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Boécio

Anício Mânlio Torquato Severino Boécio, conhecido como Severino Boécio ou simplesmente Boécio, foi um filósofo, poeta, estadista e teólogo romano, cujas obras tiveram uma profunda influência na filosofia cristã do Medievo. Inclui-se entre os fundadores da Escolástica.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 15/07/2026
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Biografia

Anício Mânlio Severino Boécio nasceu em Roma por volta do ano 480, quando o Império Romano do Ocidente vivia os seus últimos anos e quando na Europa a Antiguidade Clássica já cedia lugar à Idade Média. Era filho de Flávio Mânlio Boécio, pertencente a uma importante e antiga família patrícia dos Anícios, cristianizada há mais de um século, que tinha dado a Roma vários cônsules e o imperador Anício Olíbrio. Na linha paterna contava, pelo menos, dois papas e a linhagem materna incluía alguns imperadores romanos. O pai seria feito cônsul em 487, já depois de Odoacro depor o último imperador romano do ocidente. O pai faleceu pouco depois de ter sido nomeado cônsul, deixando órfão Boécio com apenas sete anos, que em resultado foi educado por Quinto Aurélio Mêmio Símaco (Quintus Aurelius Memmius Symmachus), amigo da família, também ele um patrício e cristão pio. Desconhece-se onde Boécio aprendeu a língua grega com tamanha proficiência e profundidade e onde adquiriu os profundos conhecimentos sobre os autores clássicos greco-latinos que a sua obra demonstra. Os documentos históricos conhecidos são ambíguos, mas alguns estudiosos apontam como muito provável que tenha estudado em Atenas ou em Alexandria, sendo esta última hipótese mais provável dado existirem referências a um Boécio, talvez o seu pai, que seria, por volta do ano de 470, proctor de uma escola daquela cidade.

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Obras

Entre as obras de Boécio, a mais conhecida é De consolatione philosophiae (A Consolação da Filosofia), sua última obra, escrita na prisão enquanto aguardava a execução da pena de morte. É um texto neo-platónico, no qual a procura da sabedoria e do amor de Deus é considerada como a verdadeira fonte da felicidade humana. Contudo, toda a sua obra, e um esforço intelectual que ocupou toda a sua vida, foi uma tentativa deliberada de preservar o conhecimento antigo, particularmente a filosofia, então em risco face ao desmoronar do Império Romano e das suas estruturas sociais perante a chegada das hordas de bárbaros incultos que submergiam a sociedade romana. Tencionava traduzir do original grego para o latim e comentar todas as obras de Aristóteles e traduzir e talvez comentar as de Platão, o que infelizmente não conseguiu. Pretendia com isso restaurar as ideias daqueles pensadores e formar com elas um todo harmónico. Neste labor, Boécio prosseguia o mesmo ideal de helenismo que já tinha animado Cícero.

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Fontes consultadas

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