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Alenquer (Portugal)

Alenquer é uma vila portuguesa pertencente à região Oeste e ao distrito Lisboa, integrando atualmente a NUT II do Oeste e Vale do Tejo. Faz parte da província histórica da Estremadura, com perto de 9 000 habitantes.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 15/07/2026
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Etimologia

O topónimo Alenquer veio do topónimo céltico Aranker ("junto ao rochedo"), através do baixo-latim Alancar.

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Caracterização

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Mercê da sua disposição em encosta, partindo do topo de um outeiro em direção ao vale, há muito que Alenquer conquistou o epíteto de "Presépio de Portugal". Berço de Damião de Goes e predileta de Luís de Camões, desempenhou papel preponderante em cada época da história. Testemunho disso mesmo é o seu riquíssimo património: sítios pré-históricos, castelos, conventos, igrejas, ermidas, quintas e casas senhoriais. Cabeça, há oito séculos, de um vasto município – terceiro em área no Distrito de Lisboa – limitado a norte pelas faldas do Montejunto e a sul pela campina do Ribatejo, apresenta uma paisagem característica, transição entre o campo outeirado da Estremadura e a planície, onde a vinha é predominante e base ancestral da sua economia.

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Atividades económicas

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O município de Alenquer pode ser visto, em traços gerais, como um espaço em processo de expansão, sobretudo urbanisticamente, e em que a base económica é fortemente marcada pela agricultura, em especial a vinha e o vinho. A evolução tem vindo a ser condicionada pelo posicionamento territorial do município em relação à Área Metropolitana de Lisboa (AML), principal centro de produção e consumo do país. Esta circunstância, muito ligada à proximidade geográfica e à crescente dotação em matéria de infraestruturas de transporte, conferiu a Alenquer (nomeadamente às zonas do município melhor servidas neste domínio) uma significativa vantagem competitiva com efeitos na criação de importantes dinâmicas de desenvolvimento

Setor primário

Principais produções por ordem de grandeza: vinha, prados temporários, culturas forrageiras (criação de gado, regime de pousio), cereais (sobretudo grão) Predomínio das culturas extensivas e de sequeiro. Zonas da Merceana, Labrugeira e Olhalvo responsáveis por 20% a 25% da produção de vinho da região Oeste. Alenquer produz sobretudo aves e coelhos. Representa 15% da superfície agrícola total, com 423 explorações e 2763 hectares de matas e florestas sem culturas sob coberto. Apresenta tendência para a diminuição do número de explorações. Maior representatividade das áreas ocupadas por matas e florestas sem culturas sob coberto.

Setor secundário

Expressão muito significativa a nível concelhio e regional: representa mais de 30% do emprego e cerca de metade do volume de negócios setorial registado na região Oeste. Predominam as pedreiras de calcário (a extração da areia é residual): britas a norte de Alenquer; Atouguia; na Sabreira; a norte do Camaral; no Areeiro e a norte de Marés; e ainda basalto no cabeço de Meca. Apresenta-se especializada em produtos alimentares, não metálicos e metálicos. Importante dinamismo no município, apesar do fraco significado regional: aparecimento de novos estabelecimentos, criação de emprego (28% do valor global concelhio), geração de volume de negócios, alteração da estrutura intrassetorial. Núcleos industriais localizados: Carregado (maior concentração), Cheganças, Abrigada. Enfrenta desafios em termos de qualificação de mão de obra e das atividades.

Setor terciário

Comércio por grosso representa parte mais significativa da estrutura empresarial: produtos alimentares, bens intermédios, máquinas e equipamentos. Predomínio do pequeno comércio, com exceção da iniciativa outlet factory "Campera Outlet Shopping". Desenvolvimento da atividade logística pela centralidade/acessibilidade ao espaço econômico nacional. Atividades de transportes rodoviários de mercadorias potenciam: empregos (+ de 1500), novos estabelecimentos, atividades auxiliares (manuseamento e armazenamento). Localizam-se prioritariamente na parte sul do município (Carregado). Importantes canais de infraestruturas: rede rodoviária (proximidade do porto de Lisboa e do terminal TIR de Alverca do Ribatejo), rede ferroviária (linha do norte), rede elétrica de alta tensão, adutoras de água do Castelo de Bode, Vale da Pedra, Alviela e de furos de captação, corredor aéreo da Base Aérea n.º 2 da Ota, ligação hertziana entre os centros radioelétricos de Lisboa e Montejunto.

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Geografia

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O Município de Alenquer situa-se na Estremadura e faz parte do distrito de Lisboa. Conta com uma superfície de 304,22 km², e entre os quinze municípios que formam o distrito, apenas o de Torres Vedras e o de Sintra superam esta área. Na carta distrital, o município desenha aproximadamente um quadrado. Ao norte está limitado pelos municípios de Azambuja e Cadaval, ao sul pelos de Vila Franca de Xira, Arruda dos Vinhos e Sobral de Monte Agraço, a poente pelo de Torres Vedras e a nascente pelo de Azambuja e pelo rio Tejo. O município de Alenquer estava repartido por 16 freguesias: Abrigada, Aldeia Galega da Merceana, Aldeia Gavinha, Cabanas de Torres, Cadafais, Carnota, Carregado, Meca, Olhalvo, Ota, Pereiro de Palhacana, Ribafria, Santo Estêvão, Triana, Ventosa e Vila Verde dos Francos. Após a Carta Verde da Reforma da Administração Local que se tornara efetiva apos as Autárquicas de 29 de Setembro de 2013 o município passara a dispor de 11 Freguesias, União das Freguesias Abrigada e Cabanas de Torres, União das Freguesias Aldeia Galega da Merceana e Aldeia Gavinha, União das Freguesias Santo Estêvão e Triana, Carnota, União das Freguesias Carregado e Cadafais, Meca, Olhalvo, Ota, União das Freguesias Ribafria e Pereiro de Palhacana, Ventosa, e Vila Verde dos Francos.

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História

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Alenquer foi ocupada por muçulmanos e conquistada por D. Afonso Henriques. Recebeu foral em 1212 da infanta D. Sancha, filha de Sancho I de Portugal. Contava a lenda que a origem do nome provinha de um cão de seu nome Alão (ver etimologia). O município de Alenquer desempenhou um papel preponderante em cada época, em cada momento, da História de Portugal. Desses tempos ficaram vestígios materiais, lendas, memórias, tradições, que sendo património de todos nós deve ser entendido e acarinhado. Existem duas versões distintas acerca da derivação do nome da vila de Alenquer. Uma das versões conta que D. Afonso Henriques se deparou com uma cidade fortemente defendida pelos mouros e decidiu conquistá-la. Diz-se que na manhã em que o rei decidiu tomar o castelo, indo ele com o seu séquito tomar banho no rio e fazer as suas correrias, viram que um cão grande e pardo, que vigiava as muralhas do castelo e se chamava Alão, calou-se e lhes fez muitas festas. El rei, tomando isso por bom presságio, decidiu começar o ataque ao castelo dizendo o "Alão QUER". Estas palavras teriam servido para o futuro apelido da vila. A outra versão conta que o cão chamado Alão levava as chaves na boca, todas as noites, pela muralha fora até à Casa do Governador, e que os cristãos, aproveitando-se dos instintos do animal, prenderam então uma cadela debaixo duma oliveira à vista do cão, que galgou o muro, entregando as chaves aos portugueses. Estas lendas não têm até hoje nenhum fundamento comprovado, mas é certo que o brasão da vila tem um cão, o que de algum modo dá crédito à lenda.

Pré-história

De entre os fósseis de animais pré-históricos encontrados na região de Alenquer, destaca-se o Apatosaurus alenquerensis. Foi descoberto pelo geólogo americano Harold Weston Robbins que então trabalhava por conta da Companhia Portuguesa de Petróleos. As ossadas apareceram no meio de um caminho rural, algumas dezenas de metros a Norte de um moinho arruinado chamado Moinho do Carmo, situado a cerca de 1500 metros a Sul de Alenquer. Depois de uma visita ao local, pessoal dos Serviços Geológicos, sob a direção de Georges Zbyszewski, realizou, em junho de 1949, as escavações, recolhendo 26 enormes vértebras pertencentes ao fóssil de um mesmo animal, muito frágeis, permitindo no entanto serem reconstituídas.

Origens de Alenquer

A descoberta pelo arqueólogo Hipólito Cabaço de objetos polidos no sítio do Castelo (sem precisar exatamente a localização) e de fragmentos cerâmicos junto da vulgarmente chamada Porta da Conceição parece indício seguro de uma origem pré-histórica da vila, no espaço depois limitado pela fortificação medieval. As cerâmicas, classificadas por Cabaço como Eneolítico, são por ele descritas como “Diversos fragmentos de vasos campaniformes com desenhos incisos encontrados por baixo da muralha da Porta da Conceição – Alenquer”. Localizado a meia-encosta, o sítio da Porta da Conceição levanta dúvidas quanto à localização e estrutura do povoado a que estariam associados aqueles vasos. João José Fernandes Gomes, que estudou o espólio, aponta duas possibilidades: a de se tratar de um povoado de tipo castrejo, que ocupara o topo do outeiro do Castelo, a 107 metros de altitude; ou de um povoado que ocupara uma das vertentes do mesmo monte.

Alenquer sob o domínio romano

Castro ou povoado de encosta, o primitivo núcleo habitacional de Alenquer terá sido mais tarde romanizado (séculos II a.C. a III d.C.). Bento Pereira do Carmo faz menção da descoberta de moedas dos imperadores Trajano, Adriano, Antonino Pio e outros, quando se reformou o Castelo com obras de terra, para fazer rosto à invasão francesa de 1810. Inclui ainda este autor, numa relação de inscrições lapidares antigas localizadas por si, e na sua maioria romanas, uma pedra pensada em 1782 no quintal do Padre Pedro Taveira, junto ao Castelo, declarando serem, para si, enigmáticos os caracteres nela gravados, e reproduzi-los então conforme registo que deles fizera Fernando Dantas da Cunha e Brito, falecido em 1787, escrivão dos órfãos de Alenquer e curioso de antiguidades, reprodução essa que, como as de todas as outras inscrições, já não aparecerá quando os textos de Pereira do Carmo são publicados entre 1888 e 1890.

O domínio árabe e reconquista cristã de Alenquer

Entre os séculos III e VIII da nossa Era, sucedem-se as invasões bárbaras: alanos, vândalos, suevos e visigodos. Guilherme Henriques, baseando-se nos escritores mais abalizados afirma que a fundação do castelo de Alenquer se deu com a entrada dos visigodos em território português. Esta continuidade ocupacional é reforçada pela riqueza do subsolo da vila, onde se registaram vestígios de épocas pré-históricas e romanas, como os silos descobertos na Calçada do Espírito Santo, identificados pelo arqueólogo Hipólito Cabaço. Outros autores creem em fundação posterior. Estabelecidos na Península a partir de 711, terão os árabes aproveitado os recursos defensivos do sítio de Alenquer, nomeadamente a sua posição na linha do Tejo, para aqui edificar uma fortificação. O caráter militar da vila desde a sua tomada aos mouros por D. Afonso Henriques é evidenciado pela provável existência de alcaides cujos nomes a história ainda não registou plenamente. Entre os indícios destes governadores desconhecidos destaca-se uma matriz sigilar de bronze de Martim Gomes, que exibe três chaves ao alto, símbolo que se hipotetiza representar o cargo de alcaidaria e a posse das chaves do castelo.

O Foral

Em 1212, Alenquer é entregue a D. Sancha ( Saibam todos que eu a rainha D. Sancha, filha d'el-rei D. Sancho, que foi filho de Afonso I, rei de Portugal, pela graça Deus, senhora do castelo chamado Alenquer, de minha espontânea vontade, bom ânimo e íntimo amor do coração, dou e concedo ao sobredito castelo e a todos os seus habitantes tanto presentes como futuros, bom foral), que no mesmo ano lhe atribui foral. Por se tratar apenas da consolidação de uma situação já existente, este diploma não especifica os limites do termo da vila. D. Dinis concederá novo foral à vila em 1302, reformado em 1510, na sequência da reforma dos forais promovida por D. Manuel.

O município de Alenquer, e a sua constituição

O concelho de Alenquer foi constituído num passado recente no fervilhar do processo liberal entre 1832 e 1855, no período que corresponde, culturalmente, às gerações do Romantismo. Nesse processo conturbado de profunda transformação da sociedade e do municipalismo do País, após a extinção dos forais (1832) desapareceram dois (Vila Verde dos Francos e Aldeia Galega) dos três antigos concelhos medievais que formam hoje o atual município. Com a promulgação das três leis (finanças públicas, administração civil e judicial) em 1832 e a divisão do País em províncias, comarcas e concelhos tornando distintas as funções administrativas das judiciais, mudando por completo a maioria das normas vigentes da administração pública, foram várias as alterações do termo e da comarca de Alenquer.

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Freguesias

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Após a Reorganização Administrativa do Território das Freguesias, o município de Alenquer passou de 16 freguesias para as atuais 11 freguesias:

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Evolução demográfica

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(Obs.: Número de habitantes "residentes", ou seja, que tinham a residência oficial neste município à data em que os censos se realizaram.) (Obs: De 1900 a 1950 os dados referem-se à população "de facto", ou seja, que estava presente no município à data em que os censos se realizaram. Daí que se registem algumas diferenças relativamente à designada população residente)

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