Batalha de Trafalgar
A Batalha de Trafalgar foi um natalha naval que ocorreu em 21 de outubro de 1805, entre a Marinha Real Britânica e as frotas combinadas da Marinha Imperial Francesa e Armada Espanhola durante a Terceira Coligação das Guerras Napoleônicas (1803-1815).
A paz assinada em Amiens em março de 1802, não passou de uma pequena trégua de um ano, que permitiu ao almirante Nelson retirar-se para uma quinta que tinha adquirido em Merton, descansando um pouco da intensa vida que levava havia mais de uma década. As hostilidades retomaram em 1803 e, pouco tempo depois, Nelson seria nomeado comandante da esquadra do Mediterrâneo. O momento continuava a ser delicado para os ingleses, na medida em que Bonaparte mantinha a ideia invadir a Grã-Bretanha e atacar Londres, o que poria fim ao que tinha sido a maior resistência aos seus planos imperiais. Para conseguir a almejada invasão, precisava dominar o espaço marítimo do Canal da Mancha durante o espaço necessário ao movimento das tropas, e isso apresentava-se como impossível face ao poder naval britânico. Tentou, contudo, concentrar momentaneamente o maior número de navios possível no Canal, evitando simultaneamente que os ingleses fizessem o mesmo. Não era fácil, porque a presença dos navios de reconhecimento era constante à frente dos portos, e todos os movimentos seriam detectados. Sobretudo, era muito difícil levar navios do Mediterrâneo para o norte, porque a passagem em Gibraltar era visível e levantaria suspeitas. Concebeu, no entanto, uma manobra que poderia ter tido algum êxito, que foi colocar uma imensa esquadra combinada, de navios franceses e espanhóis, que sairia do Mediterrâneo, atraindo os ingleses até às Antilhas, daí regressaria rapidamente com os ventos gerais do oeste, unindo-se às esquadras de Brest e Rocheford, que avançariam para a Mancha. Nessa altura concretizar-se-ia a invasão.
Como a armada francesa era bem maior que a inglesa (33x27), Nelson tinha que preparar uma excelente estratégia. A ideia foi a de atacar a esquadra inimiga que navegava pela costa surpreendendo-a pelo oceano, atacando em duas colunas em fila indiana. Essa estratégia tinha um ponto fraco que era a exposição por aproximadamente 20 minutos dos navios ingleses aos canhões franco-espanhóis. Nelson tinha confiança que sua esquadra aguentaria o fogo em direção às proas inglesas e, em seguida, poderia apontar seus canhões nas popas e proas inimigas. Logo após isso, eles virariam os navios de modo a emparelhá-los com os inimigos. O plano original incluía também uma contenção pelo norte, impedindo a marinha inimiga de fugir e iniciarem uma luta espaçada em alto mar. Mas Nelson não tinha barcos suficientes para essa terceira coluna. O plano pretendia gerar confusão na compacta frota franco-espanhola e permitir um combate navio contra navio, o que favorecia os britânicos.
A frota combinada de navios de guerra franceses e espanhóis ancorados em Cadiz e sob a liderança do almirante Villeneuve estava em desordem. Em 16 de setembro de 1805, Villeneuve recebeu ordens de Napoleão para fazer navegar a Frota Combinada de Cádiz para Nápoles. Às 5h04 - cerca de dez minutos após o amanhecer - o Vice-almirante Horatio Nelson saiu de sua cabine para se juntar ao capitão Sir Thomas Hardy. Às 5h50 um sinal subiu no mastro do HMS Achile, "descobrimos uma frota estranha". Nelson virou-se para Hardy e disse: "O 21 de outubro será o nosso dia".
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A batalha progrediu em grande parte de acordo com o plano de Nelson. Às 11h45, Nelson enviou o famoso sinal de bandeira: England expects that every man will do his duty ("A Inglaterra espera que cada homem cumpra com o seu dever"). Tudo ocorreu perfeitamente para os ingleses, com vários barcos inimigos afundados ou capturados, graças à perícia dos marujos ingleses no manejo dos canhões. No entanto, Nelson morreu na batalha, atingido por uma bala de mosquete das velas de gávea do francês Redoutable que no momento varria o Victory de popa a proa. A nau de Nelson perdeu 57 homens, incluindo o próprio comandante, e teve 102 feridos. O Redoutable, em contraste, teve 22 de seus 64 canhões desmontados e, de uma tripulação de 643, houve 487 mortos e 81 feridos. Esse enorme índice de baixas francesas é um reflexo da eficácia da artilharia inglesa. Quem assumiu o comando da frota inglesa foi o vice-almirante Cuthbert Collingwood, da nau capitânia Royal Sovereign. Após a batalha, uma tempestade alcançou a frota inglesa, que acabou perdendo grande parte dos navios recém conquistados, já muito destroçados.
Napoleão perdeu o controle do Atlântico, e não pôde atacar a Inglaterra, na sua tão desejada Campanha da Bolonha. Nelson, por outro lado, se tornou um dos maiores heróis ingleses de todos os tempos, morrendo na batalha. Pierre Villeneuve foi feito prisioneiro e levado para Inglaterra. E foi essa vitória que talvez tenha possibilitado, segundo alguns autores, o contra ataque francês na Península Ibérica e a retirada estratégica da família real portuguesa para o Brasil. Após a batalha, a Marinha Real nunca mais foi seriamente desafiada pela frota francesa num combate em grande escala. Napoleão já havia abandonado seus planos de invasão antes da batalha e eles nunca foram revividos. A batalha não significou, contudo, que o desafio naval francês à Grã-Bretanha tivesse terminado. Primeiro, à medida que o controle francês sobre o continente se expandia, a Grã-Bretanha teve que tomar medidas ativas com a Segunda Batalha de Copenhague, em 1807, e em outros lugares em 1808, para evitar que os navios das marinhas europeias menores caíssem em mãos francesas. Esse esforço foi amplamente bem-sucedido, mas não acabou com a ameaça francesa, pois Napoleão instituiu um programa de construção naval em grande escala que produziu uma frota de 80 navios de linha no momento da sua queda do poder, em 1814, com mais em construção. No entanto, apesar de constituírem uma frota em construção substancial, esses navios não tiveram impacto na superioridade naval da Grã-Bretanha durante todo o conflito. Por quase quase dez anos após Trafalgar, a Marinha Real manteve um bloqueio rigoroso às bases francesas e observou o crescimento da frota francesa. No final, o Império de Napoleão foi destruído por terra antes que a sua ambiciosa construção naval pudesse ser concluída. As próximas batalhas navais entre britânicos e espanhóis seriam as Invasões Britânicas do Rio da Prata em 1806 e 1807, onde a Marinha Britânica não conseguiria capturar o Vice-Reino do Rio da Prata.


