Bicicletas, Bolos e Outras Alegrias
Bicicletas, Bolos e Outras Alegrias é o quarto álbum de estúdio da cantora e compositora brasileira Vanessa da Mata, lançado em 13 de outubro de 2010, pela Sony Music.
Imagem: George Vale · BY · Openverse
Inicialmente, o álbum seria lançado em 2011. Entretanto, a cantora disse que aceitou uma parceria com a Natura. Isso fez com que se retirasse para um sítio, onde começou a compor as canções; dizendo que era hora de fazer um novo álbum, pois, as canções começaram a tomar sua cabeça. Segundo a cantora, "as músicas pedem para ser gravadas". O produtor do disco, Kassin, disse que o novo projeto é diferente do último, pois, Vanessa não tinha muitas músicas completas, mas tinha muitas ideias. Antes das sequências de ensaios, os dois encontraram-se para analisar as letras, mesmo sendo um álbum em que a cantora teve pouco tempo para compor. Kassin ainda disse que apesar de Vanessa não tocar nenhum instrumento, ela chega ao estúdio com a canção e melodia prontas. Devido a isso, os ensaios são importantíssimos para ela passar à cada músico o que "está na cabeça dela". Segundo a cantora, o processo de criação de seus álbuns são totalmente artesanais, pois, ela canta as melodias para os demais integrantes da banda. Sobre essa, ela disse que trouxe os músicos para formar o estilo que ela gostaria para o álbum.
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O primeiro single do álbum, "O Tal Casal", e a canção "As Palavras" arrebataram a gravadora, segundo Vanessa, entretanto, a primeira era uma canção que não entraria no projeto inicialmente. Somente após a mudança no arranjo ela foi encaixada. Segundo a cantora, ela sempre ouvia as pessoas falarem "quem eu quero não me quer, e quem me quer eu mandei embora. O romântico gosta de quem não gosta dele. E eu quis falar um pouco disso de uma maneira gostosa, pois, encontrar é se encontrar". A canção "As Palavras" veio para explicar o que a música tem de significado para a cantora, Vanessa faz uma alusão sobre isso, referindo-se ao "pecado", dizendo que várias pessoas podem ter interpretações diferentes sobre a mesma palavra. Em "Bolsa de Grife", Vanessa fala sobre o fato de não precisar de coisas caras para se sentir realizada ou aliviada de alguma angústia. Já "Moro Longe", para Vanessa, é uma canção direta e objetiva, "Se eu for aí/Faça valer a pena". A faixa que dá o nome ao álbum, "Bicicletas, Bolos e Outras Alegrias", é uma canção que faz homenagem à avó da cantora, Sinhá, e a uma receita. Ela revela a influência de Chico Buarque na faixa, no trecho: "Quem disse que faniquito não cura/Quem disse que açúcar e afeto não podem curar".
Imagem: George Vale · BY · Openverse
O escritor moçambicano Mia Couto disse que se sente leve após escutar o novo álbum de Vanessa da Mata, para ele "essa leveza surge pelo talento de Vanessa para costurar palavra e som, como se ela soubesse que poesia e música são dois nomes de uma mesma linguagem divina". O crítico Beto Feitosa, do site ZiriGuidum.com, disse que Vanessa apresenta um álbum com farto material radiofônico com refrões "chiclete" e que, para ele é um "drops de delícias pop, baladas, um toque de África e um chão de Brasil; tudo muito bem embaladinho em bom papel". Feitosa, ainda elogia a canção "Fiu Fiu" a quem chama de "divertida, que flerta com velhos clichês eletrônicos" e compara "Bolsa de Grife" às canções de Os Mutantes. Ceci Alves, do jornal baiano Correio, inicia a crítica caracterizando Vanessa da Mata como uma diva e dizendo que o seu novo álbum é uma "conversa ao pé de ouvido", pois, para ela, da Mata, traz "seu universo pessoal… mas pleno de referências que dialogam com o ouvinte. E qualquer que seja ele: desde o sisudo cult ao flanador de dial de rádio". Além disso, Alvez diz que "Te Amo" traz referências de Roberto Carlos, e, assim como Beto Feitosa, diz que "Bolsa de Grife", possui arranjos similares aos dos Mutantes. Paralelamente à crítica de Alves, o mesmo jornal publicou uma análise de Hagamenon Brito, que identifica na obra de Vanessa sua infância no interior do estado do Mato Grosso, "onde natureza exuberante e riquezas se misturam o tempo todo". Para Brito, Vanessa tem um "frescor telúrico" e mostra seu ecletismo único ao falar de romantismo (com "O Tal Casal" e "Te Amo"), criticar o consumismo (em "Bolsa de Grife") e celebrar a alegria ("Meu Aniversário"). Concluindo sua análise, Hagamenon Brito diz que Vanessa está acima da média das produções da música popular brasileira e elogia os arranjos simples e sofisticados, além de sua banda. Depois de criticar o fechamento de Gal Costa e chamar Marisa Monte de incompreensível, Thiago Mariano, do Diário do Grande ABC, diz que Vanessa da Mata é a "grande referência de agudos e voz suave da música brasileira com boa produção e excelente apelo popular" e, assim como os críticos do jornal baiano "Correio", Mariano, diz que o álbum apresenta um frescor, com uma roupagem sonora moderna e criativa, revelando referências da infância da cantora. Para o crítico, "o disco é uma opção de trazer alegria aos momentos cinzentos em reminiscências das fases mais felizes da vida". A crítica de Mariano Prunes, da AllMusic, diz que depois de uma trajetória de sucessos, Vanessa "desfruta dos frutos do seu trabalho duro" com o novo álbum. Para Prunes, a cantora "cresceu com confiança e independência" - principalmente devido a criação de seu próprio selo -, e não tem mais a responsabilidade de criar um "nome"; Mariano diz que Kassin é um "multi-talensoso produtor", que ao lado de Moreno Veloso e Domenico, criam trabalhos formidáveis na cena musical brasileira. Diz que o álbum é "excelente", apesar de não ter hits e, que, a última faixa (interpretada ao lado de Gilberto Gil), revela que a cantora está em um nível de composição que apenas poucos artistas alcançam.
Imagem: George Vale · BY · Openverse
Todas as faixas escritas por Vanessa da Mata, exceto onde indicado


