Bicombustível
Veículos bicombustíveis são aqueles capazes de funcionar com dois tipos de combustível, geralmente gasolina e etanol. Alguns modelos possuem tanques separados, um deles dedicado ao GNV. A alternância entre os combustíveis pode ser manual ou automática. No Brasil, o termo 'bicombustível' é popularmente usado para qualquer veículo que utilize dois combustíveis, incluindo os chamados 'flex'. Os veículos flex, tecnicamente chamados de 'dual fuel', armazenam e misturam ambos os combustíveis no mesmo tanque, ajustando a injeção eletrônica com base em sensores que detectam a composição da mistura.
Pontos-chave
- Veículos bicombustíveis utilizam dois tipos de combustível, como gasolina e etanol.
- Veículos flex misturam os combustíveis no mesmo tanque e ajustam a injeção eletrônica.
- A origem dos motores bicombustíveis remonta à Alemanha nazista, com uso militar.
- O Brasil foi pioneiro com o programa Pró-álcool e é líder mundial em etanol.
- Bicombustíveis oferecem economia e são alternativas contra poluição e aquecimento global.
A história dos motores bicombustíveis tem raízes militares. Na Alemanha nazista durante a Segunda Guerra Mundial, bombas voadoras usavam álcool de batata devido a bloqueios de suprimento. Na década de 1970, a General Motors (GM) nos EUA desenvolveu os primeiros motores a álcool e gasolina, chamados E85, que funcionavam com até 85% de álcool.
O Brasil desempenha um papel central na história e desenvolvimento dos veículos bicombustíveis, especialmente com o uso do etanol.
Programa Pró-álcool
Em 1975, o governo brasileiro lançou o Pró-álcool para incentivar a produção e o uso de álcool (etanol), derivado principalmente da cana-de-açúcar e da mandioca, como combustível alternativo. O Brasil possui condições ideais para o cultivo da cana-de-açúcar, com solo, área e sol abundantes. Após superar desafios iniciais como corrosão e dificuldade de partida a frio, o programa foi um sucesso, levando a maioria dos carros produzidos em meados da década de 1980 a utilizarem o 'combustível verde'. Contudo, no final da década, o aumento do preço do açúcar e a queda do petróleo levaram ao desabastecimento e quase extinção do programa.
Liderança em Etanol
O Brasil é o segundo maior produtor mundial e o maior exportador de etanol, sendo referência global em biocombustíveis e pioneiro no uso sustentável. Em 2006, Brasil e EUA juntos produziram 70% do etanol mundial e quase 90% do etanol combustível. A produção brasileira em 2006 foi de 16,3 bilhões de litros (33,3% da produção mundial e 42% do etanol combustível). A projeção para 2008 era de 26,4 bilhões de litros. A indústria brasileira de etanol, com 30 anos de história, utiliza cana-de-açúcar como matéria-prima. Por regulamentação, toda gasolina comercializada no Brasil contém 24% de etanol. Além disso, circulam no país cerca de 5 milhões de veículos flex, capazes de rodar com 100% de etanol ou qualquer mistura com gasolina.
Imagem: Blogpaedia · BY-NC-SA · Openverse
Países desenvolvidos e industrializados estão estudando a adoção em larga escala de veículos flexfuel. Isso se deve à crescente dependência do petróleo, um combustível cada vez mais caro, poluidor e cuja produção está concentrada em regiões com instabilidade política e social.
Além de proporcionar economia financeira, especialmente diante da volatilidade dos preços dos combustíveis, os veículos bicombustíveis representam uma ferramenta importante no combate à poluição e ao aquecimento global. Isso ocorre pelo uso de combustíveis renováveis e menos prejudiciais ao meio ambiente.


