Campos de internamento de nipo-americanos
Durante a Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos realocaram à força e encarceraram cerca de 120 000 pessoas de ascendência japonesa em dez campos de concentração operados pela Autoridade de Realocação de Guerra (WRA), principalmente no interior do oeste do país. Cerca de dois terços eram cidadãos americanos. Essas ações foram iniciadas pela Ordem Executiva 9066, emitida pelo presidente Franklin D. Roosevelt em 19 de fevereiro de 1942, após o ataque do Japão Imperial a Pearl Harbor em 7 de dezembro de 1941. Cerca de 127 000 nipo-americanos viviam então nos Estados Unidos continental, dos quais aproximadamente 112 000 viviam na Costa Oeste. Cerca de 80 000 eram Niseis e Sanseis. O restante eram imigrantes Isseis nascidos no Japão, que eram inelegíveis para a cidadania. No Havaí, onde mais de 150 000 nipo-americanos compunham mais de um terço da população do território, apenas 1 200 a 1 800 foram encarcerados.
A ação foi tomada em resposta ao ataque a Pearl Harbor durante a Segunda Guerra Mundial, pelo que os Estados Unidos se incorporaram às Forças Aliadas contra o Eixo Roma-Berlim-Tóquio, mas foram maioritariamente as pessoas de etnia japonesa que viviam na costa do Pacífico as submetidas a este internamento. O Tenente-general John L. DeWitt, comandante da Defesa Oeste dos Estados Unidos, foi encarregue de internar os norte americanos de etnia japonesa. Embora DeWitt comandasse a evacuação forçosa, inicialmente expressou a um superior a sua moléstia por esta ordem, alegando que: De Witt também assegurou que era possível diferenciar os estrangeiros leais aos Estados Unidos dos não leais. O Secretário de Guerra Henry Stimson era de acordo com DeWitt, mas a histeria contra os cidadãos de origem japonesa pronto alcançou os níveis militares e governamentais. A 10 de dezembro de 1941, espalhou-se o rumor de que 20 000 nissei estavam preparando-se para iniciar um levantamento armado em São Francisco. DeWitt pensava arrestar de imediato todos os japoneses étnicos, mas o chefe local do FBI conseguiu convencê-lo de que a informação era falsa.
Inicialmente pensou-se em obrigar as pessoas de etnia japonesa a viver numa áreas escolhidas no interior do país, mas os povoadores destas áreas protestaram contra a medida e decidiu-se internar os prisioneiros em campos especialmente criados para este fim. Então, as pessoas de etnia japonesa, cerca de 110 000, foram obrigados a vender as suas moradias e negócios em oito dias, embora em algumas partes este tempo se rebaixasse a quatro dias ou fosse elevada a duas semanas. Ao ficarem a saber esta medida, apareceram compradores hostis, que compraram as posses japonesas a preços muito baixos. Naqueles dias, os japoneses étnicos possuíam 0,02% da terra cultivável da Costa Oeste, mas o valor das suas terras, em média, era sete vezes superior ao do média regional. Quando a um afetado pela medida eram negados uns dias adicionais para a colheita, destruiu-a. Imediatamente foi arrestado acusado de sabotagem; este foi o maior caso de sabotagem japonesa reportado nos Estados Unidos durante a guerra..
A princípios de 1943, DeWitt já não contava com credibilidade no Departamento de Guerra, e foi relevado do controle no Comando Oeste. No seu relatório final, DeWitt assegurou que a evacuação forçosa dos japoneses para campos fora necessária, pois assegurou ter recebido centos de reportes sobre aparições de luzes na costa e transmissões de rádio de origem desconhecida. Hoover troçou da Divisão de Inteligência Militar de DeWitt, pois mostrava "histeria e falta de julgamento". Contudo, não foi até a primavera de 1944 que o Departamento de Guerra recomendou a dissolução dos campos ao Presidente Roosevelt. Contudo, devido a que esse ano Roosevelt buscava a reeleição, a decisão foi adiada. Assim, na primeira reunião de gabinete depois da reeleição de Roosevelt, decidiu-se soltar todos os evacuados que demonstraram ser leais. Mas esta decisão tardou um ano em ser executada completamente. À saída, os evacuados receberam um bilhete de comboio e 25 dólares.
O governo norte-americano ofereceria compensações às vítimas a partir de 1951, mas desculpar-se-ia somente em 1988, afirmando que a concentração de prisioneiros se deveu a "preconceitos raciais, a histeria bélica e a deficiência da liderança política". O Presidente Ronald Reagan assinou além disso uma ata na que oferecia 20 mil dólares norte-americano às vítimas sobreviventes. Durante a guerra, muitos norte-americanos descendentes de japoneses perderam todas as suas posses, pois as suas poupanças foram confiscadas pelo governo ao serem considerados "propriedade inimiga". Estima-se que se perderam uns 400 milhões de dólares desta maneira, mas depois da guerra, o governo apenas devolveu 40 milhões. Contudo, estas devoluções ocorreram muitos anos depois do ataque a Pearl Habor. No caso dos clientes do Yokohama Specie Bank, banco norte-americano de origem japonesa, os depositantes não receberam as suas poupanças até 1969, quando o Supremo Tribunal decidiu em seu favor, especificando que a devolução devia ser realizada sem juros e ao valor do pré-guerra (sem correção).
Houve acordos com quase todos os países da América Latina (salvo a Argentina e o Chile) para que estes enviassem alguns dos seus respectivos cidadãos de origem japonesa para os campos dos Estados Unidos e Panamá ou aplicassem o seu próprio programa de internamento. Algumas destas pessoas somente eram descendentes de japoneses e nunca estiveram no Japão. Em total, 2264 do Peru (1800), Bolívia, Colômbia, Costa Rica, a República Dominicana, Equador, El Salvador, Guatemala, Haiti, Honduras, México, Nicarágua, Panamá e Venezuela foram deslocados inicialmente para os campos de concentração nos EUA e no Panamá, e dali uns 860 partiram para o Japão como parte de uma troca. Ao finalizar a guerra, 900 foram deportados para o Japão, 360 foram objeto de ordens condicionais de deportação, 300 permaneceram nos Estados Unidos, 200 regressaram a países da América Latina, e apenas 79 receberam autorização para regressar ao Peru.
A designação exata dos campos é objeto de discussão entre as fontes e os historiadores; as referências oficiais designam-nos como "campos de internamento". Os defensores da medida preferem o nome de campos de relocalização; outros falam deles como campos de detenção ou de concentração. A defesa do termo relocalização argumenta que esse era o nome oficial; que os campos não eram prisões; e que quase um quarto dos residentes receberam eventualmente licença para se instalar fora dos campos, embora lhes fosse proibido o acesso à área de exclusão na costa oeste dos Estados Unidos, exceto que fossem avalizados excepcionalmente por uma família não-japonesa, ou uma agência governamental. Os seus críticos aduzem que se trata de um eufemismo que não descreve adequadamente a natureza real desses campos: perímetros valados, vigilância por guardas armados e situação isolada, fora da área populacional. Documentaram-se casos em que os guardas atiraram a internos que intentavam cruzar as valas. As condições correspondem com o que se entende geralmente como campo de concentração, embora as condições não fossem exatamente iguais às dos Konzentrationslager na Alemanha nazi ou os campos de concentração britânicos na África do Sul durante a Segunda Guerra Bôer.


