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Socialismo

Socialismo é uma filosofia política, social e econômica que abrange uma gama de sistemas econômicos e sociais caracterizados pela propriedade social dos meios de produção. Inclui as teorias políticas e movimentos associados a tais sistemas. A propriedade social pode ser pública, coletiva, cooperativa ou patrimonial. Embora nenhuma definição única englobe os muitos tipos de socialismo, a propriedade social é o elemento comum. Os tipos de socialismo variam com base no papel dos mercados e do planejamento na alocação de recursos e na estrutura de gestão das organizações. Os socialistas discordam sobre se o governo, particularmente o governo existente, é o veículo correto para a mudança.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 14/07/2026
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Etimologia

Para Andrew Vincent, “a palavra 'socialismo' encontra sua raiz no latim sociare, que significa combinar ou compartilhar. O termo relacionado, mais técnico na lei romana e depois na medieval, era societas. Esta última palavra pode significar companheirismo, bem como a ideia mais legalista de um contrato consensual entre homens livres". O uso inicial do termo socialismo foi reivindicado por Pierre Leroux, que alegou ter usado o termo pela primeira vez no jornal parisiense Le Globe em 1832. Com o sentido oposto a 'individualismo', interessado em reformas sociais, mas sem significado mais preciso. Leroux foi um seguidor de Henri de Saint-Simon, um dos fundadores do que mais tarde seria rotulado de socialismo utópico. O socialismo contrastava com a doutrina liberal do individualismo que enfatizava o valor moral do indivíduo enquanto enfatizava que as pessoas agem ou deveriam agir como se estivessem isoladas umas das outras. Os socialistas utópicos originais condenaram esta doutrina do individualismo por não abordar as preocupações sociais durante a Revolução Industrial, como pobreza, opressão e vasta desigualdade de riqueza. Eles viam sua sociedade como algo que prejudica a vida da comunidade ao basear a existência humana na competição. Eles apresentaram o socialismo como uma alternativa ao individualismo liberal baseado na propriedade compartilhada de recursos. Saint-Simon propôs o planejamento econômico, a administração científica e a aplicação da compreensão científica à organização da sociedade. Em contraste, Robert Owen propôs organizar a produção e a propriedade por meio de cooperativas. O socialismo também é atribuído na França a Marie Roch Louis Reybaud, enquanto no Reino Unido é associado a Owen, que se tornou um dos pais do movimento cooperativo. O termo se tornou corrente na década de 1840 e militantes, como Victor Considerant, usavam o termo para indicar um programa de reforma social radical antagônico à economia liberal.

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História

Socialismo primitivo

Modelos e ideias socialistas que defendem a propriedade comum ou pública existem desde a Antiguidade. A economia do Império Máuria da Índia do século III a.C., uma monarquia absoluta, foi descrita por alguns estudiosos como "uma monarquia socializada" e "uma espécie de socialismo estatal" devido à "nacionalização das indústrias". Outros estudiosos sugeriram que elementos do pensamento socialista estavam presentes na política dos filósofos gregos clássicos Platão e Aristóteles. Mazaces, o Jovem (morreu por volta de 524 ou 528 d.C.), um proto-socialista comunal persa, instituiu as posses comunais e defendeu o bem público. Abu Dharr al-Ghifari, um companheiro de Maomé, é creditado por vários autores como o principal antecedente do socialismo islâmico. Os ensinamentos de Jesus são frequentemente descritos como socialistas, especialmente por socialistas cristãos. Atos 4:35: registra que na igreja primitiva em Jerusalém "ninguém alegava que qualquer uma de suas posses era sua", embora o padrão logo desapareça da história da igreja, exceto dentro do monaquismo. O socialismo cristão foi um dos fios fundadores do Partido Trabalhista britânico e afirma-se que começou com a revolta de Wat Tyler e John Ball no século XIV. Após a Revolução Francesa, ativistas e teóricos como François-Noël Babeuf, Étienne-Gabriel Morelly, Philippe Buonarroti e Auguste Blanqui influenciaram os primeiros movimentos trabalhistas e socialistas franceses. No Reino Unido, Thomas Paine propôs um plano detalhado para tributar proprietários de propriedades para pagar pelas necessidades dos pobres na obra Justiça Agrária enquanto Charles Hall escreveu Os efeitos da civilização sobre as pessoas nos Estados europeus, denunciando os efeitos do capitalismo sobre os pobres de seu tempo. Este trabalho influenciou os esquemas utópicos de Thomas Spence.

Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT)

Em 1864, a Associação Internacional dos Trabalhadores foi fundada em Londres. Ele uniu diversas correntes revolucionárias, incluindo socialistas como os seguidores franceses de Proudhon, blanquistas, philadelphes, sindicalistas ingleses e social-democratas. Em 1865 e 1866, realizou uma conferência preliminar e teve seu primeiro congresso em Genebra, respectivamente. Devido à sua grande variedade de filosofias, conflitos eclodiram imediatamente. As primeiras objeções a Marx vieram dos mutualistas que se opunham ao socialismo estatal. Pouco depois de Mikhail Bakunin e seus seguidores se unirem em 1868, a AIT polarizou-se em campos chefiados por Marx e Bakunin. As diferenças mais claras entre os grupos emergiram sobre suas estratégias propostas para alcançar suas visões. A AIT se tornou o primeiro grande fórum internacional para a promulgação das ideias socialistas.

Segunda Internacional

À medida que as ideias de Marx e Engels foram ganhando aceitação, particularmente na Europa central, os socialistas buscaram se unir em uma organização internacional. Em 1889 (centenário da Revolução Francesa), foi fundada a Segunda Internacional, com 384 delegados de vinte países, representando cerca de 300 organizações sindicais e socialistas. Foi denominada Internacional Socialista e Engels foi eleito presidente honorário no terceiro congresso em 1893. Os anarquistas foram banidos, principalmente devido à pressão dos marxistas. Tem-se argumentado que em algum ponto a Segunda Internacional se transformou "em um campo de batalha sobre a questão do socialismo libertário versus o autoritário. Eles não apenas se apresentaram efetivamente como defensores dos direitos das minorias; eles também provocaram os marxistas alemães a demonstrarem uma intolerância ditatorial que foi um fator que impediu o movimento trabalhista britânico de seguir a direção marxista indicada por líderes como H. M. Hyndman".

Início do século XX

Na Argentina, o Partido Socialista da Argentina foi estabelecido na década de 1890, liderado por Juan B. Justo e Nicolás Repetto, entre outros. Foi o primeiro partido político no país e na América Latina. O partido se filiou à Segunda Internacional. Entre 1924 e 1940, foi membro do Internacional Operária e Socialista. Em 1904, os australianos elegeram Chris Watson como o primeiro primeiro-ministro australiano do Partido Trabalhista, tornando-se o primeiro socialista eleito democraticamente. Em 1909, o primeiro kibutz foi estabelecido na Palestina por imigrantes judeus russos. O Movimento Kibutz se expandiu ao longo do século XX seguindo uma doutrina do socialismo sionista. O Partido Trabalhista britânico conquistou pela primeira vez cadeiras na Câmara dos Comuns em 1902. A Comissão Socialista Internacional foi formada em fevereiro de 1919 em uma reunião em Berna por partidos que desejavam ressuscitar a Segunda Internacional.

Meados do século XX

A Quarta Internacional de Trotsky foi estabelecida na França em 1938 quando os trotskistas argumentaram que o Comintern ou Terceira Internacional havia se tornado irremediavelmente "perdido para o stalinismo" e, portanto, incapaz de conduzir a classe trabalhadora ao poder. A ascensão do nazismo e o início da Segunda Guerra Mundial levaram à dissolução do Internacional Operária e Socialista em 1940. Após a guerra, a Internacional Socialista foi formada em Frankfurt em julho de 1951 como sua sucessora. Após a Segunda Guerra Mundial, os governos social-democratas introduziram reformas sociais e redistribuição de riqueza por meio da previdência e da tributação. Os partidos social-democratas dominaram a política do pós-guerra em países como França, Itália, Tchecoslováquia, Bélgica e Noruega. A certa altura, a França afirmou ser o país capitalista mais controlado pelo Estado do mundo. Ela nacionalizou vários serviços públicos, incluindo Charbonnages de France (CDF), Électricité de France (EDF), Gaz de France (GDF), Air France, Banque de France e Régie Nationale des Usines Renault.

Final do século XX

Na década de 1960, uma tendência socialista dentro da Igreja Católica latino-americana apareceu e ficou conhecida como teologia da libertação Isso motivou o padre colombiano Camilo Torres Restrepo a entrar na guerrilha doELN. No Chile, Salvador Allende, médico e candidato pelo Partido Socialista, foi eleito presidente em 1970. Em 1973, seu governo foi derrubado pela ditadura militar de Augusto Pinochet, apoiada pelos Estados Unidos, que durou até o final dos anos 1980. O regime de Pinochet era o líder da Operação Condor, uma campanha de repressão e de terrorismo de Estado apoiada pelos Estados Unidos, realizada pelos serviços de inteligência dos países do Cone Sul da América Latina para eliminar a suposta subversão comunista." Na Jamaica, o socialista democrático Michael Manley serviu como quarto primeiro-ministro jamaicano de 1972 a 1980 e de 1989 a 1992. De acordo com pesquisas de opinião, ele continua sendo um dos primeiros-ministros mais populares da Jamaica desde a independência. A Revolução da Nicarágua englobou a crescente oposição à ditadura de Somoza nas décadas de 1960 e 1970, a campanha liderada pela Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) para derrubar violentamente a ditadura em 1978-1979, os esforços subsequentes da FSLN para governar a Nicarágua a partir de 1979 até 1990 e as medidas socialistas que incluíram reforma agrária e programas educacionais. O Governo Revolucionário do Povo foi proclamado em 13 de março de 1979 em Granada, mas foi derrubado pelas Forças Armadas dos Estados Unidos em 1983. A Guerra Civil Salvadorenha (1979-1992) foi um conflito entre o governo militar de El Salvador e a Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN), uma coalizão ou organização guarda-chuva de cinco grupos guerrilheiros socialistas. Um golpe em 15 de outubro de 1979 levou à matança de manifestantes anti-golpe pelo governo, bem como manifestantes anti-desordem pela guerrilha, e é amplamente visto como o ponto de inflexão para a guerra civil.

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Política socialista contemporânea

A Aliança Progressiva é uma internacional política fundada em 22 de maio de 2013 por partidos políticos, a maioria dos quais são atuais ou ex-membros da Internacional Socialista. A organização afirma o objetivo de se tornar a rede global do "movimento progressista, democrático, social-democrata, socialista e operário".

África

O socialismo africano foi e continua a ser uma ideologia importante em todo o continente. Julius Nyerere foi inspirado pelos ideais socialistas fabianos. Ele acreditava firmemente nos africanos rurais e em suas tradições e no ujamaa, um sistema de coletivização que, segundo Nyerere, estava presente antes do imperialismo europeu. Essencialmente, ele acreditava que os africanos já eram socialistas. Outros socialistas africanos incluem Jomo Kenyatta, Kenneth Kaunda, Nelson Mandela e Kwame Nkrumah. Fela Kuti foi inspirado pelo socialismo e clamou por uma república africana democrática. Na África do Sul, o Congresso Nacional Africano (ANC) abandonou suas alianças socialistas parciais após assumir o poder e seguiu uma rota neoliberal padrão. De 2005 a 2007, o país foi devastado por milhares de protestos de comunidades pobres. Um deles deu origem a um movimento em massa de moradores de barracos, o Abahlali baseMjondolo, que, apesar da grande repressão policial, continua trabalhando para o planejamento popular e contra a criação de uma economia de mercado em terras e moradias.

Ásia

Na Ásia, os Estados com economias socialistas — como a República Popular da China, Coreia do Norte, Laos e Vietnã — se afastaram amplamente do planejamento econômico centralizado no século XXI, colocando uma ênfase maior nos mercados, como a economia de mercado socialista chinesa e a economia de mercado orientada para o socialismo vietnamita. Eles usam modelos de gestão corporativa de propriedade estatal em oposição à modelagem de empresa socialista em estilos de gestão tradicionais empregados por agências governamentais. Na China, os padrões de vida continuaram a melhorar rapidamente, apesar da recessão do final dos anos 2000, mas o controle político centralizado permaneceu rígido. Brian Reynolds Myers em seu livro The Cleanest Race, posteriormente apoiado por outros acadêmicos, rejeita a ideia de que Juche é a ideologia líder da Coreia do Norte, considerando sua exaltação pública como destinada a enganar os estrangeiros, apontando que constituição norte-coreana de 2009 omite qualquer menção ao comunismo.

Europa

O Relatório Mundial de Felicidade de 2013 das Nações Unidas mostra que as nações mais felizes estão concentradas no norte da Europa, onde o modelo nórdico é empregado, com a Dinamarca no topo da lista. Isso às vezes é atribuído ao sucesso do modelo nórdico na região que foi rotulada de social-democrata em contraste com o modelo continental conservador e o modelo liberal anglo-americano. Os países nórdicos se classificaram em primeiro lugar nas métricas de PIB real per capita, expectativa de vida, liberdade para fazer escolhas, generosidade e baixa corrupção. Os objetivos do Partido Socialista Europeu (PSE), bloco socialista e social-democrata do Parlamento Europeu, passam agora a «prosseguir objetivos internacionais no respeito dos princípios em que se baseia a União Europeia, nomeadamente os princípios da liberdade, igualdade, solidariedade, democracia, respeito dos Direitos do Homem e das Liberdades Fundamentais e do respeito pelo Estado de Direito”. Como resultado, hoje o grito de guerra da Revolução Francesa — Liberté, égalité, fraternité — é promovido como valores socialistas essenciais. À esquerda do PSE a nível europeu está o Partido da Esquerda Europeia (PEL), também comumente abreviado como "Esquerda Europeia"), que é um partido político a nível europeu e uma associação de socialistas democratas, socialistas e partidos políticos na União Europeia e em outros países europeus. Foi formada em Janeiro de 2004 com o objetivo de concorrer nas eleições parlamentares europeias de 2004. A PEL foi fundada de 8 a 9 de maio de 2004 em Roma. Os eurodeputados eleitos de partidos membros da Esquerda Europeia fazem parte do grupo Esquerda Unitária Europeia/Esquerda Nórdica Verde no Parlamento Europeu.

América do Norte

De acordo com um artigo de 2013 no The Guardian, "contrariamente à crença popular, os estadunidenses não têm uma alergia inata ao socialismo. Milwaukee teve vários prefeitos socialistas (Frank Zeidler, Emil Seidel e Daniel Hoan) e atualmente há um socialista independente no Senado dos Estados Unidos, Bernie Sanders de Vermont". Sanders, que já foi prefeito da maior cidade de Vermont, Burlington, se descreveu como um socialista democrático e elogiou a social-democracia de estilo escandinavo. Em 2016, Sanders concorreu à presidência como candidato do Partido Democrata, ganhando assim considerável apoio popular, principalmente entre a geração mais jovem, mas perdeu a indicação para Hillary Clinton. Em 2019, os Socialistas Democratas da América tinham dois membros no Congresso e vários membros em legislaturas estaduais e conselhos municipais. De acordo com uma pesquisa da Gallup feita em 2018, 37% dos estadunidenses adultos têm uma visão positiva do socialismo, incluindo 57% dos eleitores com tendência democrata e 16% dos eleitores com tendência republicana. Uma pesquisa YouGov de 2019 descobriu que 7 em cada 10 millennials votariam em um candidato presidencial socialista e 36% tinham uma visão favorável do comunismo. Uma pesquisa anterior da Harris feita em 2019 descobriu que o socialismo é mais popular entre as mulheres do que os homens, com 55% das mulheres entre 18 e 54 anos preferindo viver em uma sociedade socialista, enquanto a maioria dos homens pesquisados escolheu o capitalismo ao invés do socialismo.

América Latina e Caribe

Para a Enciclopédia Britânica, “a tentativa de Salvador Allende de unir marxistas e outros reformadores em uma reconstrução socialista do Chile é mais representativa da direção que os socialistas latino-americanos tomaram desde o final do século XX. [...] Vários líderes socialistas (ou de tendência socialista) seguiram o exemplo de Allende ao ganhar a eleição para cargos públicos em países latino-americanos". O sucesso do Partido dos Trabalhadores no Brasil, formado em 1980 e que governou o país de 2003 a 2016, foi o primeiro grande avanço para essa tendência. O Foro de São Paulo é uma conferência de partidos políticos de esquerda e outras organizações da América Latina e do Caribe. Foi lançado pelo Partido dos Trabalhadores em 1990 na cidade de São Paulo, após o PT se aproximar de outros partidos e movimentos sociais da América Latina e do Caribe com o objetivo de debater o novo cenário internacional após a queda do Muro de Berlim e das consequências da implementação do que foram tidas como políticas neoliberais adotadas na época por governos contemporâneos de direita na região, sendo o objetivo principal declarado da conferência argumentar por alternativas ao neoliberalismo. Entre seus membros estavam partidos socialistas e social-democratas no governo da região, como o Movimento ao Socialismo da Bolívia, o Partido Comunista de Cuba, a Aliança PAIS do Equador, o Partido Socialista Unido da Venezuela, o Partido Socialista do Chile, a Frente Ampla do Uruguai, a Frente Sandinista de Libertação Nacional da Nicarágua, a Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional em El Salvador e membros da Frente de Todos da Argentina.

Oceania

A Austrália viu um aumento no interesse pelo socialismo no início do século XXI, especialmente entre os jovens. É mais forte em Victoria, onde três partidos socialistas se fundiram nos Socialistas Vitorianos, que visam resolver os problemas de habitação e transporte público. Na Nova Zelândia, o socialismo emergiu dentro do movimento sindical emergente durante o final do século XIX e início do século XX. Em julho de 1916, várias organizações políticas de esquerda e sindicatos se fundiram para formar o Partido Trabalhista da Nova Zelândia. Enquanto o Trabalhismo tinha tradicionalmente uma orientação socialista, o partido mudou para uma orientação mais social-democrata durante as décadas de 1920 e 1930. Após as eleições gerais de 1935, o Primeiro Governo Trabalhista perseguiu políticas socialistas como a nacionalização da indústria, radiodifusão, transporte e implementação de um estado de bem-estar social keynesiano. No entanto, o partido não buscou a abolição do capitalismo, ao invés disso, optou por uma economia mista. O estado de bem-estar e a economia mista do trabalhismo não foram desafiados até a década de 1980. Durante a década de 1980, o Quarto Governo Trabalhista implementou uma série de reformas econômicas neoliberais conhecidas como Rogernomics, que viram a sociedade da Nova Zelândia e a economia mudarem para um modelo de mercado mais livre. O abandono do Partido Trabalhista de seus valores tradicionais fragmentou o partido. Sucessivos governos trabalhistas desde então perseguiram políticas sociais e econômicas de centro-esquerda, enquanto mantinham uma economia de mercado livre. A atual primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, atuou anteriormente como presidente da União Internacional da Juventude Socialista. Ardern é um social-democrata que criticou o capitalismo como um "fracasso flagrante" devido aos altos níveis de falta de moradia e baixos salários. A Nova Zelândia ainda tem uma pequena cena socialista, dominada principalmente por grupos trotskistas.

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Teoria social e política

O pensamento socialista inicial teve influências de uma ampla gama de filosofias, como republicanismo cívico, racionalismo iluminista, romantismo, formas de materialismo, cristianismo (católico e protestante), lei natural e teoria dos direitos naturais, utilitarismo e economia política liberal. Outra base filosófica para muito do socialismo inicial foi o surgimento do positivismo durante o Iluminismo europeu. O positivismo afirmava que tanto o mundo natural quanto o social podiam ser compreendidos por meio do conhecimento científico e analisados por meio de métodos científicos. Essa perspectiva central influenciou os primeiros cientistas sociais e diferentes tipos de socialistas, desde anarquistas como Peter Kropotkin a tecnocratas como Saint Simon. O objetivo fundamental do socialismo é atingir um nível avançado de produção material e, portanto, maior produtividade, eficiência e racionalidade em comparação com o capitalismo e todos os sistemas anteriores, sob a perspectiva de que uma expansão da capacidade produtiva humana é a base para a extensão da liberdade e igualdade na sociedade. Muitas formas de teoria socialista sustentam que o comportamento humano é amplamente moldado pelo ambiente social. Em particular, o socialismo afirma que costumes sociais, valores, traços culturais e práticas econômicas são criações sociais e não o resultado de uma lei natural imutável. O objeto de sua crítica não é, portanto, a avareza humana ou a consciência humana, mas as condições materiais e os sistemas sociais feitos pelo homem (isto é, a estrutura econômica da sociedade) que dá origem aos problemas sociais observados e às ineficiências. Bertrand Russell, frequentemente considerado o pai da filosofia analítica, é identificado como socialista. Russell se opôs aos aspectos da luta de classes do marxismo, vendo o socialismo apenas como um ajuste das relações econômicas para acomodar a produção da máquina moderna para beneficiar toda a humanidade por meio da redução progressiva do tempo de trabalho necessário.

Crítica ao capitalismo

Os socialistas argumentam que a acumulação de capital gera desperdício por meio de externalidades que exigem medidas regulatórias corretivas caras. Eles também apontam que esse processo gera indústrias e práticas desperdiçadoras que existem apenas para gerar demanda suficiente para que produtos, como propaganda de alta pressão, sejam vendidos com lucro, criando assim, em vez de satisfação, demanda econômica. Os socialistas argumentam que o capitalismo consiste em atividade irracional, como a compra de mercadorias apenas para vender mais tarde, quando seu preço se valorizar, ao invés de para o consumo, mesmo que a mercadoria não possa ser vendida com lucro para indivíduos em necessidade e, portanto, um fator crucial da crítica frequentemente feita pelos socialistas é que "ganhar dinheiro", ou acumular de capital, não corresponde à satisfação da demanda (a produção de valores de uso). O critério fundamental para a atividade econômica no capitalismo é a acumulação de capital para reinvestimento na produção, mas isso estimula o desenvolvimento de novas indústrias não produtivas que não produzem valor de uso e existem apenas para manter o processo de acumulação à tona (caso contrário, o sistema entra em crise), como a disseminação do setor financeiro, contribuindo para a formação de bolhas econômicas.

Marxismo

Em certo estágio de desenvolvimento, as forças produtivas materiais da sociedade entram em conflito com as relações de produção existentes ou — isso apenas expressa a mesma coisa em termos jurídicos — com as relações de propriedade no âmbito das quais operaram até agora. Então começa uma era de revolução social. As mudanças na base econômica levam, mais cedo ou mais tarde, à transformação de toda a imensa superestrutura. —Karl Marx, Crítica ao Programa de Gotha Karl Marx e Friedrich Engels argumentaram que o socialismo emergiria da necessidade histórica à medida que o capitalismo se tornasse obsoleto e insustentável por causa das crescentes contradições internas decorrentes do desenvolvimento das forças produtivas e da tecnologia. Foram esses avanços nas forças produtivas combinados com as velhas relações sociais de produção do capitalismo que geraram contradições, levando à consciência da classe trabalhadora.

Papel do Estado

Os socialistas assumiram diferentes perspectivas sobre o Estado e o papel que ele deve desempenhar nas lutas revolucionárias, na construção do socialismo e dentro de uma economia socialista estabelecida. No século XIX, a filosofia do socialismo estatal foi explicitamente exposta pela primeira vez pelo filósofo político alemão Ferdinand Lassalle. Em contraste com a perspectiva de Estado de Karl Marx, Lassalle rejeitou o conceito de Estado como uma estrutura de poder baseada em classes, cuja principal função era preservar as estruturas de classes existente. Lassalle também rejeitou a visão marxista de que o Estado estava destinado a "definhar". Lassalle considerava o Estado uma entidade independente das lealdades de classe e um instrumento de justiça que seria, portanto, essencial para alcançar o socialismo.

Utópico versus científico

Socialismo utópico é um termo usado para definir as primeiras correntes do pensamento socialista moderno, exemplificado pela obra de Henri de Saint-Simon, Charles Fourier e Robert Owen, que inspirou Karl Marx e outros socialistas antigos. No entanto, as visões de sociedades ideais imaginárias, que competiam com os movimentos social-democratas revolucionários, eram vistas como não sendo baseadas nas condições materiais da sociedade e como reacionárias. Embora seja tecnicamente possível que qualquer conjunto de ideias ou qualquer pessoa que viva em qualquer momento da história seja um socialista utópico, o termo é mais frequentemente aplicado aos socialistas que viveram no primeiro quarto do século XIX aos quais foi atribuído o rótulo "utópico" pelos socialistas posteriores como um termo negativo, a fim de implicar ingenuidade e descartar suas ideias como fantasiosas ou irrealistas.

Reforma versus revolução

Os socialistas revolucionários acreditam que uma revolução social é necessária para efetuar mudanças estruturais na estrutura socioeconômica da sociedade. Entre os socialistas revolucionários, existem diferenças de estratégia, teoria e definição de revolução. Os marxistas ortodoxos e os comunistas de esquerda assumem uma postura impossibilista, acreditando que a revolução deve ser espontânea como resultado das contradições da sociedade devido às mudanças tecnológicas nas forças produtivas. Lenin teorizou que sob o capitalismo os trabalhadores não podem alcançar a consciência de classe além de se organizar em sindicatos e fazer demandas aos capitalistas. Portanto, os leninistas defendem que é historicamente necessário para uma vanguarda de revolucionários com consciência de classe assumir um papel central na coordenação da revolução social para derrubar o estado capitalista e, eventualmente, a instituição do estado por completo. A revolução não é necessariamente definida pelos socialistas revolucionários como uma insurreição violenta, mas como um desmantelamento completo e uma transformação rápida de todas as áreas da sociedade de classes lideradas pela maioria das massas: a classe trabalhadora.

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Economia

A anarquia econômica da sociedade capitalista como existe hoje é, em minha opinião, a verdadeira fonte do mal. [...] Estou convencido de que só há uma maneira de eliminar esses graves males, a saber, através do estabelecimento de uma economia socialista, acompanhada por um sistema educacional que seria orientado para fins sociais. Em tal economia, os meios de produção são propriedade da própria sociedade e são utilizados de forma planejada. Uma economia planejada, que ajusta a produção às necessidades da comunidade, distribuiria o trabalho a ser feito entre todos os que podem trabalhar e garantiria o sustento de cada homem, mulher e criança. A educação do indivíduo, além de promover suas próprias habilidades inatas, tentaria desenvolver nele um senso de responsabilidade por seus semelhantes, em lugar da glorificação do poder e do sucesso em nossa sociedade atual. —Albert Einstein, "Why Socialism?", 1949

Economia planejada

Uma economia planejada é um tipo de economia que consiste em uma mistura de propriedade pública dos meios de produção e a coordenação da produção e distribuição por meio do planejamento econômico. Uma economia planejada pode ser descentralizada ou centralizada. Enrico Barone forneceu uma estrutura teórica abrangente para uma economia socialista planejada. Em seu modelo, assumindo técnicas de computação perfeitas, equações simultâneas relacionando entradas e saídas a razões de equivalência forneceriam avaliações apropriadas para equilibrar oferta e demanda. O exemplo mais proeminente de uma economia planejada foi o sistema econômico soviético e, como tal, o modelo econômico de planejamento centralizado é geralmente associado aos Estados comunistas do século XX, onde foi combinado com um sistema político de partido único. Em uma economia planejada centralmente, as decisões relativas à quantidade de bens e serviços a serem produzidos são planejadas com antecedência por uma agência de planejamento. Os sistemas econômicos da União Soviética e do Bloco de Leste são ainda classificados como "economias de comando", que são definidas como sistemas onde a coordenação econômica é realizada por comandos, diretivas e metas de produção. Estudos feitos por economistas de várias convicções políticas sobre o funcionamento real da economia soviética indicam que ela não era realmente uma economia planejada. Em vez de um planejamento consciente, a economia soviética baseou-se em um processo pelo qual o plano foi modificado por agentes localizados e os planos originais não eram cumpridos. Agências de planejamento, ministérios e empresas se adaptavam e negociavam uns com os outros durante a formulação do plano, em oposição a seguir um plano transmitido por uma autoridade superior, levando alguns economistas a sugerir que o planejamento não ocorreu realmente dentro da economia soviética e que uma descrição melhor seria uma economia "administrada" ou "gerenciada".

Economia autogerida

O socialismo, você vê, é um pássaro com duas asas. A definição é 'propriedade social e controle democrático dos instrumentos e meios de produção'. Uma economia autogerida e descentralizada é baseada em unidades econômicas autônomas e autorreguladas e em um mecanismo descentralizado de alocação de recursos e tomada de decisões. Este modelo encontrou apoio em notáveis economistas clássicos e neoclássicos, incluindo Alfred Marshall, John Stuart Mill e Jaroslav Vanek. Existem inúmeras variações de autogestão, incluindo firmas gerenciadas por mão de obra e firmas gerenciadas por trabalhadores. Os objetivos da autogestão são eliminar a exploração e reduzir a alienação. O socialismo de guildas é um movimento político que defende o controle operário da indústria por meio de guildas relacionadas ao comércio "em uma relação contratual implícita com o público". Originou-se no Reino Unido e teve sua maior influência no primeiro quarto do século XX. Foi fortemente associado a G. D. H. Cole e influenciado pelas ideias de William Morris.

Economia dirigida pelo Estado

O socialismo estatal pode ser usado para classificar qualquer variedade de filosofias socialistas que defendem a propriedade dos meios de produção pelo aparelho de estatal, seja como um estágio de transição entre o capitalismo e o socialismo, ou como um objetivo final em si mesmo. Normalmente, refere-se a uma forma de gestão tecnocrática, em que especialistas técnicos administram ou gerenciam empresas econômicas em nome da sociedade e do interesse público, em vez de conselhos de trabalhadores ou da democracia no local de trabalho. Uma economia dirigida pelo Estado pode se referir a um tipo de economia mista que consiste na propriedade pública sobre grandes indústrias, conforme promovido por vários partidos políticos social-democratas durante o século XX. Essa ideologia influenciou as políticas do Partido Trabalhista britânico durante a administração de Clement Attlee. Na biografia do primeiro-ministro do Partido Trabalhista do Reino Unido de 1945, Clement Attlee, Francis Beckett afirma: "O governo [...] queria o que se tornaria conhecido como economia mista".

Socialismo de mercado

O socialismo de mercado consiste em empresas de propriedade pública ou cooperativa operando em uma economia de mercado. É um sistema que utiliza os preços de mercado e monetários para a alocação e contabilização dos meios de produção, retendo assim o processo de acumulação de capital. O lucro gerado seria usado para remunerar diretamente os funcionários, sustentar coletivamente a empresa ou financiar instituições públicas. Nas formas de socialismo de mercado orientadas pelo Estado, em que as empresas estatais tentam maximizar o lucro, os lucros podem ser usados para financiar programas e serviços do governo por meio de um dividendo social, eliminando ou diminuindo muito a necessidade de várias formas de tributação que existem nos sistemas capitalistas. O economista neoclássico Léon Walras acreditava que uma economia socialista baseada na propriedade estatal da terra e dos recursos naturais proporcionaria um meio de financiamento público para tornar os impostos de renda desnecessários. A Iugoslávia implementou uma economia socialista de mercado baseada em cooperativas e na autogestão dos trabalhadores.

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Política

Embora os principais movimentos políticos socialistas incluam anarquismo, comunismo, movimento trabalhista, marxismo, social-democracia e sindicalismo, teóricos socialistas independentes, autores socialistas utópicos e defensores acadêmicos do socialismo podem não estar representados nesses movimentos. Alguns grupos políticos se autodenominam socialistas, embora sustentem pontos de vista que alguns consideram antitéticos ao socialismo. O termo socialista também foi usado por alguns políticos da direita política como um epíteto contra certos indivíduos que não se consideram socialistas e contra políticas que não são consideradas socialistas por seus proponentes. Existem muitas variações de "socialismo" e, como tal, não existe uma definição única que englobe todo o socialismo. No entanto, houve elementos comuns identificados por estudiosos. Em Dictionary of Socialism (1924), Angelo S. Rappoport analisou quarenta definições de socialismo para concluir que os elementos comuns do socialismo incluem a crítica geral dos efeitos sociais da propriedade privada e do controle do capital — como sendo a causa da pobreza, dos baixos salários, do desemprego, da desigualdade econômica e social e falta de segurança econômica; uma visão geral de que a solução para esses problemas é uma forma de controle coletivo sobre os meios de produção, distribuição e troca (o grau e os meios de controle variam entre os movimentos socialistas); um acordo de que o resultado desse controle coletivo deve ser uma sociedade baseada na justiça social, incluindo igualdade social e proteção econômica das pessoas, sendo que deve proporcionar uma vida mais satisfatória para a grande maioria da população.

Anarquismo

O anarquismo defende sociedades apátridas geralmente definidas como instituições voluntárias autogovernadas mas que vários autores definiram como instituições mais específicas baseadas em associações livres não hierárquicas. Enquanto o anarquismo considera o Estado indesejável, desnecessário ou prejudicial, este não é o aspecto central. O anarquismo envolve autoridade oposta ou organização hierárquica na conduta das relações humanas, incluindo o sistema de Estado. Os mutualistas apoiam o socialismo de mercado, anarquistas coletivistas favorecem cooperativas de trabalhadores e salários com base na quantidade de tempo contribuído para a produção, anarcocomunistas defendem uma transição direta do capitalismo para o comunismo libertário e uma economia de oferta, enquanto os anarcossindicalistas preferem a ação direta dos trabalhadores e a greve geral.

Socialismo democrático e social-democracia

Você não pode falar sobre acabar com as favelas sem primeiro dizer que o lucro deve ser retirado das favelas. Você está realmente mexendo e entrando em terreno perigoso porque está mexendo com pessoas. Você está mexendo com capitães da indústria. Agora, isso significa que estamos pisando em águas difíceis, porque realmente significa que estamos dizendo que algo está errado com o capitalismo. Deve haver uma melhor distribuição da riqueza e talvez a América deva caminhar em direção a um socialismo democrático. O socialismo democrático representa qualquer movimento socialista que busca estabelecer uma economia baseada na democracia econômica pela e para a classe trabalhadora. O socialismo democrático é difícil de definir e grupos de acadêmicos têm definições radicalmente diferentes para o termo. Algumas definições simplesmente se referem a todas as formas de socialismo que seguem um caminho eleitoral, reformista ou evolucionário para o socialismo, em vez de um caminho revolucionário. De acordo com Christopher Pierson, "o contraste que 1989 destaca não é aquele entre o socialismo no Oriente e a democracia liberal no Ocidente, esta última deve ser reconhecida como tendo sido moldada, reformada e comprometida por um século de pressão social-democrata". Pierson afirma ainda que "os partidos social-democratas e socialistas dentro da arena constitucional no Ocidente quase sempre estiveram envolvidos em uma política de compromisso com as instituições capitalistas existentes (para qualquer prêmio distante que seus olhos pudessem de vez em quando ser levantados)". Para Pierson, “se os defensores da morte do socialismo aceitam que os social-democratas pertencem ao campo socialista, como penso que devem pertencer, então o contraste entre o socialismo (em todas as suas variantes) e a democracia liberal deve entrar em colapso. Pois a democracia liberal realmente existente é, em parte substancial, um produto das forças socialistas (social-democratas)”.

Socialismo ético e liberal

O socialismo ético apela ao socialismo em bases éticas e morais, em oposição a bases econômicas, egoístas e consumistas. Ele enfatiza a necessidade de uma economia moralmente consciente baseada nos princípios do altruísmo, cooperação e justiça social, enquanto se opõe ao individualismo possessivo. O socialismo ético tem sido a filosofia oficial dos principais partidos socialistas. O socialismo liberal incorpora princípios liberais ao socialismo. Ele foi comparado à social-democracia do pós-guerra por seu apoio a uma economia mista que inclui bens de capital públicos e privados. Enquanto o socialismo democrático e a social-democracia são posições anticapitalistas na medida em que a crítica ao capitalismo está ligada à propriedade privada dos meios de produção, o socialismo liberal identifica os monopólios artificiais e legalistas como sendo culpa do capitalismo e se opõe a um economia de mercado totalmente não regulamentada. Considera a liberdade e a igualdade social compatíveis e mutuamente dependentes.

Leninismo e precedentes

O blanquismo é uma concepção de revolução que leva o nome de Louis Auguste Blanqui. Afirma que a revolução socialista deve ser realizada por um grupo relativamente pequeno de conspiradores altamente organizados e secretos. Ao tomar o poder, os revolucionários introduzem o socialismo. Rosa Luxemburgo e Eduard Bernstein criticaram Lenin, afirmando que sua concepção de revolução era elitista e blanquista. O marxismo-leninismo combina os conceitos socialistas científicos de Marx e o anti-imperialismo, centralismo democrático e vanguardismo de Lenin. Hal Draper definiu o socialismo de cima como a filosofia que emprega uma administração de elite para dirigir o Estado socialista. O outro lado do socialismo é um socialismo mais democrático visto de baixo. A ideia do socialismo de cima é discutida com muito mais frequência nos círculos da elite do que o socialismo de baixo — mesmo que esse seja o ideal marxista — porque é mais prático. Draper via o socialismo de baixo como sendo a versão mais pura e marxista do socialismo. De acordo com Draper, Karl Marx e Friedrich Engels eram devotamente opostos a qualquer instituição socialista que fosse "conducente ao autoritarismo supersticioso". Draper argumenta que essa divisão ecoa a divisão entre "reformista ou revolucionário, pacífico ou violento, democrático ou autoritário, etc" e ainda identifica seis variedades principais de socialismo de cima, entre eles "Filantropismo", "Elitismo", "Pannismo", "Comunismo", "Permeacionismo" e "Socialismo de fora".

Socialismo libertário

O socialismo libertário, às vezes chamado de libertarianismo de esquerda, anarquismo social e libertarianismo socialista, é uma tradição antiautoritária, antiestatista e libertária dentro do socialismo que rejeita a centralização da propriedade e do controle do Estado incluindo críticas às relações de trabalho assalariado (escravidão assalariada), bem como ao próprio Estado. Enfatiza a autogestão dos trabalhadores e as estruturas descentralizadas de organização política. O socialismo libertário afirma que uma sociedade baseada na liberdade e igualdade pode ser alcançada através da abolição das instituições autoritárias que controlam a produção. Socialistas libertários geralmente preferem democracia direta e associações federais ou confederais, como municipalismo libertário, assembleias de cidadãos, sindicatos e conselhos de trabalhadores.

Socialismo religioso

O socialismo cristão é um conceito amplo que envolve um entrelaçamento da religião cristã com o socialismo. O socialismo islâmico é uma forma mais espiritual de socialismo. Os socialistas muçulmanos acreditam que os ensinamentos do Alcorão e de Maomé não são apenas compatíveis, mas promovem ativamente os princípios de igualdade e propriedade pública, inspirando-se no antigo estado de bem-estar de Medina que ele estabeleceu. Os socialistas muçulmanos são mais conservadores do que seus contemporâneos ocidentais e encontram suas raízes no anti-imperialismo, no anticolonialismo e, às vezes, se em um país de língua árabe, no nacionalismo árabe. Os socialistas islâmicos acreditam em derivar legitimidade do mandato político em oposição aos textos religiosos.

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Críticas

De acordo com o sociólogo marxista analítico Erik Olin Wright, "a direita condenou o socialismo por violar os direitos individuais à propriedade privada e desencadear formas monstruosas de opressão estatal", enquanto "a esquerda o via como abrindo novas perspectivas de igualdade social, liberdade genuína e desenvolvimento dos potenciais humanos". Por causa das muitas variedades do socialismo, a maioria das críticas se concentrou em uma abordagem específica. Os defensores de uma abordagem normalmente criticam outras. O socialismo tem sido criticado em termos de seus modelos de organização econômica, bem como de suas implicações políticas e sociais. Outras críticas são dirigidas ao movimento socialista, partidos ou estados existentes. Algumas formas de crítica ocupam terrenos teóricos, como no problema do cálculo econômico apresentado pelos proponentes da Escola Austríaca como parte do debate sobre o cálculo socialista, enquanto outras sustentam suas críticas examinando tentativas históricas de estabelecer sociedades socialistas. O problema de cálculo econômico diz respeito à viabilidade e aos métodos de alocação de recursos para um sistema socialista planejado. O planejamento central também é criticado por elementos da esquerda radical. O economista socialista libertário Robin Hahnel observa que, mesmo que o planejamento central superasse suas inibições inerentes de incentivos e inovação, seria, no entanto, incapaz de maximizar a democracia econômica e a autogestão, que ele acredita serem conceitos intelectualmente mais coerentes, consistentes e justos do que o mainstream de noções de liberdade econômica.

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