Patricia Lélis
Patricia de Oliveira Souza Lélis Bolin é uma influenciadora digital e ex-assessora parlamentar brasileira, conhecida por acusações de fraudes e histórias controversas. Ganhou pela primeira vez repercussão nacional em 2016 após acusar o pastor e deputado federal Marco Feliciano de assédio e cárcere privado. No fim desse inquérito, a polícia indiciou Lélis por denunciação caluniosa e extorsão, concluindo que ela teria mentido na investigação sobre esse episódio baseado em provas e gravações no caso com o assessor.
Imagem: Agência Brasil Fotografias · BY · Openverse
Patrícia Lélis nasceu em Taguatinga, Distrito Federal. Segundo relatos da própria, cursou o ensino fundamental e o ensino médio em instituições privadas da região administrativa onde cresceu Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Brasília (UniCeub), Patrícia Lélis estagiou em redações e em assessorias de Brasília. Em entrevistas para portais como o G1 e Uol, ex-colegas de universidade e ambientes profissionais afirmaram que Lélis era conhecida por narrar episódios considerados contraditórios ou fantasiosos acerca de sua trajetória pessoal e profissional. Após disputar eleições no Brasil e enfrentar controvérsias relacionadas à prestação de contas de campanha e calote em funcionarios, Patrícia mudou-se para os Estados Unidos, onde passou a residir na região de Arlington, na área metropolitana de Washington, D.C., no estado da Virgínia. No período em que viveu no país, seu nome voltou a ser associado a novas controvérsias divulgadas pela imprensa. Entre elas, estiveram alegações de que teria utilizado imagens de bebês encontradas na internet como se fossem de seu filho . Em dezembro de 2020 foi presa por "falsa comunicação de crime" (denunciação caluniosa), conforme noticiado por veículos de comunicação. Os episódios ampliaram a repercussão pública em torno de sua trajetória e passaram a integrar o conjunto de controvérsias envolvendo seu nome.
Segundo Lélis, em 2016, após vídeos com teor antifeminista da jovem viralizarem, Patrícia foi convidada pela ex-feminista Sara Winter para se filiar ao Partido Social Cristão (PSC), logo passando a servir como assessora e líder do núcleo jovem da sigla. Em maio de 2016 Patrícia ganhou certa atenção após publicar um texto no facebook onde chamava uma professora de "feminazi", "feinha" e zombava dos cabelos cacheados da moça. Em abril do mesmo ano, ela afirmou em vídeo: "nunca vi uma feminista bonita". Segundo Patrícia, no seu período no PSC, participava de churrascos com notórias figuras de direita como o Pastor Everaldo e o ex-senador Magno Malta. No mesmo ano, Patricia voltou a circular na mídia após, supostamente, acusar o deputado Glauber Braga do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) de agressão. No vídeo, Patrícia aparece com o rosto machucado falando de seu "ex-namorado de esquerda", mostrando um suposto boletim de ocorrência onde é possível ver a denuncia contra "Glauber de Medeiros Braga", nome do deputado. O PSOL Rio soltou uma nota negando que o deputado conhecesse Patrícia, e o parlamentar publicou um vídeo onde dizia que a denúncia era caluniosa e pedia a investigação no caso. No entanto, Patrícia passou a dizer que se tratava de um ex-namorado que também se chamava "Glauber de Medeiros Braga", e que também era de esquerda. Uma apuração do portal Uol apontou que Patrícia nunca fez qualquer B.O contra o deputado ou qualquer "Glauber Braga", contradizendo o vídeo de Patrícia. O assunto passou a ser abordado pelo veículos de mídia como uma notícia falsa.
Patrícia passou a se identificar como uma pessoa de esquerda e feminista depois da denúncia contra Marco Feliciano. Após o caso ganhar força, Patrícia declarou: “Hoje, quem faz barulho na internet e na mídia para o meu caso não ser esquecido é o grupo feminista” e pediu desculpas pelos ataques que fez a feministas no passado. Em 2017 anunciou sua pré-candidatura à deputada federal por São Paulo pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT) para as eleições do ano seguinte. Em 2018 porém optou pela candidatura pelo Partido Republicano da Ordem Social (PROS), obtendo pouco mais de 1.000 votos, não sendo eleita.Na época, o Jornal Metrópoles publicou matéria com o relato de 12 pessoas que trabalharam na campanha de Lélis e que a acusaram de calote.
Acusação contra Eduardo Bolsonaro
Em 2017 Patrícia se tornou ré na Justiça de São Paulo por falsa comunicação de crime após afirmar ser ex namorada de Eduardo Bolsonaro e que estava sendo ameaçada por ele. Contudo, o Relatório da Polícia Civil do Distrito Federal aponta a existência de indícios de crime de denunciação caluniosa cometido pela jornalista Patrícia Lélis contra o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). A conclusão do inquérito afirma que as supostas mensagens de ameaça enviadas pelo congressista teriam sido simuladas e falsificadas. O caso foi tratado como mais uma denúncia caluniosa.
Após perder as eleições e enfrentar controvérsias relacionadas ao não pagamento de integrantes de sua equipe de campanha, Patrícia Lélis mudou-se para os Estados Unidos. Segundo informações divulgadas pelo site Arrests.org, plataforma que compila registros públicos de detenções em diferentes estados norte-americanos, Lélis teria sido detida em 20 de dezembro de 2019, às 16h33, sob a acusação de “false report to police”, expressão utilizada no sistema jurídico local para designar falsa comunicação de crime. O registro também consta no portal oficial do sistema judiciário do Estado da Virgínia, onde o processo aparece identificado pelo código GC19005382-00, com indicação de tramitação em tribunal de jurisdição local.De acordo com os dados públicos disponíveis, a acusação está relacionada à comunicação às autoridades de um suposto crime cuja veracidade foi posteriormente questionada no curso da apuração..
Em Janeiro de 2024, o FBI anunciou que Patrícia Lélis está foragida. No robusto documento de 12 páginas disponibilizado pela justiça americana, é detalhado uma série de denúncias contra ela. De acordo com a denúncia apresentada por um tribunal do estado da Virgínia, Lélis fraudava documentos, perfis e se passava por advogada especialista em imigração e tentou adquirir uma propriedade no estado do Texas, onde ela fraudou a assinatura e o carimbo de um advogado conhecido no país. Segundo o documento, ela usava o dinheiro com itens pessoais, enquanto prometia estar iniciando processos pra obtenção de vistos de permanência E-2 e EB-5 para imigrantes latinos que sonhavam em entrar no país. Também é formalizado as acusações de fraude eletrônica, transações monetárias ilegais e roubo de identidade agravado. O FBI afirma que o esquema começou em setembro de 2021 à julho de 2023 e com o dinheiro de trabalhadores Latinos, Patrícia passou a ter uma vida luxuosa, com destaque a uma casa avaliada em R$ 4,3 milhões. De acordo com uma noticia veiculada no portal O Globo, a luxuosa moradia foi conseguida por golpes contra famílias que acreditavam que Patrícia iria conseguir vistos americanos.
Suposto asilo político
Após a divulgação das denúncias do FBI, Patrícia passou a se declarar vítima de uma perseguição política. No dia 17 de janeiro de 2024 ela fez um post se dizendo vitima de perseguição. No conteúdo ela dizia que um jornalista americano corroborava com sua versão de perseguição politica. Ao ser questionada da veracidade do conteúdo, ela tentou comprovar por meio de uma gravação de tela, o recebimento das mensagens, mas essa atividade acabou conflitando com a versão que Lélis apresenta publicamente. Isso porque Patrícia alegava que ainda vivia nos Estados Unidos, e, ao gravar a própria tela, uma notificação mostra a região de Cuauhtémoc, na Cidade do México, como a localização do aparelho.
Acusações contra María Corina Machado
Em maio de 2024, acusou a candidata presidencial venezuelana María Corina Machado de receber US$ 3,2 milhões para financiar sua campanha eleitoral, uma acusação que foi divulgada por pequenos canais venezuelanos mas logo os documentos se mostraram falsos e sua credibilidade foi colocada em questão. O portal venezuelano Cazadores de Fake news, uma organização dedicada ao monitoramento e análise de desinformação na região latino-americana, publicou uma matéria intitulada "El falso bloqueo a la campaña oficialista y el bulo del candidato espía" na qual analisa diversas narrativas difundidas em meio ao clima político de 2024. No texto é destacado a ausenscia de provas, possiveis manipulações nos documentos apresentados por Patrícia Lelis, apontam furos e inconsistências em sua narrativa e ressaltam que, apesar de ela afirmar possuir evidências, os punicos documentos apresentador eram supostas conversas de whatsappp cuja autenticidade não foi submetida a pericia.


