Batalha da Ponte de Vrbanja
A Batalha da Ponte de Vrbanja foi um confronto armado ocorrido em 27 de maio de 1995, durante a Guerra da Bósnia, em Sarajevo. Forças de paz francesas da ONU enfrentaram elementos do Exército Sérvio da Bósnia (VRS) que haviam tomado postos de observação na ponte, fazendo 12 soldados franceses reféns. Dois deles foram mantidos na ponte como escudos humanos, enquanto os outros dez foram levados.
Pontos-chave
- A batalha ocorreu em 27 de maio de 1995, na Ponte de Vrbanja, Sarajevo.
- Forças francesas da ONU enfrentaram o Exército Sérvio da Bósnia (VRS).
- O VRS capturou postos de observação da ONU e fez 12 soldados franceses reféns.
- Dois reféns foram usados como escudos humanos na ponte.
- O incidente levou a uma mudança de estratégia da ONU e à criação da Força de Reação Rápida.
A Ponte de Vrbanja, sobre o rio Miljacka em Sarajevo, era uma área crítica durante o cerco da cidade (1992-1996), situada na terra de ninguém entre as forças bósnias (ARBiH) e sérvias (VRS). Cercada por edifícios altos, era um alvo constante de atiradores. Em 5 de abril de 1992, manifestantes foram baleados na ponte, resultando na morte de Suada Dilberović e Olga Sučić, consideradas as primeiras vítimas da guerra. Em março de 1995, após o fim de um cessar-fogo, os combates recomeçaram, com o ARBiH lançando uma ofensiva e o VRS respondendo com bombardeios e a captura de armas pesadas de depósitos da ONU. Ataques aéreos da OTAN contra o VRS em Pale resultaram na captura de 377 reféns da UNPROFOR, incluindo 92 franceses, usados como escudos humanos, forçando a OTAN a suspender suas operações aéreas.
O confronto decisivo na Ponte de Vrbanja em 27 de maio de 1995 marcou um ponto de virada na postura da ONU.
Ataque Surpresa do VRS
Às 04h30 de 27 de maio de 1995, soldados do VRS, disfarçados com uniformes, coletes, capacetes e armas francesas, e utilizando um veículo blindado de transporte de pessoal francês (todos capturados de tropas da ONU), tomaram os postos de observação da ONU na Ponte de Vrbanja sem disparar um tiro. Eles desarmaram os doze soldados franceses da força de paz; dez foram levados e dois foram mantidos na ponte como escudos humanos. O Coronel Erik Sandahl, comandante do 4º Batalhão Francês (FREBAT4), afirmou que a ação do VRS foi terrorista e exigia uma reação.
Reação Francesa e Ordem de Ataque
A primeira indicação de problemas na ponte foi o silêncio de rádio do posto francês. Por volta das 05h20, o Capitão François Lecointre, comandante da companhia, foi à ponte investigar e foi confrontado por um sentinela sérvio disfarçado que tentou prendê-lo. Lecointre conseguiu escapar e alertou a FREBAT4. Ao saber da tomada da ponte, o recém-eleito presidente francês, Jacques Chirac, ignorou a cadeia de comando da ONU e ordenou um ataque para retomar a ponte dos sérvios-bósnios.
A crise dos reféns e a Batalha da Ponte de Vrbanja impulsionaram uma mudança estratégica significativa na ONU. O Tenente-General britânico Rupert Smith e outros comandantes começaram a reposicionar as forças da ONU para locais mais defensáveis, a fim de dificultar ataques e capturas de reféns. Em 16 de junho de 1995, a Resolução 998 do Conselho de Segurança da ONU estabeleceu a Força de Reação Rápida da ONU (UN RRF), uma formação britânica-franco-holandesa de 12.500 soldados. Com regras de engajamento mais agressivas e fortemente armada, a UN RRF foi projetada para ações ofensivas, se necessário, para prevenir a tomada de reféns e garantir o cumprimento dos acordos de paz. Dois dias depois, os reféns da ONU restantes, capturados em todo o país, foram libertados, assim como os quatro membros do VRS capturados na Ponte de Vrbanja.


