Asturo-leonês
O asturo-leonês é um diassistema linguístico que abrange o noroeste da Península Ibérica, conhecido nos diferentes territórios como asturiano, leonês ou mirandês.
Origem
O idioma asturo-leonês tem a sua origem no latim vulgar, transmitido principalmente pelas legiões norteafricanas assentadas em Asturica Augusta e em Legio VI. A suplantação da língua dos ástures por esta outra foi lenta mas imparável, já que o uso do idioma imperial era a chave que abria as portas para a obtenção de muitos direitos e liberdades, entre eles o mais importante: a cidadania romana. Não obstante, como no resto da península, não foi até o estabelecimento dos reinos germánicos (visigodos) quando o latim, mais ou menos modificado, se estabelece definitivamente como língua única e comum. No conjunto asturo-leonês coincidem paralelamente rasgos marcadamente conservadores (como a manutenção dos grupos AI, AU e MB) junto a outros disruptores do sistema latino (como é a transformação do vocalismo original para um sistema de ditongos). Isto explica-se pelo carácter de encontro, no território dos ástures, de dois processos de romanização muito diferenciados: o procedente da Bética e o procedente da Tarraconense. Kurt Baldinger, Krüger, Menéndez Pidal e outros autores destacaram a importância do rio Sela como limite linguístico destes dois mundos. Assim, Menéndez Pidal assinala
A formação da língua nos reinos das Astúrias e Leão
No século VIII, a língua da Igreja e da administração diferiam de tal modo daquela usada no quotidiano que já era possível pensar em dois sistemas diferentes: o latim e o romance. Esta evolução acaba por desembocar no surgimento, no século X, dos primeiros documentos com expressões escritas em romance nos diversos mosteiros das Astúrias e de Leão. O mais importante destes é a Nodicia de Kesos, onde o romance dessa época (em processo de transformação e ainda sem se poder considerar como asturo-leonês) substitui o latim num acto rotineiro de compra e venda. Deste latim, escrito nos séculos X e XI e muito alterado pelo romance local, é possível encontrar registos procedentes dos mosteiros leoneses de Sahagún, Otero de Dueñas e da Catedral de Leão.
Evolução da língua
A língua empregue na escritura de todo o tipo de actos, no Reino de Leão, passa progressivamente a ser o leonês. É, portanto, uma língua usada a nível administrativo, público e privado — em testamentos, aforamentos, cartas de venda ou sentenças judiciais. São também traduzidos do latim textos legais como o Fuero juzgo (conhecido no Reino de Leão como Livro Iudgo), o tratado processal Flores del Derecho (escrito inicialmente em castelhano) e os foros concedidos a diversas cidades como Leão (1017), Alva de Tormes (1140), Oviedo (1145), Avilês (1155), Campomanes (1247), Benavente (1164 e 1167), Samora (1289), Ledesma (1290) ou Salamanca (1301). Fora destes âmbitos administrativos e jurídicos, podem notar-se rasgos do leonês dessa era em manuscritos como o Livro de Alexandre ou a Disputa de Helena e Maria, provavelmente introduzidos por copistas leoneses.
Variedades
O dialeto ocidental é o mais abrangente em termos geográficos, no entanto a variedade central é a mais falada.


