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Bolívia

Bolívia, oficialmente Estado Plurinacional da Bolívia, é um país encravado no centro-oeste da América do Sul. Faz fronteira com o Brasil ao norte e leste, Paraguai e Argentina ao sul, Chile e Peru ao oeste.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 23/06/2026
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Etimologia

O estado boliviano foi fundado sob o nome de República de Bolívar em homenagem a seu libertador, Simón Bolívar. Posteriormente, foi modificada a proposta do deputado de Potosí, presbítero Manuel Martín Cruz, que argumentou com a seguinte frase: "Se de Rômulo, Roma; de Bolívar, Bolívia". A nova república adotou oficialmente o nome de Bolívia em 3 de outubro de 1825. Do mesmo modo, a Assembleia Deliberante nomeou o libertador Bolívar como primeiro presidente da república, o qual a chamou de filha predileta.

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História

Era pré-colombiana

Segundo vestígios arqueológicos encontrados no sítio arqueológico de Monte Verde, no sul do Chile, o homem chegou à América do Sul há 15 mil anos ou alguns milênios antes, vindo da América do Norte, durante o Último Máximo Glacial. Esses primeiros povos, ancestrais dos indígenas sul-americanos, ao longo dos milênios ocuparam toda essa porção do continente americano, incluindo a região dos Andes. Com o passar dos milênios, os indígenas da atual Bolívia descobriram a agricultura e domesticaram alguns animais e, com isso, abandonaram as cavernas e abrigos rochosos, dando início ao período arcaico, em cujo fim, por volta de 2.500 a 1.500 a.C., desenvolveram a indústria têxtil e cerâmica.

Período colonial

Em 1531, iniciou-se a conquista do Império Inca, fragilizado por disputas internas, pelos espanhóis, liderados por Francisco Pizarro, a serviço do rei Carlos I da Espanha. No ano seguinte, esse império indígena foi derrotado e a região da Bolívia foi incorporada aos domínios espanhóis. Nos altiplanos da região de Charcas (atual Bolívia), cerca de dez anos após a conquista espanhola, foram descobertas grandes jazidas de prata e muito da população indígena foi utilizada como mão-de-obra na mineração. Os espanhóis fundaram, ao longo do tempo, cidades na área, como Chuquisaca (atual Sucre, 1538), Potosí (1545), La Paz (1548), Cochabamba (1571) e Oruro (1606). Em 1559, foi criada, dentro do Vice-Reino do Peru, a Real Audiência de Charcas, sediada em Chuquisaca.

Independência e início da República

No final do século XVIII, as ideias iluministas chegaram à região do Alto Peru e, com base nelas, sua elite começou a clamar pela independência. Em 1808, a Espanha foi invadida pela França Napoleônica e o rei Fernando VII foi substituído por José Bonaparte, o que desagradou bastante a população na América Hispânica, intensificando os movimentos por independência. Em 25 de maio de 1809, o governo colonial de Chuquisaca se revoltou contra o rei da Espanha, na Revolução de Chuquisaca, uma das primeiras revoltas anti-coloniais na América Hispânica. Em 16 de julho do mesmo ano, La Paz também se revoltou contra José Bonaparte. Muitos estudiosos consideram esses levantes, reprimidos pela Coroa espanhola, como o pontapé inicial das guerras de independência latino-americanas.

Guerra do Pacífico e perdas territoriais

A região do Pacífico Boliviano, no Deserto do Atacama, rica em nitratos como guano e salitre, teve seus recursos bastante explorados por companhias estrangeiras. Em fevereiro de 1879, após o governo boliviano tentar aumentar os impostos sobre uma companhia chilena, iniciando a Guerra do Pacífico, na qual o Chile lutou contra as forças da Bolívia e do Peru, que foram bastante derrotadas. O conflito terminou em 1884, com a Bolívia perdendo seu litoral pacífico para o Chile, daí iniciando um longo período de inimizade entre os países. Na presidência de Narciso Campero (1880-1884), a Bolívia entrou em uma era de presidentes civis e se formaram os dois principais partidos do país, o Conservador e o Liberal, e a classe alta dividia seu apoio entre eles. Esse sistema trouxe ao país a estabilidade necessária para que se desenvolvesse. Entre 1880 e 1889, os conservadores governaram o país, incentivando a indústria mineradora. Em 1899, a Revolução Federal trouxe os liberais para o poder, assumindo em um contexto de decadência da mineração de prata e ascensão da exportação de estanho, que, em 1900, era mais da metade da receita de exportação. Logo após assumirem o poder, os liberais transferiram a capital de Sucre para La Paz.

Governos nacionalistas e militares

Como consequência da derrota boliviana na Guerra do Chaco, em 1936 um golpe de estado levou ao poder militares de inspiração socialista, que governaram o país por alguns anos. Em 1940, foi eleito presidente o civil Enrique Peñaranda, deposto em dezembro de 1943 por um golpe de estado liderado pelo general Gualberto Villaroel, cujo regime, com a aliança do partido nacionalista Movimento Nacional Revolucionário (MNR), foi considerado fascista tanto pela direita quanto pela esquerda, sendo deposto em 1946. O período entre 1946 e 1952 foi marcado pela rápida sucessão de presidentes civis e a falta de apoio destes do Congresso. Em 1951, o MNR venceu as eleições presidenciais, com seu candidato Victor Paz Estenssoro, e, com isso, os militares formaram uma junta. Com isso, o partido dissociou-se de sua ala fascista e aliou-se a partidos de esquerda com apoio de mineiros. Após várias revoltas fracassadas, em abril de 1952 o MNR assumiu o poder, na Revolução Boliviana de 1952, que trouxe Paz ao poder.

Governos democráticos

O novo governo de Siles (1982-85) foi marcado pela agitação social, crise política e déficits da mineradora estatal Comibol devido à queda dos preços dos minérios, o que levou o país a uma grave crise econômica. Em 1985, deixou a presidência, um ano antes do previsto, com uma hiperinflação sem precedentes e uma economia à beira da falência. O narcotráfico de cocaína se tornou uma importante fontes de divisas, a ponto de os Estados Unidos pedirem ao governo boliviano para combatê-lo. Em 1985, foi eleito, para a terceira vez para a presidência, Paz Estenssoro (MNR), em cujo novo mandato governo (1985-1989) adotou medidas contra a hiperinflação, como a eliminação de subsídios, desvalorização da moeda e austeridade em relação à mineração. A estatal de mineração foi desmantelada e a economia, aberta para investimentos estrangeiros. Para implementar as reformas econômicas, o governo se aliou à Ação Democrática Nacionalista (ADN), do ex-ditador Banzer.

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Geografia

Juntamente com o vizinho Paraguai, a Bolívia é um dos dois únicos países das Américas que não possuem saída para o mar. O ocidente da Bolívia está situado na cordilheira dos Andes, com o pico mais elevado, o Nevado Sajama, a chegar aos 6 542 m. O centro do país é formado por um planalto, o Altiplano, onde vive a maioria dos bolivianos. O leste do país é constituído por terras baixas e coberto pela floresta úmida da Amazônia. O lago Titicaca situa-se na fronteira entre a Bolívia e o Peru, o maior lago sul-americano por volume de água. No sudoeste do país, no departamento de Potosi, encontra-se o Salar de Uyuni, o maior deserto de sal do mundo. A região Oriente, a norte e leste, compreende três quintos do território boliviano, é formada por baixas planícies de muitos rios e grandes pântanos. No extremo sul, localiza-se o Chaco boliviano, pantanoso na estação chuvosa e semidesértico nos meses de seca. A nordeste da bacia do Titicaca, visualizam-se montanhas extremamente altas de 3 000 a 6 500 m. As montanhas de mais altitude caem em ângulos praticamente retos até se transformarem em planícies.

Relevo

O sudoeste do país, onde a região Andina é predominante, apresenta alguns dos picos mais altos das Américas, como o Nevado Sajama — ponto mais alto no território boliviano — com 6 542 m acima do nível do mar, e o Illimani, com 6 462 m. É nesta parte do país que se localiza o lago Titicaca, o mais alto navegável do mundo, com uma área de 8 100 km² e compartilhado com o Peru. o Salar de Uyuni, que é o maior depósito de sais e reservatório de lítio no mundo, também é encontrado no altiplano. Entre o sudoeste e o leste, está a região intermediária entre o altiplano e as planícies orientais. Nesta parte do país os vales e montanhas são menos predominantes, apesar de alguns locais chegarem ao nível de 2 500 m acima do nível do mar. Caracteriza-se por sua atividade agrícola e seu clima temperado a quente. Esta região inclui os vales bolivianos, Los Yungas e a região dos Chacos. Por outro lado, o norte e o nordeste boliviano possuem um relevo preponderantemente formado por planícies e planaltos baixos, cobertos por extensas selvas ricas em flora e fauna, estando a uma altitude inferior a 400 m. Rios extensivos e a maior biodiversidade do país são encontradas nestas duas regiões, que estende-se dos limites com os Andes ao rio Paraguai.

Biodiversidade

A Bolívia tem uma enorme variedade de organismos e ecossistemas e é considerado um país megadiverso. O país possui mais de 2 900 espécies de animais, incluindo 398 mamíferos, mais de 1 400 aves (70% das aves conhecidas no mundo estão na Bolívia, sendo o sexto país mais diversificado em termos de espécies de aves), 204 anfíbios, 277 répteis e 635 tipos de peixes de água doce. Além disso, existem mais de três mil tipos de borboletas e mais do que 60 de animais domésticos. A Bolívia ganhou atenção mundial com sua "Lei dos Direitos da Mãe Terra", uma lei única que atribui à natureza os mesmos direitos dados aos seres humanos. Há mais de 20 mil espécies de plantas com sementes, das quais 1 200 são espécies de samambaias, 1 500 são espécies de hepáticas ou musgo e pelo menos 800 são espécies de fungos. Além disso, são conhecidas mais de 3 mil espécies de plantas medicinais, de modo que a Bolívia seja considerada como um dos locais de origem de espécies de pimenta como locoto, malagueta (ou tabasco), além do amendoim, feijão, mandioca e várias variedades de palmeiras. Por outro lado, mais de 4 mil variedades de batatas são produzidas em suas terras em uma ampla gama de cores, formas e tamanhos.

Clima

O clima boliviano varia drasticamente de uma ecorregião para outra, desde um clima tropical nos llanos orientais até um clima polar nos Andes ocidentais. Os verões são quentes, úmidos no leste e secos no oeste, com chuvas que frequentemente modificam as temperaturas, umidade, ventos, pressão atmosférica e evaporação, resultando em climas muito diferentes nas regiões do país. Quando o fenômeno climatológico El Niño ocorre, provoca grandes alterações climáticas. Os invernos são muito frios no oeste e neva nas montanhas, enquanto nas regiões ocidentais o vento é mais comum. O outono é seco nas regiões não tropicais do país.

Hidrografia

São três as bacias hidrográficas encontradas no território boliviano: Amazônica, da Prata e a endorreica boliviano-peruana. A bacia Amazônica, também conhecida como bacia do Norte, é a que abrange a maior parte do território do país, com 724 000 km², estendendo-se por 66% de sua área. Os rios desta bacia geralmente têm fluxos abundantes e sinuosos, razão pela qual há muitas lagoas e lagos, como a lagoa Murillo. O principal afluente nesta é o rio Mamoré com um comprimento de 2 000 km, que corre em direção ao norte até a confluência com o rio Beni, de 1 113 km de extensão, o segundo em importância fluvial do país. De leste a oeste, a bacia Amazônica é constituída por outros rios importantes como o Madre de Deus, Orthon, Abunã, Yata e o Iténez (no Brasil, o rio Iténez recebe o nome de Guaporé), com este último sendo utilizado na demarcação de parte da fronteira com o Brasil. Por outro lado, os lagos e lagoas mais importantes são Rogaguado e o Rogagua. A precipitação média anual nesta parte do território é de 1 814 mm ao ano.

Glaciares derretidos

A Bolívia tem cerca de 20% dos glaciares tropicais do mundo, juntamente com a Cordilheira dos Andes. Contudo, são vulneráveis ao aquecimento global e perderam 43% da sua área de superfície entre 1986 e 2014. Alguns glaciares bolivianos perderam mais de dois terços da sua massa desde a década de 1980, disse a Unesco em 2018. Enquanto se espera que a temperatura nos Andes tropicais aumente dois a cinco graus até ao final do século XXI, os glaciares ainda perderiam entre 78% e 97% da sua massa. Dependendo do ano, os glaciares representam entre 60% e 85% do abastecimento de água de La Paz.

Política ambiental

Um Ministério do Ambiente e da Água foi criado em 2006 após a eleição de Evo Morales, que inverteu nomeadamente a privatização do sector da distribuição de água levada a cabo nos anos 90 pelo Presidente Gonzalo Sánchez de Lozada. A nova Constituição, aprovada por referendo em 2009, faz do acesso à água um direito fundamental. Em Julho de 2010, por iniciativa da Bolívia, as Nações Unidas aprovaram uma resolução que reconhece o "direito à água potável segura e limpa" como "fundamental". Os cientistas começaram a alertar o governo boliviano para o problema do derretimento dos glaciares nos anos 90, mas só em 2012 é que as autoridades responderam com verdadeiras políticas de proteção. Foi então criado um Projeto de Adaptação ao Impacto da Recessão Acelerada dos Glaciares nos Andes Tropicais (PRAA), com a missão de "reforçar a rede de monitorização" e "gerar informação útil para a tomada de decisões". Desde então, os glaciares têm sido monitorizados por câmaras, sondas, drones e satélite. As autoridades também desenvolveram programas de sensibilização do público para as consequências do aquecimento global a fim de refrear certas práticas agrícolas nocivas.

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Demografia

De acordo com os dois últimos censos realizados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) da Bolívia, a população aumentou de 8 274 325 (dos quais 4 123 850 homens e 4 150 475 mulheres) em 2001 para 10 027 254 em 2012. Segundo a Organização Internacional para as Migrações, aproximadamente 1,6 milhão de bolivianos emigraram para o exterior em busca de melhores condições de vida. Os países de migração tradicional têm sido a Argentina, Brasil, Chile e os Estados Unidos. No entanto, na década de 1990, boa parte da migração boliviana se direcionou para a Espanha, onde estima-se que residam 230 mil emigrantes bolivianos.

Composição étnica

A composição étnica do país é muito variada. Após séculos de miscigenação entre espanhóis e indígenas, não dá para determinar com precisão a proporção de indígenas, mestiços, brancos e outros grupos étnicos na população. Segundo o The World Factbook, mencionando uma estimativa de 2009, 68% dos habitantes do país são mestiços, 20% indígenas, 5% brancos, 2% cholos, 1% afro-bolivianos, 1% outros e 3% não especificados. Segundo outra estimativa, de 2006, 60% da população boliviana é composta por indígenas (predominantemente quíchuas e aimarás), 30% são mestiços, 15% brancos e 2% outras etnias. A população indígena está concentrada no Altiplano, onde residem os quíchuas e aimarás, mas também são encontrados povos indígenas na região da Meia-Lua, como os guaranis, chiquitanos e mojos. A população mestiça está dispersa pelo país, enquanto os brancos, em grande parte descendentes de espanhóis, se concentram nas grandes cidades, como La Paz, Santa Cruz de la Sierra e Cochabamba, mas também em cidades menores, como Tarija. Há, também, uma comunidade de menonitas de língua alemã, com um número estimado de 150 mil indivíduos, no departamento de Santa Cruz, tendo chegado ali na década de 1950. Os afro-bolivianos, descendentes de africanos escravizados que chegaram nos tempos do Império Espanhol, habitam o departamento de La Paz, sobretudo nas províncias de Nor Yungas e Sud Yungas. A escravidão foi abolida na Bolívia em 1831.

Idiomas

A Bolívia tem grande diversidade linguística, como resultado de seu multiculturalismo. A Constituição da Bolívia reconhece 37 línguas oficiais, além do espanhol. Assim, é o segundo Estado com o maior número de idiomas oficiais no mundo, só perdendo para a Índia, que tem 46. Estas incluem as línguas das nações indígenas nativas, como quíchua, aimará e guarani. O espanhol é a língua oficial mais falada no país, de acordo com o censo de 2001, uma vez que é falado por 88,4% da população como primeira língua ou segunda língua, em algumas populações indígenas. Todos os documentos legais e oficiais emitidos pelo Estado, incluindo a constituição, as principais instituições públicas e privadas, a mídia e as atividades comerciais são feitas em espanhol.

Religiões

A Bolívia é um Estado secular e garante a liberdade de religião. A Constituição estabelece que: "O Estado respeita e garante a liberdade de religião e de crenças espirituais, em concordância com sua visão de mundo. O Estado é independente da religião". De acordo com o censo de 2001 realizado pelo Instituto Nacional de Estatística da Bolívia, 78% da população boliviana seguia o catolicismo romano, enquanto 19% o protestantismo e outros 3% têm diferentes crenças cristãs. O protestantismo, juntamente com as crenças tradicionais indígenas estão se expandindo rapidamente. Em 2024, a Igreja Adventista do Sétimo Dia na Bolívia tinha 137.214 membros e 550 igrejas numa população total de 12.341.000.habitantes.

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Política

A Bolívia é oficialmente um Estado unitário democrático organizado segundo a separação de poderes (Executivo, Legislativo, Judiciário e Eleitoral) e de maneira descentralizada e presidencialista. O Estado se rege segundo a Constituição Política da Bolívia aprovada em 7 de fevereiro do ano de 2009, que entrou em vigor neste mesmo ano.[carece de fontes?] O poder executivo é encabeçado pelo presidente da república. O executivo é, tradicionalmente, o poder mais forte na política boliviana, tendendo a deixar em segundo plano a participação do congresso, cuja atividade se limita a debater e a aprovar as iniciativas legislativas do presidente. O presidente da Bolívia, eleito a cada cinco anos, é chefe de estado e de governo e nomeia o gabinete de ministros.[carece de fontes?] O Poder Legislativo constituído por duas câmaras, é presidido pelo vice-presidente do governo. A Câmara de Senadores tem 27 membros, três representantes de cada departamento, dois deles do partido que recebe a maioria de votos e o terceiro do partido que ficou em segundo lugar. Os senadores são eleitos de listas partidárias para um período de cinco anos. A idade mínima para candidatar-se a tais cargos é de 35 anos. A Câmara de Deputados tem 130 membros: 68 deputados são eleitos por votação direta para representar um distrito eleitoral e os outros 62 são eleitos por representação proporcional por meio de listas de cada partido em distrito único de todo o país. Os deputados também têm um mandato de cinco anos e devem ter no mínimo 25 anos completos no dia da eleição. Os membros da Corte Suprema da Bolívia são eleitos para um mandato de dez anos pelo Congresso Nacional.[carece de fontes?]

Relações internacionais

A história da política exterior boliviana é marcada por conflitos com países vizinhos, como o Chile, Peru e Paraguai. A Bolívia chegou a perder territórios para estes três países através de guerras, como a Guerra do Pacífico (século XIX) e a Guerra do Chaco. A Bolívia também perdeu territórios para o Brasil, que incluiu enfrentamentos militares sem que ocorresse uma guerra formal. Atualmente a Bolívia ainda mantém disputas fronteiriças e reivindicações territoriais com Peru e Chile. A Bolívia pertence à Comunidade Andina de Nações (CAN), uma organização regional econômica e política com entidade jurídica internacional criada pelo Acordo de Cartagena em 26 de maio de 1969. Tem sede em Lima, Peru. A debilitação da CAN, principalmente pela saída da maior economia do bloco, a Venezuela (em 2006) e ao fortalecimento do processo de aproximação comercial com o Mercosul, especialmente com o Brasil, somado ao aumento da influência política venezuelana e brasileira sobre o atual governo da Bolívia, existe uma forte intenção do governo em integrar-se definitivamente ao Mercosul.

Forças armadas

As Forças Armadas da Bolívia são compostas por três ramos: Exército, Marinha e Força Aérea. A idade legal para admissões voluntárias é 18 anos; no entanto, quando os números são pequenos, o governo no passado recrutou pessoas com apenas 14 anos de idade. O exército boliviano conta com cerca de 31,5 mil homens. Existem seis regiões militares (regiones militares — RMs) no exército. O exército está organizado em dez divisões. Já a Força Aérea Boliviana (ou 'FAB') possui nove bases aéreas. Embora não tenha litoral, a Bolívia mantém uma marinha. A Força Naval Boliviana era uma composta por cerca de 5 mil homens em 2008. Em 2018, a Bolívia assinou o Tratado sobre a Proibição das Armas Nucleares. O governo boliviano gasta anualmente 130 milhões de dólares em defesa.

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Subdivisões

A Bolívia se subdivide em nove departamentos, 112 províncias, 327 municípios e 1 384 cantões, os quais obtiveram maior autonomia com a Lei da Descentralização Administrativa de 1995.[nota 3] Outras cidades importantes são (por departamento): La Paz: El Alto 827.000, Cochabamba: Quillacollo 90.000 Sacaba 127.000, Tarija: Yacuiba 90.000, Santa Cruz: Montero 90.000, Beni: Riberalta 78.000.

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Economia

Em 2012 estimou-se um produto interno bruto (PIB) da Bolívia de 27,4 bilhões de dólares e de 56,14 bilhões de dólares em paridade do poder de compra (PPC). O crescimento econômico do país foi estimada em cerca de 5,2% e a inflação em cerca de 6,9%. A Bolívia foi classificada como "reprimida" pelo Índice de Liberdade Econômica de 2010. Apesar de uma série de contratempos, em sua maioria políticos, entre 2006 e 2009 o governo de Evo Morales estimulou o crescimento mais elevado dos últimos 30 anos, que foi acompanhado por uma diminuição moderada na desigualdade de renda. Com um orçamento excedente de 1,7% do PIB em 2012, o governo mantém excedentes desde o início da administração Morales, refletindo uma gestão econômica prudente. O país é muito dependente da mineração. Em 2019, era o 8º maior produtor mundial de prata; 4º maior produtor mundial de boro; 5º maior produtor mundial de antimônio; 5º maior produtor mundial de estanho; 6º maior produtor mundial de tungstênio; 7º maior produtor mundial de zinco, e o 8º maior produtor mundial de chumbo, além de ter uma produção considerável de ouro. Um duro golpe para a economia boliviana veio com uma queda drástica no preço do estanho durante o início dos anos 1980, o que impactou uma das principais fontes de renda do país e uma das suas principais indústrias de mineração. Desde 1985, o governo boliviano tem implementado um programa de longo alcance de estabilização macroeconômica e de reformas estruturais destinadas a manter a estabilidade dos preços, criando condições para um crescimento sustentado e um alívio na escassez. A grande reforma dos serviços aduaneiros tem melhorado significativamente a transparência nesta área. Reformas legislativas paralelas têm feito políticas liberais para o mercado local, especialmente nos setores de hidrocarbonetos e telecomunicações, o que tem incentivado o investimento privado.

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Infraestrutura

Transportes

O território da Bolívia está comunicado por vários meios de transporte. O país possui quatro aeroportos internacionais: Aeroporto Internacional Viru Viru, em Santa Cruz de la Sierra, Aeroporto Internacional Jorge Wilstermann, em Cochabamba, Aeroporto Internacional de El Alto, em La Paz e o Aeroporto Internacional Juan Mendoza, em Oruro. Existem ainda, outros 855 terminais aéreos pequenos e aeródromos com pistas pavimentadas ou de terra, situados em distintas localidades do país. O sistema terrestre com mais de 49 900 km de rodovias e arredor de 4 600 km pavimentados formada por várias rotas nacionais, o resto de rodovias é de cascalho ou terra. O país só inaugurou a sua primeira rodovia duplicada em 2015: um trecho entre a capital La Paz e Oruro, de 203 km. A Bolívia também conta com um ramal da Rodovia Pan-americana que cruza todo o altiplano conectando-se assim com os países limítrofes. A estrada Camino a Los Yungas foi considerada a "estrada mais perigosa do mundo" pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento, sendo chamada de El Camino de la Muerte em espanhol.

Educação

O Ministério da Educação e Cultura da Bolívia é o órgão responsável pela coordenação do sistema nacional de educação. A educação na Bolívia, assim como outros aspectos na vida dos bolivianos, tem uma divisão entre a área rural e a urbana. O analfabetismo rural se mantém alto, mesmo que o resto do país tenha aumentado o índice de alfabetização. Essa diferença é causada parcialmente pelo fato de que muitas crianças vivendo em áreas rurais são forçadas a contribuir economicamente para a renda familiar e, assim, torna-se muito mais improvável que frequentem a escola. Na média, as crianças da área rural frequentam a escola por 4,2 anos, enquanto as crianças da área urbana recebem educação por uma média de 9,4 anos. Uma diferença de gêneros também existe. O índice de alfabetização do país é de 92,5%, comparavelmente menor que os outros países da América do Sul.

Saúde

De acordo com a UNICEF, a taxa de mortalidade de menores de cinco anos em 2006 era de 52,7‰ e foi reduzida para 26‰ em 2019. A taxa de mortalidade infantil foi de 40,7‰ em 2006 e foi reduzida para 21,2‰ em 2019. Antes de Morales assumir o cargo, quase metade de todas as crianças não eram vacinadas; agora quase todas estão vacinados. Morales também implementou vários programas suplementares de nutrição, incluindo um esforço para fornecer comida gratuita em escritórios de saúde pública e seguridade social, e seu programa de desnutrición cero (desnutrição zero) oferece merenda escolar gratuita. Entre 2006 e 2016, a pobreza extrema na Bolívia caiu de 38,2% para 16,8%. A desnutrição crônica em crianças menores de cinco anos também diminuiu 14% e a taxa de mortalidade infantil foi reduzida em mais de 50%, de acordo com a Organização Mundial da Saúde. Em 2019, o governo boliviano criou um sistema de saúde universal que foi citado como modelo para todos pela Organização Mundial de Saúde.

Energia

A eletricidade gerada na Bolívia é proveniente de usinas hidrelétricas (42%) e termoelétricas (58%). O balanço energético de 2008 foi positivo, com uma geração do Sistema Interligado Nacional (SIN) de 5 372 GWh e um consumo nacional de 5 138 GWh. O potencial hidrelétrico é de 39 850 MW, que pode ser exportado para países vizinhos. Em 2015, a Bolívia possuía a terceira maior bacia de gás natural da América do Sul, superada apenas pela Argentina e Venezuela, e a 31ª maior bacia de gás natural do mundo, com um total de 750,400 milhões de m3 em 2015. Em 2017, o país produziu 20,510 bilhões de m3, ficando atrás de Argentina, México e Venezuela em comparação com os países da América Latina.

Telecomunicações e mídia

O sistema de telecomunicações boliviano cobre a maior parte do território do país. Conforme dados de julho de 2015, há mais de 881 mil linhas de telefonia fixa e cerca de 10,163 milhões de assinantes de telefonia móvel. O número de usuários de internet excede 4,1 milhões, mas a taxa de penetração de serviços de informática é uma das menores da América Latina, uma vez que apenas 45,1% dos bolivianos possuem acesso à internet. Em dezembro de 2013, o primeiro satélite espacial da Bolívia, chamado TKSAT-1 "Túpac Katari", com órbita geoestacionária na posição 87,2° oeste, foi colocado em órbita. Até à data, transmite sinais nacionais e internacionais de televisão e rádio, utilizando o sistema DTH e a Internet para todo o país, servindo também a outras formas de telecomunicações. A expectativa de vida útil do satélite é de 15 anos, tendo sido adquirido da China. O Túpac Katari 1 está equipado com 26 transponders em banda Ku, 2 em banda C e 2 em banda Ka para fornecer telefonia, televisão, internet e telemedicina. Sua cobertura é extensa, cobrindo, além da Bolívia, o Peru, Equador, Colômbia, Paraguai, Uruguai e Venezuela.

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Cultura

A cultura boliviana tem sido fortemente influenciada pelos quíchuas, aimarás, bem como pelas culturas populares da América Latina como um todo. O desenvolvimento cultural é dividido em três períodos distintos: pré-colombiano, colonial e republicano. Ruínas arqueológicas importantes, ornamentos de ouro e prata, monumentos de pedra, cerâmica e tecelagem permanecem de diversas culturas pré-colombianas importantes. Grandes ruínas incluem Tiwanaku, Forte de Samaipata, Inkallaqta e Iskanawaya. O país é rico em outros sítios que são difíceis de alcançar e tem tido pouca exploração arqueológica. O Patrimônio Cultural da Bolívia é formado por todos os bens culturais, tangíveis e intangíveis. O Estado boliviano reconhece a formação pluricultural, multiétnico e plurilinguística da nação boliviana e tem como uma de suas funções mais importantes preservar e proteger igualmente a herança cultural de todas as culturas e nações que se desenvolveram e ainda se desenvolvem na Bolívia.

Artes

Os espanhóis trouxeram sua própria tradição da arte religiosa que, nas mãos de construtores e artesãos indígenas e mestiços locais, desenvolveram em um estilo rico e distintivo da arquitetura, pintura e escultura conhecida como "Barroco Mestiço". O período colonial produziu não apenas as pinturas de Pérez de Holguín, Flores, Bitti e outros, mas também as obras de artesãos qualificados, mas desconhecidos. Um importante corpo de música religiosa barroca nativa do período colonial foi recuperada e foi realizado internacionalmente, com grande êxito desde 1994. Entre os artistas bolivianos de estatura no século XX estão Guzmán de Rojas, Arturo Borda, María Luisa Pacheco, Roberto Mamani Mamani, Alejandro Mario Yllanes, Alfredo da Silva e Marina Núñez del Prado. A Bolívia tem um folclore rico. Sua música folclórica regional é distintiva e variada. As danças diabladas no carnaval de Oruro, que acontece anualmente, é um dos grandes eventos folclóricos da América do Sul e um Patrimônio Oral e Imaterial da Humanidade, como proclamado pela UNESCO em maio de 2001.

Arquitetura

A arquitetura boliviana reflete edifícios de Tiauanaco construídos com grandes blocos de pedra esculpidos com excelentes junção e construções incas como os palácios da Isla del Sol e o forte militar de Samaipata e Incallajta, com o primeiro destes declarado Patrimônio Mundial da pela UNESCO, e o segundo abrigando um dos sítios arqueológicos mais importantes do país. Do período colonial, destacam-se edifícios religiosos sob a influência do barroco andino do século XVIII, que combinam a arquitetura europeia e elementos mitológicos nativos. A Igreja e Convento de São Francisco, a Igreja de San Lorenzo de Carangas e as igrejas das Missões Jesuíticas de Chiquitos são obras representativas desse período da história arquitetônica boliviana.

Pintura

A pintura boliviana tem o seu início na arte rupestre de povos nativos. Atualmente, existem mais de mil locais com arte rupestre que correspondem a diferentes períodos como paleoamericano, pré-inca, inca, colonial e republicano. Os principais parques arqueológicos da arte rupestre boliviana são Calacala em Oruro, Samaipata (local declarado Patrimônio Cultural da Humanidade ) em Santa Cruz, Copacabana em La Paz e Incamachay (local declarado Monumento Nacional) em Chuquisaca. Durante o período colonial, os pintores do atual território boliviano foram influenciados pelo maneirismo e arte estilizada de Bernardo Bitti, desprovidos de realismo das tradições inca e tiahuanacota, destacando-se pintores como Diego Cusihuamán. No século XVII, o barroco resulta na fundação da escola Potosí e da escola Collao. Em Potosí, há uma forte influência do maneirismo espanhol, com Melchor Pérez de Holguín, o pintor barroco mais importante do vice-reinado do Peru. Por sua vez, no Collao, a influência hispânica-flamenga consegue inspirar artistas indígenas e mestiços, destacando-se o mestre anônimo de Calamarca 96 com suas obras conhecidas como Anjos e arcanjos de Calamarca.

Escultura

Na Bolívia, a escultura remonta ao período tiauanaco com estelas antropomórficas como o Monólito Bennett ou figuras esculpidas na Porta do Sol. Mais tarde, no período colonial, destaca-se Francisco Tito Yupanqui, autor da Virgem de Copacabana, que possuía uma técnica que ligava a tradição indígena à escultura espanhola da época. Posteriormente, esculturas esculpidas nas igrejas de Sucre e Potosí, que foram influenciadas pela Escola de Sevilha e pela Escola de Cuzco, também foram compiladas. No período republicano, a escultura recebe um impulso com a criação da Escola de Belas Artes de La Paz que, no início do século XX, Emiliano Luján, Hugo Almaráz, Victor Zapana e principalmente Marina Núñez del Prado se destacam, considerados um dos maiores escultores da América Latina. A obra de Marina Núñez del Prado se distingue pelo uso de curvas estilizadas (trabalhadas em ônix, granito preto, alabastro, etc.), que simbolizam as mulheres, um tema que ocupa um lugar central em sua arte. Mais tarde, após a década de 1960, surgem novos escultores, como Ted Carrasco, Carlos Rodríguez e Marcelo Callaú, inspirados principalmente pela sociedade boliviana e pelos mitos andinos.

Esportes

O entretenimento inclui o futebol, que é o esporte mais popular do país, a Seleção Boliviana de Futebol esteve presente em três edições da Copa do Mundo FIFA (1930, 1950 e 1994), e foi campeã da Copa América de 1963. Assim como o futebol, o futebol de mesa, que é jogado nas esquinas por crianças e adultos.

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Fontes consultadas

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