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Boca-preta-sertanejo

Boca-preta-sertanejo é uma variedade regional (Land-race) de cães nativos da região nordeste do Brasil, utilizada para caça, vigia, e lida com o gado ao lado do vaqueiro nordestino.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 15/07/2026
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História

Origem

Acredita-se que as origens da raça remontam aos cães autóctones (similar à origem dos cães Carib Tyke), podendo estar ligados também a cães do tipo podengo ou outros tipos de cães de caça europeus, e eram criados por povos ameríndios do nordeste do Brasil. Segundo o livro História da Missão dos Padres Capuchinhos na Ilha do Maranhão e Terras Circunvizinhas, de 1614, cães domesticados já eram encontrados com indígenas no nordeste do Brasil, e que estes os chamavam de Januare. O autor francês Claude d'Abbeville descreveu em 1614 a aparência destes cães, relatando: “Também se encontram cães domésticos a que dão o nome de Januare e que se parecem com os galgos de nossa terra [os extintos cães franceses Charnaigre]; são, porém, menores e tão aptos à caça, principalmente dos agutis [preás?], que percebendo-os em seus covis, não cessavam de latir até que a caça fosse apanhada.”

Desenvolvimento

A raça formou-se naturalmente em isolamento geográfico durante um período superior a quatro séculos, selecionada por grandes secas, rala alimentação, o tipo de vida dos sertanejos e tornando-se predador e presa nas caatingas e cerrados do Nordeste Brasileiro. O bando de Lampião tinha alguns cães da raça, dentre eles os batizados de Guarani, Ligeiro e "Seu Colega". No romance Vidas Secas de Graciliano Ramos, a descrição dada à cadela "Baleia" é a mesma de um Cão Sertanejo. Devido à sua inteligência e ao forte instinto de companheirismo, tornou-se indispensável ao homem sertanejo em suas lides rurais e na caça de subsistência, seguindo seus passos durante o desenvolvimento da civilização nesta árida região brasileira e participando ativamente da organização de sua vida social, esportiva e até militar, mas especialmente da vida profissional do trabalhador rural.

Organização

Ao mesmo tempo, um criador paraibano estava realizando uma seleção de linhagens de cães sertanejos (boca Preta) cruzados com raças americanas e europeias para formação de uma nova raça, o Dog Hunt Sertanejo.[carece de fontes?] Em conjunto com a seleção dos cães, o paraibano buscava o reconhecimento dos animais junto à SOBRACI (Sociedade Brasileira de Cinofilia). Os dois nordestinos, o piauiense representante da EMBRAPA MEIO-NORTE e o criador paraibano, chegaram a um acordo, pois os cães sertanejos da Paraíba e do Piauí eram a mesma raça e existiam em todo o Sertão Nordestino.[carece de fontes?] Na Paraíba, os animais mestiços de cão sertanejo com raças europeias e americanas foram descartados da nova "seleção pós-acordo", sendo cruzados apenas cães sertanejos.

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Características

Comportamentais

Os cães Boca Preta Sertanejo são polivalentes e possuem muitas habilidades. São utilizados pelo homem sertanejo nas mais variadas tarefas há séculos: ajudam a tocar o gado com enorme destreza por entre a mata fechada e espinhosa da caatinga, são ótimos farejadores, perseguidores implacáveis das raposas e dos ferozes e astutos gaxites, guardas fiéis da casa, do chiqueiro e de toda a pequena propriedade rural, defendem o cercado das galinhas dos ataques noturnos de predadores como a raposa e o gambá, além de proteger as plantações do pequeno agricultor das manadas de porcos. Foram muito utilizados em grandes matilhas por matadores de onças, chamados sob encomenda por coronéis. O matuto designa de um modo especial a aptidão dos cães: “cachorro bom de gado, bom de peba, bom de raposa”.

Físicas

Os cães da raça apresentam pelos curtos, lisos, com cores variando do branco, baio, rajado, preto, preto com barriga branca, preto com marcações marrons ou baias, vermelho, e marrom rajado de preto. As orelhas podem ser pontiagudas com linha reta da base até a ponta ou portada em rosa (dobrada). O focinho é comprido e fino, olhos cor de avelã (marrons), corpo com o comprimento maior que a altura das pernas. O peito é profundo e o abdômen recolhido, podendo variar de acordo com a região nordestina. As patas são duras, compridas e estreitas, formando uma crosta rígida e grossa nas almofadas dos cães criados soltos, daí o termo "Pé-Duro". Esta crosta os protege de tocos, espinhos, calor do solo, pedras pontiagudas e ajuda aliviando o impacto com o solo quando correm e aumentando o atrito.

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Preservação

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), mais especificamente a EMBRAPA Meio-Norte, está desenvolvendo um trabalho de seleção e resgate da raça de cão sertanejo, realizando estudo de caracterização morfométrica, organizando competições de pastoreio de gado para cães da raça, e palestras sobre o cão para a população sertaneja ter ciência da importância deste animal, e com isto, se espera preservar a raça. Alguns criadores da Paraíba, Ceará e Piauí estão resgatando, selecionando e reproduzindo exemplares da raça para preservação das características físicas, comportamentais e mantendo suas aptidões tradicionais (caça, pastoreio, guarda, companhia e proteção pessoal nas matas). A SOBRACI (Sociedade Brasileira de Cinofilia) também reconheceu a raça Boca-Preta Sertanejo ou Cão Sertanejo para preservação e seleção da raça.

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Fontes consultadas

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