Banda Phoenix
A Banda Phoenix, oficialmente Escola e Banda de Música Phoenix do Mestre Propício, é uma das mais tradicionais bandas civis do Brasil, com trajetória iniciada em 23 de julho de 1893, na cidade de Pirenópolis, Goiás. Fundada pelo maestro Joaquim Propício de Pina, a Banda atua na preservação e difusão da música no Centro-Oeste e participa das manifestações culturais e religiosas de Pirenópolis, incluindo a Festa do Divino, registrada pelo IPHAN como patrimônio cultural imaterial do Brasil em 2010. Em 2026, foi apresentado na Assembleia Legislativa do Estado de Goiás um projeto de lei de autoria do deputado estadual Virmondes Cruvinel, propondo reconhecer a instituição como patrimônio cultural imaterial do Estado de Goiás.
Contexto musical em Meia Ponte
O povoamento da Capitania de Goiás, impulsionado pela exploração do ouro e pela abertura de caminhos no cerrado ao longo do século XVIII, esteve associado à formação de práticas culturais e musicais nas primeiras localidades do estado. Em Meia Ponte — atual Pirenópolis —, como em outras localidades do período colonial, as manifestações religiosas mantinham estreita relação com as práticas musicais, com destaque para as promovidas pelas irmandades. A Irmandade do Santíssimo, predominantemente composta pela elite branca, teve papel relevante na organização da vida religiosa local e na formação de práticas musicais em Goiás. O ensino musical na região de Goiás remonta ao século XVIII, com a atuação de músicos e famílias ligadas à vida religiosa e cultural de Meia Ponte. Entre os nomes associados a esse contexto estão Custódio Pereira da Veiga e seu filho, o padre José Joaquim Pereira da Veiga. A família Rodrigues Nascimento também esteve ligada ao desenvolvimento da música local, especialmente após a construção do coro da Igreja Matriz de Pirenópolis pela Irmandade do Santíssimo, que já recebia melhoramentos em 1757.
A Phoenix
Joaquim Propício de Pina, nascido em 1867, foi criado pelos tios Braz de Pina, Theodoro e Theodolino Graciano de Pina, integrantes da segunda orquestra da Matriz de Meia Ponte, regida pelo padre Francisco Inácio da Luz, irmão de Antônio da Costa Nascimento, o Tonico do Padre. Nesse ambiente, Propício ingressou na Banda Euterpe, onde estudou clarineta. Posteriormente, passou a ministrar aulas particulares a jovens como Olavo Batista, Américo Borges de Carvalho, José Ribeiro Forzani e Olegário Herculano de Aquino, estudantes do Colégio Ateneu Meiapontense. As aulas, iniciadas em janeiro de 1892, ocorriam à noite, na casa de Antônio Tomás de Aquino Correa.
Pós Propício
Com a morte de Joaquim Propício de Pina, em 11 de agosto de 1943, a Banda Phoenix passou por um processo de reorganização interna. Entre as questões enfrentadas naquele momento estavam a definição da nova regência e do local de ensaios, até então realizados na residência de Propício. Luiz de Aquino Alves, que já atuava como colaborador próximo do maestro e exercia funções de apoio musical na corporação, assumiu a direção da Banda e do Coro e Orquestra Nossa Senhora do Rosário, transferindo em seguida a regência do coro para Sebastião Pompeu de Pina, conhecido como Tãozico Pompeo. As transformações econômicas e urbanas ocorridas em Goiás ao longo do século XX afetaram Pirenópolis e tiveram reflexos sobre a Banda Phoenix. A migração de moradores para centros como Anápolis, Goianésia e Goiânia, somada à redução de aulas regulares e ao afastamento de parte da juventude local, dificultou a continuidade das atividades da corporação. A filiação de Luiz de Aquino ao PSD também o inseriu em disputas políticas locais, contexto que contribuiu para seu afastamento da direção da banda, assumida interinamente por Sebastião Pompeu de Pina.
A Banda atualmente
A Banda Phoenix mantém atuação contínua nas atividades culturais e religiosas de Pirenópolis. Desde 2019, ampliou sua participação em eventos locais, regionais e estaduais, com registro de 68 apresentações em 2023 aumentando para 80 apresentações em 2025. Os músicos da corporação, em sua maioria voluntários, participam de celebrações tradicionais do município, como as Cavalhadas, a Semana Santa, a Festa do Divino e a Festa do Rosário. A banda também atua em eventos cívicos, como as comemorações de 7 de setembro e do aniversário da cidade, além de festivais culturais, entre eles o Encontro de Coroas do Divino Espírito Santo e festivais de bandas realizados no município.
Ao longo de sua história, a Banda Phoenix utilizou diferentes edificações em Pirenópolis como locais de ensaio e organização de suas atividades. Esses espaços estão associados à trajetória da corporação musical e à história urbana e cultural da cidade. Após a morte de Joaquim Propício de Pina, em 1943, os ensaios continuaram por alguns anos em sua antiga residência. Posteriormente, as atividades passaram para a casa de Luiz de Aquino Alves. Entre 1963 e 1970, a banda utilizou o prédio do antigo Mercado Municipal, atual Casarão da Banda Phoenix, transferindo-se depois para o edifício que hoje abriga o Museu da Família Pompeu, onde permaneceu até 2014.
Casa de Antônio Tomás de Aquino Correa
A primeira sede da banda foi a casa de Antônio Tomás de Aquino Correa, construída em 1852. O imóvel foi utilizado em 1892 para os primeiros ensaios conduzidos por Joaquim Propício de Pina, reunindo os jovens músicos que posteriormente formariam a Banda Phoenix. Entre 1892 e 1894, o edifício também serviu de base para a Missão Cruls, a Comissão Exploradora do Planalto Central do Brasil, liderada pelo astrônomo belga Luiz Cruls. A missão realizou estudos que contribuíram para a posterior definição da área destinada à construção de Brasília.
Casa de Joaquim Propício de Pina
A casa de Joaquim Propício de Pina, localizada na Rua Nova, foi adquirida pelo maestro em 1900. Construída antes de 1857, a residência passou por reformas realizadas por Propício. Durante as décadas em que viveu no local, o maestro utilizou a casa também como espaço de ensino e prática musical. Após sua morte, em 1943, o imóvel continuou a ser utilizado por alguns anos como local de ensaios da Banda Phoenix. Posteriormente, as atividades foram transferidas para a residência de Luiz de Aquino Alves.
Casa de Luiz de Aquino Alves
Após deixar a residência de Propício, a Banda Phoenix passou a utilizar a casa do maestro Luiz de Aquino Alves como sede. A residência, situada na Rua Direita e datada de 1844, foi adaptada para ensaios e atividades musicais da corporação. Durante esse período, a casa funcionou como espaço de organização da banda e preparação de apresentações públicas. Posteriormente, as atividades foram transferidas para o prédio do antigo mercado municipal, atual Casarão da Banda Phoenix.
Museu da Família Pompeu
A partir da década de 1970, a Banda Phoenix passou a utilizar como sede o edifício que atualmente abriga o Museu da Família Pompeu, localizado no Largo da Cruz, na Rua Nova. O casarão foi construído no final do século XVIII como residência do comendador Joaquim Alves de Oliveira. Entre a década de 1970 e 2014, o edifício foi utilizado pela banda para ensaios e atividades culturais. Atualmente, o local abriga o museu da família Pompeu, que preserva mobiliário, documentos e objetos relacionados à história local.
Casarão da Banda Phoenix
O prédio atualmente ocupado pela banda corresponde ao antigo Mercado Municipal de Pirenópolis, localizado na Avenida Neco Mendonça, no Centro Histórico da cidade. O edifício foi construído em 1914 durante a administração do intendente José Ribeiro Forzani. Entre 1963 e 1970, a Banda Phoenix já havia utilizado o prédio como sede. Posteriormente, transferiu-se para o casarão que hoje abriga o Museu da Família Pompeu, onde permaneceu por várias décadas. Após deixar esse local em 2014, a banda passou temporariamente a utilizar um espaço cedido pela prefeitura. Em seguida, por meio da Lei Ordinária nº 785, de 17 de dezembro de 2015, o antigo mercado municipal foi destinado oficialmente à Banda Phoenix. Após reforma realizada pelo município, o prédio passou a ser ocupado pela corporação a partir de 2018.
O arquivo musical da Banda Phoenix, preservado em conjunto com o do Coro e Orquestra Nossa Senhora do Rosário, reúne um acervo de partituras e documentos musicais que abrangem repertórios produzidos entre o século XIX e a atualidade. O acervo inclui obras de música sacra, música erudita, música popular, música tradicional e repertório religioso, reunindo composições de autores locais e de outras regiões. O conjunto preserva ainda diversas partituras manuscritas e autógrafas, associadas à tradição musical de Pirenópolis e às atividades da banda e do coro ao longo de sua história.


