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Batalha de Verdun

A Batalha de Verdun, foi a única grande ofensiva alemã que ocorreu entre a Primeira Batalha do Marne em 1914 e a Kaiserschlacht do general Erich Ludendorff na primavera de 1918. Foi uma das batalhas mais violentas e sangrentas de toda a Frente Ocidental da Primeira Guerra Mundial; começou em 21 de fevereiro de 1916 e terminou em 18 de dezembro do mesmo ano, colocando o exército alemão, liderado pelo Chefe do Estado-Maior, general Erich von Falkenhayn, contra o exército francês, liderado pelo Comandante Supremo Joseph Joffre substituído no final de 1916 pelo general Robert Nivelle. Verdun foi um ponto de virada crucial na guerra, pois marcou o momento em que o peso principal das operações na Frente Ocidental passou da França para o Império Britânico, fez desaparecer as possibilidades ainda concretas da Alemanha de vencer a guerra e influenciou parcialmente a entrada dos Estados Unidos no conflito.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 12/07/2026
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Antecedentes

As causas do ataque alemão à cidade, e da subsequente e árdua resistência francesa, têm, contudo, raízes mais profundas, que se encontram nos eventos ocorridos durante a segunda metade do século XIX, desde a Guerra Franco-Prussiana de 1870 até à reorganização política e militar da França e da Alemanha. Em julho de 1870, as forças de Napoleão III sofreram algumas derrotas iniciais, mas inconclusivas, e a partir daí o exército francês começou a recuar e nunca conseguiu se recuperar. Os alemães não deram trégua ao exército francês, que foi forçado a recuar primeiro para Metz, onde metade dele, comandada pelo general François Bazaine, foi cercada e se rendeu após dois meses de inércia, e depois para Sedan, onde a outra metade do exército, comandada por Patrice de Mac-Mahon, foi encurralada e forçada a se render definitivamente. Foi uma verdadeira catástrofe para o exército francês, que durante séculos se considerou a única raça guerreira verdadeira da Europa. Quatro meses depois, o Rei da Prússia se proclamou Kaiser no Salão dos Espelhos do Palácio de Versalhes, no edifício onde a inscrição "À toutes les Gloires de la France" estava exposta em frente a uma pintura que retratava os franceses humilhando os alemães.

A fortaleza de Verdun

A cidade de Verdun, já conhecida na época romana como Virodunum, era um importante acampamento fortificado organizado para bloquear a passagem das populações germânicas. Em 843, o Tratado de Verdun dividiu a Europa em três partes e marcou o nascimento da Alemanha como nação. Verdun representou um símbolo quase místico e, embora a cidade estivesse em território francês de acordo com o tratado, em 923 caiu sob domínio teutônico até sua libertação por Henrique II em 1552. Cem anos depois, foi transformada por Sébastien de Vauban em uma imponente fortaleza destinada a ser regularmente sitiada nos séculos seguintes. A cidade foi severamente atacada durante a Guerra dos Trinta Anos, depois bombardeada por canhões prussianos em 1792 e, posteriormente, em 1870, quando foi a última das fortalezas francesas a cair durante a Guerra Franco-Prussiana.

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Preparativos

Operação Gericht

Poucos dias antes do Natal de 1915, Falkenhayn dirigiu-se ao Kaiser para propor uma ofensiva contra a França. O Chefe do Estado-Maior do Exército Alemão persuadiu o Imperador a atacar o inimigo para "acabar com ele", forçando-o a render-se e, assim, voltar toda a atenção para a Grã-Bretanha. Um ataque à França, explicou Falkenhayn, "permitiria que o nosso exército, com recursos limitados, envolvesse fortemente o exército francês na defesa de Verdun, forçando-o a empregar todos os homens disponíveis na defesa. Desta forma, as forças francesas se desgastariam completamente, não sendo mais capazes de recuar mesmo que quisessem, e sem levar em conta os nossos possíveis avanços, o nosso compromisso numa frente estreita seria mínimo."

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Estratégia alemã

Após a invasão alemã da França ter sido bloqueada na Primeira Batalha do Marne, em Setembro de 1914, a guerra de movimentos deu lugar à guerra de trincheiras, em que nenhum dos lados conseguia progredir. Em Abril de 1915, todas as tentativas de forçar a passagem pelos alemães em Ypres, pelos britânicos em Neuve Chapelle e pelos franceses na Batalha de Champagne e na Batalha de Artois, falharam, tendo como único resultado o elevado número de baixas. De acordo com as suas memórias escritas depois da guerra, o Chefe-de-estado alemão, Erich von Falkenhayn, acreditava que, embora talvez não conseguissem avançar mais, o exército francês ainda poderia ser derrotado se sofresse um número considerável de baixas. Ele justificava os ataques as tropas francesas pois estava numa situação em que não podia retirar-se tanto por razões estratégicas como por orgulho nacional. Verdun, rodeada por um anel de fortes, era um reduto e um saliente que entrava nas linhas alemãs e bloqueava uma importante linha de caminho-de-ferro que ía até Paris. Contudo, no início de 1916, a sua muito elogiada invulnerabilidade foi seriamente atingida. O general Joffre concluiu que, dada a queda fácil das fortalezas belgas em Liège e em Namur, este tipo de sistema defensivo era obsoleto e já não era eficaz contra os projécteis das armas pesadas dos alemães. Consequentemente, no seguimento de uma Directiva do Estado-Maior datada de 5 de Agosto de 1915, o sector de Verdun ficou sem 50 baterias e 128 000 munições de artilharia; esta retirada de equipamento decorria ainda em Janeiro de 1916. Além disso, os fortes de Douaumont e Vaux foram seleccionados para serem destruídos, e as cargas explosivas para a sua demolição já estavam colocadas quando teve início o assalto alemão a 24 de Fevereiro. Por fim, os 18 fortes de maior dimensão, e outras baterias perto de Verdun ficaram com menos de 300 armas e as munições foram reduzidas, enquanto que as suas guarnições foram reduzidas a pequenos grupos de manutenção.

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Prelúdio

O sector de Verdun estava pouco defendido em 1916 pois cerca de metade da artilharia dos fortes tinha sido retirada durante o ano anterior, deixando apenas as armas pesadas retracteis nas torres. A guarnição dos fortes tinha também sido reduzida a pequenas equipas de manutenção, e alguns dos fortes aguardavam a sua demolição. Além disso, aquelas guarnições reportavam à administração central de Paris. Quando o general no comando do sector de Verdun foi inspeccionar o Forte Douaumont, em Janeiro de 1916, foi-lhe recusada a entrada pois não trazia a autorização necessária de Paris. Em Fevereiro de 1916, as informações que os franceses tinham sobre os preparativos alemães e um atraso do ataques devido a mau tempo, deu tempo ao Alto Comando francês de mobilizar duas divisões do 30º Corpo—a 72ª e a 51ª—para defender a zona. A força total francesa em Verdun era agora de 34 batalhões contra 72 do lado alemão. A artilharia francesa ainda estava em maior desvantagem: cerca de 300 armas, a maior parte de 75 mm, contra 1 400 dos alemães, a maior parte delas pesadas e muito pesadas, incluindo morteiros de 14 e 16 polegadas.

Fevereiro a Abril de 1916

O Alto Comando alemão pretendia dar início à ofensiva (nome de código Gericht, Julgamento) a 12 de Fevereiro. Contudo, o nevoeiro, a chuva torrencial e os ventos fortes atrasaram o seu início por uma semana. Devido ao atraso, a batalha começou às 07h15 do dia 21 de Fevereiro de 1916 com um bombardeamento de artilharia durante dez horas com 808 armas. Foram disparados cerca de 1 000 000 de projécteis numa frente de 30 km de comprimento por 5 km de largura. A maior concentração do bombardeamento deu-se nas posições francesas situadas na margem direita (leste) do rio Meuse. Mais de metade do bombardeamento alemão do primeiro dia foi efectuado por artilharia pesada; o armamento mais numeroso, 470 Obuses, eram de 150 mm e 200 mm. Foram também utilizados canhões super-pesados de longo alcance de 420 mm de calibre, dirigidos a alguns dos fortes da própria cidade de Verdun. Este fogo incessante de artilharia, Trommelfeuer (uma barragem de artilharia efectuada, não de forma sistemática, mas de forma aleatória) foi o bombardeamento e o conjunto de armas de artilharia em maior número desde o início da guerra. O som produzido pelo impacto no solo dos projécteis era sentido a 160 km. Este fogo em massa foi seguido de um ataque por três corpos do exército alemão (o III, o VII e o XVII). Os alemães utilizaram lança-chamas pela primeira vez para na guerra, para atacar as trincheiras. As novas tropas especiais, as Stosstruppen, seguiam de perto com espingardas e granadas de mão para atacar a restantes defesa. A táctica de choque que combinava artilharia e infantaria em larga escala apanhou de surpresa os franceses, e fê-los perder muito terreno no início. O bombardeamento pulverizou por completo as trincheiras francesas, linhas telefónicas e posições de metralhadoras. Como a infantaria sofreu pesadas baixas durante os bombardeamentos, as tropas de choque alemães avançaram. Embora os poucos sobreviventes franceses tenham continuado a resistir em todos os lados, no final do primeiro dia as tropas de assalto alemãs apenas tinham sofrido 600 baixas.

Maio a Junho de 1916

Em Maio de 1916, a principal acção foi a tentativa francesa, fracassada, de reocupar o Forte Douaumont. O assalto foi planeado pelo recentemente promovido general Robert Nivelle e executado numa frente muito estreita sob o comando do general Charles Mangin. Envolveu três divisões de infantaria apoiadas por 300 armas de calibre 75 mm e obuses de 6 e 12 polegada. O ataque teve início no dia 22 de Maio depois de um pré-bombardeamento pela artilharia. Três dias mais tarde, a tentativa francesa falhou, embora a infantaria tenha ocupado o Forte Douaumont por 12 horas. Mangin foi culpado por esse fracasso e recusou uma nova tentativa. A um nível hierárquico mais alto, também Pétain se recusou a apoiar uma nova tentativa de recapturar Douaumont, justificando-se por não ter artilharia pesada disponível.

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Junho a Julho de 1916

O passo táctico seguinte dos alemães, na margem direita ado rio Meuse, era continuar a pressão a sul em direcção à cidade de Verdun. A primeira acção, a 21 de Junho, das tropas de assalto alemãs, 60 000 homens, foi a captura do reduto de Thiaumont e a vila destruída de Fleury. A 22 de Junho, as tropas alemãs lançaram mais de 116 000 projécteis de gás fosgênio para as posições entrincheiradas francesas, onde se encontrava Marcel Dupont. A toxicidade do gás fez 1600 baixas. Antes do ataque final a Verdun, os alemães tinham que capturar o Forte Souville. Consistia numa segunda linha de fortificação cujos níveis mais altos já tinham sido destruídos pelos projécteis pesados dos alemães, deixando intactos os corredores mais fundos do forte. Para se prepararem para o assalto a Souville, os alemães, a 10 de Julho, tentaram incapacitar as tropas de artilharia francesas com um ataque com gás disfogénio, lançando mais de 60 000 granadas (chamadas de "Gás da Cruz Verde"). O ataque surtiu pouco efeito pois as tropas francesas tinham-se prevenido, no início de 1916, com máscaras de gás M2, próprias para este tipo de projécteis.

Contra-ofensivas francesas no final de 1916 e Agosto de 1917

Os franceses lançaram uma grande contra-ofensiva para recapturar Douaumont em Outubro de 1916 (a Primeira Batalha Ofensiva de Verdun). O seu mentor foi o general Nivelle, um oficial com grande experiência na utilização da artilharia. A acção preliminar, que demorou seis dias, consumiu 530 000 projécteis de artilharia de 75 mm e 100 000 de 155 mm, sem ter em conta os calibres mais pesados. O assalto final ao Forte Douaumont combinou um fogo de barragem seguido de um ataque da infantaria coordenado para que as metralhadoras inimigas não fossem capazes de entrar em acção. Antes do assalto, dois canhões franceses Saint-Chamond instalados em carris, a 13 km a sudoeste de Baleycourt, infligiram sérios danos na estrutura do forte com os seus projécteis de 400 mm e 900 kg de peso cada. Pelo menos vinte desses projécteis atingiram o forte, e seis deles chegaram mesmo a penetrar nos níveis subterrâneos antes de explodirem. Os alemães evacuaram, parcialmente, Douaumont, que foi recapturado a 24 de Outubro pelos fuzileiros franceses e pela infantaria colonial francesa. A 2 de Novembro, os alemães saíram do Forte Vaux o qual também estava sob fogo dos mesmo canhões pesados.

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Resultado

A Batalha de Verdun terminou com uma vitória táctica francesa, mas com perdas humanas muito altas para ambos os lados. O Alto Comando alemão fracassou prossecução dos seus dois objectivos – capturar a cidade de Verdun e provocar um número muito elevado de baixas aos franceses; de facto, os alemães sofreram sensivelmente as mesmas baixas que os franceses. No final da batalha, em Dezembro de 1916, o 2º Exército francês expulsou as tropas alemãs que estavam à volta de Verdun, mas não totalmente para as posições iniciais de Fevereiro de 1916.

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Baixas francesas e alemãs

As Potências Centrais - Alemanha e Áustria-Hungria – estavam a combater em duas frentes em 1916: Rússia e Frente Ocidental. A sua estratégia passava por provocar mais baixas ao adversário do que aquelas que iriam sofrer. O Exército alemão conseguiu atingir este objectivo na Rússia entre 1914 e 1915. Para além deste resultado, também tinham que infligir um tal número de vítimas ao Exército francês que este entraria em colapso. Para atingir este objectivo, o Exército francês tinha que ser levado a uma situação da qual não podia escapar por razões estratégicas e de orgulho nacional. Os alemães também contavam com a sua artilharia pesada e superpesada para causar baixas mais duras do que a artilharia francesa, mais fraca, de 75 mm. Na realidade, o objectivo alemão de infligir muitas baixas ao Exército francês em Verdun nunca foi atingido. As baixas do Exército francês foram elevadas, mas pouco mais do que as alemãs. O general (mais tarde marechal) Philippe Pétain poupou as suas forças e apenas tinha as mesmas durante duas ou três semanas da linha da frente, após o qual eram substituídas. Ainda assim, ele conseguiu manter, de forma constante, cerca de 11 divisões francesas – mais de 100 000 homens – no campo-de-batalha de Verdun. Devido ao sistema rotativo de Pétain, 70% do Exército francês passou pela dureza de Verdun, enquanto do lado alemão esse número foi de apenas 25%. O general Pétain era um apoiante da utilização do fogo de artilharia. A sua frase "o fogo mata", era a base da sua estratégia em Verdun. Em Junho de 1916, a artilharia francesa tinha aumentado para 2 708 peças, incluindo 1 138 de 75 mm.

O dia-a-dia na batalha

A Batalha de Verdun ficou marcada pelo horror das suas condições de vida. A elevada concentração de combates numa área relativamente pequena, destruía o terreno resultando em condições de vida terríveis para ambos os lados do conflito. A chuva e a constante destruição dos campos, transformou o barro numa área cheia de lama cheia de cadáveres e pedaços de corpos. Em algumas zonas, viam-se mais corpos e ossos no terreno do que a própria terra ou vegetação. As crateras provocadas pelas bombas ficavam cheias de lodo líquido, e eram tão escorregadias que se alguém lá caísse, ou lá se resguardasse, podia morrer afogado. As florestas ficaram reduzidas a pilhas de madeira devido aos constantes bombardeamentos e, em alguns casos, chegaram mesmo a desaparecer.

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Significado da batalha

A Batalha de Verdun – também conhecida como ‘’A Máquina de Trituração de Verdun’’ ou Meuse Mill— tornou-se um símbolo da determinação francesa para controlar e manter o terreno e fazer frente ao inimigo a qualquer custo. Contudo, era claro que o Alto Comando francês foi apanhado de surpresa pelo assalto de Fevereiro de 1916. Com o passar do tempo, Verdun tornou-se uma batalha de atrito na qual a artilharia teve um papel fundamental. A utilização intensiva de camiões para reabastecimento das tropas e de material nas linhas da frente foi um factor muito significativo que ajudou a equilibrar as forças entre os dois exércitos. Além disso, durante o Verão de 1916, um novo caminho-de-ferro com as vias de tamanho padrão (a linha de Sommeilles-Nettancourt para Dugny) acabou de ser construída substituindo o tráfego da "Voie Sacrée" e da ferrovia "Chemin de fer meusien". Os estrategas alemães nunca pensaram no tráfego intenso da via nem da abertura da linha de caminho-de-ferro Sommeilles-Nettancourt para Dugny.

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Fontes consultadas

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