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Batalha de Tricamaro

A Batalha de Tricamaro ocorreu a 15 de dezembro de 533 na África na localidade do mesmo nome localizada a 27 quilômetros a oeste de Cartago. Nela enfrentaram-se as tropas do Império Romano do Oriente, sob o comando do general Belisário, e as tropas do Reino Vândalo da África sob o comando do seu rei Gelimero.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 21/07/2026
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Antecedentes

Justiniano I, chamado "o Grande", ascendeu ao trono do Império Bizantino o ano de 527 à morte do seu tio Justino I que o nomeara sucessor. Era de origem bárbara e camponesa, mas considerava-se herdeiro dos césares e líder da Igreja. Seu reinado teve duas diretrizes principais: restaurar o Império Romano do Ocidente e suprimir a heresia ariana. Para materializar a primeira ideia, restaurar o império, rodeou-se de dois homens-chave na sua consecução: Belisário, ao que pôs no comando do exército do leste, e Narses. Eles foram responsáveis por sufocar uma rebelião contra o imperador, a revolta de Nica, na que faleceram 35 000 rebeldes. Belisário, antes de Nica, derrotara os persas sassânidas, e depois foi posto no comando do exército que marcharia para Cartago para repor no trono a Hilderico, o Vândalo, que fora destronado por Gelimero, bisneto de Genserico. Os historiadores estimam que o exército posto às ordens de Belisário era insuficiente, com apenas 10 000 soldados de infantaria e 5 000 cavaleiros, quase todos bárbaros e mercenários. O exército imperial sofrera um descenso notável. Estava composto por três categorias de tropas: os soldados regulares, os mercenários e os terceiros eram soldados pertencentes aos magnatas bizantinos que deviam facilitá-los ao império.

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Ad Decimum

A 13 de setembro, a avançada chegou ao desfiladeiro do Décimo, décimo marco antes da cidade de Cartago. Pela sua vez, Gelimero, ao ficar a saber a chegada dos bizantinos enviara a buscar Tzazão com a sua força e quando soube o pouco numeroso que era o exército inimigo instruiu o seu irmão Amato, que estava no comando de Cartago, que se preparara para atacar Belisário. Gelimero planejou atacar Belisário em forma combinada de três setores quando este entrou para o desfiladeiro do Décimo. Esta operação fracassou porque requeria uma coordenação muito difícil de conseguir. Amato saiu de Cartago a 13 de setembro e atacou antes das outras duas forças, foi ferido mortalmente, após o qual as suas tropas fugiram. Gibamundo, no comando de outra seção, foi derrotado pelos hunos da ala esquerda de Belisário e Gelimero derrotou o corpo principal de Belisário; mas quando chegou ao campo onde morrera o seu irmão Amato e viu o cadáver do seu irmão, em lugar de perseguir os derrotados, deteve a persecução para honrar com uma cerimônia fúnebre o corpo do seu irmão. Entretanto, cerca do anoitecer, Belisário reuniu as suas tropas e contra-atacou os vândalos, dispersando-os. A 15 de setembro de 533, Belisário e o seu exército entraram em Cartago que fora abandonado pelos defensores. Gelimero retirara-se para um lugar situado 150 quilômetros a oeste de Cartago, chamado Bula Régia, onde reuniu as suas tropas.

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A batalha

Em Bula Régia, Gelimero recebeu o reforço das tropas do seu irmão Tzazão, procedente da Sardenha, com o que formou um exército umas dez vezes maior do que o de Belisário, segundo o historiador Procópio de Cesareia. Negociou com os hunos para passarem a seu lado, mas não obteve sucesso, e logo avançou em relação a Cartago. No seu avanço destruiu o aqueduto que subministrava a água à cidade. Deteve-se na localidade de Tricamaro situada a 27 quilômetros de Cartago. Belisário soube das conversações dos hunos com o inimigo, mas conseguiu neutralizá-los com outras ofertas. O importante deste incidente foi demonstrar os perigos a que se expunham os generais que incorporavam mercenários nos seus exércitos. Esta situação, unida ao fato de não estar seguro da lealdade dos mercenários, o fez decidir atacar os vândalos de imediato, consciente da sua imensa inferioridade numérica. Belisário enviou de avançada a João, o Armênio, com 500 cavaleiros e ele com outros 500 cavaleiros e a infantaria partiu ao dia seguinte para Tricamaro.

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Consequências

Gelimero compreendeu que perdera o seu reino. Tentou escapar para a Hispânia, mas os bizantinos ficaram a saber dos seus projetos e interceptaram-no, forçando-o a abandonar os seus pertences e a refugiar-se nas montanhas da Tunísia, com os Berberes. No ano seguinte, foi encontrado e rodeado pelas forças de Faras o Heruliano. A princípio recusou render-se, mas após um Inverno particularmente árduo, rendeu-se a Belisário. O Reino Vândalo de África terminou e as suas províncias em Sardenha, Córsega e as ilhas Baleares caíram sob domínio de Justiniano. A conquista da África proporcionou a Justiniano uma excelente base de operações para agir contra os ostrogodos na província da Itália e em 534, o assassinato de Amalasunta por Teodato, lhe daria o pretexto para iniciar uma nova guerra contra as províncias da Dalmácia e da Sicília.

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