Antônio dos Santos Cunha
Antônio dos Santos Cunha foi um compositor luso-brasileiro de música sacra ativo sobretudo em São João del-Rei, Minas Gerais, entre o final do século XVIII e as primeiras décadas do XIX. Por muito tempo sua biografia permaneceu pouco documentada, mas pesquisas recentes indicam que declarou-se natural de Meia Ponte, nasceu provavelmente por volta de 1780 e faleceu em 19 de novembro de 1830 no Rio de Janeiro.
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Registros documentais identificam Antônio dos Santos Cunha como filho natural de Angélica de Oliveira Rosa, que o reconheceu em testamento juntamente com sua irmã Ana Francisca de São José.[nota 1] Angélica de Oliveira Rosa, ativa entre o final do século XVIII e as primeiras décadas do XIX, possuía bens e escravizados declarados em testamento e manteve vínculos com irmandades religiosas de São João del-Rei. O casamento de Antônio dos Santos Cunha ocorreu em 22 de novembro de 1807, em Alenquer, Portugal, com Helena Sofia Lassance (1791–1845). No registro matrimonial, declarou-se natural de Meia Ponte, informação reiterada em registros posteriores de seus filhos, ainda que em alguns documentos a naturalidade apareça simplificada como “Minas” ou “Minas Gerais”. A documentação analisada também indica a existência de um homônimo, provavelmente seu pai, identificado em registros como alferes e posteriormente sargento-mor, o que contribui para esclarecer ambiguidades onomásticas anteriormente apontadas pela historiografia.
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Em São João del-Rei, Antônio dos Santos Cunha filiou-se à Ordem Terceira do Carmo em 1800 e à Irmandade do Senhor Bom Jesus dos Passos em 1801. Registros posteriores indicam sua ausência para Lisboa por volta de 1815. A documentação confrarial e paroquial revela sua participação em associações religiosas locais e sugere que tais vínculos funcionavam não apenas como expressão de religiosidade, mas também como forma de inserção social. Diversas fontes musicais autógrafas sobrevivem nos arquivos da Orquestra Ribeiro Bastos, da Orquestra Lira Sanjoanense e do Cabido Metropolitano do Rio de Janeiro. Neste último conserva-se uma partitura autógrafa da Missa e Credo a Cinco Vozes, dedicada ao imperador Pedro I em 1822, última data conhecida de sua atividade musical. Estudos recentes indicam que suas obras circularam amplamente por meio de cópias manuscritas e mantiveram uso litúrgico contínuo na região, independentemente da presença física do compositor.
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O corpus musical atribuído a Antônio dos Santos Cunha é inteiramente sacro e inclui missas, responsórios para a Semana Santa, a Novena de Nossa Senhora da Boa Morte e o Pange lingua. A crítica musicológica identifica em sua obra o uso de procedimentos operísticos, linhas vocais cantabile, presença destacada de instrumentos de sopro e organização formal expansiva, frequentemente associados à influência italiana e às transformações estilísticas do final do século XVIII e início do XIX. Sua música permaneceu em circulação no repertório religioso são-joanense ao longo do século XIX, antes de ser gradualmente substituída por composições posteriores.
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Documentos paroquiais identificam seu falecimento em 19 de novembro de 1830 no Rio de Janeiro, onde foi sepultado na Ordem Terceira dos Mínimos de São Francisco de Paula.
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Edilson Rocha identificou oito composições atribuídas a Antônio dos Santos Cunha, considerando a Missa e Credo a Cinco Vozes como duas obras e as Matinas da Semana Santa como três composições distintas:
Foram impressos o hino Assumptionem Virginis Mariæ e a antífona Maria Mater gratiæ, ambos da Novena de Nossa Senhora da Boa Morte, na coleção Música Sacra Mineira. Também foi publicada a Missa e Credo a Cinco Vozes em volume dedicado ao compositor na série Patrimônio Arquivístico-Musical Mineiro, coordenada por Paulo Castagna. Há ainda registro fonográfico dessa obra, gravado em 1981 pela Orquestra Ribeiro Bastos, sob regência de José Maria Neves.
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Antônio dos Santos Cunha inspirou a criação do personagem Antônio Francisco da Cunha no filme teuto-brasileiro Symphonia Colonialis, dirigido por Georg Brintrup e lançado em 1991. Nesse filme, a Orquestra Ribeiro Bastos, regida por José Maria Neves, ensaia a Missa Grande a Quatro Vozes de Antônio dos Santos Cunha, enquanto a narrativa imagina a vida de um compositor fictício inspirado em sua figura.


