é o nome romano da atual cidade de Braga, no norte de Portugal. A cidade de Bracara Augusta foi fundada pelo imperador Augusto entre os anos 15 a.C. e 13 a.C.. Foi capital conventual, capital da província romana da Galécia e do Reino Suevo.
O nome da cidade romana é uma conjunção entre o nome do povo indígena residente, os Bracari, e o nome do imperador Augusto (r. 27 a.C.–14 d.C.) em homenagem à aliança firmada entre os dois.
Fundação (138 a.C. a 14 d.C.)
Embora a primeira expedição militar ao noroeste da Península Ibérica tenha decorrido a seguir à morte de Viriato, nos anos 138 - 136 antes de Cristo, comandada pelo cônsul romano Décimo Júnio Bruto Galaico, que ganha, segundo ele, uma grande batalha contra os Brácaros, é só no tempo de Augusto, com as guerras cantábricas, que a conquista é definitiva e que começa a real romanização do território. Uma das primeiras etapas é a fundação de grandes cidades e a construção de vias entre elas, para a completa integração das populações no mundo romano. É com essa finalidade que, durante a estadia de Augusto em território peninsular, entre os anos 15 e 13 antes de Cristo foi fundada a cidade de Bracara Augusta, para promover e difundir a cultura romana nos numerosos povoados das proximidades. Alguns autores defendem a existência dum castro, ou dum ‘’oppidum’’ (lugar fortificado extenso, citado por Plínio, o Velho, como oppidum dos Bracari), ainda antes da fundação da cidade de Braga. Na defesa dessa tese, está a descoberta em 2002 dum balneário por baixo da estação do caminho de ferro, datado da idade do ferro. Só que até hoje é a única descoberta dum edifício pré-romano na cidade de Braga. Por isso, se esse "oppidum" existir, ainda não foi descoberto, o que dá asas a outras teorias em que o espaço ocupado pela cidade era antes da fundação, um espaço importante para os indígenas mas não construido, o sítio poderá então ter sido ocupado por:
A cidade Flávio-Antonina (68 a 192 d.C.)
Com a publicação do Édito de latinidade promulgado pelo imperador Vespasiano em 74, todos os cidadãos hispânicos livres passaram a ter a condição de cidadãos latinos grau intermédio entre a condição de cidadão romano e de não cidadão ou seja peregrino. Bracara Augusta foi certamente na mesma altura promovida a município. Assim as elites da cidade podiam obter a cidadania romana exercendo cargos nas magistraturas municipais. Os novos cidadãos romanos foram adscritos à tribo Quirina, uma das 35 tribos de Roma. Assim fruto da sua nova condição de município, a cidade prossegue a sua fase de crescimento e embelezamento com várias reestruturações. São reparadas as antigas vias e Bracara beneficia duma nova ligação com Astorga pela Via Nova (Geira). Continuam as construções de edifícios públicos e a “monumentalização” da cidade com teatro, termas, templos, anfiteatro. Aumentam os bairros e assiste-se à instalação de pessoas abastadas na zona oriental da cidade.
Século III
A Crise do terceiro século instalada no Império, atinge também Bracara Augusta que conhece pela primeira vez um abrandamento do seu crescimento. Pouco depois do assalto e saque da cidade de Tarragona pelos francos durante o reinado de Galiano, no fim do século III início do IV, uma imponente muralha de 5 a 6 m de largura, com torreões, é construida em volta do centro da cidade de Bracara (mais de 48 hectares), e transforma por completo a sua configuração: algumas casas e monumentos como o teatro e o anfiteatro são em parte destruídos para aproveitar a pedra para a nova construção, muitas ruas transformam-se em beco sem saída, e passam para o domínio privado, a cidade divide-se em cidade de entre-muros e bairros periféricos que mantém todavia as suas atividades. Nem tudo é negativo, porque no tempo do imperador Caracala é criada a nova província de “Hispania Nova Citerior Antonina” (futura Galécia).
Baixo-império (285 a 409 d.C.)
Entre 284 e 289 d.C., por ordem de Diocleciano, Bracara Augusta é promovida a capital da recém-criada província de Galécia que integra os três conventos do Noroeste peninsular (Convento bracarense, Convento lucense e Convento asturicense) e parte do convento de Clunia. Com essa decisão, a cidade conhece uma nova expansão urbana, reestruturam-se e criam-se edifícios públicos, requalificam-se as vias, introduzem-se melhoramentos na cidade. O enriquecimento da população é patente com a inclusão de zona de banhos e pavimento de mosaicos nas vivendas privadas. O comércio intensifica-se fortemente e aparecem as oficinas de cerâmica. A decretal do Papa S. Sirício em 385 ao bispo de Tarragona faz uma referência a uma província eclesiástica da Galécia, sugerindo que Bracara Augusta possuía já um bispado. Facto confirmado, no ano de 400 d.C., pela presença do seu arcebispo, Paternus, no Primeiro Concílio de Toledo. A cidade torna-se capital da província eclesiástica e assume a centralidade do Noroeste peninsular.
Alta Idade Média
Os Suevos (povo germânico), sobre pressão dos Hunos, atravessam o rio Reno gelado, na noite de 31 de dezembro de 406, para encontrar refúgio dentro das fronteiras do Império Romano. Em outubro de 409, chegam à Península Ibérica e, em 411, ao convento bracarense. Assim acaba a longa ‘’Pax Romana’’ para Bracara Augusta, não que a chegada fosse violenta ( pelo testemunho de Paulo Orósio, sabemos que por pouco tempo "trocaram a espada pelo arado"), mas porque muito rapidamente entrarem em conflito com os seus vizinhos os vândalos Asdingos, que ocupavam também parte da Galécia. Em 419 os Suevos do rei Hermerico são atacados e cercados na Batalha dos montes Nervasos pelos vândalos do rei Gunderico, Astério, conde de Hispânia, com tropas romanas vem ao seu socorro e muitos vândalos são massacrados em Braga pelo vigário Maurocellus, na sua retirada para a Bética.
Importações
Pelo achado das ânforas, a análise da sua forma e origem, sabe-se que a maioria das importações nesse contentor, era de sob-produto de vinho, “concentrados” ou “xarope de vinho” obtidos a partir de mosto cozido chamado defructum (em 64%), oriundo quase exclusivamente da Bética; vinho de qualidade (9,81%) proveniente de Itália, do sul da Gália, da zona do Egeu e em boa parte da Bética; produtos piscícolas (garo ou garum em latim ) (18,67%) da Bética e da Lusitânia; e azeite (apenas 1,99%) principalmente do vale do Guadalquivir.
Principais produções
Alem das produções agrícolas, Bracara durante a época romana desenvolveu uma grande atividade de indústria e comercio. Uma das atividades atestadas, é a fabricação de vidro no centro da cidade, mas a principal produção era de cerâmica (lâmpadas a óleo (lucernas), cerâmicas comuns, cerâmicas finas (louça fina de mesa), ânforas, dolia [nota 5], materiais de construção...), com varias oficinas de olaria na sua imediata periferia. No entanto a matéria prima era toda proveniente da zona entre Vila de Prado do concelho de Vila Verde e Ucha do concelho de Barcelos, distante de 14 km de Bracara pela Via XIX, que também podia ser um importante centro de produção. Das várias oficinas, destaca-se a marca “LUCRETIUS” que abastecia o mercado da Galécia e do norte da Lusitânia.
Bracara Augusta, importante nó rodoviário
Braga, bem antes de se tornar capital de província, já estava ligada ao triângulo político-administrativo, estabelecido por Augusto, da futura província de Galécia com vértices nas três cidades: Bracara Augusta (Braga), Lucus Augusti (Lugo) e Astúrica Augusta (Astorga) por varias vias: Mas também as cidades mais importantes da Lusitânia como Emerita (Mérida, capital da província) via Scallabis (Santarém, conventus) pela Via XVI. Por volta do ano 80 essa rede é reforçada com a criação da
Felizmente a memória de Bracara Augusta não ficou completamente apagada, já no tempo do rei D. Manuel, com o arcebispo de Braga D. Diogo de Sousa houve a preocupação de proteger os vestígios romanos, com a colocação no recém criado, campo de Santa Ana (Av. Central) de mais de uma dezena de miliários . Outro arcebispo de Braga, entre 1626 e 1634, Rodrigo da Cunha descreve na sua “História Ecclesiástica dos Arcebispos de Braga” a suposta fundação de Braga, citando vários autores, e emite a acertada opinião que Bracara não ocupava o mesmo espaço que Braga Outro membro do clérigo, Jerónimo Contador de Argote foi um grande historiador e defensor do património de Braga como se nota na sua importante obra “Memórias Históricas do Arcebispado de Braga”. As transformações do século XIX e inicio do século XX em Braga afetaram principalmente os edifícios medievais como por exemplo a destruição do castelo em novembro de 1905 pela Câmara. No fim do século passado, porém Braga conheceu um crescimento exponencial que ameaçou a partir de 1970 as ruínas romanas, as grandes quintas que cercavam a cidade foram transformadas em estradas e loteamentos. Depois de algumas destruições, o Cónego Arlindo Ribeiro da Cunha, é dos primeiros a indignar-se, sem resultados. Em janeiro de 1976, quatro funcionários da Universidade do Minho ( Dr . Barreto Nunes, Dr. Mendes Atanazio, Dr. Artur Norton e Arqt o Cameira) alertam o M.E.I.C (Ministério da Educação e Investigação Científica, que tutelava a Junta Nacional de Educação com funções de proteção e conservação de monumentos e obras de arte) do risco de destruição iminente da colina de Maximinos, em fevereiro é criado a C.O.D.E.P. (Comissão de Defesa e Estudo do Património). Em Abril o professor Jorge de Alarcão dirige uma primeira campanha de sondagens. Processo que culmina em 20 de novembro, com a visita do Primeiro Ministro Dr . Mário Soares no campo arqueológico :


