Belém
Belém é uma cidade palestina situada na região central da Cisjordânia ocupada por Israel. É a capital da província de Belém, no Território Ocupado da Cisjordânia, e um centro de cultura e turismo no país. Localiza-se a cerca de 10 quilômetros ao sul de Jerusalém, a uma altitude de 765 metros acima do nível do mar. Belém fica próxima às cidades de Beit Jala e Beit Sahour, assim como dos campos de refugiados de Aida e Azza. Em 2017 tinha uma população de 28.591 pessoas.
A população de Belém é constituída de cristãos e muçulmanos, que têm coexistido pacificamente durante a maior parte de sua história. Atualmente a população é majoritariamente muçulmana, mas a cidade ainda abriga uma das maiores comunidades de cristãos palestinos. O contingente de cristãos, que correspondia a cerca de 90% do total em 1948, tem decrescido drasticamente e hoje corresponde a 30%. Esse declínio é atribuído à falta de perspectivas da economia, dado que muitas famílias de agricultores cristãos perderam suas terras, para a construção de assentamentos judeus. Em 1867, um visitante americano descreve a cidade como tendo uma população de 3 000 a 4 000, dos quais, cerca de 100 eram protestantes, 300 eram muçulmanos e "os demais pertenciam às Igrejas Latina e Grega, com alguns poucos armênios". Outro relato do mesmo estima a população cristã em 3 000 pessoas; os muçulmanos seriam apenas 50.
A principal atividade econômica da cidade é o turismo, que cresce sobretudo durante o período do Natal, quando a Igreja da Natividade, supostamente construída sobre o local de nascimento de Jesus, torna-se um centro de peregrinação cristã. Também a tumba de Raquel, um importante local sagrado para o judaísmo, encontra-se na entrada de Belém. A cidade tem mais de trinta hotéis e 300 lojas de artesanato, que empregam boa parte dos residentes da cidade. A economia de Belém sempre esteve ligada à de Jerusalém, que está a cerca de 10 km de distância. Mas o grande muro de concreto cinza, medindo 9 metros de altura construído por Israel passa por dentro da província de Belém, e assim, os habitantes de Belém já não podem mais ir a Jerusalém para trabalhar ou fazer compras. Sem terras para cultivar, eles estão agora quase totalmente dependentes do dinheiro gasto pelos peregrinos. Mas estes, desencorajados pelo Muro, raramente permanecem em Belém, optando por visitas de algumas horas à Basílica da Natividade e aos Campos dos Pastores, gastando pouco. Fugindo do desemprego de mais de 50% e privados das liberdades fundamentais, cerca de 3 000 cristãos emigraram nos últimos anos para os EUA e o Chile.
Os primeiros assentamentos, no local onde está a cidade de Belém, datam 3 000 a.C.. Em todo o território hoje constituído por Israel e os Territórios ocupados da Cisjordânia se assentaram tribos cananeias, sendo as principais as dos: jebuseus, hititas e amaritas, que construíram pequenas cidades, cercadas por muralhas que as protegiam. Uma destas cidades foi Beit Lahama, em homenagem a Lahm, deus caldeu da fertilidade, que foi adotado pelos cananeus com o nome de Laham, a quem construíram um templo, localizado no atual Monte da Natividade, voltado para os vales férteis da região, depois chamados Campo dos Pastores. Em 1 350 a.C. um governador egípcio da região menciona a cidade de Belém, em carta ao faraó Amenófis III, como importante ponto de repouso para os viajantes. Por ser ponto estratégico, os filisteus aí mantinham uma de suas divisões militares, impondo sua hegemonia em 1 200 a.C., passando a se miscigenar com os cananeus. A disputa por terras entre filisteus e israelitas foram causa de numerosas guerras.
Na Bíblia
Belém foi identificada com a antiga Efrata, já citada na Bíblia (Gênesis 35:16; Gênesis 48:27; Rute 4:11), e é chamada de Belém Efrata em Miqueias 5:2. Localizada na zona montanhosa de Judá, a cidade também era designada como Belém de Judá (Juízes 17:7; Mateus 2:5; I Samuel 17:12), possivelmente para distingui-la de Belém de Zebulom (Josué 19:15), e "a cidade de Davi" (Lucas 2:4). A cidade é mencionada pela primeira vez no Tanakh e na Bíblia como a cidade mais próxima ao local onde a matriarca abraâmica Raquel teria morrido, sendo então enterrada "no caminho de Efrata, que é Belém" (Gen. 48, 7) O Túmulo de Raquel, segundo a tradição, encontra-se na entrada da cidade. De acordo com o Livro de Rute, o vale a leste da cidade é onde Rute de Moabe respigou os campos e retornou à cidade com Naomi. Belém é também tida tradicionalmente como a terra natal de Davi, o segundo rei de Israel, e o lugar onde ele foi coroado por Samuel (I Samuel 16:4–13), e foi no poço da cidade que três de seus guerreiros pegaram a água levada a ele, quando teve se esconder na caverna de Adulão. (Samuel 23:13–17) Ocupada, por algum tempo, pelos filisteus, foi fortificada por Roboão e repovoada quando da volta do Exílio.
Períodos romano e bizantino
Entre 132 e 135 a cidade foi ocupada pelos romanos, após ser capturada durante a Revolta de Barcoquebas; seus habitantes judeus foram expulsos por ordens do imperador Adriano. Ainda durante o domínio romano da cidade, foi construído um templo ao deus grego Adônis, no local onde teria ocorrido a Natividade. Uma igreja foi construída no local em 326, quando Helena, mãe do primeiro imperador bizantino, Constantino, visitou Belém. Durante a revolta samaritana de 529, Belém foi saqueada, e suas muralhas, assim como a Basílica da Natividade, foram destruídas, sendo reconstruídas por ordem do imperador Justiniano. Em 614, o Império Sassânida invadiu a Palestina e capturou a cidade. Uma história ocorrida na época, descrita por fontes posteriores, afirma que os invasores se abstiveram de destruir a igreja ao ver os Reis Magos pintados com vestimentas persas num dos mosaicos.
Domínio islâmico e Cruzadas
Em 637, pouco tempo depois da captura de Jerusalém pelos exércitos islâmicos, Omar, o segundo califa, visitou Belém e prometeu que a Basílica da Natividade seria preservada para o uso dos cristãos. Uma mesquita dedicada a Omar foi construída sobre o local da cidade onde ele orou, nas proximidades da igreja. Belém passou então para o controle dos califados islâmicos dos Omíadas, no século VIII, e dos Abássidas, no século IX. Um geógrafo persa registrou, no meio deste século, que uma igreja muito bem preservada e extremamente venerada existia na cidade. Em 985, o geógrafo árabe Mocadaci visitou a cidade, e referiu-se à sua igreja como "Basílica de Constantino, à qual não existe igual em qualquer outro lugar do país." Em 1009, durante o reinado do sexto califa fatímida, Aláqueme Bianre Alá, a Basílica da Natividade foi demolida, sob suas ordens; sua reconstrução foi autorizada por seu sucessor, Ali Azair, como forma de consertar as relações entre os fatímidas e o Império Bizantino
UNESCO
A UNESCO inscreveu o local do nascimento de Jesus: a Igreja da Natividade e a Rota de Peregrinação, Belém como Patrimônio Mundial por "ser um local identificado com a tradição Cristã como o local de nascimento de Jesus Cristo, desde o século II. O local ainda inclui conventos e igrejas Latinas, Gregas Ortodoxas, Franciscanas e Armênias"


