Caso Bancoop
O caso Bancoop é o nome usado pela imprensa brasileira ao escândalo da Bancoop, Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo, usada beneficiar o caixa dois do Partido dos Trabalhadores (PT) nos anos de 2002 e 2004. Em 19 de outubro de 2010, o promotor pediu a justiça denúncia contra João Vaccari Neto e outras cinco pessoas envolvidas no caso Bancoop. No dia 28 de outubro de 2010 a juíza Patrícia Inigo Funes e Silva, da 5ª Vara Criminal de São Paulo aceitou a denúncia contra os envolvidos no caso de desvio de dinheiro da cooperativa.
Fundada em 1996 pelo ex-ministro das Comunicações e ex-presidente do Partido dos Trabalhadores Ricardo Berzoini, a Bancoop vem sendo investigada pelo Ministério Público desde 2007, por acusações de lavagem de dinheiro, superfaturamento e desvio de recursos. Um dos indícios da malversação é a situação financeira da empresa. Outrora uma das mais importantes construtoras de imóveis do estado de São Paulo, com mais de 15 mil cooperados, e mesmo tendo recebido vultosos aportes financeiros, somando mais de R$ 40 milhões a partir de 2003, por parte de fundos de pensões controlados por pessoas ligadas ao PT, transformou-se numa empresa com um déficit estimado em mais de R$ 100 milhões.
Caixa-dois para o PT
A edição 2155 da revista VEJA, datada de 10 de março de 2010, revela que o Ministério Público do Estado de São Paulo por autorização da justiça, teria tido acesso a mais de 8.000 páginas de registros de transações bancárias realizadas pela Bancoop entre 2001 e 2008. Segundo a publicação, em 2002 empreiteiros que prestavam serviços a Bancoop teriam que emitir notas frias em favor da Bancoop, por sua vez os diretores das empreiteiras descontavam os cheques, recebidos como pagamento pelos serviços inexistentes, e repassavam os valores ao técnico em edificações Hélio Malheiro, este depositava o dinheiro em uma agência de um grande banco, o na época presidente da entidade Luiz Malheiro mandava sacar o dinheiro, Luiz então entregava o dinheiro ao na época sindicalista João Vaccari Neto. O dinheiro desviado seria usado para fomentar o caixa dois da campanha de Lula em 2002.
Superfaturamento e favorecimento dos diretores
Segundo a publicação, em uma pequena amostragem de extratos bancários da cooperativa foi constatado que foram feitos saques em dinheiro no valor de 31 milhões de reais através de cheques emitidos pela própria Bancoop, que tinham como destinatário ela mesma, ou o seu banco. O uso de cheques nesse tipo de transação é comumente usado para esconder o destino do dinheiro. Em outros cheques encontrados que somavam o valor de 10 milhões de reais feitos entre os anos de 2003 e 2005 tiveram como destino quatro dirigentes da cooperativa, o ex-presidente Luiz Eduardo Malheiro e os ex-diretores Alessandro Robson Bernardino, Marcelo Rinaldo e Tomas Edson Botelho Frag, os três primeiros mortos em um acidente de carro. Os quatro eram donos da Germany Empreiteira, que tinha como único cliente conhecido a cooperativa.
Lesados pela Bancoop
Segundo o advogado Valter Picazio Júnior, cerca de 8.500 famílias sofreram prejuízos devido a Bancoop, nesse total de famílias lesadas cerca de 3.000 famílias nem chegaram a receber os imóveis construídos pela entidade. Segundo o próprio, não houve esclarecimentos sobre um fundo no valor de R$ 43 milhões de reais que foi captado junto aos cooperados, nada teria sido construído com esse dinheiro.
No período que a Bancoop funcionou apresentou um déficit de 135 milhões de reais, e 2000 afiliados que tinham pago todo o imóvel, mas ainda não o tinham recebido. No dia 19 de outubro, de 2010, O promotor José Carlos Blat, do Ministério Público do estado de São Paulo, apresenta denúncia à 5ª Vara Criminal, foram denunciados os ex-diretores da cooperativa João Vaccari Neto, Tomas Edson Botelho Fraga, Ana Maria Ernica, Henir de Oliveira, a advogada da Bancoop, Letícia Achur Antonio e a presidente da Germany, Helena Conceição Pereira Lage, nos crimes de estelionato consumado, tentativa de estelionato, formação de quadrilha ou bando e falsidade ideológica, com agravante em relação aos ex-diretores estes também sendo processado por lavagem dinheiro. No dia 28 de outubro, de 2010, a juíza Patrícia Inigo Funes e Silva, da 5ª Vara Criminal de São Paulo, aceita a denúncia feita pelo promotor José Carlos Blat tornando os antes denunciados em réus. Além disso a juíza determinou a quebra de sigilo bancário e fiscal de Vaccari e de Ana Maria.


