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Blastímero da Sérvia

Blastímero foi o príncipe da Sérvia de ca. 830 até 851. Pouco se sabe sobre seu reinado. Ele manteve a Sérvia durante a crescente imposta pelo vizinho, mas até então pacífico, Canato Búlgaro, que significantemente expandiu-se à sudeste, aproximando da Sérvia. Á época, os búlgaros e o Império Bizantino estavam em paz por tratado e embora o imperador era senhor dos sérvios, era incapaz de ajudar os sérvios numa guerra em potencial. Presiano I (r. 836–852) invadiu a Sérvia em 839, resultando numa guerra de três anos, na qual o exército búlgaro foi devastado e repelido. Blastímero então virou-se para oeste, expandindo sua hinterlândia à Dalmácia. Ele é o fundador epônimo da Casa de Blastímero, a primeira dinastia sérvia.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 14/07/2026
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Antecedentes

Estado sérvio e história familiar

O príncipe (arconte) que levou os sérvios aos Bálcãs e recebeu proteção de Heráclio (r. 610–641), conhecido comumente como Arconte Desconhecido, era ancestral de Blastímero. Eles à época estavam organizados em zupanias, confederação de vilas (equivalente ao condado), chefiados por um zupano (magistrado ou governador). Segundo Fine, o governo era hereditário, e o zupano respondeu ao príncipe, a quem eram obrigados a ajudar na guerra. O imperador Constantino VII (r. 913–959) menciona que o trono sérvio foi herdado pelo filho, ou seja primeiro nascido, embora numa ocasião houve um triunvirado em sua enumeração de monarcas. Os sérvios estabeleceram vários principados no século X: a Sérvia (amplamente a posterior de Ráscia, incluindo a Bósnia; parte da Transmontana); e Pagânia, Zaclúmia, Travúnia (incluindo os canalitas) e Dóclea (parte da Marítima).

Ascensão do poder búlgaro

No leste, o Império Búlgaro tornou-se forte. Em 805, o cã Crum (r. 803–814) conquistou os branichevos, timocanos e obodritas ao leste da Sérvia e baniu seus chefes tribais e substituiu-os por administradores nomeados pelo governo central. Em 815, búlgaros e bizantinos assinaram uma paz de 30 anos. Em 818, sob Omurtague (r. 815–831), os branichevos e timocanos junto com outras tropas fronteiriças, revoltaram-se e abandonaram a Bulgária devido uma revolta administrativa que privou-o de sua autoridade local. Os timocanos quebraram sua aliança com os búlgaros, junto dos obodritas e guduscanos, pediram proteção do imperador Luís, o Pio (r. 813–840) e encontraram-o em sua corte em Herstal. Os timocanos migraram ao território franco na Panônia Inferior e foram citados pela última vez em 819, quando convencidos por Luís da Posávia a juntar-se a ele na luta contra os francos. Os obodritas ficaram no Banato, e resistiram aos búlgaros até 824, quando nada mais se sabe sobre eles. O cã enviou emissários aos francos e requisitou que a fronteira precisa fosse demarcada entre eles, e negociações duraram até 826, quando os franco rejeitaram-o. Os búlgaros responderam atacando os eslavos que viviam na Panônia para subjugá-los e então enviou navios rio Drava acima e em 828 devastaram a Panônia Superior, ao norte do Drava. Houve mais lutas em 829, bem como, pela mesma época, os búlgaros conquistaram todos os seus antigos aliados eslavos.

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Vida e reinado

Blastímero sucedeu seu pai Proségoes como arconte. Segundo Živković, a data da ascensão de Blastímero foi em torno de 830. Ele uniu as tribos sérvias nas proximidades. Os sérvios estavam alarmados, e muito provavelmente consolidaram-se devido a expansão do Canato Búlgaro em direção as suas fronteiras (a rápida conquista dos eslavos vizinhos), em alto-defesa, e possivelmente procuraram parar a expansão búlgara ao sul (na Macedônia). O imperador Teófilo (r. 829–842) foi reconhecido como suserano nominal (senhor) dos sérvios, e muito provavelmente encorajou-os a frustrar os búlgaros. O tratado de paz de 30 anos entre bizantinos e búlgaros, assinado em 815, ainda estava de pé.

Guerra com o Canato Búlgaro

Segundo Constantino VII, sérvios e búlgaros viveram pacificamente como vizinhos até a invasão de 839 (nos últimos anos de Teófilo). Não se sabe o que provocou a guerra; pode ser resultado das relações sérvio-búlgaras, ou seja a conquista búlgara do sudeste, ou resultado da rivalidade bizantino-búlgara, na qual a Sérvia estava ao lado dos bizantinos como aliada imperial. Não é improvável que Teófilo teve participação nisso; como estava em guerra com os árabes, pode ter empurrado os sérvios para repelir os búlgaros da Macedônia Ocidental, o que beneficiaria ambos. Segundo John Bury, essa aliança explicaria a causa da ação do cã Malamir. Zlatarski supõe que o imperador ofereceu aos sérvios completa independência. Segundo Porfirogênito, os búlgaros queriam continuar sua conquista dos territórios eslavos - para subjugar os sérvios. Presiano I (r. 836–852) lançou uma invasão em solo sérvio em 839, o que causou uma guerra que durou três anos, na qual os sérvios foram vitoriosos; Presiano foi pesadamente derrotado e perdeu boa parte de seus homens, não teve ganhos territoriais e foi repelido.

Expansão

Após a vitória sobre os búlgaros, Blastímero expandiu-se para oeste, tomando a Bósnia e Herzegovina. Blastímero casou sua filha com Craina, o filho do zupano da Travúnia Baloes, em ca. 847/848. Com esse casamento, Blastímero elevou o título de Craina para arconte e sua casa herdou a Travúnia. Craina teve um filho com a filha de Blastímero, chamado Falímeres, que mais tarde sucederia seu pai. Sua intenção de conectar-se a casa reinante da Travúnia mostra que sua reputação entre os arcontes e zupanos sérvios vizinhos estava baseada em sua ascensão e portanto correspondeu à relevância política e força militar da Sérvia. É possível que antes do reinado de Blastímero, o zupano travúnio procurou libertar-se da influência da Sérvia, mas Blastímero procurou a solução no casamento político de sua filha.

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Família

Blastímero teve três filhos e uma filha:

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Posteridade

Blastímero morreu ca. 851 e foi sucedido por seus três filhos. Em 853/854, eles com sucesso enfrentaram uma invasão conduzida por Vladimir, filho do cã Bóris I (r. 852–889), capturando-o junto com altos dignitários; a expedição tinha como pano de fundo a tentativa de vingar-se pela derrota de Presiano. As partes fizeram a paz, e talvez uma aliança. Os irmãos mais jovens de Mutímero mais tarde revoltaram-se contra ele e Mutímero enviou-os à corte de Bóris em Plisca. Em seguida, Mutímero solicitou ao imperador Basílio I, o Macedônio (r. 867–886) que batizasse suas terras e sacerdotes constantinopolitanos foram enviados e um bispado sérvio foi fundado.

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Fontes consultadas

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