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Bósnia e Herzegovina

A Bósnia e Herzegovina ou Bósnia-Herzegovina é um país do sudeste da Europa. Situado na Península Balcânica, faz fronteira com a Sérvia a leste, Montenegro a sudeste e Croácia a norte e sudoeste, com uma costa de 20 quilômetros no Mar Adriático, a sul. A Bósnia tem um clima continental moderado, com verões quentes e invernos frios e com neve. Sua geografia é predominantemente montanhosa, especialmente nas regiões central e oriental, dominadas pelos Alpes Dináricos. A Herzegovina, região menor ao sul, tem clima mediterrâneo e é predominantemente montanhosa. Sarajevo é a capital e a maior cidade do país.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 30/06/2026
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Etimologia

A primeira menção amplamente reconhecida da Bósnia está em "Sobre a Administração Imperial", um manual político-geográfico escrito pelo imperador bizantino Constantino VII em meados do século X (entre 948 e 952), descrevendo a "pequena terra" (χωρίον em grego) de "Bosona" (Βοσώνα), onde moram os sérvios. Acredita-se que o nome tenha derivado do hidrônimo do rio Bosna que atravessa o coração da Bósnia. De acordo com o filólogo Anton Mayer, o nome "Bosna" poderia derivar do ilírio "Bass-an-as", que derivaria da raiz proto-indo-européia "bos" ou "bogh" — significando "água corrente". De acordo com o medievalista inglês William Miller, os colonos eslavos na Bósnia "adaptaram a designação latina [...] basante, ao seu próprio idioma, chamando o riacho de Bosna e a si próprios bósnios [...]". O nome Herzegovina ("herzog's [terra]", da palavra alemã para "duque") se origina do título do magnata bósnio Stjepan Vukčić Kosača, ""Herceg (Herzog) of Hum and the Coast" (1448). Hum, anteriormente Zaclúmia, foi um principado medieval que foi conquistado pelo Banato da Bósnia na primeira metade do século XIV. A região foi administrada pelos otomanos como sanjaco da Herzegovina (Hersek) dentro do eialete da Bósnia até a formação do breve eialete da Herzegovina na década de 1830, que ressurgiu na década de 1850, após o qual a entidade tornou-se comumente conhecida como Bósnia e Herzegovina.

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História

Devido à sua posição geográfica central dentro da federação jugoslava, a Bósnia pós-guerra foi escolhida como base para o desenvolvimento da indústria de defesa militar. Isso contribuiu para uma grande concentração de armas e pessoal militar na Bósnia, um fator significativo na guerra que se seguiu à dissolução da Iugoslávia na década de 1990. No entanto, a existência da Bósnia dentro da Iugoslávia foi, em grande parte, relativamente pacífica e muito próspera, com alto nível de emprego, uma economia forte e orientada para a exportação, um bom sistema de educação e segurança social e médica para todos os cidadãos da Bósnia e Herzegovina. Várias empresas internacionais operavam na Bósnia — Volkswagen como parte da TAS (fábrica de automóveis em Sarajevo, desde 1972), Coca-Cola (desde 1975), SKF Suécia (desde 1967), Marlboro (uma fábrica de tabaco em Sarajevo) e hotéis Holiday Inn. Sarajevo foi o local dos Jogos Olímpicos de Inverno de 1984.

História antiga

A Bósnia é habitada desde pelo menos a era paleolítica. Notavelmente, a caverna Badanj, perto de Stolac, apresenta uma das mais antigas gravuras rupestres conhecidas, retratando uma figura animal que se acredita ser um cavalo, datada de aproximadamente 13 a 12 000 a.C. Durante o período Neolítico, culturas significativas como a Butmir e a Kakanj surgiram ao longo do rio Bosna. A cultura Butmir, que floresceu entre 5100 e 4 500 a.C., é conhecida por suas cerâmicas distintas e estatuetas antropomórficas. Escavações perto de Sarajevo revelaram cerâmicas com decorações complexas e estatuetas humanas realistas dessa cultura. A partir do século VIII a.C., as tribos ilírias evoluíram para reinos. Os reinos e dinastias ilírios mais notáveis foram os de Bárdilis, dos dardanos, e de Agrão, dos ardieus, que criou o último e mais conhecido reino ilírio. Agrão governou os ardieus e estendeu seu domínio a outras tribos também.

Idade média

Os primeiros eslavos invadiram os Balcãs Ocidentais, incluindo a Bósnia, no século VI e início do século VII (durante o período das migrações), e eram compostos por pequenas unidades tribais provenientes de uma única confederação eslava conhecida pelos bizantinos como esclavenos (enquanto os Antes, aproximadamente, colonizaram as partes orientais dos Balcãs). As tribos registradas pelos etnônimos “sérvio” e “croata” são descritas como uma segunda migração, posterior, de diferentes povos durante o segundo quartel do século VII, que não devem ter sido particularmente numerosos; essas tribos “sérvias” e “croatas” primitivas, cuja identidade exata é objeto de debate acadêmico, passaram a predominar sobre os eslavos nas regiões vizinhas. De acordo com Noel Malcolm, os croatas tribais “se estabeleceram em uma área que correspondia aproximadamente à Croácia moderna e provavelmente também incluía a maior parte da Bósnia propriamente dita, com exceção da faixa oriental do vale do Drina”, enquanto os sérvios tribais se estabeleceram em uma área “correspondente ao sudoeste da Sérvia moderna (mais tarde conhecida como Raška) e gradualmente estenderam seu domínio aos territórios de Duklja e Hum”. John Van Antwerp Fine Jr, por outro lado, descreve a colonização dos croatas tribais como envolvendo a Croácia, a Dalmácia e a Bósnia Ocidental, com o resto da Bósnia aparentemente sendo um território entre o domínio sérvio e croata.

Império Otomano

A conquista otomana da Bósnia marcou uma nova era na história do país e introduziu mudanças drásticas no panorama político e cultural. Os otomanos incorporaram a Bósnia como uma província integrante do Império Otomano, com seu nome histórico e integridade territorial. Na Bósnia, os otomanos introduziram uma série de mudanças importantes na administração sociopolítica do território, incluindo um novo sistema de propriedade da terra, uma reorganização das unidades administrativas e um complexo sistema de diferenciação social por classe e afiliação religiosa. Após a ocupação otomana, houve um fluxo constante de pessoas saindo da Bósnia e um grande número de aldeias abandonadas na Bósnia são mencionadas nos registros otomanos, enquanto aqueles que permaneceram acabaram se tornando muçulmanos. Muitos católicos na Bósnia fugiram para terras católicas vizinhas no início da ocupação otomana. As evidências indicam que as primeiras conversões ao islamismo na Bósnia otomana, nos séculos XV e XVI, ocorreram entre os habitantes locais que permaneceram na região, e não entre colonos muçulmanos vindos de fora da Bósnia. Na Herzegovina, muitos ortodoxos também se converteram ao islamismo. No final do século XVI e início do século XVII, considera-se que os muçulmanos se tornaram maioria absoluta na Bósnia e Herzegovina. O padre católico albanês Pjetër Mazreku relatou em 1624 que havia 450 mil muçulmanos, 150 mil católicos e 75 mil ortodoxos orientais na Bósnia e Herzegovina.

Áustria-Hungria

No Congresso de Berlim, em 1878, o ministro das Relações Exteriores da Áustria-Hungria, Gyula Andrássy, conseguiu a ocupação e administração da Bósnia e Herzegovina, além do direito de estacionar guarnições no Sanjaco de Novi Pazar, que permaneceria sob administração otomana até 1908, quando as tropas austro-húngaras se retiraram do Sanjaco. Embora os funcionários austro-húngaros tenham rapidamente chegado a um acordo com os bósnios, as tensões permaneceram e ocorreu uma emigração em massa de bósnios. No entanto, rapidamente se alcançou um estado de relativa estabilidade e as autoridades austro-húngaras puderam embarcar numa série de reformas sociais e administrativas que pretendiam transformar a Bósnia-Herzegovina numa colónia “modelo”.

Reino da Iugoslávia

Após a Primeira Guerra Mundial, a Bósnia e Herzegovina juntou-se ao Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos do Sul (em breve renomeado Jugoslávia). A vida política na Bósnia e Herzegovina nesta época foi marcada por duas tendências principais: agitação social e econômica em torno da redistribuição da propriedade e a formação de vários partidos políticos que frequentemente mudavam de coalizões e alianças com partidos de outras regiões da Jugoslávia. O conflito ideológico dominante no Estado iugoslavo, entre o regionalismo croata e a centralização sérvia, foi abordado de forma diferente pelos principais grupos étnicos da Bósnia-Herzegovina e dependia do clima político geral. As reformas políticas introduzidas no recém-criado reino da Jugoslávia trouxeram poucos benefícios para os muçulmanos bósnios; de acordo com o censo final de 1910 sobre a propriedade da terra e a população de acordo com a filiação religiosa realizado na Áustria-Hungria, os muçulmanos possuíam 91,1% da propriedade, os sérvios ortodoxos 6,0%, os croatas católicos 2,6% e outros 0,3%. Após as reformas, os muçulmanos bósnios foram despojados de um total de 1.175.305 hectares de terras agrícolas e florestais.

Segunda Guerra Mundial (1941–45)

Depois que o Reino da Iugoslávia foi conquistado pelas forças alemãs na Segunda Guerra Mundial, toda a Bósnia e Herzegovina foi cedida ao regime fantoche nazista, o Estado Independente da Croácia (NDH), liderado pelos Ustaše. Os líderes do NDH iniciaram uma campanha de extermínio de sérvios, judeus, romani, bem como croatas dissidentes e, mais tarde, dos partisans de Josip Broz Tito, criando vários campos de extermínio. O regime massacrou de forma sistemática e brutal os sérvios nas aldeias rurais, utilizando uma variedade de instrumentos. A escala da violência significou que aproximadamente um em cada seis sérvios que viviam na Bósnia-Herzegovina foram vítimas de um massacre e praticamente todos os sérvios tinham um membro da família que foi morto na guerra, principalmente pelos Ustaše. A experiência teve um impacto profundo na memória coletiva dos sérvios na Croácia e na Bósnia-Herzegovina. Estima-se que 209 mil sérvios, ou 16,9% da população da Bósnia, foram mortos no território da Bósnia e Herzegovina durante a guerra.

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Geografia

A Bósnia e Herzegovina fica nos Balcãs Ocidentais, fazendo fronteira com a Croácia (932 km ou 579 milhas) ao norte e oeste, com a Sérvia (302 km ou 188 milhas) a leste e com Montenegro (225 km ou 140 milhas) a sudeste. Tem uma costa com cerca de 20 quilômetros (12 milhas) de extensão que circunda a cidade de Neum. Situa-se entre as latitudes 42° e 46° N e as longitudes 15° e 20° E. O nome do país vem das duas supostas regiões, Bósnia e Herzegovina, cuja fronteira nunca foi definida. Historicamente, o nome oficial da Bósnia nunca incluiu nenhuma de suas muitas regiões até a ocupação austro-húngara. O país é predominantemente montanhoso, abrangendo os Alpes Dináricos centrais. A parte nordeste se estende até a Bacia da Panônia, enquanto o sul faz fronteira com o Mar Adriático. Os Alpes Dináricos geralmente se estendem na direção sudeste-noroeste e ficam mais altos em direção ao sul. O ponto mais alto do país é o pico Maglić, com 2.386 metros (7.828,1 pés), na fronteira com Montenegro. Outras montanhas importantes incluem Volujak, Zelengora, Lelija, Lebršnik, Orjen, Kozara, Grmeč, Čvrsnica, Prenj, Vran, Vranica, Velež, Vlašić, Cincar, Romanija, Jahorina, Bjelašnica, Treskavica e Trebević. A composição geológica da cadeia montanhosa dinárica na Bósnia consiste principalmente em calcário (incluindo calcário mesozóico), com depósitos de ferro, carvão, zinco, manganês, bauxita, chumbo e sal presentes em algumas áreas, especialmente na Bósnia central e setentrional.

Biodiversidade

Do ponto de vista fitogeográfico, a Bósnia e Herzegovina pertence ao Reino Boreal e é dividida entre a província ilíria da região circumboreal e a província adriática da região mediterrânea. De acordo com o World Wide Fund for Nature (WWF), o território da Bósnia e Herzegovina pode ser subdividido em quatro ecorregiões: florestas mistas dos Balcãs, florestas mistas das Montanhas Dináricas, florestas mistas da Panônia e florestas decíduas da Ilíria. O país obteve uma pontuação média de 5,99/10 no Índice de Integridade da Paisagem Florestal de 2018, ficando em 89º lugar entre 172 países. Na Bósnia e Herzegovina, a cobertura florestal é de cerca de 43% da área total do território, o que equivale a 2.187.910 hectares (ha) de floresta em 2020, uma redução em relação aos 2 210 000 hectares (ha) em 1990. Em 2015, 74% da área florestal era de propriedade pública e 26% de propriedade privada.

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Política

Como resultado do Acordo de Dayton, a implementação da paz civil é supervisionada pelo Alto Representante para a Bósnia e Herzegovina, selecionado pelo Conselho de Implementação da Paz (PIC). O Alto Representante é a mais alta autoridade política do país. O Alto Representante tem inúmeros poderes governamentais e legislativos, incluindo a destituição de funcionários eleitos e não eleitos. Devido aos vastos poderes do Alto Representante sobre a política bósnia e aos poderes de veto essenciais, o cargo também tem sido comparado ao de um vice-rei. A política se desenvolve no âmbito de uma democracia representativa parlamentar, em que o poder executivo é exercido pelo Conselho de Ministros da Bósnia e Herzegovina. O poder legislativo é exercido tanto pelo Conselho de Ministros quanto pela Assembleia Parlamentar da Bósnia e Herzegovina. Os membros da Assembleia Parlamentar são eleitos de acordo com um sistema de representação proporcional (RP).

Exército

Aeronave de transporte principal TH-1H Huey As Forças Armadas da Bósnia e Herzegovina (OSBiH) foram unificadas em uma única entidade em 2005, com a fusão do Exército da Federação da Bósnia e Herzegovina e do Exército da Republika Srpska, que defendiam suas respectivas regiões. O Ministério da Defesa foi criado em 2004. As forças armadas da Bósnia são compostas pelas Forças Terrestres da Bósnia, pela Força Aérea e pela Defesa Aérea. As Forças Terrestres contam com 7.200 militares na ativa e cinco mil na reserva. As Forças Armadas da Bósnia estão equipadas com uma mistura de armamentos, veículos e equipamentos militares fabricados nos Estados Unidos, na Iugoslávia, na União Soviética e na Europa. A Força Aérea e as Forças de Defesa Aérea têm 1.500 efetivos e cerca de 62 aeronaves. As Forças de Defesa Aérea operam mísseis portáteis MANPADS, baterias de mísseis terra-ar (SAM), canhões antiaéreos e radares. O Exército adotou recentemente uniformes MARPAT remodelados, usados pelos soldados bósnios que servem na Força Internacional de Assistência à Segurança (ISAF) no Afeganistão. Um programa de produção nacional está em andamento para garantir que as unidades do exército sejam equipadas com a munição correta.

Relações exteriores

A integração na União Europeia é um dos principais objetivos políticos da Bósnia-Herzegovina, que iniciou o Processo de Estabilização e Associação em 2007. Os países participantes no PEA têm a possibilidade de se tornarem Estados-Membros da UE, desde que cumpram as condições necessárias. A Bósnia e Herzegovina é um país candidato à adesão à UE desde dezembro de 2022. As negociações de adesão devem começar após a implementação de mais reformas. A implementação do Acordo de Dayton em 1995 concentrou os esforços dos formuladores de políticas na Bósnia e Herzegovina, bem como da comunidade internacional, na estabilização regional nos países sucessores da antiga Iugoslávia. Na Bósnia e Herzegovina, as relações com os seus vizinhos Croácia, Sérvia e Montenegro têm sido bastante estáveis desde a assinatura do Acordo de Dayton. Em 23 de abril de 2010, a Bósnia-Herzegovina recebeu o Plano de Ação para a Adesão da OTAN, que é o último passo antes da adesão plena à aliança. A adesão plena estava inicialmente prevista para 2014 ou 2015, dependendo do progresso das reformas. Em dezembro de 2018, a OTAN aprovou um Plano de Ação para a Adesão da Bósnia.

Organização político-administrativa

A Bósnia-Herzegovina é uma federação composta de duas entidades politicamente autónomas: a Federação da Bósnia-Herzegovina e a República Sérvia, mais o distrito de Brčko, que é um território livre e comum das duas entidades.

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Demografia

De acordo com o censo de 1991, a Bósnia e Herzegovina tinha uma população de 4.369.319 habitantes, enquanto o censo do Grupo Banco Mundial de 1996 mostrou uma diminuição para 3.764.425 habitantes. As grandes migrações populacionais durante as Guerras da Iugoslávia na década de 1990 causaram mudanças demográficas no país. Entre 1991 e 2013, as divergências políticas impossibilitaram a realização de um censo. Um censo havia sido planejado para 2011, e, depois, para 2012, mas foi adiado até outubro de 2013. O censo de 2013 registrou uma população total de 3.531.159 pessoas, uma queda de aproximadamente 20% desde 1991. Os dados do censo de 2013 incluem residentes bósnios não permanentes e, por esse motivo, são contestados por autoridades da Republika Srpska e políticos sérvios (ver Grupos étnicos ao lado e abaixo).

Grupos étnicos

A Bósnia e Herzegovina é o lar de três “povos constituintes” étnicos, nomeadamente bósnios, sérvios e croatas, além de vários grupos menores, incluindo judeus e ciganos. De acordo com dados do censo de 2013 publicados pela Agência de Estatística da Bósnia e Herzegovina, os bósnios constituem 50,1% da população, os sérvios 30,8%, os croatas 15,5% e outros 2,7%, com os restantes inquiridos a não declararem a sua etnia ou a não responderem. Os resultados do censo são contestados pelo gabinete de estatística da Republika Srpska e pelos políticos sérvios da Bósnia. A disputa sobre o censo diz respeito à inclusão de residentes não permanentes da Bósnia nos números, o que os funcionários da Republika Srpska se opõem. O gabinete de estatísticas da União Europeia, Eurostat, concluiu em maio de 2016 que a metodologia de recenseamento utilizada pela agência estatística bósnia está em conformidade com as recomendações internacionais.

Idiomas

A Constituição da Bósnia não especifica nenhuma língua oficial. No entanto, os acadêmicos Hilary Footitt e Michael Kelly observam que o Acordo de Dayton afirma que ele foi “redigido em bósnio, croata, inglês e sérvio”, e descrevem isso como o “reconhecimento de fato de três idiomas oficiais” em nível estadual. A igualdade de status entre o bósnio, o sérvio e o croata foi verificada pelo Tribunal Constitucional em 2000. Decidiu que as disposições das constituições da Federação e da Republika Srpska relativas à língua eram incompatíveis com a constituição do Estado, uma vez que apenas reconheciam o bósnio e o croata (no caso da Federação) e o sérvio (no caso da Republika Srpska) como línguas oficiais a nível das entidades. Consequentemente, a redação das constituições das entidades foi alterada e as três línguas passaram a ser oficiais em ambas as entidades. As três línguas padrão são totalmente compreensíveis entre si e são conhecidas coletivamente sob a denominação de servo-croata, apesar de esse termo não ser formalmente reconhecido no país. O uso de uma das três línguas tornou-se um marcador de identidade étnica. Michael Kelly e Catherine Baker argumentam: “As três línguas oficiais do atual Estado bósnio... representam a afirmação simbólica da identidade nacional sobre o pragmatismo da inteligibilidade mútua”.

Religião

A Bósnia e Herzegovina é um país com grande diversidade religiosa. De acordo com o censo de 2013, os muçulmanos representavam 50,7% da população, enquanto os cristãos ortodoxos representavam 30,7%, os cristãos católicos 15,2%, 1,2% outros e 1,1% ateus ou agnósticos, com o restante não declarando ou não respondendo à pergunta. Uma pesquisa de 2012 mostrou que 54% dos muçulmanos do país são sem denominação e 38% são sunitas.

Áreas urbanas

Sarajevo tem 419.957 habitantes na sua área urbana, que compreende a cidade de Sarajevo, bem como os municípios de Ilidža, Vogošća, Istočna Ilidža, Istočno Novo Sarajevo e Istočni Stari Grad. A área metropolitana tem uma população de 555.210 habitantes e inclui o cantão de Sarajevo, Sarajevo Oriental e os municípios de Breza, Kiseljak, Kreševo e Visoko. Na região Sul da Bósnia-Herzegovina, numa pequena vila chamada Međugorje, alega-se que estariam a ocorrer desde o ano 1981, as mais recentes aparições da Virgem Maria, o que tem atraído a atenção de algumas pessoas em todo o mundo. A Igreja Católica encontra-se ainda a analisar os fenômenos, tentando apurar a sua veracidade, mas o número de peregrinos que acorrem ao local das aparições nos últimos anos tem vindo a aumentar exponencialmente. Em 2019, o Papa Francisco oficializou as peregrinações para Međugorje. No dia 19 de setembro de 2024 a Igreja emitiu o "nihil obstat", ou nada obsta, para o fenômeno espiritual de Medjugorje, autorizando oficialmente o culto público e deixando os fiéis livres para crerem ou não nas aparições.

Saúde

De acordo com o Índice Global da Fome (GHI) de 2024, a Bósnia e Herzegovina apresenta um baixo nível de fome, com uma pontuação GHI inferior a 5.

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Economia

Durante a Guerra da Bósnia, a economia sofreu 200 bilhões de euros em danos materiais, o que equivale a cerca de 326,38 bilhões de euros em 2022 (ajustado pela inflação). A Bósnia e Herzegovina enfrenta o duplo problema de reconstruir um país devastado pela guerra e introduzir reformas liberais de transição no mercado da sua antiga economia mista. Um legado da era anterior é uma indústria forte; sob o comando do ex-presidente da república Džemal Bijedić e do presidente iugoslavo Josip Broz Tito, as indústrias metalúrgicas foram promovidas na república, resultando no desenvolvimento de uma grande parte das fábricas da Iugoslávia; a República Socialista da Bósnia e Herzegovina tinha uma economia industrial muito forte orientada para a exportação nas décadas de 1970 e 1980, com exportações em grande escala no valor de milhões de dólares americanos. Durante a maior parte da história da Bósnia, a agricultura foi praticada em fazendas privadas; tradicionalmente, os alimentos frescos eram exportados da república.

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Infraestrutura

Transporte

O Aeroporto Internacional de Sarajevo, também conhecido como Aeroporto de Butmir, é o principal aeroporto internacional da Bósnia e Herzegovina, localizado a 3,3 NM (6,1 km; 3,8 milhas) a sudoeste da estação ferroviária principal de Sarajevo na cidade de Sarajevo, no subúrbio de Butmir. As operações ferroviárias na Bósnia e Herzegovina são sucessoras das Ferrovias Iugoslavas dentro das fronteiras do país após a independência da antiga Iugoslávia em 1992. Hoje, elas são operadas pelas Ferrovias da Federação da Bósnia e Herzegovina (ŽFBiH) na Federação da Bósnia e Herzegovina e pelas Ferrovias da Republika Srpska (ŽRS) na Republika Srpska.

Telecomunicações

O mercado de comunicações da Bósnia foi totalmente liberalizado em janeiro de 2006. As três operadoras de telefonia fixa prestam serviços predominantemente em suas áreas de operação, mas possuem licenças nacionais para chamadas domésticas e internacionais. Também estão disponíveis serviços de dados móveis, incluindo serviços EDGE, 3G e 4G de alta velocidade. Oslobođenje (Libertação), fundado em 1943, é um dos jornais mais antigos do país em circulação contínua. Existem muitas publicações nacionais, incluindo o Dnevni avaz (Voz Diária), fundado em 1995, e o Jutarnje Novine (Notícias da Manhã), para citar apenas alguns em circulação em Sarajevo. Outros periódicos locais incluem o jornal croata Hrvatska riječ e a revista bósnia Start, bem como os jornais semanais Slobodna Bosna (Bósnia Livre) e BH Dani (Dias BH). A revista mensal Novi Plamen era a publicação mais esquerdista. A emissora internacional de notícias Al Jazeera mantém um canal irmão voltado para a região dos Balcãs, o Al Jazeera Balkans, com transmissão e sede em Sarajevo. Desde 2014, a plataforma N1 transmite como afiliada da CNN International, com escritórios em Sarajevo, Zagreb e Belgrado.

Educação

O ensino superior tem uma longa e rica tradição na Bósnia-Herzegovina. A primeira instituição de ensino superior sob medida era uma escola de filosofia estabelecida por Gazi Cosrove Bei em 1531. Numerosas outras escolas religiosas foram criadas posteriormente. Em 1887, sob o Império Austro-Húngaro, uma escola de lei xaria iniciou um programa de cinco anos. Na década de 1940, a Universidade de Sarajevo tornou-se a primeira instituição de ensino superior secular no país. Na década de 1950, cursos de bacharelado e pós-bacharelado tornaram-se disponíveis. Severamente danificada durante a guerra, a Universidade de Sarajevo foi recentemente reconstruída em parceria com mais de 40 outras universidades. Existem várias outras instituições de ensino superior, incluindo a Universidade Džemal Bijedić de Mostar, a Universidade de Banja Luka, Universidade de Mostar, Universidade do Leste de Sarajevo, Universidade de Tuzla, Universidade Americana na Bósnia e Herzegovina e a Academia de Ciências e Artes da Bósnia e Herzegovina, que é tida em alta consideração como uma das mais prestigiadas academias de artes criativas na região.

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Cultura

A culinária bósnia utiliza muitas especiarias, em quantidades moderadas. A maioria dos pratos é leve, pois são cozidos; os molhos são totalmente naturais, consistindo em pouco mais do que os sucos naturais dos vegetais do prato. Os ingredientes típicos incluem tomates, batatas, cebolas, alho, pimentões, pepinos, cenouras, repolho, cogumelos, espinafre, abobrinha, feijão seco, feijão fresco, ameixas, leite, páprica e creme chamado pavlaka. A culinária bósnia é equilibrada entre influências ocidentais e orientais. Como resultado da administração otomana por quase 500 anos, a comida bósnia está intimamente relacionada com a culinária turca, grega e outras culinárias otomanas e mediterrâneas. No entanto, devido aos anos de domínio austríaco, há muitas influências da Europa Central. Os pratos típicos de carne incluem principalmente carne bovina e cordeiro. Algumas especialidades locais são ćevapi, burek, dolma, sarma, pilav, goulash, ajvar e toda uma variedade de doces orientais. Ćevapi é um prato grelhado de carne picada, um tipo de kebab, popular na antiga Iugoslávia e considerado um prato nacional na Bósnia e Herzegovina e na Sérvia. Os vinhos locais provêm da Herzegovina, onde o clima é propício ao cultivo de uvas. A loza da Herzegovina (semelhante à grappa italiana, mas menos doce) é muito popular. As bebidas alcoólicas de ameixa (rakija) ou maçã (jabukovača) são produzidas no norte. No sul, as destilarias costumavam produzir grandes quantidades de conhaque e abastecer todas as fábricas de álcool da ex-Iugoslávia (o conhaque é a base da maioria das bebidas alcoólicas).

Arquitetura

A arquitetura da Bósnia e Herzegovina é amplamente influenciada por quatro períodos importantes, nos quais mudanças políticas e sociais influenciaram a criação de hábitos culturais e arquitetônicos distintos da população. Cada período deixou sua marca e contribuiu para uma maior diversidade de culturas e linguagem arquitetônica nesta região.

Mídia

Algumas emissoras de televisão, revistas e jornais na Bósnia e Herzegovina são estatais, enquanto outros são empresas com fins lucrativos financiadas por publicidade, assinaturas e outras receitas relacionadas a vendas. A Constituição da Bósnia e Herzegovina garante a liberdade de expressão. Como um país em transição com um legado pós-guerra e uma estrutura política interna complexa, o sistema de mídia da Bósnia e Herzegovina está em transformação. No início do período pós-guerra (1995-2005), o desenvolvimento da mídia foi orientado principalmente por doadores internacionais e agências de cooperação, que investiram para ajudar a reconstruir, diversificar, democratizar e profissionalizar os meios de comunicação.

Literatura

A Bósnia e Herzegovina possui uma rica literatura, incluindo o vencedor do Prêmio Nobel de Literatura Ivo Andrić e poetas como Antun Branko Šimić, Aleksa Šantić, Jovan Dučić e Mak Dizdar, escritores como Zlatko Topčić, Meša Selimović, Semezdin Mehmedinović, Miljenko Jergović, Isak Samokovlija, Safvet-beg Bašagić, Abdulah Sidran, Petar Kočić, Aleksandar Hemon e Nedžad Ibrišimović. O Teatro Nacional foi fundado em 1919 em Sarajevo e seu primeiro diretor foi o dramaturgo Branislav Nušić. Revistas como Novi Plamen ou Sarajevske sveske são algumas das publicações mais proeminentes que cobrem temas culturais e literários. No final da década de 1950, as obras de Ivo Andrić já tinham sido traduzidas para várias línguas. Em 1958, a Associação de Escritores da Iugoslávia nomeou Andrić como seu primeiro candidato ao Prêmio Nobel de Literatura.

Arte

A arte da Bósnia e Herzegovina esteve sempre em evolução, variando desde as lápides medievais originais chamadas Stećci até às pinturas da corte de Kotromanić. Vinte necrópoles stećak na Bósnia e Herzegovina foram adicionadas à Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO em 2006. No entanto, foi somente com a chegada dos austro-húngaros que o renascimento da pintura na Bósnia realmente começou a florescer. Os primeiros artistas formados em academias europeias surgiram no início do século XX. Entre eles estão: Gabrijel Jurkić, Petar Šain, Roman Petrović e Lazar Drljača. Após a Segunda Guerra Mundial, artistas como Mersad Berber e Safet Zec ganharam popularidade.

Música

As canções típicas da Bósnia são ganga, rera e a música eslava tradicional para danças folclóricas, como kolo, enquanto da era otomana a mais popular é Sevdalinka. A música pop e rock também tem tradição aqui, com músicos famosos como Dino Zonić, Goran Bregović, Davorin Popović, Kemal Monteno, Zdravko Čolić, Elvir Laković Laka, Edo Maajka, Hari Varešanović, Dino Merlin, Mladen Vojičić Tifa, Željko Bebek, etc. Outros compositores, como Đorđe Novković, Al' Dino, Haris Džinović, Kornelije Kovač, e muitas bandas de rock e pop, por exemplo, Bijelo Dugme, Crvena jabuka, Divlje jagode, Indexi, Plavi orkestar, Zabranjeno Pušenje, Ambasadori, Dubioza kolektiv, que estavam entre os principais da antiga Iugoslávia. A Bósnia é o lar do compositor Dušan Šestić, criador do hino nacional da Bósnia e Herzegovina e pai da cantora Marija Šestić, do músico de jazz, educador e embaixador do jazz bósnio Sinan Alimanović, do compositor Saša Lošić e do pianista Saša Toperić. Nas aldeias, especialmente na Herzegovina, bósnios, sérvios e croatas tocam o antigo gusle. O gusle é usado principalmente para recitar poemas épicos em um tom geralmente dramático.

Cinema e teatro

Sarajevo é internacionalmente conhecida pela sua seleção eclética e diversificada de festivais. O Festival de Cinema de Sarajevo foi criado em 1995, durante a Guerra da Bósnia, e tornou-se o principal e maior festival de cinema dos Balcãs e do Sudeste Europeu. A Bósnia possui um rico patrimônio cinematográfico, que remonta ao Reino da Iugoslávia; muitos cineastas bósnios alcançaram proeminência internacional e alguns ganharam prêmios internacionais, desde o Óscar até várias Palmas de Ouro e Ursos de Ouro. Alguns roteiristas, diretores e produtores bósnios notáveis são Danis Tanović (conhecido pelo filme No Man's Land, vencedor do Óscar e do Globo de Ouro em 2001, e pelo filme Death in Sarajevo, vencedor do Grande Prêmio do Júri do Urso de Prata em 2016), Jasmila Žbanić (vencedora do Urso de Ouro, indicada ao Óscar e ao BAFTA pelo filme Quo Vadis, Aida?, de 2020), Emir Kusturica (vencedor de duas Palmas de Ouro em Cannes), Zlatko Topčić, Ademir Kenović, Ahmed Imamović, Pjer Žalica, Aida Begić, etc.

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Fontes consultadas

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