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Ascetismo (filosofia)

O ascetismo ou asceticismo é uma filosofia de vida na qual se realizam certas práticas visando ao desenvolvimento espiritual. Muitas vezes, essas práticas consistem no refreamento dos prazeres mundanos e na austeridade.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 15/07/2026
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Etimologia

O substantivo "ascetismo" deriva do termo grego antigo áskesis (prática, treinamento ou exercício, de cunho espiritual). Originalmente, era associado com qualquer forma de disciplina ou filosofia prática. Modernamente, além deste sentido mais geral, o termo ascetismo também se refere mais especificamente a alguém que pratica uma renúncia ao mundo com objetivo de adquirir um alto intelecto e espírito. Muitos guerreiros e atletas, na sociedade grega antiga, utilizaram a disciplina áskesis para conseguir uma melhor forma corporal e graça. A forma de vida, a doutrina, ou os princípios de alguém que se engaja no áskesis são classificados como asceticismo.

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"Ordinário" versus "extraordinário"

Max Weber fez uma distinção entre os asceticismo innerweltliche e ausserweltliche, que significam, respectivamente, "dentro do mundo" e "fora do mundo". E. Carvalho traduziu isto como "ordinário" e "extraordinário" (alguns tradutores usam "mundo interior", mas isto tem diferentes conotações no português e não é o que Weber tinha em mente). O ascetismo "extraordinário" refere-se a pessoas que desistem do mundo para viver uma vida ascética (o que inclui os monges que vivem comunitariamente em monastérios, bem como os ermitões que vivem sozinhos). O asceticismo "ordinário" refere-se a pessoas que vivem vidas ascéticas mas não se retiram do mundo. Weber utilizou esta distinção no contexto da Reforma Protestante. Mais tarde, o conceito foi secularizado. Assim, o conceito pertence a ambos os domínios: religioso e não religioso. David McClelland sugeriu que o asceticismo ordinário se restringe a agir contra alvos pré-identificados como prazeres que distraem pessoas em relação a alguma inspiração divina: essa pessoas poderiam, então, aceitar prazeres que não sejam distracionistas. Como exemplo, ele apontou que quacress têm, historicamente, se objetado a usar roupas coloridas, apesar de que, mesmo sem cores, as roupas dos quacres são feitas de matérias muito caras. As cores foram consideradas distracionistas, mas o material não. Os amish usam critérios similares para tomarem decisões sobre que tecnologias modernas podem usar e quais devem evitar.

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Motivação religiosa

O asceticismo é muito associado com monges, iogues ou sacerdotes. Entretanto, qualquer indivíduo pode escolher levar um vida ascética. Lao Zi, Sidarta Gautama, Mahavira, Santo Antão, Francisco de Assis, Mahatma Gandhi e Augustine Baker podem ser considerados ascetas. Muitos deles deixaram as suas famílias, posses, e lares para viver uma vida mendicante, e, aos olhos de seus seguidores, demonstram grande espiritualidade, ou iluminação.

Hinduísmo

Na Índia antiga, havia uma tendência a abandonar o mundo convencional e entrar no ascetismo, ou seja, uma vida de exclusão e renúncia, chamada tyaga ou sannyasa. Este movimento começou nos tempos das Upanixades, refletindo um ideal, e acabou se tornando um problema social. Em resposta, os legisladores Hindus inventaram os ideais de estágios da vida (ashramas). De acordo com este modelo, a pessoa primeiro termina o estágio de brahmacarin - estudante, passando para grihastha - cidadão ativo, e somente depois se retiraria do mundo. Um exemplo extremo de grihastha são os sadhus, homens santos, que praticam uma forma extrema de automortificação. Suas práticas incluem atos de extrema devoção para uma deidade ou princípio. Tais votos nunca podem ser quebrados. Por exemplo, eles mantêm um braço estendido no ar por um período de meses ou anos. Os tipos particulares de asceticismo variam de um para outro, e de homem santo para homem santo.

Budismo

O personagem histórico Sidarta Gautama, o Buda, adotou uma vida extremamente ascética após deixar o palácio do seu pai, onde vivia em extremo luxo. Mas, após experimentar o ascetismo, Buda rejeitou o asceticismo extremo como caminho para a libertação do sofrimento (nirvana), e escolheu, em vez disso, um caminho onde satisfaz as necessidades do corpo sem cruzar os limites da luxúria e indulgência. Após abandonar o asceticismo extremo, ele atingiu a iluminação. Este tipo de posicionamento se tornou conhecido como Caminho do Meio e se tornou a base dos princípios da filosofia budista. Os graus de moderação sugeridos neste caminho do meio variam dependendo da interpretação do budismo. Algumas tradições enfatizam a vida ascética mais do que outras.

Judaísmo

O asceticismo enquanto renúncia ao mundo é completamente rejeitado pelo judaísmo, pois é considerado contrário ao desejo de Deus para o mundo. Segundo a crença judaica, a intenção de Deus é que o mundo seja agradável, nos contextos permitidos. O Talmude diz: "se uma pessoa tem a oportunidade de apreciar uma nova fruta e se recusa, ele prestará contas disto no próximo mundo". Alguns setores do cristianismo, influenciados pelo gnosticismo pagão, defendem a tese que o mundo é basicamente mau (visão dualista) e deve ser evitado. Em contraste com o judaísmo, que defende que somente vivendo no mundo e apreciando-o é que o ser ascenderá espiritualmente.

Cristianismo

O cristianismo tem, como base para suas doutrinas, a Bíblia. No Novo Testamento escrito pelos apóstolos e discípulos de Jesus, não há nenhuma aprovação ao ascetismo no sentido de renúncia ao mundo: "Se, pois, estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: Não toques, não proves, não manuseies? As quais coisas todas perecem pelo uso, segundo os preceitos e doutrinas dos homens; As quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria, em devoção voluntária, humildade, e em disciplina do corpo, mas não são de valor algum senão para a satisfação da carne." (Epístola aos Colossenses, capítulo 2, versículos 20 a 23)

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