Auro de Moura Andrade
Auro Soares de Moura Andrade foi um advogado e político brasileiro. Nasceu numa abastada família de fazendeiros do interior paulista, filho do pecuarista Antônio Joaquim de Moura Andrade, conhecido como "o rei do gado" e de Dona Guiomar Soares de Andrade. Como presidente do Senado, foi o responsável por declarar vaga a presidência da República em 1964. Casado com Dona Beatriz Stella prado de Andrade.
Aos dezessete anos, tomou parte na Revolução de 1932, formando-se posteriormente em direito na Faculdade de Direito do Largo São Francisco (FD-USP), onde desenvolveu intensa atividade política, sinalizando o seu futuro na vida pública brasileira. À frente dos jornais A Urna e O Democrata, combateu o governo de Getúlio Vargas, que acabou fechando os periódicos. Foi advogado e exerceu diversos cargos no estado, sendo também diretor da Associação Comercial.
Em 1947, elegeu-se deputado estadual pela União Democrática Nacional (UDN) e, em 1950, deputado federal. Em 1954, elegeu-se senador pelo Partido Trabalhista Nacional (PTN). Filiou-se ao Partido Social Democrático (PSD), no qual logo se destacaria. Em 1961, foi eleito presidente do Senado, onde permaneceria por sete anos, sempre reeleito. Em 1958 foi derrotado ao disputar o governo do estado de São Paulo, ocasião em que Carvalho Pinto elegeu-se para o cargo com o apoio de Jânio Quadros. Em 1962 reelegeu-se senador por São Paulo, com mais de um milhão de votos.
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Era presidente do Congresso quando da renúncia de Jânio Quadros em agosto de 1961. Recebeu a carta-renúncia e imediatamente convocou o Congresso. Em quatro minutos e meio leu a carta, informou que Jânio não estava mais em Brasília e convidou os parlamentares para a posse do seu sucessor constitucional, que seria realizada dali a dez minutos. Vinte minutos após a convocação, declarou a vacância do cargo presidencial, uma vez que o vice-presidente João Goulart encontrava-se na China em viagem oficial. Um deputado lhe atirou um microfone e outro tentou arrancar-lhe a carta, mas em menos de meia hora deu posse ao deputado Ranieri Mazzilli, presidente da Câmara. Isto significava o prenúncio do Golpe de Estado que se avizinhava: por ela, negava-se a João Goulart o seu legítimo direito à sucessão de Jânio Quadros. Teve importante atuação na modificação para o sistema parlamentarista, o que possibilitou a posse do vice-presidente João Goulart no cargo de Presidente da República. Junto com Mazzili e Ernesto Geisel, recebeu Jango no aeroporto quanto este retornou a Brasília em 5 de setembro. Foi convidado para o cargo de Primeiro-Ministro, desde que deixasse escrita uma carta de renúncia nas mãos do presidente. Recusou-se a aceitar a imposição, dizendo a João Goulart que tal sugestão faria dele - Moura Andrade - "não o primeiro-ministro, mas o último".
Em março de 1964, Moura Andrade participou, em São Paulo, da Marcha da Família com Deus pela Liberdade, ato público contra o governo. No dia 30 do mesmo mês, lançou um manifesto à nação declarando o rompimento entre o legislativo e o executivo, conclamando as forças armadas a se posicionarem na defesa das instituições. No dia seguinte estourava o Golpe de 64 e, mesmo com o então presidente João Goulart em exercício de suas atividades, em solo brasileiro, Moura Andrade, em tumultuada sessão do congresso, por ele presidido, declarava vacante a Presidência, dirigindo-se pessoalmente, a pé, à frente de uma legião de congressistas, ao Palácio do Planalto, para dar posse ao deputado Ranieri Mazzilli, na presidência da República. Declarou nesse dia, antes de terminar a sessão: Foi indicado por diversos parlamentares para compor, como vice-presidente, a chapa que elegeria o marechal Humberto Castelo Branco para presidente, mas no entanto, renunciou sua candidatura no segundo turno daquela eleição indireta, em 11 de abril de 1964, e a vaga ficou com José Maria Alkmin, que praticamente não teve oposição.


