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Batalha de Amiens

A Batalha de Amiens também conhecida como a Terceira Batalha de Picardy começou no dia 8 de agosto de 1918, marcou o início da ofensiva Aliada, mais tarde designada por Ofensiva dos Cem Dias, que teria como resultado o fim da Primeira Guerra Mundial. As forças Aliadas avançaram cerca de 11 km no primeiro dia, um dos maiores avanços da guerra, tendo na sua liderança Henry Rawlinson, à frente do 4.º Exército Britânico. A batalha também se notabilizou pelo seu efeito no moral dos homens, de ambos os lados, e pelo elevado número de rendições das forças alemãs. O primeiro dia da batalha foi descrito por Erich Ludendorff como "o dia mais negro do Exército Alemão". Amiens ficou para a história como uma das primeiras grandes batalhas envolvendo veículos blindados e marcou o fim da guerra de trincheiras na Frente Ocidental, tornando a natureza do conflito mais dinâmica e física com as forças a movimentarem-se no terreno até à assinatura do armistício em 11 de novembro de 1918.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 17/07/2026
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Prelúdio

A 21 de março de 1918, o Império Alemão tinha lançado a Operação Michael, a primeira de uma série de ataques planeados para retirar os Aliados da Frente Ocidental. Com a assinatura do Tratado de Brest-Litovsk com os revolucionários russos, os alemães tinham conseguido transferir milhares de homens para a Frente Ocidental, ficando, assim, com uma vantagem temporária em número de homens e material. Essas ofensivas tinham por objectivo transformar essa vantagem em vitória. A Operação Michael tencionava derrotar o flanco direito da Força Expedicionária Britânica, mas a derrota sofrida anteriormente em Arras levou ao insucesso da ofensiva. Os alemães tentaram um esforço final concentrando-se na cidade de Amiens, um local estratégico ao nível ferroviário, mas este avanço foi detido em Villers-Bretonneux pelos australianos apoiados por outras unidades, reagrupadas a 4 de abril. As ofensivas seguintes — Operação Georgette (9 de abril–11 de abril), Operação Blücher-Yorck (27 de maio), Operação Gneisenau (9 de junho) e Operação Marne-Rheims (15 de julho–17 julho) — foram bem-sucedidas com avanços significativos na Frente Ocidental, mas não conseguiram alcançar uma vitória decisiva.

Plano

Foch divulgou o seu plano no dia 23 de julho de 1918, no seguimento da retirada dos alemães iniciada a 20 de julho. O plano previa reduzir o saliente de Saint-Mihiel (que mais tarde seria palco de combates na Batalha de Saint-Mihiel) e libertar as linhas do caminho-de-ferro que passavam por Amiens. O comandante da Força Expedicionária Britânica, Marechal-de-Campo Sir Douglas Haig, também tinha planos para um ataque a Amiens. Quando a retirada britânica terminou em Abril, o quartel-general do 4.º Exército Britânico sob o comando do General Sir Henry Rawlinson, tinha tomado o controlo da frente estabelecida sobre o Somme. No flanco esquerdo estava o III Corpo Britânico comandado pelo Tenente-General Richard Butler, enquanto que o Corpo Australiano, liderado por Sir John Monash defendia o flanco direito e fazia a ligação com os exércitos franceses a sul. A 30 de Maio, todas as divisões de infantaria australiana foram reunidas e passaram a ser comandadas pelo quartel-general, pela primeira vez na Frente Ocidental. Os australianos efectuaram uma série de contra-ataques locais que se revelaram eficazes para abrir e controlar terreno a sul de Somme, para uma ofensiva em larga escala, estabelecendo e aperfeiçoando os métodos que seriam utilizados.

Preliminares

Embora os alemães estivessem presentes na ofensiva no final de julho de 1918, os exércitos Aliados estavam a ganhar força com a chegada de unidades norte-americanas a França, e com o reforço de tropas britânicas transferidas do Reino Unido e da Campanha do Sinai e Palestina. Os comandantes alemães aperceberam-se que, no início de agosto, as suas forças deviam passar para uma posição defensiva, embora Amiens não fosse considerada uma frente. Os alemães acreditavam que os franceses iriam atacar a frente leste Saint-Mihiel, Rheims, ou na Flandres perto de Monte Kemmel, e que os britânicos atacariam ao longo do rio Lys ou perto de Albert. De facto, os Aliados efectuaram alguns contra-ataques nestes sectores, tanto para conquistar objectivos locais como para desviar a atenção da zona de Amiens. As forças alemãs começaram a retirar-se do Lys e de outras frentes em resposta às operações Aliadas. Os Aliados mantiveram a artilharia e o fogo aéreo ao longo das diferentes frentes, movimentando as tropas apenas à noite, e efectuando falsos movimentos diurnos para disfarçar as suas verdadeiras intenções.

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A batalha

A batalha teve início no meio de um denso nevoeiro às 4 horas e vinte da manhã do dia 8 de agosto de 1918. Sob o comando de Rawlinson do 4.º Exército, o III Corpo Britânico atacou a norte do Somme, o Corpo Australiano a sul do rio na zona central da frente do 4.º Exército e o Corpo Canadiano a sul dos australianos. O 1.º Exército Francês, liderado pelo General Debeney, iniciou os bombardeamentos ao mesmo tempo, e começou a avançar 45 minutos depois, apoiado por um batalhão de 72 tanques Whippet Mk A. As forças alemãs estavam de alerta, mas o seu estado de vigília devia-se a possíveis retaliações pelos seus ataques no dia 6 e não por terem conhecimento do plano Aliado. Embora as duas forças estivessem separadas uma da outra cerca de 460 m, o bombardeamento com gás tinha pouca dimensão, pois a posição das forças Aliadas era desconhecida dos alemães. O ataque foi tão inesperado que as forças alemãs só começaram a responder passados cinco minutos, e mesmo a sua resposta foi focada para as posições iniciais dos Aliados, de onde estes já tinham saído há muito tempo.

Últimos combates

O avanço continuou no dia 9 de agosto, mas sem os resultados espectaculares do primeiro dia. A batalha foi alargada a norte e a sul do ataque inicial com o sector sul da batalha, envolvendo as forças francesas, designada por Batalha de Montdidier. A infantaria já não tinha o apoio do fogo da artilharia e a força inicial de mais de 500 tanques, que tiveram um papel essencial para o sucesso Aliado, foi reduzido para seis unidades que ficaram prontas para a batalha em quatro dias. Os alemães, na colina Chipilly, tinham o controlo de uma grande zona de fogo a sul do Somme, e os seus flancos conseguiram deter as restantes unidades do Corpo Australiano até ao dia 9 de Agosto, quando um pequeno grupo australiano passou através do rio e capturou a vila de Chipilly, ao mesmo tempo que o III Corpo atacava. Na frente canadiana, as estradas muito congestionadas e os problemas com comunicações, impediram a 32.ª Divisão Britânica de se movimentar com rapidez e acompanhar o avanço.

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Rescaldo

A Batalha de Amiens foi um dos principais pontos de viragem da guerra. Os alemães tinham começado a ofensiva com o Plano Schlieffen antes de a guerra se transformar numa guerra de trincheiras; a Corrida para o mar diminuiu os movimentos na Frente Ocidental; e a Ofensiva da Primavera alemã, no início do ano, tinha-lhe dado uma vantagem ofensiva na Frente Ocidental. O apoio dos blindados ajudou os Aliados a furar as linhas de trincheira, enfraquecendo aquelas posições. O 3.º Exército Britânico, sem o apoio dos tanques, pouca influência teve nas linhas, enquanto o 4.º Exército, com pouco menos de 1 000 penetrou profundamente em território alemão. O comandante australiano, John Monash recebeu o título de Cavaleiro pelo rei Jorge V nos dias seguintes à batalha. O correspondente de guerra britânico Philip Gibbs descreveu o efeito que Amiens teve no decorrer da guerra, dizendo, a 27 de agosto, que "o inimigo...está na defensiva " e "a iniciativa de ataque está tão nas nossas mãos que estamos prontos a atacá-lo em muitos sítios diferentes." Gibbs também aponta Amiens como causa para a mudança de mora das tropas, dizendo, "houve mais mudança nas mentes dos homens que na conquista do território. Do nosso lado, o exército parece estar motivado com a grande esperança de continuar o seu trabalho depressa " e que "também há mudança na mente do inimigo. Já não têm a mínima esperança de vitória nesta frente ocidental. Tudo aquilo que esperam é defenderem-se a eles próprios o tempo suficiente para alcançar a paz pela via da negociação".

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