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Gás do Povo

Gás do Povo é um programa governamental brasileiro de transferência de renda destinado a subsidiar o acesso ao gás liquefeito de petróleo (GLP) para famílias em situação de vulnerabilidade social. Criado em setembro de 2025, o programa propõe uma reformulação do modelo anterior de assistência, substituindo o repasse financeiro direto pela distribuição gratuita de botijões de gás de 13 kg em revendas credenciadas.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 10/07/2026
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Características

A operacionalização é realizada pela Caixa Econômica Federal, que gerencia a distribuição dos vales-recarga, o credenciamento das revendedoras e a validação dos meios de acesso dos beneficiários. As famílias elegíveis recebem vales que podem ser utilizados em qualquer revenda credenciada, identificadas pela logomarca oficial do programa. O programa teve a previsão de investimento de R$ 3,57 bilhões em 2025 e R$ 5,1 bilhões em 2026, com meta de atender 15,5 milhões de famílias (aproximadamente 50 milhões de pessoas), triplicando a cobertura do programa anterior, o Auxílio Gás dos Brasileiros (Lei nº 14.237/2021). A estimativa é de distribuição de 65 milhões de botijões gratuitos por ano. O benefício é definido de acordo com o número de integrantes por família:

Critérios de elegibilidade

Para ter direito ao benefício, as famílias devem atender aos seguintes requisitos:

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Contexto histórico

Primeira fase: Governo Fernando Henrique Cardoso (2002-2003)

O programa tem suas origens no Auxílio-Gás (também conhecido como Vale Gás), instituído pelo Decreto nº 4.102, de 24 de janeiro de 2002, durante o governo Fernando Henrique Cardoso. O programa integrava a Rede de Proteção Social, conjunto de políticas sociais que incluía também o Bolsa-Escola e o Bolsa-Alimentação. Administrado pelo Ministério de Minas e Energia, o programa consistia no pagamento bimestral de R$ 15,00 para famílias com renda de até meio salário-mínimo, como forma de subsidiar a compra de botijões de gás. A criação do programa foi motivada pela retirada dos subsídios aos derivados do petróleo, que encareceu significativamente o custo do gás de cozinha para as famílias de baixa renda.

Segunda fase: Governo Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2011)

Em 2003, no primeiro governo Lula, o Auxílio-Gás foi incorporado ao Programa Bolsa Família, criado pela Lei nº 10.836/2004. O Bolsa Família unificou diversos programas de transferência de renda existentes (Bolsa-Escola, Bolsa-Alimentação, Cartão Alimentação e Auxílio-Gás), estabelecendo um modelo integrado de assistência social que se tornou referência internacional.

Terceira fase: Governo Bolsonaro (2021-2023)

O Auxílio Gás foi reeditado pela Lei nº 14.237, de 19 de novembro de 2021, regulamentado pelo Decreto nº 10.881, de 2 de dezembro de 2021, em meio à crise econômica provocada pela pandemia de COVID-19. Beneficiavam-se famílias inscritas no CadÚnico com renda familiar mensal per capita de até meio salário-mínimo, ou que possuíssem membros recebendo o Benefício de Prestação Continuada (BPC). Após a inclusão, o registro do benefício era realizado em sistema eletrônico, com base nas informações do Cadastro Único e nos bancos de dados do BPC. O benefício era pago no limite de uma parcela por família beneficiária, em meses alternados. Originalmente, o valor correspondia a 50% da média do preço nacional de referência do botijão de 13 kg de GLP dos 6 meses anteriores, calculado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Quarta fase: Governo Lula (2025-presente)

Em setembro de 2025, o programa foi substancialmente reformulado e renomeado para Gás do Povo, representando uma mudança estrutural na forma de assistência. A principal inovação foi a substituição do modelo de transferência monetária pelo fornecimento direto de botijões de gás através de vales eletrônicos, buscando garantir que o benefício seja efetivamente utilizado para sua finalidade e reduzindo possibilidades de desvio de recursos.

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Fundamentação e impactos

O Gás do Povo se insere no contexto mais amplo das políticas de transferência de renda no Brasil, que ganharam centralidade a partir dos anos 1990 e se consolidaram nas primeiras décadas do século XXI. Estudos acadêmicos demonstram que programas de transferência condicionada de renda (CCT - conditional cash transfer) têm impactos significativos na redução da pobreza e da desigualdade social. O Programa Auxílio Gás foi avaliado no Estado de São Paulo por meio da Pesquisa de Orçamentos Familiares do IBGE (2002–2003), em um estudo considerado a única análise encontrada que mensura seu impacto de forma isolada. A pesquisa identificou baixa cobertura: apenas 32.098 famílias (cerca de 4% das 786.929 estimadas como elegíveis) receberam o benefício. Os resultados sobre o impacto econômico foram mistos: embora os beneficiários destinassem proporcionalmente mais renda ao gás de cozinha do que os não beneficiários, o auxílio contribuiu para ampliar o acesso ao GLP, sugerindo um alívio moderado no orçamento familiar.

Segurança alimentar e energia limpa

A literatura especializada aponta que o acesso a formas limpas de cocção é fundamental para a segurança alimentar e nutricional das famílias. A utilização de combustíveis inadequados (lenha, carvão, querosene) está associada a: A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) registrou aumento significativo no uso de lenha para cocção a partir de 2014, ultrapassando o uso de GLP em 2018, quando 26,1% dos brasileiros utilizavam lenha contra 24,4% que utilizavam botijão. Esse retrocesso evidenciou a necessidade de políticas públicas que garantissem o acesso ao gás de cozinha para populações vulneráveis.

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Fundamentação jurídica

Imagem: Senado Federal · BY · Openverse

O Gás do Povo fundamenta-se em um conjunto de instrumentos legais: O programa possui caráter temporário, pessoal e intransferível, não gerando direito adquirido, com avaliações anuais baseadas na manutenção dos critérios de elegibilidade.

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Fontes consultadas

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