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Arquibasílica de São João de Latrão

A Arquibasílica do Santíssimo Salvador e dos Santos João Batista e João Evangelista de Latrão, chamada geralmente apenas de São João de Latrão ou Basílica de Latrão, é a catedral da Diocese de Roma e a sé episcopal oficial do Bispo de Roma, o Papa. É sede da paróquia de mesmo nome.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 14/07/2026
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Origens

A arquibasílica foi construída sobre as ruínas do Novo Castro dos cavaleiros pessoais (Castra Nova equitum singularium), o "novo quartel" da guarda imperial de cavalaria construído por Sétimo Severo (r. 193–211) entre 193-197. Depois da vitória de Constantino I (r. 306–337) sobre o usurpador Maxêncio (por quem os cavaleiros pessoais do Augusto lutaram) na Batalha da Ponte Mílvia (312), a guarda imperial foi abolida e o forte, demolido. Ruínas importantes do forte ainda hoje estão abaixo do piso da nave. O restante do terreno foi ocupado durante os primeiros anos do Império Romano pelo palácio da gente Laterana (Laterani). Sêxtio Laterano foi o primeiro plebeu a alcançar a dignidade de cônsul e os Lateranos serviram como administradores para diversos imperadores. Um deles, o cônsul Pláucio Laterano, ficou famoso por ter sido acusado de conspirar contra o imperador Nero (r. 54–68), o que resultou no confisco e redistribuição de suas propriedades.

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Idade Média

A dedicação oficial da arquibasílica e do vizinho Palácio Laterano foi presidida pelo Papa São Silvestre I em 324, que declarou ambos "Casa de Deus" (Domus Dei). A cátedra papal foi colocada em seu interior, tornando San Giovanni a catedral do bispo de Roma. Um reflexo do status da arquibasílica como primaz do mundo ("igreja mãe"), as palavras "SACROSANCTA LATERANENSIS ECCLESIA OMNIUM URBIS ET ORBIS ECCLESIARUM MATER ET CAPUT" ("Santíssima Igreja Laterana, de todas as igrejas da cidade e do mundo, a mãe e a cabeça") foram inscritas na parede frontal entre as duas portas principais. Um sem número de doações papais e de outros benfeitores à arquibasílica estão registradas no Liber Pontificalis e seu esplendor na época do edifício original era tanto que ela ficou conhecida como "Basílica Dourada" (Basilica Aurea), uma fama que provocou um ataque dos vândalos, que retiraram-lhe todos os tesouros. O papa Leão I (r. 440–461) restaurou-a por volta de 460 e o papa Adriano I (r. 772–795) novamente no século VIII.

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Reconstrução

Apesar dos percalços, a arquibasílica manteve sua forma antiga, com a nave separada dos corredores duplos por fileiras de colunas e tendo à frente um peristilo rodeado por uma colunata e com uma fonte no meio, um formato antigo convencional que também podia ser visto na Antiga Basílica de São Pedro. A fachada tinha três janelas e estava decorada com um mosaico de "Cristo como Salvador do Mundo". Diversas tentativas foram feitas para reconstruir a arquibasílica antes do sucesso do papa Sisto V (r. 1585–1590), que contratou seu arquiteto favorito, Domenico Fontana, para supervisionar o projeto. O palácio original foi demolido e substituído por um novo edifício. Na praça em frente dele está o maior obelisco livre do mundo, conhecido como Obelisco Laterano, com um peso estimado de 455 toneladas. Encomendado pelo faraó egípcio Tutemés III e erigido por Tutemés IV perante o grande Templo de Carnaque em Tebas, foi levado para Roma por Constantino II e erigido primeiro no Circo Máximo (357). Em algum momento ele se partiu e acabou enterrado no local. Descoberto no século XVI, foi escavado e, por ordem de Sisto V, colocado sobre um pedestal de três metros de altura no presente local em 3 de agosto de 1588.

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Interior

Os pórticos estavam pintados com afrescos, provavelmente posteriores ao século XII, comemorando a frota romana sob o comando de Vespasiano, a tomada de Jerusalém, o batismo de Constantino I e a lendária ""Doação" dos Estados Papais à Igreja Católica. Em uma das reconstruções, provavelmente na de Clemente V, um transepto foi construído. Uma abside decorada com Mosaicos ainda preserva a memória de um dos mais famosos salões do antigo palácio, o "triclínio" do papa Leão III (r. 795–816), onde se realizavam os banquetes de estado. A estrutura existente não é antiga, mas partes dos mosaicos originais podem ter sobrevivido no mosaico triplo no nicho. No centro, Cristo dá aos apóstolos sua missão; à esquerda, Ele entrega as chaves do Reino de Deus ao papa São Silvestre I e o lábaro a Constantino I; à direita, São Pedro entrega a estola papal ao papa Leão III e o cetro a Carlos Magno.

Túmulos papais

Há seis túmulos papais na arquibasílica: Alexandre III (corredor direito), Sérgio IV (direito), Clemente XII Corsini (corredor esquerdo), Martinho V (na frente do confessio), Inocêncio III (braço direito do transepto) e Leão XIII (1907; braço esquerdo do transepto). Outros doze foram construídos na arquibasílica a partir do século X, mas foram destruídos nos incêndios do século XIV. Os restos calcinados destes túmulos foram recolhidos e sepultados novamente num polyandrum. São eles: João X (914–28), Agapito II (946–55), João XII (955–64), Pascoal II (1099–1118), Calisto II (1119–24), Honório II (1124–30), Celestino II (1143–4), Lúcio II (1144–5), Anastácio IV (1153–4), Clemente III (1187–91), Celestino III (1191–8) e Inocêncio V (1276).

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Claustro

Entre a basílica e o Muralha Aureliana havia, em períodos anteriores, um grande mosteiro, no qual habitava uma comunidade de monges da Ordem de São Bento que servia à igreja. Este mosteiro era o maior de Roma, com seus 36 metros na lateral. A única parte que restou desta edificação foi o claustro, circundado por graciosas colunas de mármore marchetado. Estas são de um período intermediário entre o estilo românico e o gótico: obra do estilo cosmatesco dos Vassaletto, célebre família de marmoristas romanos, datados do início do século XIII.

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Batistério

O batistério de Latrão é, provavelmente, o mais antigo do cristianismo, considerado o protótipo dos batistérios. Muitíssimo bem preservado, registra, como um calendário, as intervenções ao longo dos séculos. Fica no lado sul da arquibasílica. Foi construído com forma de rotunda, possivelmente sobre uma base mais antiga ou um ninfeu do antigo palácio, por volta de 313 ou 315 por Constantino I, que teria sido ali batizado. A forma octogonal com a fonte no centro foi criada em 432, quando o papa Sisto III substituiu o edifício de Constantino pela nova estrutura. Apresenta ainda restos de antigos Mosaicos e colunas de pórfiro egípcio.

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Escada Santa

A Escada Santa (Scala Sancta) é uma escada com degraus de mármore emoldurado por madeira. De acordo com a tradição católica, seria a escadaria que levava ao pretório de Pôncio Pilatos em Jerusalém e que, portanto, teria sido santificada pelos passos de Jesus Cristo durante a Paixão. Os degraus de mármore podem ser vistos através de aberturas nas molduras de madeira. Eles foram transladados de Jerusalém para o Palácio Laterano no século IV por obra de Santa Helena, a mãe de Constantino. Em 1589, o papa Sisto V os realocou para a posição atual, em frente à antiga capela palatina conhecida como Sancta Sanctorum. Parte dos afrescos da parede são de Ferraù Fenzoni.

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