Bem-estar
O bem-estar, também conhecido como valor prudencial ou qualidade de vida, refere-se ao que é intrinsecamente valioso em relação a alguém. Portanto, o bem-estar de uma pessoa é o que é, em última instância, bom para essa pessoa, o que é do interesse próprio dessa pessoa. Bem-estar pode se referir tanto ao bem-estar positivo quanto ao negativo. Em seu sentido positivo, às vezes é contrastado com o mal-estar como seu oposto.
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As teorias de bem-estar tentam determinar o que é essencial para todas as formas de bem-estar. As teorias hedonistas equiparam o bem-estar com uma maior quantidade de prazer sobre a dor. As teorias do desejo sustentam que o bem-estar consiste na satisfação de desejos: quanto maior o número de desejos satisfeitos, maior o bem-estar. As teorias de listas objetivas afirmam que o bem-estar de uma pessoa depende de uma lista de fatores que podem incluir tanto elementos subjetivos quanto objetivos. O bem-estar de uma pessoa é o que é bom para essa pessoa. As teorias de bem-estar tentam determinar quais características de um estado são responsáveis por esse estado contribuir para o bem-estar da pessoa. As teorias do bem-estar são frequentemente classificadas em teorias hedonistas, teorias do desejo e teorias de listas objetivas. As teorias hedonistas e as teorias do desejo são teorias subjetivas. Segundo elas, o grau de bem-estar de uma pessoa depende dos estados mentais subjetivos e das atitudes dessa pessoa. As teorias de listas objetivas, por outro lado, permitem que as coisas possam beneficiar uma pessoa independentemente das atitudes subjetivas dessa pessoa em relação a essas coisas.
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Jens Asendorpf e Eugênia Araújo Simão (2004) sugere a seguinte nomenclatura: em um primeiro nível, o bem-estar se desdobra em uma componente cognitiva chamada de "satisfação com a vida" (em inglês, life-satisfaction) e uma componente afetiva chamada "felicidade" (aqui em sentido restrito, psicológico, em inglês happiness). Assim, uma pessoa pode pensar ou saber que está bem, mas não se sentir bem. A componente afetiva se desdobra por sua vez em uma tendência de a pessoa experimentar sensações positivas ("afetividade positiva") e uma tendência a experimentar sensações negativas ("afetividade negativa"). Essas duas disposições são independentes, de forma que há pessoas tanto com uma afetividade geral baixa (ou seja, que raramente experimentam tanto sensações positivas como negativas) quanto com uma afetividade geral alta (e, assim, frequentemente experimentam sensações tanto positivas quanto negativas). Afetividade negativa e positiva não referem-se, no entanto, apenas à frequência de tais experiências, mas também à sua intensidade cada uma é composta assim de duas disposições distintas, que, no entanto, possuem grande correlação entre si.
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O bem-estarismo (welfarism) é uma teoria do valor baseada no bem-estar. Afirma que o bem-estar é a única coisa que tem valor intrínseco, ou seja, que é bom em si mesmo e não apenas bom como meio para outra coisa. Nesta visão, o valor de uma situação ou se uma alternativa é melhor que outra depende apenas dos graus de bem-estar de cada entidade afetada. Todos os outros fatores são relevantes para o valor apenas na medida em que têm um impacto no bem-estar de alguém. O bem-estar em questão geralmente não se restringe ao bem-estar humano, mas inclui também o bem-estar animal. Diferentes versões do bem-estarismo oferecem diferentes interpretações da relação exata entre bem-estar e valor. Os bem-estaristas puros (pure welfarists) oferecem a abordagem mais simples, sustentando que apenas o bem-estar global importa, por exemplo, como a soma total do bem-estar de todos. Esta posição foi criticada de várias maneiras. Por um lado, foi argumentado que algumas formas de bem-estar, como os prazeres sensoriais, são menos valiosas do que outras formas de bem-estar, como os prazeres intelectuais. Por outro lado, certas intuições indicam que o que importa não é apenas a soma total, mas também como os graus individuais de bem-estar são distribuídos. Há uma tendência a preferir distribuições iguais, onde todos têm aproximadamente o mesmo grau, em vez de distribuições desiguais, onde há uma grande divisão entre pessoas felizes e infelizes, mesmo que o bem-estar global seja o mesmo. Outra intuição em relação à distribuição é que as pessoas que merecem bem-estar, como os moralmente retos, deveriam desfrutar de graus mais elevados de bem-estar que os não merecedoros.


