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Astorga (Espanha)

Astorga é um município da Espanha na zona central da província de Leão, comunidade autónoma de Castela e Leão. Tem 46,78 km² de área e em 2021 tinha 10 553 habitantes. Situa-se na área de transição entre as planícies do Páramo Leonês e os montes de Leão e é o principal polo económico das regiões histórico-culturais comarcas históricas da Maragateria, La Cepeda e Ribera del Órbigo. É a sede de uma das dioceses mais antigas e mais extensas de Espanha, cuja jurisdição abarca metade da província de Leão e parte das províncias de Ourense e de Samora, e sede do partido judicial número 5 da província de Leão.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 21/07/2026
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Toponímia

O topónimo de Astorga é uma evolução natural e popular do antigo topónimo latino Asturica. Sobre a origem e significado desde último há várias teorias. Para alguns autores, como o cronista Gil González de Ávila (c. 1577–1658), provém de Astyr ou Astur, escudeiro do herói grego Mêmnon; para outros deriva de Astiria, Astirica ou Asturia, nome que ainda era usado durante as conquistas de Munuza, no século VIII. Apoiando-se noutros textos, como o Diccionario de Covarrubias, Pedro Junco escreveu em 1635 que o nome derivava de Astu e Orgia, duas palavras que juntas formariam Astorgia, com o significado de "cidade para celebrar o culto dos deuses", concretamente de Baco. que latinizada se transformaria em Asturica; mais afirmou que antes de se chamar Asturica se chamava Rhoma, sinónimo de forte em grego antigo. A cidade é mencionada como Astorica em documentos de 878, como Osturga e Austurga no Codex Calixtinus e como Astur, Asturius e Asturia ao longo da Idade Média. João de Barros refere: «Astorga - cidade na Espanha Terraconense chamava-se `Astruria´ como diz o Itinerário, e `Asterica´. Os Godos lhe chamavam `Roma´. No século XIX, Víctor Gebhardt escreveu na sua Historia general de España que em épocas anteriores Astorga teve o nome de Asturica Amak. Na edição de 1734 do dicionário de Antonio de Nebrija, a cidade aparece com os nomes Asturia e Asturica: «Asturia, região e cidade perto de Portugal» e «Asturica Augusta, cidade da Espanha tarraconense, vulgarmente llamada Roma». Em todo o caso, Asturica foi o nome da antiga capital das 22 tribos ástures, que mais tarde recebeu de Augusto o apelido de Augusta quando a elevou a capital de convento jurídico.

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Símbolos e títulos

O escudo heráldico municipal tem a seguinte descrição oficial: «Escudo de gules, um ramo de carvalho da sua cor. O timbre é uma coroa de marquês.» Desconhece-se quando começou a ser usado. Num documento de 1320 aparece um selo do Concelho de Astorga no qual é representado um castelo com três torres e uma árvore. Porém, em 1635 já se usava o escudo ainda vigente atualmente, o qual aparece na obra de Pedro Junco Fundación, nombres y armas de la ciudad de Astorga. Este interpretou que o antigo nome da cidade — Roma — provinha do apelativo de robur e daí a representação dum carvalho do qual Quercus robur é uma das espécies mais comuns, com o significado de força, firmeza e fortaleza, similares aos atributos de solidez e longevidade da mitologia clássica. Em relação ao campo de cor vermelha seria similar ao de Roma, com o significado do sangue do inimigo que tentasse conquistar a cidade. A bandeira municipal tem seguinte descrição oficial: «Bandeira de cor vermelha com o escudo no centro.»

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História

Antiguidade

Teoriza-se que a história de Astorga remonte à época pré-romana, pois Ptolemeu referiu-se a Asturica como cidade ásture e capital dos amacos. Baseados nesta hipótese, vários estudiosos, como Manuel Gómez-Moreno (1870–1970) ou José María Luengo Martínez, atribuíram-lhe origem indígena. No entanto, nas escavações arqueológicas realizadas no recinto urbano não foi descoberto material que possa corroborar tal origem, pelo que não se pode afirmar cientificamente que tenha havido povoamento pré-romano, apesar da existência de vários castros da Idade do Ferro nos arredores de Astorga, como o de La Mesa, em Castrillo de los Polvazares. A partir dos dados arqueológicos, a fundação da cidade está relacionada com a presença dum destacamento da Legio X Gemina devido às Guerras Cantábricas. Essa presença é atestada pela descoberta de duas trincheiras ou fossos que formavam um sistema defensivo, bem como pela existência de várias valas de fundações para possíveis estruturas de madeira. Quando as campanhas militares de Augusto contra os ástures e os cântabros terminaram, entre 29 e 19 a.C., foi erigido um acampamento militar, que depois da pacificação do território, se converteu num assentamento de caráter civil dentro da província Tarraconense. Essa conversão deve ter ocorrido no início do século I d.C., pois no ano 27, o Hospitalitas (pacto de hospitalidade) com os zelas demonstra que as relações de Roma com os indígenas já estavam estabilizadas.

Idade Média

Na sequência das invasões bárbaras, os suevos estabeleceram-se no território da antiga Galécia, cerca de 410, e a cidade passou a fazer parte do seu reino. O confronto dos survos com os visigodos provocou vários saques destes a Astorga, o primeiro por Teodorico II em 459 e o segundo por Leovigildo em 569. A cidade perdeu o estatuto de capital de convento jurídico, juntamente com o desaparecimento do sistema político e administrativo romano, e o protagonismo regional passou então para a cidade de Leão. Em 714, durante a invasão muçulmana da Península Ibérica, Astorga foi atacada e destruída por Tárique na sua marcha para norte. Após o surgimento do Reino das Astúrias em meados do século VIII, Afonso I das Astúrias avançou para sul e reconquistou para os cristãos várias cidades, entre elas Astorga. Ordonho I das Astúrias, que ascendeu ao trono em 850, encarregou o conde Gatón do repovoamento e reconstrução da cidade.[carece de fontes?]

Idade Moderna

Os primeiros anos do século XVI foi marcado pela Guerra dos Comuneiros (1520–1522), na qual Astorga tomou o partido do rei, pois o marquês era apoiante do monarca Carlos V. Nesse período foram fundadas numerosas confrarias que socorriam, através de hospitais, pobres e peregrinos, para o que contribuiu o facto da cidade estar no Caminho de Santiago. Dos muitos hospitais que existiram na cidade ainda restam os hospitais das Cinco Chagas e o de São João Batista, este último mencionado na classificação de Património Mundial dos Caminhos de Santiago. A influência religiosa estava sempre presente, não só pelo domínio moral e eclesiástico, mas também porque o cabido era proprietário de vastas propriedades rústicas e urbanas.

Idade Contemporânea

No início do século XIX, o crescimento da cidade deteve-se devido a epidemias e à ocupação francesa. Astorga foi das primeiras cidades a revoltar-se contra os ocupantes, com a amotinação de camponeses e jornaleiros ocorrido a 2 de maio de 1808 e a formação da Junta de Armamento e Defesa no mês seguinte. O exército francês entrou na cidade em 31 de dezembro de 1808 e nos anos seguintes a praça trocou de mãos várias vezes. Ocorreram alguns atos heroicos, como a defesa comandada pelo general Santocildes, até que finalmente os franceses capitularam a 17 de agosto de 1812, graças à estratégia preparada pelos generais Castaños e Wellington. Os combates em Astorga foram descritos pelo general Santocildes na sua obra Resumen histórico de los ataques, sitio y rendición de Astorga.

Religião

Não se conhece qualquer menção a divindades indígenas na cidade ou nas suas vizinhanças mais próximas, mas foi encontrada uma lamela de prata com onde é mencionado Marti Tileno, um deus indígena, senhor da montanha, que os romanos assimilaram a Marte, em Quintana del Marco (situada cerca de 40 km a sudeste de Astorga)[nt 1][carece de fontes?] e uma inscrição já desaparecida dedicada ao deus Caraedudi, um deus de origem celta, em local incerto perto da cidade, provavelmente em Celada de la Vega (situada cerca de 4 km a sudeste de Astorga). A instalação do acampamento romano que deu origem à cidade fez com que passassem a ser adorados no local não só deuses romanos mas também gregos. Há evidências de ter havido culto dos seguintes deuses na cidade:

Urbanismo

O urbanismo de Astorga foi condicionado historicamente pela orografia do terreno, com o assentamento desde a Antiguidade situado no alto dum espigão natural. Após o fim das Guerras Cantábricas e a conversão do acampamento militar num núcleo urbano, a cidade teve um período de crescimento graças à atividade mineira, cujo auge ocorreu entre os séculos I e III. É isso que origem de ser sede do concillium (reunião dos delegados da tribos indígenas), do culto imperial e do Convento Asturicense. A cidade romana ocupava uma área 26 hectares, limitada por uma muralha com mais de dois quilómetros de perímetro. A forma do recinto muralhado não era retangular devido a um estreitamento do espigão natural no seu canto meridional, pelo que nesse local, onde se situava o fórum, o traçado tinha forma triangular. Foram erigidos edifícios públicos e as ruas foram pavimentadas e algumas dotadas de pórticos, foi construído uma rede de esgotos e uma rica arquitetura residencial. A tudo isso juntou-se, no século III, o estatuto de sede episcopal, o que marcou a vida da cidade nos séculos posteriores.

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Geografia e ambiente

Geografia

O município de Astorga tem 46,78 km² de área e situa-se na zona de transição entre a planície do Páramo Leonês e os montes de Leão, uma localização que torna a cidade um núcleo estratégico de comunicações, atestado desde há muitos séculos, ao ser a encruzilhada entre o Caminho de Santiago francês e a Via da Prata e a porta natural de entrada na Galiza. A cidade situa-se na zona noroeste da bacia do Douro e a sua orografia é suave em geral, com duas zonas diferenciadas: a oeste há uma série de serras orientadas a ESE-NNO, com materiais geológicos do Paleozoico Inferior; a leste estende-se a planície do rio Tuerto, com materiais do Terciário cobertos posteriormente durante o Quaternário. A zona ocidental tem uma morfologia de vales, com a mesma orientação das estruturas de orogenia hercínica (ESE-NNO), caraterizados por fundos planos com sedimentos do Mioceno, ao passo que a zona oriental é constituída por planícies aluviais com vários níveis de terraços.

Demografia

Segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística espanhol, em 2021 o município de Astorga tinha 10 553 habitantes, 47,2% do sexo masculino e 52,8% do sexo feminino. A cidade propriamente dita tinha 10 475 habitantes, Valdeviejas 130, Murias de Rechivaldo 111, Castrillo de los Polvazares 101 e Santa Catalina de Somoza 50. A densidade populacional era 225,6 hab./km². Ao contrário do que aconteceu com outras cidades da província, como Leão ou Ponferrada, Astorga não atraiu a si população das comarcas vizinhas e cresceu lentamente durante o século XX, alcançando o número máximo de habitantes em 1981, tendo em conta que os números de 1940 só são superiores devido à presença na cidade de muitos soldados e reclusos da Guerra Civil Espanhola.

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Política e administração

Administração pública

A Junta de Castela e Leão (o governo regional) tem as competências relacionados com a educação, exercidas pelo Gabinete de Educação, que está encarregado da gestão dos docentes e dos centros educativos, e de saúde, através do Sacyl (Sanidad de Castilla y León), que gere os serviços sanitários do município. A administração local do município está a cargo dum ayuntamiento de gestão democrática, cujos membros são eleitos a cada quatro anos por sufrágio universal. O eleitorado é composto por todos os residentes registados em Astorga maiores de 18 anos, com nacionalidade espanhola ou que qualquer estado membro da União Europeia. Segundo o disposto na Lei do Regime Eleitoral Geral, que estabelece o número de vereadores elegíveis em função da população do município, a Corporação Municipal é formada por 17 vereadores (concejales).

Governo municipal

As primeiras eleições democráticas de 1979 foram ganhas pela União de Centro Democrático (UCD), com Luis González Pérez à cabeça. Nas eleições seguintes, em 1983, foi eleito alcaide Recaredo Bautista, cabeça de da lista da Agrupación Electoral Popular Independiente (AEPI). Nas eleições de 1987, Juan José Alonso Perandones, do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) ficou à beira de obter a maioria absoluta, mas os quatro grupos da oposição uniram-se para dar o cargo de alcaide a Adolfo Alonso Ares, do Partido Democrata Popular (PDP). No entanto, dois anos depois, graças ao apoio da veredora Rosa Fernández González Centro Democrático e Social (CDS), Adolfo Alonso Ares foi derrubado por uma moção de censura e Perandones tomou o seu lugar à frente do ayuntamiento, que ocupou até 2011, quando anunciou que ia retirar-se da política.

Cidades gémeas

Astorga está geminada com as seguintes cidades:

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Economia e infraestruturas

A estrutura económica da cidade é fortemente dependente do setor de serviços, da administração públcia e, em menor grau, da construção. A atividade industrial é pouco significativa e a agricultura ainda tem um peso relevante na economia das áreas rurais do município. A presença jornalística em Astorga remonta a 1852, quando começou a ser publicada a primeira publicação periódica, o Boletim Eclesiástico do Bispado. Em 1885 surgiu o semanário Pedro Mato, em 1892 o semanário católico La Luz de Astorga e em 1899 o El Heraldo Astorgano. Em 1903 saía três vezes por semana o La Lid, sob o lema «liberdade, progresso, moralidade e trabalho" e foi fundado o El Faro Astorgano, de caráter católico. No ano seguinte começou a publicar-se o El Pensamiento Astorgano, em 1906 o El Evangelio en Astorga e em 1907 o El Adalid. Em 1917 surgiu o semanário El Fresco e em 1928 o semanário Humo, sob a tutela de Ricardo Gullón, Leopoldo Panero e Luis Alonso Luengo.

Atividade empresarial e emprego

Em março de 2013 existiam no município 596 empresas, que ocupavam 2 280 trabalhadores. Em 2007, 1,3% dos empregados existentes no município estavam no setor primário, 14,6% na indústria e 69,5% no setor terciário. O número de desempregados passou de 176 em maio de 2005 para 778 em março de 2020, dos quais 43,8% eram homens e 56,2% eram mulheres.

Setor primário

Em 2011 o município tinha 1 045,8 Hectares de terrenos agrícolas, dos quais 1 021,5 ha eram terras aráveis, sobretudo de sequeiro exceto na parte ocidental, no vale do rio Tuerto, onde há muitos terrenos de regadio. Na mesma data, havia 15 ha de hortas e 8,3 ha de pomares. O setor vitícola foi um dos pilares da economia da cidade, principalmente entre os séculos XIII e XV, mas já no século XVII se importava vinho de Rueda e de Toro devido ao paulatina desaparecimento dos terrenos de vinha, que atualmente só ocupa um hectare. O resto dos terrenos distribui-se entre pastagens (2 396,6 ha), floresta (557,9 ha) e outros espaços agrícolas (706,2 ha). Em geral, o setor primário era responsável por 1,3% dos empregos e 0,5% das empresas. A atividade agrícola, ainda presente nas aldeias e áreas rurais do município, é praticamente existente na capital.

Setor secundário

Em 2007, a indústria era a segunda atividade mais importante do município, representando 29,2% dos empregos e 24,5% das empresas. A maior parte das empresas industriais não realizam atividades pesadas nem muito poluidoras. As mais representativas são da indústria alimentar, com empresas como a Cecinas Pablo, Dulces La Mallorquina ou Alonso, cuja produção se centra especialmente em produtos típicos como os hojaldres, as mantecadas e as cecinas (ver a secção "Gastronomia"). Os dois últimos têm Indicação Geográfica Protegida com sede em Astorga.[carece de fontes?] Embora atualmente minoritária, a indústria de chocolate foi muito importante entre meados do século XIX e o primeiro terço do século XX. Em 1916 chegou a haver 41 fabricantes de chocolate, dos quais atualmente ainda estão em funcionamento quatro. Todo o legado dessa indústria (emablagens, publicidade, litografias e maquinaria antiga) está no Museu do Chocolate. A indústria têxtil também teve alguma importância no passado, mas 2008 só havia uma fábrica e alguns testemunhos do passado, como um lavadouro.

Setor terciário

Em 2007, o setor de serviços era o mais importante para a economia do município, pois era responsável por 69,5% dos empregos e 75% das empresas. A cidade é o polo económico das comarcas em volta, como a Maragateria e La Cepeda, pelo que tem intensa atividade comercial. Em 2012 tinha 60 empresas grossistas e 316 retalhistas, das quais 114 eram de comércio alimentar, que incluíam 16 supermercados, 188 de comércio de produtos não alimentares e 14 de comércio misto. Em 2012 havia 14 entidades financeiras, das quais cinco eram bancos e seis caixas de aforro.[carece de fontes?] O turismo cultural tem um grande peso no setor de serviços da cidade devido ao património histórico e monumental, às festividades e por ser um lugar de passagem do Caminho de Santiago e da Via da Prata. Além disso nas proximidades há várias localidades maragatas típicas, como Castrillo de los Polvazares ou Santiago Millas e locais emblemáticos do Caminho de Santiago como Foncebadón. Em 2013 a cidade tinha 47 estabelecimentos turísticos dos quais três eram agências de viagens, nove alojamentos de turismo rural (com capacidade para 115 pessoas), 16 eram estabelecimentos hoteleiros doutros tipos (com capacidade para 549 pessoas) e 47 eram restaurantes. Em 2011 havia na cidade 115 cafés e bares. Desde 2004 que a cidade tem uma área de estacionamento para autocaravanas.

Transportes e comunicações

Em 2012, Astorga tinha registados 5 491 automóveis, a que se somavam 1 250 eram furgonetas e camiões e 1 150 veículos automóveis de outros tipos, somando um total de 7 926. No ano anterior, havia 465,3 automóveis por cada mil habitantes Na cidade há uma oficina de inspeção de veículos.

Transportes públicos

A empresa rodoviária ALSA oferece serviços de autocarro entre a cidade e múltiplos destinos na Espanha, como sejam Leão, Ponferrada, Corunha, Valladolid, Madrid, Gijón e Barcelona. Há várias outras empresas que têm serviços entre Astorga e as localidades vizinhas. Desde a chegada do caminho de ferro à cidade em 1866 que existe uma estação, situada na parte noroeste da cidade, que é gerida pela Adif e pertence à Linha Leão-Corunha (conhecida historicamente como Linha Palência-Corunha). Em 2013, Astorga tinha as seguintes ligações ferroviárias, asseguradas pela Renfe: Até 1983, a cidade era também o ponto de partida da Linha Plasencia-Astorga, parte da Linha da Rota da Prata, inaugurada a 21 de julho de 1896, que ligava Astorga e Plasencia. Há vários anos que numerosas organizações e empresas reclamam a sua reabertura para servir eficazmente o oeste espanhol e recuperar a alternativa de transporte de mercadorias por via férrea.

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Património histórico e artístico

Astorga tem uma riqueza monumental de relevo, tanto em edifícios civis como religiosos, com exemplos romanos, românicos, góticos, renascentitas, barrocos e modernistas. No município há sete sítios classificados como bens de interesse cultural: na categoria de conjunto históricos estão o da própria Astorga e o de Castrillo de los Polvazares; na categoria de monumentos encontram-se a zona do Palácio Episcopal, o próprio palácio, a Catedral de Santa Maria, o ergástulo romano e o ayuntamiento.

Rota romana

As primeiras escavações em Astorga foram feitas em 1835, mas só na década de 1940 é que ganharam relevância, pela mão de José María Luengo. Os trabalhos foram retomados desde o final do século XX, o que permitiu que fosse criada uma rota que permite visitar diversos vestígios do passado romano conservados no subsolo da cidade. Os achados mais importantes são de infraestruturas públicas, como duas termas, a rede de esgotos, ainda em uso, e o fórum. Neste último encontra-se o Aedes Augusti, um templo dedicado ao culto imperial, e o ergástulo romano, sobre cuja galeria ou criptopórtico se construiu o Museu Romano. No que respeita a construções privadas, conserva-se o chamado "Domus do mosaico do urso e dos pássaros", uma casa residencial que segue o esquema tradicional das domus romanas e que representa uma das construções mais caraterísticas da época romana na cidade.

Catedral

A origem da catedral, dedicada a Santa Maria, remonta a 1069, quando um primeiro templo foi consagrado pelo bispo Pedro Núñez, que foi reconstruído em 1087 e no século XIII. A ampliação definitiva foi iniciada em 1471 e as obras prolongaram-se até ao século XVIII, motivo pelo qual a catedral mistura elementos góticos, renascentistas e barrocos. O templo tem planta retangular, cabeceira de três absides, três naves e falso cruzeiro. A fachada é flanqueada por duas torres. A primeira parte do edifício, de traços góticos, foi construída em finais do século XV e no primeiro terço do século XVI. A fachada atual começou a ser construída em finais do século XVII. Tem estilo barroco churrigueresco, com três portas com arcos e flanqueada por duas torres. Está organizada em forma de retábulo em pedra, com abundante decoração. A torre da esquerda, datada de 1678, foi afetada pelo sismo de Lisboa de 1755 e pela Guerra Peninsular, e só foi finalizada em 1965. A torre da direita começou a ser construída em 1692 e foi terminada em 1704. Sobre umas das pequenas torres que coroam o exterior da cabeceira encontra-se uma estátua de Pedro Mato, um personagem lendário ligado à Batalha de Clavijo.

Palácio Episcopal

Após o incêndio que destruiu o antigo palácio episcopal em 1886, o bispo Joan Baptista Grau i Vallespinós encomendou o projeto dum novo palácio ao arquiteto modernista Antoni Gaudí, de quem o bispo era amigo de longa data. As obras foram iniciadas em 1889, mas após a morte do bispo em 1893, Gaudí renunciou à direção das obras por desavenças com o cabido, quando ainda faltava construir o segundo andar e o ático. A Gaudí sucederam-se, sem êxito, os arquitetos Francisco Blanch y Pons e Manuel Hernández Álvarez-Reyero. As obras foram concluídas em 1913, sob a direção de Ricardo García Guereta, nomeado pelo bispo Julián de Diego y Alcolea. Durante a Guerra Civil Espanhola, o palácio foi usado como quartel e sede da Falange e em 1943 e 1956 houve várias obras de reparação com o objetivo de o converter na residência do bispo, o que nunca chegou a acontecer. Durante os pontificados dos bispos Marcelo González Martín e Antonio Briva Miravent foi transformado no Museu dos Caminhos (de Santiago), o qual foi inaugurado em 1963. O edifício é também conhecido como Palácio Gaudí.

Casa consistorial

A construção da casa consistorial[c] (sede do ayuntamiento) começou em 1683, segundo o projeto de Francisco de La Lastra e terminou em 1703. Posteriormente foram construídas as varandas (em 1730, por Francisco García Casella), os remates das torres laterais (1739, José Álvarez de la Viña) e o campanário central (1748, Domingo Martínez), que serviu para alojar o relógio e os sinos, o maior dos quais está acompanhado por dois bonecos vestidos de maragatos, chamados Juan Zancuda e Colasa, que marcam as horas batendo no sino com um maço. A fachada tem três andares, com o eixo de simetria no arco de meio ponto que dá acesso ao edifício, campanário e o escudo real. No conjunto escultórico destacam-se os elementos que fazem a função de gárgulas e os escudos da cidade e dos marqueses de Astorga na torre direita e esquerda, respetivamente. No interior sobressai o salão de reunião, presidido por várias lápides comemorativas, que recordam personagens ilustres, como Manuel García Prieto, Pío Gullón Iglesias, Lope María Blanco de Cela, Manuel Gullón y García Prieto ou Marcelo Macías, e algumas das datas mais importantes da história da cidade. O edifício foi reabilitado em 1987 por Andrés Lozano.

Outros monumentos

Astorga tem outros edifícios com interesse cultural e arquitetónico, localizados principalmente na parte antiga. Entre eles destacam-se os seguintes. O Santuário de Nossa Senhora de Fátima, antigamente chamado Igreja de São Julião, é de origem românica; dessa época conserva os capitéis do portal. A Igreja de São Bartolomeu, também ela originalmente românica, teve reformas posteriores e tem decoração interior barroca; era no seu átrio que se realizavam os concejos antes da construção da casa consitorial. A Igreja de Santa Marta, dedicada à padroeira da cidade, foi construída em 1741 sobre uma igreja anterior e tem uma fachada de traços neoclássicos e interior barroco. O Convento do Espírito Santo (Sancti Spiritus) é do século XVI e a decoração do interior da sua igreja é barroca.

Monumentos desaparecidos

Em Astorga houve numerosos conventos e hospitais ou albergues para peregrinos, tanto no interior da cidade como nos arredores, devido à importância da localização não só como lugar de passagem a em direção a Santiago de Compostela, mas também como encruzilhada de caminhos. A maioria desses edifícios desapareceu completamente, não restando deles memória de qualquer vestígio. Sabe-se da sua existência pelas descrições existentes em documentos. Em 1872 também desapareceu o castelo, a residência dos marqueses de Astorga, do qual o único vestígio dele é o nome duma rua: calle del Castillo. A documentação histórica pela qual se conhece o património desaparecido são principalmente relatos escritos por viajantes e historiadores de várias áreas que desde o século XVI até ao século XX perpetuaram factos e curiosidades sobre a cidade. Outras fontes fidedignas podem encontra-se nos arquivos conservados pelas confrarias e alguns conventos, em alguns casos doutras localidades, bem como o arquivo da Catedral de Leão. Do património perdido fazem também parte os arquivos municipais e da catedral, destruídos ou perdidos durante a Guerra da Independência, as desamortizações e a Guerra Civil, os quais provavelmente poderiam proporcionar referências sobre os monumentos da cidade desaparecidos.

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Cultura

O idioma falado no município é o espanhol (castelhano), mas até ao século XX eram comuns na fala quotidiana, tanto na cidade e seus arredores como no resto da Maragateria, numerosas formas do leonês que pertenciam à variante ocidental do asturo-leonês. Foneticamente algumas das principais caraterísticas eram a ditongação de /o/ e /e/, a conservação dos ditongos decrescentes, a inflexão da vogal tónica a substituição do /o/ final por /u/ e a conservação do /f-/ inicial latino. No aspeto morfológico, destacavam-se a escassez de prefixos e abundância de sufixos, especialmente os diminutivos. Em relação ao sistema verbal, usavam-se poucos tempos compostos e os pronomes pessoais eram colocados atrás do verbo. Copla em leonês dos pastores para o Dia de Reis. Nos últimos anos, diversas associações, como La Caleya, a Faceira e a Facendera pola Llengua têm desenvolvido trabalhos de defesa e promoção do património linguístico leonês através de várias atividades, como a organização de cursos de língua leonesa, conversas de divulgação e concursos literários. Algumas dessas atividades têm o apoio ou colaboração ou são organizadas pelo Gabinete de Cultura da Junta de Castela e Leão, a Deputação Provincial de Leão, através do Instituto Leonês de Cultura, e o Ayuntamiento de Astorga.

Museus, arquivos e biblioteca

As artes plásticas estão presentes no Museu da Catedral, no Museu dos Caminhos e no Museu da Semana Santa. O primeiro, projetado a partir de 1889 pelo bispo Juan Bautista Grau, foi inaugurado em abril de 1954 com duas salas, quando era bispo Jesús Mérida Pérez. Entre os seus visitantes esteve o futuro Papa João XXIII e o Papa João Paulo II, que lá esteve em 1989 quando estava a caminho de Santiago de Compostela. A reforma de 1982 triplicou o espaço de exposição com incorporação da antiga escola da catedral e a sala capitular. No total tem dez salas de exposição, em dois andares, numa área de 400 m². Nele se conservam e expõe obras litúrgicas e religiosas da catedral.

Artes cénicas e tauromaquia

Entre outros espaços, Astorga dispõe do Teatro Gullón, inaugurado em 1923. Após ter sido encerrado, esteve abandonado durante algum tempo, até que nos anos 1990 foi transformado numa discoteca. Em 2006 o ayuntamiento comprou o imóvel e em 2011 começou a sua reabilitação, que terminou em 20117, quando foi novamente aberto como teatro. A cidade tem um cinema desde os anos 1930, que funciona num edifício que foi um teatro que abriu em 1911. Na cidade têm lugar vários eventos relacionados com as artes cénicas. Durante as festas de Carnaval (realizadas no primeiro fim de semana depois da quarta-feira de cinzas) é organizado o Festival Internacional de Magia, que desde 2004 reúne ilusionistas espanhóis e estrangeiros. Em agosto, durante as festas da padroeira Santa Marta, tem lugar o festival de teatro de rua Ars Via, que dura vários dias nos quais diversas companhias representam espetáculos em vários pontos da cidade. Durante o período natalício, desde 2002 que se realiza em vários locais do centro histórico a representação dum conto histórico adaptado a teatro de rua. O Festival de Cinema de Astorga é realizado em setembro desde 1998. Além dum concurso nacional de curtas-metragens, durante o festival têm lugar várias atividades, como ciclos de cinema, exposições e conferências.

Música

A música é um elemento importante na vida cultural de Astorga, que entre os seus músicos conta com o compositor Evaristo Fernández Blanco (1902–1993), membro da Geração de 27, considerado um precursor do serialismo e autor de Obertura Dramática; Venancio Blanco, que recompilou Las mil y una canciones populares de la región leonesa; Antonio Celada (1930–2010); ou autores de música sacra como José María Álvarez, Manuel Ansola ou González Barrón. Roberto Fresco, organista da Catedral de Madrid em 2020, é natural de Astorga. Na cidade há vários grupos musicais, entre os quais se destaca a Banda Municipal de Música, fundada en 1894 e cujas origens remontam pelo menos a 1841. As restantes formações representam géneros musicais muito variados, que vão desde a música coral ao rock, passando pela música instrumental, celta, etc., além de várias bandas de música que atuam sobretudo na Semana Santa.[carece de fontes?]

Festividades e eventos

Ao longo do ano têm lugar na cidade vários eventos culturais e festivos. Em meados de janeiro, a paróquia de Puerta de Rey celebra a festa de Santo Antão, que incluem procissões e bênção de mascotes. Em fevereiro, a paróquia de São Pedro de Rectivía venera a Virgem da Candelária com uma procissão. No mesmo mês ou no seguinte, em data variável, ocorrem os festejos de Carnaval. Começam no sábado de pinhata, o primeiro depois quarta-feira de cinzas, com um desfile com mais de cem grupos, charangas e carros, e terminam no domingo à noite, com a queima da pinhata. Em meados de abril celebra-se a festa do padroeiro São Turíbio, que desde o início do século XXI é complementada com a Feira do Comércio e um concurso de tapas entre los restaurantes da cidade. Em data variável, em anos de seca, há a tradição de fazer orações durante nove dias na catedral à Virgem de Castrotierra, cuja imagem é trazida em procissão desde o seu santuário, situado a 17 km da cidade. Nessa procissão participam, além dos habitantes da cidade, também os residentes nas comarcas vizinhas, acompanhados pelos pendões das suas localidades. A decisão de fazer a procissão é feita por votação dos Procuradores de la Tierra.

Semana Santa

A Semana Santa em Astorga está classificada como festa de festa de interesse turístico nacional e de interesse regional. Durante a Semana Santa há procissões organizadas pelas oito confrarias e irmandades da cidade e pela Junta Profomento de la Semana Santa, que envolvem 40 andores. A Confraria da Santa Vera Cruz y Confalón é uma das mais antigas da Espanha, sendo a sua existência atestada num documento de 1475; a Confraria de Nuestro Padre Jesús Nazareno y María Santísima de la Soledad foi fundada em 1674; a Arquiconfraria de Nuestra Señora de los Dolores em 1911; a Irmandade de Caballeros del Silencio de Nuestro Padre Jesús em Nazareno em 1926; a Confraria do Bendito Cristo de los Afligidos em 1943; a Confraria da Entrada de Jesús en Jerusalén em 1953; a Irmandade da Santa Cena em 1969; e a Confraria das Damas de la Virgen de la Piedad em 1992.

Atividade cultural

Principalmente desde o século XIX que Astorga se destaca como um centro de cultura. Entre os seus primeiros autores de relevo destacam-se o bispo Sampiro, que entre os séculos X e XI escreveu a “Crónica de Sampiro”, e Juan Lorenzo de Astorga, a quem alguns estudiosos atribuem a autoria do “Livro de Alexandre”, uma biografia em verso de Alexandre Magno do século XIII ou XIV. A Igreja e os seus membros tiveram um papel importante na produção literária. Entre os religiosos ligados a Astorga podem referir-se Alfonso de la Madre de Dios, que publicou a “Chronica de la reforma de su religión” em 1618, Pedro Aingo de Ezpeleta, autor da “Fundación de la Santa, Cathedral Iglesia de la ciudad de Astorga”, de 1634, ou Pedro Junco, que em 1639 publicou a “Fundación, armas y nombres de Astorga”. A estes há que somar a ampla produção documental gerada pela diocese. No século XIX houve vários autores relevantes, como Marcelo Macías ou Francisco Blanco García, autor da “La literatura española en el siglo XIX”, ambos religiosos, os juristas Alfonso de Villadiego, Mateo Martínez Moreda, Manuel García Prieto (cinco vezes primeiro-ministro da Espanha) e Manuel Prieto de Castro, e o editor Andrés Martínez Salazar.[carece de fontes?]

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Fontes consultadas

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