Timișoara
Timișoara é um município e a maior cidade da região histórica do Banato, Roménia. É o principal centro económico e cultural da Roménia ocidental, a terceira cidade mais populosa do país e a capital do distrito de Timiș.
O povoamento da área onde se encontra a cidade moderna remonta à Antiguidade. Embora não existam registos escritos anteriores a 1177 (embora alguns historiadores considerem que haja menções anteriores à fortaleza datadas de 1154 ou de 1019), há vários vestígios da presença humana. A primeira civilização identificável é a dos dácios e durante o período romano existiu um povoado na área, que persistiu durante as sucessivas ocupações (de ostrogodos, hunos, gépidas, ávaros) que se seguiram à retirada dos romanos. A partir de 630, a região pertenceu ao Primeiro Império Búlgaro e a partir do início do século X passou a ser dominada por húngaras. Foi parte do Reino da Hungria, do qual foi brevemente capital na primeira metade do século XIV, quando o rei Carlos I da Hungria ali se instalou entre 1315 e 1323, quando grande parte do território do seu reino estava nas mãos de alguns tartományúrs (oligarcas feudais) que na prática lhe recusavam vassalagem.
Timișoara situa-se a cerca de 90 metros de altitude, no limite sudeste da planície do Banato, parte da planície da Panónia, perto do local onde os cursos dos rios Timiș e Bega divergem. As águas destes dois rios formam uma área pantanosa e frequentemente inundada. A cidade desenvolveu-se num dos poucos locais onde os pântanos podiam ser atravessados. Estes constituíram uma proteção natural em redor da fortaleza durante muito tempo e também favoreceram um clima húmido e insalubre, que contribuiu para a proliferação de epidemias de peste e de cólera, o que fez com que o número de habitantes permanecesse relativamente baixo e impediu o desenvolvimento da cidade. No entanto, no século XVIII, os rios da região foram drenados, foram construídas barragens e modificado os seus cursos. Graças a esses projetos hidrográficos, a cidade deixou de ser banhada pelo Timiș e passou a estar à beira do Canal do Bega. Este canal, uma importante via de transporte, que ligou a cidade a Budapeste e a Viena por via fluvial, começou a ser construído em 1728. No entanto, apesar da completa drenagem da área da cidade, esta situa-se sobre um lençol freático com apenas 0,5 a 5 metros de profundidade, o que não permite a construção de edifícios altos. O rico solo negro e o lençol freático relativamente alto fazem com que a região seja muito fértil em termos agrícolas.[carece de fontes?]
Clima
O clima da região de Timișoara não apresenta grandes diferenças entre os períodos mais frios e mais quentes e a precipitação ocorre ao longo de praticamente todo o ano, sem que haja uma estação seca definida. A classificação de Köppen-Geiger do clima local é Cfb (temperado húmido e verões temperados). A temperatura mais alta registada foi 42 °C em 5 de agosto de 2017; a temperatura mais baixa foi -35,3 °C em 24 de janeiro de 1963. Em média há neve no solo durante 30 dias por ano. O mês mais chuvoso é junho (91 mm em média) e o mais seco é fevereiro (44,5 mm). O clima é muito irregular e variado. As massas de ar temperadas de origem marítima que são dominantes durante a primavera e verão causam elevada precipitação. As massas de ar húmido marítimo também são frequentes no inverno e trazem chuva e neve, mas não temperaturas muito baixas. De setembro a fevereiro, é frequente a presença de massas de ar continental polar vindas de leste. No entanto, o clima do Banato é também influenciado pela presença de massas de ar quente provenientes do mar Adriático e do Mediterrâneo. Esta combinação faz com que haja neve abundante durante o inverno e faça bastante calor no verão. As primeiras quedas de neve podem ocorrer no final de outubro, embora o mais comum seja que as quedas de neve mais significativas só ocorram a partir do final de novembro. As últimas quedas de neve geralmente ocorrem em março, mas por vezes acontecem no início de abril. A mediana das primeiras geadas é 22 de outubro e a das últimas é 15 de abril.[carece de fontes?]
Demografia
O município tem 130,5 km² e a área metropolitana em projeto tem 1 570 km². Segundo o censo de 2011, o município tinha 319 279 habitantes e em 2017 estimava-se que tivesse 332 983 (densidade: 2 551,6 hab./km²). Em 2017, a "área urbana alargada" definida pelo Eurostat tinha 359 443 habitantes. Em termos étnicos, segundo o censo de 2011, 81,4% da população era romena, 4,9% húngara, 1,5% sérvia, 1,3% alemã, 0,7% cigana e 0,2% ucraniana. Em termos religiosos, 75% dos habitantes eram fiéis da Igreja Ortodoxa Romena, 7,1% católicos romanos, 5,1% protestantes de vários ramos (2% pentecostais), 1,1% greco-católicos e 0,8% ortodoxos sérvios. Entre 1990 e 2002 a população diminuiu, devida à emigração e ao declínio da taxa de natalidade. O declínio foi especialmente acentuado nas comunidades húngara e alemã — esta última decresceu cerca de 50% naquele período. Em contrapartida, a comunidade ucraniana cresceu, em parte devido à existência de escolas de língua ucraniana. Nos primeiros anos do século XXI, o investimento local por parte de empresas italianas provocou o aparecimento duma comunidade italiana, o que levou à criação dum centro cultural italiano.
Distritos urbanos e bairros
Tradicionalmente, a cidade era dividida em 10 zonas, as quais não têm qualquer função administrativa atualmente.
Timișoara é um centro económico importante a nível nacional desde o século XVIII, quando foi instalada a administração Habsburgo. Devido à colonização austríaca, à diversidade étnica e religiosa e leis inovadoras, a economia local começou a desenvolver-se. Os técnicos e artesãos que se fixaram na cidade fundaram guildas e ajudaram a desenvolver a economia. Em 1717, foi fundada em Timișoara a primeira fábrica de cerveja do Banato, da Timișoreana. Durante a Revolução Industrial foram introduzidas numerosas inovações. Foi nesse período que foi construído o Canal do Bega, o canal mais antigo em território romeno, que ligou Timișoara ao resto da Europa e ao mar Negro, o que fomentou ainda mais o comércio. Alegadamente, Timișoara foi a primeira cidade da Áustria-Hungria com iluminação pública e a primeira cidade da Europa continental a ter iluminação pública elétrica. No século XIX o caminho de ferro do Reino da Hungria chegou à cidade.
A cidade dispõe dum sistema complexo de transportes regionais e tem boas ligações rodoviárias, ferroviárias e aéreas com as maiores cidades da Roménia e com a Europa.
Transportes públicos
A rede de transportes públicos de Timișoara é constituída por 9 linhas de elétricos, 9 linhas de tróleis e 21 linhas de autocarros. É mantida e operada pela empresa municipal Societatea de Transport Public Timișoara (STPT) e cobre todas as áreas importantes da cidade além de ter ligações a algumas das comunas da área metropolitana. Em 2009 a STPT transportou 90 milhões de passageiros. Em 2015, Timișoara tornou-se a primeira cidade a ter um sistema de bicicletas públicas, o qual tem 25 estações e 300 bicicletas que podem ser usadas por locais e turistas gratuitamente. No mesmo ano foi anunciado que iria ser estudada a viabilidade da construção duma linha de metropolitano na cidade, para ligar as estações ferroviárias Gare do Norte e Gare do Leste. Em 2016 entrou em funcionamento um serviço de transporte por barco no Canal do Bega. Estava previsto que esse serviço fosse gratuito até 2021.
Estradas
Timișoara é servida por duas estradas europeias (a E70 e a E671, cujo percurso é o de estradas nacionais romenas) e quatro estradas nacionais (DN6, DN69, DN59 e DN59A). Quando a Autoestrada A1 estiver completa ligará a cidade a Bucareste, à parte oriental do país e à fronteira com a Hungria, a noroeste da cidade, tendo continuidade no lado húngaro com a Autoestrada M43. Os troços Lugoj—Timișoara e Timișoara—Arad—Nădlac—Hungria já estão em serviço. O terminal rodoviário de Timișoara (Autogara) é usado por várias empresas de autocarros que oferecem ligações para numerosos destinos em todo o país e no estrangeiro.
Transportes aéreos
A cidade é servida pelo terceiro aeroporto mais movimentado da Roménia, o Aeroporto Traian Vuia (IATA: TSR, ICAO: LRTR), situado 12 km a nordeste do centro da cidade. Em 2017 teve um movimento de 1 621 529 passageiros, mais 39,7% do que em 2016, mais 12,4% do que em 2011 e mais 46,5% do que em 2006. Até 2014 foi o hub principal da companhia aérea romena Carpatair. Em 2018 era, desde há alguns anos, um hub da companhia de baixo custo Wizz Air.
Ferrovia
Timișoara é um polo ferroviário importante e tem ligações por caminho de ferro para todas a principais cidades romenas, bem como para destinos regionais, através da rede da Căile Ferate Române (CFR, "Caminho de Ferro Romeno"). Tem também serviços internacionais diretos para Budapeste, Belgrado e Viena. A principal estação da cidade, a Gara Timișoara Nord ("Gare do Norte"), tem um movimento diário de mais de 130 comboios. As outras três estações da cidade são usadas principalmente por comboios suburbanos ou regionais.
À semelhança doutras cidades romenas, Timișoara é governada por um conselho local e um prefeito. Tanto estes órgãos como o conselho distrital são eleitos a cada quatro anos por sufrágio direto. O conselho local (consiliu local) de Timișoara é composto por 27 conselheiros (ou vereadores) eleitos. Após as eleições locais de 2016, a distribuição dos conselheiros era a seguinte: 12 do Partido Nacional Liberal (PNL), 9 do Partido Social-Democrata (PSD), 2 do Partido Movimento Popular (PMP), 2 da União Democrática dos Húngaros na Roménia (UDMR/RMDSZ), 1 da Aliança dos Liberais e Democratas (ALDE) e 1 independente. As primeiras eleições locais livres após a queda do regime comunista ocorreram em 1992, tendo sido ganhas por Viorel Oancea, do Partido da Aliança Cívica (PAC), que mais tarde se fundiu no PNL. Oancea foi o primeiro oficial que falou à multidão dos revolucionários reunidos na Praça da Ópera. As eleições seguintes, realizadas em 1996, foram ganhas por Gheorghe Ciuhandu do Partido Nacional Camponês Cristão Democrata (PNȚCD), que se manteve no cargo por quatro mandatos, tendo ganhado as eleições de 2000, 2004 e 2008. Em 2018, o prefeito de Timișoara era Nicolae Robu, que cumpria o seu segundo mandato, após ter ganho as eleições de 2012 e 2016. Os vice-prefeitos eram então Dan Diaconu do PNL e Farkas Imre da UDMR/RMDSZ.
Grande parte dos edifícios do centro da cidade são do período do Império Austríaco. A parte antiga tem várias áreas históricas: Cetate (Belváros em húngaro, Innere Stadt em alemão), Iosefin (Józsefváros, Josephstadt), Elisabetin (Erzsébetváros, Elisabethstadt) e Fabric (Gyárváros, Fabrikstadt). Na velha praça barroca da União (Piața Unirii) há numerosos bares, clubes noturnos e restaurantes.
Timișoara é o principal polo académico e de educação da Roménia ocidental, onde há oito universidades, quatro públicas e quatro privadas. em 2015 havia cerca de 60 000 estudantes na cidade.
Timișoara tem acordos de geminação ou acordos de cooperação com as seguintes cidades:


