Maomé Cã Cajar
Aga Maomé Cã Cajar foi o fundador da dinastia Cajar do Irã, governou de 1789 a 1797 como rei (xá). Em 1789, foi entronado como o rei do Irã, mas não foi oficialmente coroado até março de 1796. Em 17 de junho de 1797, foi assassinado e sucedido por seu sobrinho, Fate Ali Xá Cajar. Aga Maomé Cã também é conhecido pela mudança da capital para Teerã, que é a capital do país até hoje.
Aga Maomé Cã nasceu em 1742 em Gurgã. Pertencia ao ramo Coiunlu da tribo dos cajares. A tribo tinha muitos outros ramos, sendo um dos mais proeminentes o de Develu, que frequentemente guerreava contra os Coiunlu. Aga Maomé Cã era o filho mais velho de Maomé Haçane Cã Cajar, líder da parte Coiunlu da tribo, e neto de Fate Ali Cã, um aristocrata influente que foi executado a mando do Xá Tamaspe II (possivelmente sob a influência de Nader Coli Begue, que mais tarde seria conhecido como Nader Xá após usurpar o trono do Irã em 1736 e ainda fundar o Império Afexárida). Aga Maomé Cã teve muitos irmãos e meio-irmãos.
Vida na corte de Carim Cã
Aga Maomé Cã, durante sua estadia, foi tratado com gentileza e honra por Carim Cã, que convenceu seus homens a largarem suas armas, o que fizeram. Carim Cã então os deixou em Dangã. Em 1763, Aga Maomé Cã e Huceine Coli Cã foram enviados para a capital do Império Zande, Xiraz, onde a sua tia paterna Cadija Begum, que era parte do harém de Carim Cã, viveu. Os dois meios-irmãos de Aga Maomé Cã, Morteza Coli Cã e Mustafá Coli Cã, ganharam permissão para viver em Astarabade, já que a mãe deles era a irmã do governador da cidade. Os outros irmãos de Aga Maomé Cã foram enviados para Gasvim, onde foram tratados com respeito. Aga Maomé, durante sua estadia na corte de Carim Cã, foi visto mais como um convidado respeitoso do que como um cativo. Mais tarde, Carim Cã também reconheceu o conhecimento político de Aga Maomé Cã e lhe pediu conselhos sobre interesses do estado e costumava chamá-lo "Pīrān-e Vēas", do que o conselheiro inteligente do lendário rei iraniano Afrassíabe era chamado. Dois dos irmãos de Aga Maomé Cã que estavam em Gasvim, também foram mandados para Xiraz nesse período. Em fevereiro de 1769, Carim Cã nomeou Huceine Coli Cã governador de Dangã. Quando Huceine chegou em Dangã, entrou em conflito contra os Develus e outras tribos, com o objetivo de se vingar pela morte de seu pai. Ele, entretanto, foi morto em 1777 perto de Galande, por alguns turcos da tribo Iamute, contra quem tinha lutado. Em 1 de março de 1779, enquanto estava caçando, Aga Maomé Cã foi informado por Cadija Begum, de que Carim Cã, após 6 meses doente, havia morrido.
Conquista de Mazandarão e Guilão
Aga Maomé Cã levou consigo um grupo de leais seguidores e foi para Teerã. Enquanto isso, em Xiraz, as pessoas estavam lutando umas contra as outras. Em Teerã, Aga Maomé Cã encontrou-se com os principais chefes do Clã de Develu, com quem fez a paz. Foi para o palácio de Xá Abdalazim, onde a caveira de seu pai estava guardada. Foi para Mazandarão, onde sua primeira missão foi conquistar sua soberania entre seus irmãos Coiunlu. Isso resultou numa briga com seus irmãos Reza Coli e Morteza Coli, que derrotou em 2 de abril e conquistou Mazandarão. Enquanto isso, Morteza Coli fugiu para Astarabade, onda se fortificou. Aga Maomé Cã não poderia simplesmente declarar guerra a Morteza Coli, por isso significaria que sua aliança com os develus poderia ser cancelada, porque a mãe de Morteza Coli era uma Develu. Ao mesmo tempo, o príncipe zande Ali Murade Cã enviou um exército de tropas zandes e afegãs comandadas pelo filho de Azade Cã Afegã, Mamude Cã para Mazandarão. Aga Maomé Cã, junto com os filhos de Huceine Coli Cã, Fate Ali Coli e Huceine Coli, estava em uma posição firme em Babol, a capital de Mazandarão.
Primeiro conflito com os russos, disputa com Guilão, e a invasão do norte do Iraque persa
Em 1781, o Império Russo, que estava interessado em construir uma rota de comércio com o Irã com o objetivo de comercializar com regiões dentro da Ásia, mandou um emissário sob as ordens de Marko Ivanovich Voinovich para a costa de Gurgã, onde pediu a construção de um ponto de troca em Axerafe, o que Aga Maomé Cã recusou. No entanto, Voinovich ignorou sua recusa e instalou uma instalação na ilha de Axurada. Aga Maomé Cã não podia fazer nada, já que não tinha nenhum navio; desafiou Voinovich e alguns de seus homens a encontrá-lo em Astarabade, onde foram mantidos como reféns, até que Voinovich foi forçado a ordenar que seus homens saíssem de Axurada.
A breve submissão de Mazandarão ao Império Zande
No ano seguinte, Ali Murade Cã, vingando-se do ataque de Aga Maomé Cã a Teerã no ano anterior, enviou um grande exército sob o comando do seu filho Vais Cã para Mazandarão, o que fez com que a população se rendesse rapidamente, enquanto Aga Maomé Cã e alguns de seus a seguidores fugiram para Astarabade, onde tentou defender a cidade tanto quanto podia. Enquanto isso, Morteza Coli rapidamente mudou de aliança e começou a servir à dinastia Zande. Ali Murade Cã então enviou um exército sobre a ordem de seu parente Maomé Zair Cã para Astarabade, onde saqueou. Felizmente para Aga Maomé Cã, já havia obtido muitos mantimentos para o caso de um cerco acontecer. Todos os dias, os seus homens irias tentar devastar o campo para diminuir as provisões dos inimigos. Isso acabou deixando a situação do exército zande muito difícil, o que fez com que Aga Maomé Cã deixasse a cidade e os atacasse. Maomé Zair Cã então fugiu para o Deserto de Caracórum, mas foi capturado pelos aliados Iamute de Maomé Cã. Apenas alguns de seus homens chegaram a sobreviver. Enquanto isso, Aga Maomé Cã derrotou uma guarnição Zande perto de Axerafe e foi marchando por Sari. No início de novembro de 1784, Aga Maomé Cã havia repelido todas as tropas zandes de Mazandarão.
Primeira Guerra com Jafar Cã Zande
Enquanto isso, Ali Murade Cã tinha trazido outras tropas zandes, que enviou para Mazandarão sob o comando de seu primo Rustã Cã Zande, mas foi derrotado por Aga Maomé Cã. Ali Murade Cã morreu em 11 de fevereiro de 1785. Quando Aga Maomé Cã soube da morte dele tentou capturar Teerã. Quando chegou na cidade, os habitantes disseram-lhe que abririam a porta para o rei do Irã, que de acordo com eles era Jafar Cã Zande, que sucedeu Ali Murade Cã. Portanto Aga Maomé Cã tinha que derrotar Jafar Cã para ser reconhecido como rei e marchou para Ispaã. Jafar Cã enviou seus homens para parar o seu avanço ao redor da cidade, mas Aga Maomé Cã venceu em Com sem encontrar nenhuma resistência. Jafar Cã então enviou um exército zande ainda maior para Aga Maomé Cã, que o derrotou perto de Caxã. Jafar Cã fugiu fugiu para Xiraz. Aga Maomé chegou em Ispaã, onde descobriu o que tinha sobrado do tesouro Zande e do harém de Jafar Cã, as tropas Cajar saquearam a cidade.
Segunda invasão de Guilão
Aga Maomé Cã agora tinha de focar-se em Guilão, porque Hidaiatalá Cã tinha retornado à província (com a ajuda do Império Russo) desde a invasão Cajar em 1782. Aos olhos de Aga Maomé Cã, toda a costa do mar Cáspio estava sob controle de Hidaiatalá e do Império Russo. Aga Maomé Cã e seus homens entraram facilmente em Guilão. Quando marchou por Raste, foi ajudado por um chefe local chamado Madi Begue Calatebari e por outras pessoas. Mais tarde, o conselho russo em Guilão traiu Hidaiatalá dando armamento a Aga Maomé Cã. Hidaiatalá tentou fugir para Xirvão novamente, mas foi capturado por um líder local chamado Aga Ali de Xafete (ou outro líder local de acordo com outras fontes), que o matou para vingar o massacre de sua família poucos anos antes. Guilão estava agora sobre controle absoluto da dinastia Cajar. Apesar da conquista de Guilão, a segunda coisa mais valiosa para Aga Maomé Cã foi ganhar o tesouro de Hidaiatalá.
Segunda guerra com Jafar Cã Zande e chegada ao trono
Algum tempo depois, um líder local chamado local chamado Amir Maomé Cã, que tinha recentemente com outro líder local chamado Taci Cã (o líder de Iázide) derrotou Jafar Cã e saqueou muitas riquezas, invadiu território cajar, e marchou por Ispaã. Jafar Coli Cã saiu da cidade antes que pudesse defendê-la. Aga Maomé Cã enviou soldados ao sul mais uma vez. Ee encontrou com Jafar Coli Cã em Ispaã em 1788, e algum tempo mais tarde, fez com que Taci Cã aceitasse a soberania Cajar, e mais tarde puniu algumas tribos cascais, que fugiram para as montanhas. Aga Maomé avançou perto de Xiraz. Esperava vencer Jafar Cã fora de Xiraz, onde estava fortemente fortificado, fazendo com que fosse muito difícil de derrotar. Infelizmente para Aga Maomé Cã, Jafar Cã ficou na cidade, o que fez com que retornasse para Ispaã, onde declarou seu irmão Ali Coli como seu novo governador em sucessão de Jafar Coli Cã, e então foi para Teerã.
Guerra com Lotefe Ali Cã, disputas familiares, e a primeira invasão ao Azerbaijão
Agora que a dinastia Zande não estava mais sobre o domínio de Jafar Cã Zande, Aga Maomé Cã viu isso como uma boa oportunidade para capturar Xiraz de uma vez por todas. Marchou pela cidade, e quando estava perto de conquistá-la, foi atacado por Lotefe Ali Cã: uma batalha foi travada em 25 de junho de 1789, que terminou com Lotefe Ali Cã voltando para Xiraz, enquanto Aga Maomé Cã o seguiu e cercou a cidade. O cerco durou até 7 de setembro. Aga Maomé então montou um acampamento e voltou para Teerã, onde ficou até o fim de Noruz. Em 17 de maio de 1790, começou a marchar em direção a Xiraz novamente. Quando alcançou Pérsis, o governador de Bebaã reconheceu sua autoridade. Lotefe Ali Cã mais uma vez saiu de Xiraz com a meta de parar o avanço de Aga Maomé Cã, mas o líder Cajar se retirou para Gasvim e as áreas próximas, onde teve que resolver alguns problemas. Aga Maomé Cã mais tarde brigou com Jafar Coli Cã, que se via como o melhor herdeiro da dinastia Cajar. Aga Maomé acabou ordenando a sua execução, o que considerava essencial, já que sabia como uma dinastia pode decair rapidamente por causa de disputas familiares pelo trono, algo que havia aprendido com as experiências na família Zande.
Reconquista da Geórgia e do restante do Cáucaso
Em 1795, atacou a Geórgia Oriental, que tinha sido subjugada pelo Irã no início da Idade Moderna em 1502, e sido comandada pelos persas desde 1555, mas que tinha conseguido a independência de facto e desintegrado-se do Império Afexárida. Sua campanha de sucesso para adquirir a Geórgia oriental, que tinha sido recentemente unificada por Heráclio II e consistiu no Reino de Cártlia-Caquécia, efetivamente acabou voltando ao domínio iraniano. Heráclio II, que foi nomeado rei de Cártlia-Caquécia décadas antes por Nader Xá, fez forte resistência na Batalha de Tbilisi, mas foi rapidamente derrotado.
Resto do reinado
Aga Maomé restaurou a unidade persa para um nível que não tinha desde o governo de Carim Cã. Reuniu o território do Irã contemporâneo e a região do Cáucaso. Foi, entretanto, um homem de extrema violência que matou quase todos que desafiassem sua permanência ao poder, violência que mostrou em muitas de suas campanhas militares. Um ano depois de ressubjugar o Cáucaso, capturou Coração. Xá Ruque, líder de Coração e neto de Nader Xá, foi torturado e morto porque Aga Maomé pensou que sabia a localização dos tesouros lendários de Nader Xá. Em 1778, Aga Maomé moveu sua capital de Sari na sua província natal, Mazandarão para Teerã. Foi o primeiro rei persa que fez de Teerã — A sucessora da grande cidade de Rai — sua capital, mesmo que os safávidas e os Zandes tenham expandido a cidade e construído palácios lá. Um dos principais motivos para mover a capital muito mais ao norte foi para a capital ficar mais perto do Azerbaijão e dos territórios iranianos no Cáucaso, que naquele tempo ainda não tinham sido cedidos ao Império Russo o que aconteceu durante o século XIX. Foi formalmente coroado e fundou a dinastia Cajar em 1796.
Assassinato
O reinado legítimo de Aga Maomé foi pouco vivido, porque foi assassinado em 1797 em seu ataque a Susa, a capital do Canato de Carabaque, três dias depois de tomar a cidade e menos de três anos no poder (depois da coroação). De acordo com o Farsnama-ye Naseri Hasan-e Fasa'i, durante a estadia de Aga Maomé em Susa, uma noite numa conversa entre um atendente georgiano chamado Sadeque e o seu criado particular, Codadade de Ispaã. Levantaram a voz um pouco e o Xá ficou furioso ordenou que ambos fossem executados. Sadeque Cã de Xagague, um proeminente emir, interferiu na discussão, mas não foi escutado. O xá, entretanto, ordenou que a execução fosse adiada para sábado, já que isso havia acontecido na noite de sexta-feira (um dia sagrado para o Islão), ordenou que voltassem para seus postos no pavilhão real esperando, envergonhados, sua execução para o dia seguinte. Com a experiência, portanto, sabiam que iria manter o que tinha ordenado, e, sem esperança, passaram a ter ousadia. Quando o xá estava dormindo, se juntaram com o criado Abas de Mazandarão e invadiram o pavilhão real com uma adaga e uma faca e assassinaram o xá.
Administração provincial
Durante o reinado de Aga Maomé Cã, a administração provincial seguiu o mesmo modelo dos safávidas beglerbeguis foram nomeados para governar províncias. Uma cidade era comandada por um calantar ou dagura, enquanto os distritos eram governados por um cadecuda.
Construções
Aga Maomé Cã não construiu ou reparou muito durante seu reinado, devido às muitas batalhas com as quais esteve ocupado. Em Teerã, ordenou a construção de uma mesquita chamada de Masjide e Xá (significado "a Mesquita do Xá"), enquanto em Mexede ordenou a reparação do santuário de Imame Reza. Em Astarabade, reparou (ou fortificou) as paredes, esvaziou o poço, construiu muitos prédios, um deles o palácio do governador. Mais tarde, também tornou a cidade mais luxuosa. Fez algo semelhante em Babol, Axerafe e Sari. De todas essas construções e reparações, sua melhor e mais duradoura criação foi a reforma de Teerã, a capital e maior cidade iraniana até hoje.


