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Berberes

Os berberes referem-se ao conjunto de povos do Norte de África que falam línguas berberes da família de línguas afro-asiáticas. Estima-se que existam entre 58 e 75 milhões de pessoas que falam estas línguas, principalmente em Marrocos e Argélia, incluindo os tuaregues, predominantemente nômades do Saara.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 04/07/2026
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Etimologia

Na origem, o termo "bárbaro" — do latim barbarus, derivado do grego antigo βάρβαρος, bárbaros ("estrangeiro") — era uma palavra utilizada pelos gregos para designar os outros povos, aqueles cuja língua lhes era incompreensível, ou seja, os não gregos. A palavra bárbaros não tinha, originalmente, nuance pejorativa, significando simplesmente "não grego", aplicando-se a toda pessoa cuja língua não era compreendida pelos gregos ou a alguém que se exprimisse por onomatopeias ("bar-bar"), segundo a percepção dos gregos. A palavra berbere, parece ter surgido após o fim do Império Romano. O seu uso no período precedente não é admitido por todos os historiadores da Antiguidade. O uso do termo se generalizou no período seguinte à chegada dos vândalos, durante as grandes invasões. Qualificados de bárbaros pelos romanos da África romana (Tripolitânia, Bizacena, África Proconsular, Numídia e Mauritânia), os vândalos vieram através da Península Ibérica. No leste da Numídia formou-se uma coalizão numido-vândala que tomou Cartago e suprimiu a influência de Roma em toda a África.

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Origem e genética

Por volta de 12 mil anos atrás, um grupo populacional do Oriente Próximo se fixa no Norte da África, quando o Deserto do Saara ainda era uma savana verde, sendo seus membros os ancestrais dos berberes e dos egípcios. As duas divindades básicas da cosmologia berbere, que são uma figura representando o Sol e uma que representa a Lua, são vagamente análogas às dos antigos egípcios, o que sugere uma origem cultural em comum. A desertificação do Saara foi lenta e ocorreu entre oito e cinco mil anos atrás. Logo quando este processo começou, houve a divisão entre os berberes e os egípcios, pois houve um deslocamento dos povos que habitavam o Norte da África: um grupo migra para o Vale do Nilo, no atual Egito, e funda aldeias agricultoras e, paulatinamente, surge a civilização egípcia; muitos se deslocam para o litoral norte-africano, região de clima mais agradável e com mais recursos, ali desenvolvendo a agricultura, e os que permaneceram no interior do deserto tiveram que adotar um estilo de vida nômade pastoril, fundando assentamentos temporários nas margens de oásis.

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História

Pré-Islâmica

A presença dos ancestrais dos berberes em tempos pré-históricos é evidente nas pinturas rupestres encontradas em sítios como Tassili n'Ajjer, retratando uma biodiversidade abundante, o que indica que, na época em que essa arte foi feita, o Deserto do Saara não era uma área árida, mas sim uma região exuberante e rica em recursos. Durante a Idade Antiga, os gregos e, em menor medida, os romanos, apelidavam os berberes de líbios, pois a região do Magrebe era conhecida como Líbia. A existência de poderosas tribos seminômades no Magrebe foi percebida pelos egípcios desde o século XIII a.C. e algumas entraram em conflito com a civilização do Nilo. No entanto, alguns grupos pediram ajuda dos faraós, devido à fixação de colonos gregos na Cirenaica.

Civilização berbere e o mundo muçulmano

A conquista árabe e a conversão dos berberes ao Islamismo, no século VII, determinaram duramente seu destino histórico. Essa conversão se estabeleceu completamente somente no século XII. O espírito de independência e a tendência ao puritanismo cultural geralmente reconhecidos nos berberes explicam por que eles foram contra a dominação árabe e a ortodoxia islâmica, mas isso não impediu a forte islamização nem a arabização desses povos. A primeira classificação das tribos berberes, válida para a segunda metade do século XIV, foi fornecida pelo historiador árabe ibne Caldune. A leste se situavam os leuatas da Cirenaica, de Tripolitânia, do Jeride e do Aurés, a oeste, os branês e os zenetas. Estes últimos, grandes nômades conquistadores que chegaram na África do Norte no fim do período bizantino, foram os primeiros a serem arabizados. Os branês, aqueles que se designavam amazigues (homens livres), seriam os berberes mais antigos. Dentre eles estavam os masmudas, sedentários do Médio e Grande Atlas, e os sanajas, divididos em sedentários (cotamas da Cabília, Gomaras do Rife) e grandes nômades do Saara Ocidental (Lentas, Lantunas, Gazulas).

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Renovação da cultura berbere

Imagem: Dimitry B · BY · Openverse

A cultura berbere continua viva na Argélia e no Marrocos, menos presente na Líbia e na Tunísia e em grande parte do Saara (tuaregues na Argélia, Burkina Faso, Líbia, Mali, Marrocos e Níger). Chama-se Primavera berbere as manifestações que explodiram em 1980, quando os falantes do berbere na Cabília (Argélia) clamavam pela oficialização da língua. Em 1996 uma reforma da Constituição argelina reconheceu a importância berbere para o país ao lado do árabe e do islamismo. Paralelamente, as autoridades lançam um Alto Comissariado para o Amazigh (língua berbere). No ano 2000, a partir de Paris, entra no ar a Televisão Berbere. Em 17 de outubro de 2001 o rei Mohammed VI de Marrocos cria o Instituto Real da Cultura Amazigh (IRCAM) para promover a cultura berbere.

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Fontes consultadas

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