Aurélio de Figueiredo
Francisco Aurélio de Figueiredo e Mello foi um escultor, pintor, ensaísta, desenhista, caricaturista e escritor brasileiro. O artista pintou retratos, paisagens, cenas de gênero e também temas históricos. Ficou conhecido por suas obras deste último gênero, como o quadro de Francesca da Rimini, feito em 1883, e Último Baile da Ilha Fiscal, de 1905.
Filho de Daniel Eduardo de Figueiredo e Feliciana Cirne, Aurélio de Figueiredo nasceu em 3 de agosto de 1856, na cidade de Areia. Era irmão mais jovem do pintor Pedro Américo, conhecido por pinturas como Independência ou Morte e Tiradentes Esquartejado. Frequentou a Academia Imperial de Belas Artes (AIBA), assim como seu irmão Aurélio. Após estudar ali, aperfeiçoou seu trabalho artístico em Paris. Na volta ao Brasil, deu aulas na Academia. Seu estilo de pintura misturava elementos do neoclassicismo, romantismo e realismo, o que torna a sua produção uma das grandes expressões do momento de ápice do Academismo no Brasil. A trajetória de Aurélio Figueiredo possui pontos de encontro com a de seu irmão Pedro. Em 1871, ele publicou caricaturas no periódico semanal carioca A Comédia Social, que se auto intitulava um “Hebdomadário Popular Satírico”. Ele também colaborou com outras caricaturas para o jornal Semana Ilustrada, de 1873 a 1875. Esse periódico carioca surgiu em 1860 e chegou todos os domingos nas mãos de seus leitores por 15 anos. Aurélio ilustrou séries temáticas, como foi o caso de “Os Mistérios de Todos os Dias na Corte”.
Aurélio de Figueiredo produziu pinturas de paisagens, retratos, naturezas-mortas e cenas de gênero. As obras O copo d'água (1893) e Francesca da Rimini (1893) se tornaram de grande conhecimento geral. Além disso, as obras de caráter histórico possui destaque em sua carreira. Foram diversas as encomendas: Abdicação de Dom Pedro I, Tiradentes no Patíbulo, Derradeira Sinfonia e Redenção do Amazonas. Parte delas foram solicitadas por governos provinciais. O pintor faz parte da era romântica na pintura brasileira. Principal expressão das artes plásticas no Brasil da segunda metade do século XIX, ela se desenvolveu na mesma época do Segundo Reinado no país. Como característica, se apropriou do nacionalismo dirigido pelo imperador Dom Pedro II para retratar o Brasil por outra construção visual - com o intuito de retratar um país em progresso e civilizado - e a formação de uma identidade. No campo das artes plásticas, o romantismo trouxe consigo elementos neoclássicos e se misturou ao realismo, ao simbolismo e a outras escolas, tornando-se uma síntese diversificada.
Análise
Por pertencer ao romantismo na pintura, Aurélio Figueredo e seu irmão Pedro Américo contribuíram no processo de formação do "herói da pátria". Os quadros Martírio de Tiradentes (1893), de Aurélio, e Tiradentes Esquartejado (1893), de Pedro, criam uma imagem de Tiradentes como herói nacional e reforça a ideia da época de construção e, ao mesmo tempo, reconstrução de uma memória nacional e identidade. Apesar de ser considerado um artista romântico, Aurélio de Figueiredo possui momentos diferentes em seu fazer artístico. Em março de 1906, o pintor participou de uma mostra de 66 telas no Theatro da Paz, em Belém. Ele fez uma retrospectiva de sua carreira, mostrando duas fases distintas de seu trabalho. As obras mais antigas, assinadas como Aurelio de Figueiredo, remetiam á escola francesa do último quartel do século XIX. Já as obras mais recentes, assinadas como Francisco Aurelio, se pareciam mais com o estilo dos artistas impressionistas.
Curiosidades
Em dois quadros pintados por Aurélio de Figueiredo, o artista colocou a sua própria figura ou a de parentes no resultado final da obra. O primeiro caso é de 1896, na pintura Compromisso Constitucional, sobre a promulgação da Constituição de 1891. Ele colocou o irmão Pedro Américo e a si próprio junto dos políticos. Além disso, a mulher e as três filhas aparecem no balcão nobre do Parlamento. Essa última alteração ficou por mais de um século sem ser notada. Até que a descoberta foi feita pelo pesquisador do Museu da República, Mário Chagas, desmistificando a ideia de que aquelas mulheres eram esposas ou parentes dos parlamentares. Em sua obra famosa Último Baile da Ilha Fiscal, Aurélio pinta a si próprio ao lado da esposa. Nesse caso, os dois realmente participaram do baile. No entanto, o pintor acrescentou as três filhas que não estavam no local. Prática comum entre os artistas brasileiros do século XIX e do século XX, Aurélio conta sobre o processo em um carta que foi localizada também por Mário Chagas.


