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Belisário

Flávio Belisário (505–565) foi um general do Império Bizantino sob o imperador Justiniano I. Flávio foi fundamental nas lutas de reconquista de grande parte do território mediterrâneo, pertencente ao antigo Império Romano do Ocidente.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 29/06/2026
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Biografia

Imagem: Antonio Cruz/ABr · BY · Openverse

Belisário nasceu provavelmente em Germânia, uma cidade fortificada da qual ainda existem alguns vestígios arqueológicos, no local da atual Sapareva Banya, localizada no sudoeste da Bulgária. Nascido em uma família ilíria ou trácia que falava latim como língua materna, ele se tornou um soldado romano quando jovem, servindo como guarda-costas do imperador Justino I. Depois de chamar a atenção de Justino como um militar inovador, ele recebeu permissão do imperador para formar um regimento de guarda-costas, que consistia em catafractários (cavalaria pesada de elite da época); posteriormente ele expandiu essa unidade como um regimento pessoal, constituído por 7 mil homens. Os guardas de Belisário formaram o núcleo de todos os exércitos que ele comandaria. Armados com lanças, arcos compostos e espatas, eles estavam totalmente blindados para o padrão de cavalaria da época. Uma unidade polivalente, os Bucelários eram capazes de atirar à distância com arcos, como os hunos, ou podiam atuar como cavalaria de choque pesada, atacando um inimigo com lança e espada. Em essência, eles combinaram os melhores e mais perigosos aspectos de ambos os maiores inimigos de Roma, os hunos e os godos.

Guerra contra o Império Sassânida ("Guerra Iberica")

As suas primeiras campanhas militares ocorreram por volta de 526, quando, juntamente com o seu colega Sitas, liderou os seus homens numa incursão na Arménia Persa, de onde recuaram com saques substanciais e muitos prisioneiros. Uma segunda campanha na Armênia, que ocorreu pouco depois, foi um fracasso, visto que as tropas de Belisário e Sitas foram derrotadas pelas tropas sassânidas lideradas por Narses e Arácio, que, no entanto, não muito depois, mudaram para o lado bizantino. Em 527 Belisário foi nomeado duque da Mesopotâmia com sede em Dara. Uma das suas primeiras atribuições foi construir uma fortaleza em Minduo por ordem do novo imperador Justiniano I (que sucedeu a Justino I naquele ano), mas não foi possível concluir as obras de fortificação devido à intervenção das tropas sassânidas, que derrotaram As tropas de Belisário arrasaram a fortificação. Zacarias Escolástico também fala desta batalha (que ocorreu ao norte de Nísibis), mas, junto com João Malalas, afirma que, mesmo antes desta derrota, Belisário perdeu uma batalha contra os persas em Tanurim (ao sul de Nísibis), do qual Procópio não fala. Os estudiosos acreditam que ocorreram duas batalhas distintas e que Procópio confundiu as duas batalhas, atribuindo erroneamente alguns eventos da Batalha de Tanurin à de Mindouos.

Revolta de Nica

Em 11 de janeiro de 532, ele ocupava a função de oficial quando, na inauguração dos jogos em Constantinopla, eclodiu a Revolta de Nica; inspirou-se nas rivalidades presentes entre os diferentes grupos de torcedores nas corridas de bigas do Circo. Os tumultos resultantes duraram seis dias e quase derrubaram o trono do imperador Justiniano I; os rebeldes haviam proclamado Hipácio, sobrinho do imperador Anastácio (491-518), imperador e Justiniano, agora desanimado, decidira abandonar o trono e a capital; contudo, um discurso de Teodora, em que declarou que preferia a morte ao exílio e à perda da dignidade real, foi suficiente para convencer o Imperador a não se render; ele, portanto, ordenou que Belisário e o mestre dos soldados da Ilíria reprimissem sangrentamente a revolta. O empreendimento deu certo, como contou Procópio.

Segunda campanha persa

Em 540 d.C., Belisário, então em campanha na península Itálica, foi chamado de volta pelo imperador Justiniano, para enfrentar uma propalada ameaça persa que, na realidade, já se esboçava. Parece, porém, que foi o ciúme o motivo mais evidente dessa decisão, pois chegara aos ouvidos de Justiniano que os ostrogodos haviam feito propostas de paz baseadas na aceitação de Belisário como Imperador do Ocidente, como reconhecimento a tudo que tinha realizado. Enquanto estava Belisário a caminho de sua pátria, Cosroes I, novo rei da Pérsia, repetiu a marcha pelo deserto já frustrada anteriormente, e conseguiu conquistar Antioquia. Tendo despojado de suas riquezas essa e outras cidades na atual Síria, aceitou a oferta de Justiniano de pagamento anual de grande quantia em troca de um novo tratado de paz. Justiniano economizou seu dinheiro, rasgando o tratado tão logo Cosroes I regressou à Pérsia e Belisário a Constantinopla. Assim, somente seus súditos saíram perdendo, como é normal no desenrolar das guerras.

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Últimos anos

Imagem: José Teixeira · BY · Openverse

Numa segunda expedição em 548, Belisário conquistou Roma, que permaneceu em poder bizantino durante décadas. No seu regresso a Constantinopla, recebeu o título mestre dos soldados do Oriente (magister militum per Orienten) e nesse cargo ocupou-se de defender a capital do Império contra um ataque que as fontes bizantinas definiram como hunos no ano 559 – na realidade tratava-se de uma coalizão de povos eslavos e búlgaros. Em 562 foi acusado de participar numa conspiração contra Justiniano, sendo aprisionado. Seria libertado no ano seguinte, aparentemente pela influência da sua mulher Antonina. Uma lenda, já provada como falsa, afirma que Justiniano ordenou cegá-lo. Belisário faleceu em 565, pobre. Foi retratado pelo pintor francês Jacques-Louis David pelo menos em dois quadros.

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Fontes consultadas

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