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Astrojildo Pereira

Astrojildo Pereira Duarte Silva foi um ex-anarquista, escritor, jornalista, crítico literário e político brasileiro, fundador do Partido Comunista Brasileiro (PCB), em 1922.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 03/07/2026
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Biografia

Primeiros anos e formação

Astrojildo nasceu na cidade de Rio Bonito, cidade do no interior do estado do Rio de Janeiro, no ano de 1890. Pereira, já na adolescência, migrou para Niterói, lugar onde teve um primeiro contato com um colégio aristocrático, de modo a se relacionar com a capital do estado e entrar em contato com a intensa produção de literatura que acontecia ali. Astrojildo abandonou o colégio aos quinze anos (terceira série do ginásio) ao afirmar que, ali, não lhe ensinavam o que gostaria de fato de aprender, de modo a dedicar-se ao que ele próprio apelidou de "autodidatismo arqui-atabalhoado". Sob a ótica institucional, a escola não lhe conferiu muita importância, mas sim na chance de ter contato com o que havia de mais contemporâneo e proeminente nas esferas políticas e sociais da sociedade na época. Mais precisamente, o colégio lhe aproximou da literatura e apresentou a política. Em 1908, Astrojildo trabalhou como operário gráfico e foi aceito no Ministério da Agricultura.

Anos posteriores

Astrojildo esteve presente na campanha para presidente de Ruy Barbosa, defensor das liberdades liberais, que acabou perdendo a disputa para o general Hermes da Fonseca. A derrota, aliada à agressividade apresentada pelo governo no caso da Revolta da Chibata, tornou Astrojildo um cético em relação à religião e ao Brasil como um todo. Sendo assim, rumou a Paris em 1911, mas tratou de voltar logo em seguida pelas dificuldades enfrentadas. Tais reviravoltas ascendeu de vez o ímpeto anarquista em Pereira, decidido a embarcar na causas operárias em vigor no momento, principalmente no Rio de Janeiro. Em meados de 1910, Astrojildo devotou-se ao anarquismo, de modo que passou a ter uma atuação na intenção de alterar a sociedade do Brasil como um todo, preceito que passou a defender até a sua morte. O anarcossindicalismo - membro do pensamento anarquista marcado por um maior extremismo político e atuação dentro dos próprios sindicatos - imperava em meio ao movimento operário nas décadas iniciais do século XX, de modo que Astrojildo passou a se encontrar mergulhado no âmbito dos trabalhadores. O intelectual participou ativamente para a consolidação da imprensa operária, tendo escrito artigos, até 1920, que informavam a classe operária a respeito de fatos ocorridos em ativações industriais e que buscavam a organização da classe trabalhadora para a revolução social. Astrojildo, inclusive, elaborava os Congressos de Trabalhadores, manifestações e greves que o credenciavam como uma referência automática no universo proletariado no Brasil.

A influência da Revolução Russa e a inclinação ao comunismo

O ano de 1917 mostrou-se profético da trajetória que Astrojildo traçaria pelo resto de sua vida. A Revolução Russa de 1917 pode ser analisada como o maior estopim para uma ideologia em seu percurso, tendo em vista que, por meio dela, ele se abriu para novos horizontes de pensamento, encontrando uma bandeira que defenderia até a morte, além de aplicar uma nova prática política, de modo a questionar sua trajetória até ali. A partir daí, Astrojildo optou por romper com seus aliados e com as ideias que defendia tão veementemente até então. Astrojildo descrevia a Revolução Russa como: [...] fundamentalmente econômica na sua origem e nos seus fins, acentuadamente libertária nos seus meios e processos e na direção – [...] que veio ensinar aos revolucionários, aos povos de todas as nações, a única fórmula moderna de eficácia destrutiva [...] capaz de realmente operar uma transformação social profunda.

A construção do Partido Comunista Brasileiro e os líderes intelectuais

Uma vez articulado o Grupo Comunista do Rio de Janeiro, Astrojildo Pereira tratou de falar com diversos centros ligados à mesma ideologia que se encontravam difusos pelo Brasil, de modo a divulgar as clausulas da 3a Internacional Comunista (IC) para a formação de novos grupos comunistas, o que ocorreu. Houve neste momento, também, a criação do primeiro periódico comunista do Brasil, o que representou mais um aceno rumo ao bolchevismo no país, chamado Movimento Comunista, em 1922. Astrojildo foi nomeado redator principal, sendo o Grupo Comunista do Rio de Janeiro o responsável pela sua edição. Astrojildo atuou de forma incisiva na construção do PCB, abordando um discurso que apontava para a elaboração da pátria. Sua retórica foi importante nos exacerbados debates da época, contribuindo para o processo de divisão entre anarcossindicalismo e comunismo. A instauração do PCB marcou uma jornada ideológica em direção ao comunismo, situada num contexto de retrocesso da causa proletária, marcado por um acentuado fracasso da luta operária de cunho anarquista no país.

O afastamento da direção do PCB e a consolidação do intelectual

Como consequência dessa nova ordem, o primeiro grupo comandando do Partido Comunista Brasileiro foi destituído, incluindo Astrojildo Pereira. Ele foi afastado de sua função em 1930, e os conceitos rotulados como “astrojidismo” foram, assim, considerados desvios ideológicos, fazendo com que seguisse o mesmo caminho de muitos intelectuais do período rumo à marginalização. Foi a partir desse fenômeno que aconteceu a proletarização do PCB, de modo que a ascensão da classe trabalhadora tomou conta da direção do partido, culminando no afastamento dos intelectuais, que se encontraram, agora, afundados no ostracismo. Inerente à Revolução de 1930 e aos demais eventos no Brasil, o Partido Comunista Brasileiro se viu imóvel e enfraquecido. Os desdobramentos dessa nova diretriz do PCB levaram o partido a uma intensa crise, agravada por uma rígida coibição do Estado e por direta intervenção externa. A própria atuação de Astrojildo dentro do partido já se encontrava desgastada ao final da década de 1920. Em contraponto ao prestígio do qual gozava quando ajudou a fundar a sigla, ele agora sofria com a conturbada relação entre o intelectual e as normas partidárias e com a crise no partido estimulada pela atuação direta da Internacional Comunista, que tinha um novo modo de atuação focada no Estado Soviético não apenas como um trampolim impulsionador da revolução no mundo todo, mas como articulador solo do movimento em escala internacional.

Ditadura Militar de 1964

Foi preso pela Ditadura militar brasileira em outubro de 1964, no mesmo ano do golpe de estado após seu nome e de outros membros do PCB, do Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISBE) e da mídia comunista terém sido entregue aos militares. No dossiê sobre Astrojildo, estavam listados o fato de ter sido um dos fundadores do partido e sua ligação com Luís Carlos Prestes - um dos maiores líderes da esquerda brasileira. Na prisão, seus problemas cardíacos aumentaram e foi levado para o Hospital da Polícia Militar do Rio de Janeiro. Por meio de um Habeas corpus em janeiro de 1965, foi liberado da prisão e a imprensa disse que considerava-se um "marxista convicto".

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Morte

Com problemas cardíacos agravados na cadeia pela Ditadura, seu quadro clínico foi agravando-se e morreu em 20 de novembro de 1965, no Rio de Janeiro e sendo sepultado na cidade de Niterói.

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Legado

Imagem: Fillipe de Freitas · BY-SA · Openverse

Documentação em Milão

Seu arquivo, com livros e documentos, está resguardado no Arquivo Histórico do Movimento Operário Brasileiro localizado em Milão, na Itália desde o ano de 1979.

Fundação Astrojildo Pereira

No ano de 2000, o Partido Popular Socialista (PPS), fundou a Fundação Astrojildo Pereira (FAP), centro de documentação e arquivo político localizado na cidade de Brasília que garante uma vasta documentação política da história brasileira. A instituição, atualmente associada ao Cidadania, é aberta a pesquisadores e a cidadãos civis. A Fundação ainda garante o debate sobre política nacional e publicações de periódicos científicos.

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