Barra de São Francisco
Barra de São Francisco é um município brasileiro situado na região noroeste do estado do Espírito Santo, integrante da região sudeste do Brasil. Sua população, segundo o Censo do IBGE, em 2022, era de 42.498 habitantes.
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O perímetro que viria a ser a cidade de Barra de São Francisco começou a ser ocupado em 1927, com a chegada de posseiros procedentes de Minas Gerais, que buscavam terras devolutas e começaram a abrir clareiras na mata. Os primeiros ocupantes da região se instalaram na confluência entre o Rio São Francisco e o Rio Itaúnas e batizaram o local como Patrimônio de São Sebastião. Em 24 de junho de 1935, a localidade se tornou distrito de São Mateus e passou a se chamar Barra de São Francisco. Por meio da Lei nº 15.177, de 31 de outubro de 1943, Barra de São Francisco foi elevada à categoria de município, desmembrado de São Mateus. A instalação ocorreu em 1º de março de 1943 e o feriado de festividade da cidade é comemorado em 04 de outubro, dia de São Francisco de Assis. As origens da cidade remontam ao período colonial, quando a região ainda era uma mata inexplorada. Em 8 de outubro de 1800, quando o Rio Doce foi aberto para a navegação, o governo colonial determinou a instalação de um posto de fiscalização para impedir o tráfico de pedras preciosas oriundas de terras mineiras. Em 18 de outubro de 1904, Espírito Santo e Minas Gerais estabeleceram a Serra dos Aimorés como marco físico do limite territorial entre os dois estados.
O Contestado entre Espírito Santo e Minas Gerais
Em 1911, os dois estados assinaram um convênio para ratificar a questão dos seus limites territoriais, mas o documento, ao invés de trazer entendimento, contribuiu para acirrar a disputa pelo espaço geográfico, pois trazia dupla denominação do maciço que serviria como marcador da divisa territorial: “Serra dos Aimorés”, ou “Serra do Souza”. A falta de clareza dessa peça legal alimentou a imprecisão sobre o limite territorial entre as duas unidades federativas na região. A questão chegou ao Supremo Tribunal Federal em 1914, momento em que o órgão confirmou a divisa entre os estados pela Serra dos Aimorés. Essa decisão passou a ser contestada tanto pelo governo capixaba, quanto pelo mineiro.
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O Contestado marcou o desenvolvimento econômico de Barra de São Francisco a partir da segunda metade do século XX. Isso aconteceu porque, durante o período de disputa entre os dois estados, o governo mineiro investiu na instalação de equipamentos públicos na região de Mantena. Estradas, escolas, postos policiais e de saúde, entre outros serviços públicos, conferiram maior infraestrutura para a cidade mineira, tornando-a mais atrativa e desenvolvida, além de demarcar a área que Minas Gerais queria manter para si. Estagnada e sem os mesmos investimentos da vizinha, Barra de São Francisco vivia uma relação de certa dependência com Mantena. O café, desde o início, foi o grande destaque da economia de Barra de São Francisco até a década de 1960, quando o Espírito Santo e o Brasil passaram a implementar a Política de Erradicação dos Cafezais. O plano, montado pelo Governo Federal, visava desestimular o plantio do café para evitar as super safras, que derrubavam o preço do produto, tornando-o pouco vantajoso.
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Além da sede, Barra de São Francisco é composta por 08 distritos:
Clima
De acordo com a classificação climática de Koppen-Geiger, Barra de São Francisco tem clima do tipo Aw, ou seja, tropical chuvoso, com estação seca no inverno. Agosto é o mês mais frio, com média de temperatura de 18ºC, podendo chegar a 16ºC, e precipitação inferior a 60 mm. A temperatura média anual em Barra de São Francisco é de 24,5ºC, sendo fevereiro o mês com a média mais alta: 26,9ºC, com máximas de até 33,8ºC. O primeiro trimestre do ano costuma ser o mais quente na cidade, enquanto o terceiro trimestre é o mais frio, mas com a maior amplitude térmica. Anualmente, em média, o município recebe 1104,2 mm de chuva. O período chuvoso é entre outubro e abril e concentra 87,2% do acumulado total anual, com média de 963,3 mm. Entre maio e setembro, ocorre o período mais seco, com acumulado médio de 140,3 mm.
Hidrografia
Barra de São Francisco está localizada na bacia hidrográfica do Rio Cricaré. Afluentes de maior fluxo de água, como o Rio São Francisco e o Rio Itaúnas atravessam a sede do município. O território francisquense possui diversas nascentes, mas que não se encontram conservadas, principalmente por conta do desmatamento e da falta de obediência à legislação ambiental. Além do São Francisco e do Itaúnas, cursos-d’água de menor vazão também cortam a área da mancha urbana de Barra de São Francisco, como o córrego Miracema e o córrego Estrela. A hidrografia presente na área urbana da cidade encontra-se degradada e assoreada, recebendo esgoto in natura das residências. A convivência da cidade com os rios e córregos também faz com que alguns bairros, como Centro, Campo Novo, Carabina, Nossa Senhora da Penha e Irmãos Fernandes estejam suscetíveis a enchentes.
Vegetação
Originalmente, o território de Barra de São Francisco era completamente coberto pela Mata Atlântica. Porém, estima-se que, atualmente, a vegetação original ocupe apenas 4% do território.
Relevo
A área onde está situada Barra de São Francisco conta com um elevado número de rochas, compondo a Serra dos Aimorés. As formações rochosas apresentam altitudes de até 1500 metros.
Parques
Em dezembro de 1999, foi inaugurado o Parque Natural Sombra da Tarde, às margens da rodovia ES-320. Localizado a cerca de 1 quilômetro da sede do município, o parque é cortado pelo Rio São Francisco e conta com uma reserva florestal com remanescentes da fauna e da flora da mata atlântica brasileira.
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Por conta das características do seu relevo, a região de Barra de São Francisco tem potencial para a prática de esportes radicais, como escalada, parapente e para realização de trilhas que levam até algumas cachoeiras, como a Cachoeira dos Mol, Cachoeira do Granito e Cachoeira do Denzol. No entanto, o desenvolvimento das atividades de turismo ligado à natureza ainda é incipiente.
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O principal modo de transporte em Barra de São Francisco é o rodoviário e a cidade é cortada pelas rodovias ES-080, ES-320, ES-220 e BR-381, que teve sua concessão estadualizada no trecho capixaba, denominando-se ES-381. A malha rodoviária do município também é composta por estradas vicinais que fazem a ligação da sede com comunidades mais afastadas, predominantemente de característica rural.
Transporte público
Barra de São Francisco conta com uma linha de ônibus urbano, operada pela Viação Pretti. O serviço liga os bairros Vila Luciene à Vila Landinha, conectando os pontos extremos, ao norte e ao sul da mancha urbana da cidade, passando pelo Centro. A cidade conta com uma pequena estação rodoviária, localizada no Centro, onde operam empresas como a Viação Águia Branca, Viação Pretti, Viação Expressa e Viação Moretti. Entre os principais destinos encontrados a partir da rodoviária de Barra de São Francisco estão Vitória, Serra, Vila Velha, São Mateus, Colatina, entre outros. Da rodoviária da cidade também partem linhas que ligam a sede aos demais distritos do município.
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O principal equipamento esportivo da cidade é o Estádio Municipal Joaquim Alves de Souza, localizado no bairro Campo Novo, que sedia jogos de campeonatos amadores de futebol da região. Em 2024, o Real Noroeste, clube que disputa o Campeonato Capixaba de Futebol, realizou jogos como mandante em Barra de São Francisco. O anúncio foi feito após um acordo com a prefeitura do município. Para receber jogos do clube, o estádio passou por reformas e foi liberado após inspeções do Corpo de Bombeiros.


