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Babalon

Babalon, também conhecida como Mulher Escarlate, Grande Mãe e Mãe das Abominações, é uma das deusas centrais da filosofia religiosa conhecida como Thelema, conforme esta filosofia foi estabelecida em 1904 por Aleister Crowley no Liber AL vel Legis. Em sua forma mais abstrata, representa o impulso sexual feminino e a liberdade da mulher. Contudo pode também ser identificada com a Mãe Terra, no sentido simbólico da fertilidade. Crowley também acreditava que Babalon possui um aspecto terreno na forma de um trabalho espiritual que pode ser exercido por toda e qualquer mulher, normalmente como uma contraparte masculina denominada To Mega Therion, cuja conjunção visa manifestar as energias místicas próprias da atual era espiritual da humanidade, o aeon.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 22/07/2026
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Origens

O nome Babalon parece derivar de várias fontes. Em primeiro lugar, há a óbivia semelhança com o nome Babylon. Babylon era uma das maiores cidades da Mesopotâmia, parte da cultura suméria. Coincidentemente, a deusa suméria Istar traz incontestes semelhanças com a Babalon de Crowley. Babylon é também (como Babilônia), uma cidade várias vezes citada no Apocalipse de João, usualmente representada de forma metafórica como uma cidade uma vez paradisíaca que caiu em ruínas, um aviso contra os perigos da decadência. Uma segunda possibilidade deriva do termo BABALOND, proveniente do idioma Enoquiano, traduzido como "prostituta". Esta é a origem mais provável, posto Babalon ter sido conhecida por Crowley após as invocações realizadas dentro do sistema de magia enoquiana, conforme registrado em seu livro "The Vision and The Voice" ("A Visão e a Voz"). Crowley provavelmente escolheu esta grafia em particular para o nome de Babalon por sua significância cabalística. Trocando-se a letra Y por um A, o termo "al" surge no centro da palavra. A palavra também separa-se silabicamente (em Inglês) em Bab-al-on. Bab é o termo em árabe para "porta" ou "portal". AL é uma das chaves para a compreensão do Livro da Lei, bem como um dos títulos cabalísticos de Deus, significando "O Um", em hebraico. On é o nome egípcio para a cidade conhecida pelos gregos como Heliópolis, a cidade das pirâmides. Pelo sistema de numerologia hebraica conhecida como gematria, o nome Babalon soma 156, número de quadrados em cada uma das tabelas elementais do sistema de magia enoquiana de John Dee e Edward Kelly. Estas tabelas são, por si, identificadas com a Cidade das Pirâmides, sendo cada quadrado a base de uma pirâmide.

O Livro das Revelações

Babylon é citada em várias partes do "Livro das Revelações", o Apocalipse de São João, na Bíblia. Conforme se vê em Apo 17:3-6: E levou-me em espírito a um deserto, e vi uma mulher assentada sobre uma besta de cor de escarlate, que estava cheia de nomes de blasfêmia, e tinha sete cabeças e dez chifres. E a mulher estava vestida de púrpura e de escarlate, e adornada com ouro, e pedras preciosas e pérolas; e tinha na sua mão um cálice de ouro cheio das abominações e da imundícia da sua prostituição; E na sua testa estava escrito o nome: "Mistério, a grande babilônia, a mãe das prostituições e abominações da terra". E vi que a mulher estava embriagada do sangue dos santos, e do sangue das testemunhas de Jesus. E, vendo-a eu, maravilhei-me com grande admiração.

A Mulher Escarlate no Livro da Lei

Babalon é citada, como a Mulher Escarlate, duas vezes no Liber AL vel Legis: Agora vós devereis saber que o escolhido sacerdote & apóstolo do espaço infinito é o príncipe-sacerdote a Besta; e em sua mulher chamada a Mulher Escarlate está todo o poder concedido. Eles agruparão minhas crianças dentro do seu cercado: eles trarão a glória das estrelas para dentro do coração dos homens. Pois ele é sempre um sol, e ela uma lua. Mas para ele é a secreta chama alada e para ela a cadente luz estelar. (AL I:15-16) Que a Mulher Escarlate se acautele! Se a piedade e a compaixão e a ternura visitarem seu coração; se ela deixar meu trabalho para brincar com velhas doçuras; então minha vingança será conhecida. Eu sacrificarei sua criança para mim: eu alienarei seu coração: eu a arremessarei para fora dos homens: como uma meretriz encolhida e desprezada, ela rastejará através das ruas escuras e úmidas, e morrerá gelada e faminta. Mas que ela se erga em orgulho! Que ela me siga em meu caminho! Que ela trabalhe a obra da perversidade! Que ela mate seu coração! Que ela seja escandalosa e adúltera! Que ela seja coberta de jóias, e ricos trajes, e que ela seja desavergonhada perante todos os homens! Então eu a elevarei aos pináculos do poder: então eu gerarei nela uma criança mais poderosa que todos os reis da terra. Eu a preencherei com júbilo: com minha força ela verá & golpeará na adoração de Nu: ela alcançará Hadit. (AL III:43-45)

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Os Três Aspectos de Babalon

Babalon é uma figura complexa, sendo que na literatura thelêmica ela aparece sob três aspectos principais: o acesso à chamada Cidade das Pirâmides, a Mulher Escarlate e a Grande Mãe.

Acesso à Cidade das Pirâmides

Dentro do sistema místico thelêmico, após o adepto alcançar o estado no qual consegue pleno contato com seu Sagrado Anjo Guardião (através do processo conhecido como "Conhecimento e Conversação com o Sagrado Anjo Guardião"), ele deve seguir para o próximo passo, a travessia do Abismo, símbolo do grande vazio espiritual e dissolução do ego, onde reside Choronzon, o demônio que causa confusão mental e ilusões. Babalon, contudo, está na outra ponta dessa travessia, aguardando. Ao final, o adepto deve entregar-se totalmente a ela, simbolicamente "derramando seu sangue na Taça de Babalon", engravidando-a e se tornando um santo ascencionado - conforme a nomenclatura da Astrum Argentum um Mestre de Templo - que habita a chamada Cidade das Pirâmides. No livro "Magick Without Tears" ("Magick sem Lágrimas"), Crowley diz que

O Ofício da Mulher Escarlate

Em "The Vision and The Voice" ("A Visão e a Voz"), Crowley diz: Esta é Babalon, a senhora d'A Besta; dela todas as senhoras dos planos inferiores não são mais do que avatares. Ainda que Crowley tenha escrito que Babalon e a Mulher Escarlate são a mesma, em muitos locais dá-se a entender que a Mulher Escarlate é vista mais como uma representação ou manifestação física do princípio feminino universal. Em uma nota de rodapé do "Liber V vel Reguli" Crowley menciona que, dos "Deuses do Eon", a Mulher Escarlate e a Besta são "emissários terrenos daqueles Deuses". Em "The Law is for All" ("A Lei é para Todos") ele diz: É necessário dizer aqui que A Besta aparenta ser um indivíduo definido; especificamente, Aleister Crowley. Mas a Mulher Escarlate é um ofício intercambiável conforme surge a necessidade. Até a presente data, Anno XVI, Sol in Sagitarius, houve várias portadoras deste título.

A Grande Mãe

Dentro da Missa Gnóstica, durante a proclamação do Credo da Ecclesia Gnostica Catholica, Babalon é mencionada nos seguintes termos: E eu creio em uma Terra, a mãe de todos nós, e em um Ventre no qual todos os Homens são gerados e onde deverão descansar, Mistério do Mistério, em Seu nome BABALON Aqui Babalon é identificada com a terceira Sephirah da Árvore da Vida, Binah, a Esfera que representa o Grande Mar e as Deusas Mães, tais como Ísis, Bhavano e Ma'at. Representa também todas as mães terrenas. Os Bispos da EGC T. Apiryon e Helena escreveram: BABALON, como a Grande Mãe, representa a MATÉRIA, uma palavra que deriva do termo em Latim para Mãe. Ela é a mãe física de todos nós, aquela que nos proveu de nossa carne material para vestir nossos espíritos desnudos; Ela é a Mãe Arquetípica, a Grande Yoni, o Útero de tudo o que vive através do circular do Sangue; Ela é o Grande Mar, o Sangue Divino em si que reveste o mundo e circula em nossas veias; e Ela é a Mãe Terra, o Útero de Toda Vida que conhecemos.

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A Filha de Babalon

Imagem: ThoseGuys119 · BY · Openverse

Em "The Vision and The Voice", no capítulo do 9° Æthyr, chamado ZIP, Crowley descreve a visão que teve da Filha Virgem de Babalon, cuja descrição aparece também nos trabalhos "Liber 418 vel Chanokh" e no "The Book of Thoth", na descrição da Virgem do Universo: Agora, então, passamos entre as fileiras do exército, e chegamos a um palácio onde cada pedra é uma jóia em si, montado com milhões de luas. E este palácio é nada mais do que o corpo de uma mulher, orgulhosa e delicada, e justa além da imaginação. Ela é como uma criança de doze anos de idade. Ela profundas pálpebras e cílios longos. Seus olhos estão fechados, ou quase fechados. É impossível dizer qualquer coisa sobre ela. Ela está nua; seu corpo inteiro é coberto finos pelos dourados, que são as chamas elétricass das lanças de Anjos poderosos e terríveis, cujas couraças são as escamas de sua pele. E seu cabelo, que desce até os pés, é a própria luz de Deus. De todas as glórias vistos pelo vidente nos Æthyrs, não existe uma digna de ser comparada a menor de suas unhas. Pois, embora ele não tome parte do Æthyr, sem os preparativos cerimoniais, mesmo a visão longíqua deste Æthyr é como ter participação em todos os Æthyrs anteriores.

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Representação

Por ser considerada como a manifestação do próprio princípio feminino e, por conseguinte, de todas as mulheres, Babalon não costuma ser representada em imagens, o que a caracterizaria como uma mulher em particular. Normalmente, seu selo, apresentado por Crowley em seu "The Book of the Lies" ("O Livro das Mentiras") é utilizado para representá-la visualmente. Quando, contudo, ela é representada pictograficamente, normalmente é como uma mulher com os atributos da fertilidade, maternidade e sexualidade em evidência, como seios fartos e quadris largos. Geralmente seus cabelos são ruivos, denotando pelo simbolismo da cor vermelha a força de sua vontade e individualidade. Nestes casos, seu rosto costuma estar virado de lado, como na carta "Lust" do Tarô de Thoth, coberto por seus cabelos ou envolto em sombras, de modo a não representar um indivíduo per si.

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A queda

Imagem: Paulo de Loyola · BY-NC-SA · Openverse

Babalon é descrito na Bíblia como a mulher que habita sobre as muitas águas, e de acordo com os livros bíblicos do Antigo Testamento é descrito a queda dela e de sua filha. As passagens são: (Isaías 13:4) (Isaías 13:6) (Isaías 13:8-11) (Isaías 13:13) (Isaías 13:15) (Isaías 13:19-20) (Isaías 14:6) (Isaías 14:22) (Isaías 21:9) (Isaías 46:9-10) (Isaías 47:1-5) (Isaías 47:7-15) (Jeremias 50:2-3) (Jeremias 50:8-43 (Jeremias 50:45-46) (Jeremias 51:1-4) (Jeremias 51:6-64) (Salmos 29:3) (Salmos 137:8). E No Novo Testamento onde ela é descrita como sendo uma mulher montada em uma besta, ao mesmo tempo que ela é uma grande cidade que é arruinada.

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