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Dinastia Bagrationi

Dinastia Bagrationi é uma dinastia real que governou a Geórgia da Idade Média até o início do século XIX e uma das mais antigas dinastias reais cristãs ainda existentes no mundo. Na terminologia moderna, a linhagem real é geralmente chamada de Bagrátidas georgianos.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 20/07/2026
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Origens

A dinastia Bagrationi reivindica ser a mais antiga dinastia real da Europa, embora o livro "Monarchs-in-Waiting", de Walter Curley, atribua esta honra a Casa Real da França assim como "Les Prétendants aux Trônes d'Europe", de Joseph Valynseele. De acordo com a lenda familiar, escrita no século XI pelo cronista georgiano Sumbat Davitis-Dze e ampliada muito depois pelo príncipe Vacusti Bagrationi (1696–1757) com informações cronológicas, os ancestrais da dinastia remontam ao bíblico rei e profeta David e sua origem é a Palestina por volta de 530. Conta a tradição que, de sete irmãos fugitivos da linhagem de David, três se assentaram na região da Armênia e quatro chegaram na Ibéria, onde se casaram com mulheres das casas reais locais e conseguiram terras por sucessão hereditária. Um dos quatro irmãos, Gurgenes (m. 532) teria supostamente dado origem a uma linhagem que depois seria chamada de "Bagrationi" em homenagem ao seu filho Bagrate[a].

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História

Primeira dinastia

A família Bagrationi ganhou proeminência na época que a monarquia georgiana (Reino da Ibéria) foi conquistada pelo Império Sassânida no século VI e as mais importantes famílias principescas da região se exauriram frente aos ataques dos persas. A ascensão de uma nova dinastia foi possibilitada pela extinção dos guarâmidas e a quase extinção dos cosroidas (as duas dinastias georgianas anteriores com cujos membros os bagrátidas se casaram extensivamente) e também pela preocupação dos abássidas com suas próprias guerras civis e com seu conflito com Império Bizantino. Embora o sultão árabe não lhes tenha permitido manter uma presença na antiga capital de Tiblíssi e na Ibéria Oriental, os bagrátidas conseguiram defender com sucesso seus domínios mais antigos em Clarjécia e Mesquécia e, como protetorado bizantino, estendeu suas posses para o sul em direção ao noroeste da Armênia para formar um grande estado conhecido na historiografia moderna como Tao-Clarjécia. Em 813, a nova dinastia conseguiu, na pessoa de Asócio I, o título hereditário de erismtavari ("príncipe presidente") da Ibéria, a quem depois o imperador bizantino acrescentou o título de curopalata.

Era de Ouro

Esta monarquia unificada manteve sua precária independência dos bizantinos e dos turcos seljúcidas durante todo o século XI e floresceu no reinado de David IV, o Construtor (r. 1089–1125), que repeliu os ataques seljúcidas e essencialmente completou a unificação da Geórgia com a reconquista de Tblisi em 1122. Com o declínio do poder bizantino e a dissolução do Império Seljúcida, a Geórgia tornou-se uma das mais importantes nações do oriente cristão, com seu império caucasiano se estendendo, no ápice de sua expansão, do norte do Cáucaso até o norte do Irã e, para o oeste, até a Ásia Menor. Apesar de repetidos incidentes de brigas dinásticas, o reino continuou a prosperar durante os reinados de Demétrio I (r. 1125–1156), Jorge III (r. 1156–1184) e especialmente a filha dele, Tamara, a Grande (r. 1184–1213). Com a morte de Jorge III, a principal linha patrilinear se extinguiu e a dinastia continuou através do casamento da rainha Tamara com o príncipe alano David Soslan, a quem se reputava uma ascendência bagrátida[c].

Declínio

As invasões do Império Corásmio em 1225 e dos mongóis em 1236 encerraram a era de ouro georgiana. A luta contra o jugo mongol criaram uma diarquia, com um ambicioso ramo lateral da dinastia Bagrationi estendendo seu domínio sobre a Geórgia ocidental (Imerícia). Houve um breve período de reunião e renascimento cultural no reinado de Jorge V, o Brilhante (r. 1299–1302 e 1314–1316), mas as oito devastadores invasões do conquistador turco-mongol Tamerlão entre 1386 e 1403 infligiram um severo golpe ao reino georgiano. Por volta de um século depois, sua união foi finalmente estilhaçada pelas agressivas federações turcas baseadas na Pérsia, Confederação do Cordeiro Negro e Confederação do Cordeiro Branco. Já em 1490/1, a antes poderosa monarquia se fragmentou em três reinos independentes — Cártlia (do centro para o leste da Geórgia), Caquécia (Geórgia oriental) e Imerícia (Geórgia ocidental) — cada um liderado por um ramo rival da dinastia Bagrationi, e em cinco principados semi-independentes — Odishi, Mingrélia, Gúria, Abecásia, Suanécia e Mesquécia — dominados por clãs feudais locais.

Últimos monarcas

Tendo conquistado a independência de facto da Pérsia, Heráclio II conseguiu alguma estabilidade em seu país, consolidando sua hegemonia política na Transcaucásia oriental. No Tratado de Georgievsk, de 1783, Heráclio colocou seu reino sob a proteção do Império Russo, que não conseguiu, porém, fornecer uma ajuda adequada quando o governante persa Aga Maomé Cã Cajar saqueou e destruiu Tiblíssi em 1795 para tentar forçar os georgianos a abandonarem sua aliança com os russos. Depois da morte de Heráclio, em 1798, seu filho e sucessor, rei Jorge XII renovou o pedido de proteção junto ao czar Paulo I da Rússia e pediu-lhe que interviesse no difícil conflito dinástico entre os numerosos filhos e netos do finado Heráclio. Paulo se ofereceu para incorporar o Reino de Cártlia-Caquécia ao Império Russo, reservando para sua dinastia um grau elevado de autonomia interna — essencialmente uma mediatização. Negociações dos termos ainda estavam em curso quando Paulo assinou um manifesto em 18 de dezembro de 1800 unilateralmente declarando a anexação de Cártlia-Caquécia ao Império Russo, cuja proclamação foi mantida em segredo até a morte do rei Jorge em 28 de dezembro. Seu filho mais velho, David Bagrationi havia sido formalmente reconhecido como herdeiro aparente em 18 de abril de 1799, mas sua ascensão ao trono não foi reconhecida.

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Os Bagrationi na Rússia

No Império Russo, os Bagrationi se transformaram numa proeminente família de aristocratas. O mais famoso foi o príncipe Pyotr Bagration, um bisneto do rei Jesse de Cártlia, que tornou-se um general russo e herói da Guerra Patriótica de 1812. Seu irmão, o príncipe Roman Bagration, também tornou-se um general, distinguindo-se na Guerra russo-persa de 1826-1828 e foi o primeiro a entrar em Erevã em 1827. Roman é conhecido também por seu patrocínio das artes, literatura e o teatro e seu teatro em Tiblíssi era considerado um dos melhores do Cáucaso. Seu filho, o príncipe Pyotr Romanovich Bagration tornou-se governador do Oblast de Tver e depois governador-geral das Províncias Bálticas. Ele era também um engenheiro metalúrgico conhecido por ter desenvolvido a cianidação do ouro na Rússia. O príncipe Dmitry Petrovich Bagration foi um general russo que lutou na Primeira Guerra Mundial na Ofensiva Brusilov e depois se juntou ao Exército Vermelho.

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Os Bagrationi hoje

A maioria dos membros da família Bagrationi deixou a Geórgia depois que o Exército Vermelho capturou Tiblíssi em 1921.

Ramo Mukhrani

Apesar de os Bagrationi-Mukhraneli serem um ramo cadete da antiga casa real de Cártlia, tornaram-se a linhagem genealogicamente mais sênior da família no início do século XX, descendendo diretamente do rei Constantino II. Contudo, mesmo a linhagem mais antiga já tinha perdido o domínio em Cártlia em 1724, mantendo apenas o Principado de Mukhrani até que ele também foi anexado pelo Império Russo juntamente com Cártlia-Caquécia em 1800. Um membro deste ramo, princesa Leonida Georgievna Bagration-Moukhransky, casou-se com Vladimir Kirillovich, grão-duque da Rússia e tornou-se a mãe de um dos pretendentes ao legado dos Romanov, Maria Vladimirovna, grã-duquesa da Rússia.

Ramo Gruzinski

A linhagem dos Bagration-Gruzinski, apesar de júnior em relação aos príncipes Mukhrani genealogicamente, reinaram em Caquécia, reuniram-no com o de Cártlia e criaram o Reino de Cártlia-Caquécia em 1762 sem perder a soberania até a anexação russa em 1800. O príncipe Nugzar Petrovich Bagration-Gruzinski (n. 1950) é o mais sênior descendente patrilinear do último rei de Cártlia-Caquécia, Jorge XII, e, por isso, é cabeça do ramo cechétio da dinastia. Ele é bastante conhecido na Geórgia por ter vivido a vida toda em Tiblíssi e experimentado com seus conterrâneos tanto a subordinação ao regime soviético quanto a independência em 1991. Um diretor de teatro e cinema, seu pai, Pedro Bagration-Gruzinski (1920–1984), era um poeta e compôs a letra da "Canção de Tiflis", um hino georgiano.[carece de fontes?]

Ramo Imerícia

Várias fontes apresentam três diferentes linhas como cabeça da Casa de Imerícia, potenciais pretendentes do antigo Reino de Imerícia, o último dos três reinos georgianos a perder sua independência em 1810. A linhagem masculina que descende do deposto David II de Imerícia se extinguiu em 1978 quando o príncipe Constantine Imeretinski morreu sem filhos homens. A linha feminina continua através das três filhas de seu irmão mais velho. Porém, o Príncipe Nugzar Petrovich Bagration-Gruzinski reivindica que a posição de cabeça do ramo Imerícia teria sido transferido — por vários motivos — para um ramo cadete descendente de um filho mais velho do príncipe Pancrácio de Imerícia. Este ramo se extinguiu na linhagem masculina em 1937 e na feminina, em 2009.

União dos ramos da dinastia

A filha do príncipe Nugzar Bagration-Gruzinski, princesa Ana, uma professora e jornalista divorciada, mãe de duas filhas, casou-se com o príncipe Davi Bagration de Mukhrani em 8 de fevereiro de 2009 na Catedral de Sameba em Tiblíssi. O casamento reuniu os ramos Gruzinski and Mukhrani da família real georgiana e atraiu uma multidão de 3 000 curiosos, oficiais e diplomatas estrangeiros, além de ter sido alvo de uma ampla cobertura pela mídia da Geórgia. A importância dinástica deste casamento reside no fato que, em meio ao caos político enfrentado pela Geórgia desde a sua independência, o patriarca Ilia II da Geórgia conclamou publicamente pela volta da monarquia como um caminho em direção à união nacional em outubro de 2007. Apesar do pedido ter levado alguns partidos e políticos a exercitarem a noção de uma monarquia constitucional georgiana, uma feroz competição irrompeu entre os príncipes e aliados da dinastia Bagrationi, com historiadores e juristas debatendo qual membro da família teria o mais forte direito hereditário a um trono vago por mais de 200 anos.

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Fontes consultadas

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