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História da Igreja Católica

A história da Igreja Católica Apostólica Romana tem seu início por volta do ano 30 d.C., por ocasião do ministério de Jesus Cristo, que escolheu os 12 Apóstolos, com os quais edificou Sua Igreja ; dentre estes, Jesus escolheu um como principal, o "primeiro entre iguais", Simão, a quem Ele chamou Pedro, depois que este o reconheceu como o Cristo, Filho de Deus, que havia de vir para reunir o povo eleito de Deus disperso pelo mundo inteiro. O nome "Pedro" indica que Simão, filho de Jonas, é a pedra sobre a qual Jesus edificou Sua Igreja.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 16/07/2026
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Antiguidade Cristã

A História da Igreja começa a ser contada, primeiramente, a partir do livro bíblico os Atos dos Apóstolos. Neste livro são feitas as primeiras narrativas da Igreja surgente. É denominado de Antiguidade Cristã o período da história da Igreja que vai de sua fundação por Jesus Cristo até o ano 692 e comporta duas fases: uma do ano 33 (em que se tem a sua fundação, propagação e perseguições) ao ano 313 (com o Édito de Milão); a segunda fase é caracterizada principalmente pela conversão dos povos invasores, o desenvolvimento da doutrina e o surgimento do Islamismo, que impõe fortes limitações à expansão da Igreja. Em 692 reúne-se o Concílio in Trullo.

Universalidade

O Cristianismo nasceu e desenvolveu-se dentro do quadro político-cultural do Império Romano. Os cristãos, inicialmente perseguidos pelo Sinédrio, depressa se desvincularam da Sinagoga. O cristianismo desde as suas origens, foi universal, aberto aos gentios, e estes foram declarados livres das prescrições da Lei Mosaica. O universalismo cristão manifestou-se desde os primórdios da Igreja em contraposição ao caráter nacional da religião judaica. Fugindo da perseguição em Jerusalém os discípulos de Jesus chegaram a Antioquia da Síria, uma das principais metrópoles do Oriente naquele tempo. Alguns destes discípulos eram de origem helênica, de mentalidade mais aberta que os judeus da palestina e começaram a anunciar o Evangelho aos gentios. Foi em Antioquia que o universalismo da Igreja mostrou-se concretamente uma realidade e foi nesta cidade que pela primeira vez os seguidores de Cristo começaram a ser chamados de cristãos. Nestes primeiros séculos a penetração cristã foi um fenômeno muito mais urbano que rural.

Perseguição e crescimento

Durante três séculos o Império Romano perseguiu os cristãos, porque a sua religião era vista como uma ofensa ao estado, pois representava outro universalismo e proibia os fiéis de prestarem culto religioso ao soberano imperial. Durante a perseguição, e apesar dela, o cristianismo propagou-se pelo império. Neste período os únicos lugares relativamente seguros em que se podiam reunir eram as catacumbas, cemitérios subterrâneos. O cristianismo teve de se converter numa espécie de sociedade secreta, com os seus sinais convencionais de reconhecimento. Para saber se outra pessoa era cristã, por exemplo, desenhava-se um peixe , pois a palavra grega ichtys (peixe) era o anagrama da frase Iesos Christos Theou Hyios Soter (Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador).

Primórdios da literatura cristã

A primeira literatura cristã, a seguir o Novo Testamento, teve origem nos Padres Apostólicos, cujos escritos refletem a vida da Cristandade mais antiga. A apologética foi uma literatura de defesa da fé, ao passo que o século III viu já o nascimento de uma ciência teológica. Os escritos dos Padres Apostólicos são de índole pastoral e dirigem-se a um público cristão. Deste período destacam-se a Didaké, a carta de São Clemente aos Coríntios, as sete cartas de Santo Inácio de Antioquia a outras Igrejas, a epístola de Policarpo de Esmirna e o Pastor de Hermas.

O Império Romano Cristão

No decurso do século IV, o Cristianismo começou a ser tolerado pelo Império, para alcançar depois um estatuto de liberdade e converter-se finalmente, no tempo de Teodósio, em religião oficial do Estado. O imperador romano, por esta época, convocou as grandes assembleias dos bispos, os concílios, e a Igreja pôde então dar início à organização de suas estruturas territoriais. A igreja cristã na região do Mediterrâneo foi organizada sob cinco patriarcas, os bispos de Jerusalém, Antioquia, Alexandria, Constantinopla e Roma (veja Pentarquia). Foi na Antioquia que os seguidores de Cristo começaram a ser chamados de cristãos, e o cristianismo passou de religião das minorias para então se tornar uma religião das multidões. Com a decadência do Império, os bispos pouco a pouco foram assumindo funções civis de caráter supletivo e a escolha do bispo passou a ser mais por escolha do clero do que pela pequena comunidade, segundo as fórmulas antigas. Por essa época não foram poucas as intervenções dos nobres e imperadores nas suas escolhas. Figuras expressivas da vida civil foram alçadas à condição de bispo, exemplo disto foram Santo Ambrósio, governador da Alta Itália que passou a bispo de Milão; São Paulino de Nola, ex-cônsul e Sidônio Apolinário, genro do imperador Ávito e senhor do Sul das Gálias, que foi eleito bispo de Clermont-Ferrand.

Padres da Igreja

Os tempos de ouro da Patrística foram os séculos IV e V, embora possa se entender que se estenda até o século VII a chamada "idade dos Padres". Os principais Pais do Oriente foram: Eusébio de Cesareia, Santo Atanásio, ilustre na defesa da fé contra o arianismo; Basílio de Cesareia, Gregório de Nisa, Gregório Nazianzo, São João Crisóstomo, alcunhado de Boca de Ouro pela sua excelente oratória, e São Cirilo de Alexandria. Os principais Padres do Ocidente ou da Igreja Latina são: Santo Agostinho, autor das "Confissões", obra prima da literatura universal e Santo Ambrósio, Eusébio Jerônimo, dálmata, conhecido como São Jerônimo que traduziu a Bíblia diretamente do hebraico, aramaico e grego para o latim. Esta versão é a célebre Vulgata, cuja autenticidade foi declarada pelo Concílio de Trento. Outros padres que se destacaram foram São Leão Magno e Gregório Magno, este um romano com vistas para a Idade Média, as suas obras "os Morais e os Diálogos" serão lidas pelos intelectuais da Idade Média, e o "canto gregoriano" permanece vivo até os dias de hoje. Santo Isidoro de Sevilha, falecido em 636, é considerado o último dos grandes padres ocidentais.

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Idade Média

Este período da história da Igreja vai do ano 692 a 1303 e é marcado principalmente pela extensão da Igreja entre os povos germânicos e eslavos e inclui duas fases, a chamada de alta Idade Média (692-1073), que tem como fatos mais marcantes a expansão da fé para além do que havia sido o Império Romano, o feudalismo e o cisma grego ocorrido em 1054; e a baixa Idade Média que tem início em 1073, desde o começo do pontificado de Gregório VII até a morte de Bonifácio VIII em 1303. Neste período verifica-se forte influência da Igreja nos acontecimentos sociais, culturais, trabalhísticos e políticos.

Novos Horizontes

O Cristianismo, com a invasão dos bárbaros germânicos vindos do oriente a partir do século IV, teve nova oportunidade de expansão. Missionários levaram a mensagem do cristianismo para além das divisas antigas do Império. Nesta época, deve-se situar a conversão ao catolicismo dos Frísios, dos Saxões, dos Bávaros, dos Alamanos, dos Turíngios, dos Eslavos e dos Normandos. Winifrid, monge inglês que mudou o nome para Bonifácio, foi o grande apóstolo da Alemanha. Nos primórdios do século VI, no Natal, Clodoveu, rei dos francos recebeu o batismo católico, com ele todo o reino se converteu ao catolicismo. A França é considerada a filha primogênita da Igreja. Os magiares se converteram acompanhando o seu rei Santo Estevão, os boêmios com São Wenceslau e os poloneses com o batizado do duque Miezko.

O Cisma do Oriente

O Bispo de Roma era tido pelos outros Patriarcas como "o primeiro entre iguais", embora o seu estatuto e influência tenha crescido quando Roma era a capital do império, com as disputas doutrinárias ou procedimentais a serem frequentemente remetidas a Roma para obter uma opinião. Mas quando a capital se mudou para Constantinopla, a sua influência diminuiu. Enquanto Roma reclamava uma autoridade que lhe provinha de São Pedro (que, segundo a tradição, morreu naquela cidade, e é considerado por ela o primeiro papa) e São Paulo, Constantinopla tornara-se a residência do Imperador e do Senado. Uma série de dificuldades complexas (disputas doutrinárias, Concílios disputados, a evolução de ritos separados e se a posição do Papa de Roma era ou não de real autoridade ou apenas de respeito) levaram à divisão em 1054 que separou a Igreja entre a Igreja Católica no Ocidente e a Igreja Ortodoxa Oriental no Leste (Grécia, Rússia e muitas das terras eslavas, Anatólia, Síria, Egipto, etc.). A esta divisão chama-se o Grande Cisma do Oriente.

Apogeu medieval

Os séculos XII e XIII formaram o apogeu clássico da cristandade medieval. Inocêncio III é a figura que desponta nesta época. Por este tempo reuniram-se concílios, surgiram as universidades, foram fundadas ordens religiosas de renome a de São Francisco de Assis, de São Domingos de Gusmão, São Bruno fundou a Cartuxa, e São Bernardo de Claraval, talvez o personagem europeu de maior importância do século XII, deu notável impulso à Ordem de Cister. Surgiram ainda a Ordem das Mercês (Mercedários), os ermitões de Santo Agostinho, e a Ordem do Carmo dentre outras. Surge também a "Escolástica", uma filosofia da segunda parte da Idade Média, que seguindo um método especial e tomando como guia, em geral, a Aristóteles se ensinava nas escolas episcopais, os seus seguidores eram designados por escolásticos, daí passou às universidades. Seu intento é mostrar que entre a razão e fé, a filosofia e a teologia há íntima união. A filosofia está a serviço da teologia.

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A Idade Nova

Este período é a idade das reformas, pode dividir-se em pré-reforma, com início em 1303 e tem como fatos mais marcantes o desterro de Avinhão, o Cisma do Ocidente, a interrupção do Renascimento e a reforma de Lutero em 1517; o período seguinte está caracterizado pela Reforma (Reforma católica e Reforma protestante), as guerras de religião e termina com a Paz de Westfália em 1648.

Crise e cisma do Ocidente

Correntes religiosas orientais antigas lançaram as suas raízes no sul da França e norte da Itália. Surgiram os "Valdenses" e os "Albigenses" ou "Cátaros", baldados os esforços religiosos-diplomáticos de Inocêncio III. Este acabou por convocar uma vitoriosa cruzada chefiada por Simão de Monforte. Para continuar a luta contra esta heresia foi criada a Inquisição exclusivamente para a defesa da fé e o combate à heresia. Nesta empresa rivalizaram o poder eclesiástico e o poder civil. Em 1232 foi criada por Gregório IX a Inquisição Pontifícia, tanto o sistema penal da época como o processo inquisitorial tiveram graves defeitos que ferem a sensibilidade do homem moderno.

Avinhão

Os conflitos entre Bonifácio VIII e Filipe, o Belo, rei da França culminaram com o Papa prisioneiro em Avinhão. Em Avinhão o pontificado afrancesou-se: foram franceses os sete papas que ali se sucederam bem como a grande maioria dos cardeais. Apareceu um nacionalismo eclesiástico que desperta o interesse dos soberanos do ocidente. Em 1377 Gregório XI retorna a Sé Apostólica para Roma, no episódio sobressai a figura de Catarina Benincasa futura Santa Catarina de Sena que tem papel decisivo no retorno do Papado a Roma . A crise culmina no Cisma do Ocidente, os reis europeus se filiam a diferentes papas segundo as suas conveniências, chegam a ter até três papas, cada um pretendendo ser a única cabeça legítima da Igreja. O Cisma deixou a cristandade dividida e perplexa, até mesmo entre os santos: Santa Catarina de Sena manteve-se ao lado de Urbano VI enquanto São Vicente Ferrer posicionou-se a favor de do Papa de Avinhão, Antipapa Clemente VII. O Cisma do Ocidente vai de 1378 a 1417 e só vai terminar com a eleição de Martinho V, quando a Igreja recupera a sua unidade.

A transição, Constantinopla e a América

Vários fatores contraditórios coincidem na passagem da Idade Média para a Idade Moderna. As elites são alimentadas por uma nova visão, agora antropocêntrica e por um certo retorno à antiguidade pagã. Os papas do renascimento, com exceção de Adriano VI, são mais voltados para as artes e letras, tornaram-se mais governantes voltados para os assuntos temporais e verdadeiros mecenas, que preocupados com os problemas disciplinares eclesiásticos e para as questões espirituais. Constantinopla cai no dia 29 de maio de 1453 na mão dos turcos otomanos. Perde-se o Império Cristão do Oriente que começava a se reaproximar depois do "Grande Cisma". Fechadas as portas para o Oriente têm início então as "grandes navegações" em que se destacaram as nações católicas Portugal e Espanha, a descoberta das Américas abre caminho para o Evangelho chegar a novos povos e permite novas perspectivas em que irão se destacar, no primeiro momento, os jesuítas de Santo Inácio de Loyola. As Filipinas foram também evangelizadas, assim como a Índia, a China e o Japão, nestes dois últimos países ocorreram grandes perseguições.

A Reforma Protestante

A chamada Reforma protestante teve Martinho Lutero por autor. Antigo frade da ordem dos Agostinhos, a sua contestação à Igreja Católica foi auxiliada pela decadência moral, pelos interesses burgueses e por fatores de ordem política, como os conflitos entre papas e imperadores germânicos, o ressentimento contra Roma que tinha tomado forma nos Gravamina Nationis Germanicae, um império germânico fragmentado em pequenos principados e cidades-estado e os nacionalismos eclesiásticos. Na sequência da sua contestação, Lutero construiu um sistema doutrinal-religioso em franca divergência com a tradição da Igreja. Segundo Lutero, as obras do homem de nada servem para a salvação, nem os sacramentos na sua maioria, e nem a autoridade do Papado teria sua importância. Segundo ele, a Igreja não seria nem depositária e nem intérprete da Revelação. A Sagrada Escritura apenas e exclusivamente seria a única fonte da Revelação segundo a interpretação livre que cada fiel em particular lhe desse, diretamente inspirado por Deus. Publicou as 95 teses contra a Teologia Escolástica e as 95 sobre as Indulgências. Em 1521 foi excomungado.

A Reforma Católica

Os anseios de renovação cristã produziram um admirável florescimento no seio da Igreja, que em algum país, como a Espanha, se iniciou antes do Luteranismo. Reformaram-se antigas ordens religiosas, criaram-se ordens novas, apareceram grandes santos e grandes papas. A Espanha dos Reis Católicos se coloca na vanguarda da Reforma Católica. O Cardeal Cisneros reformou os conventos franciscanos e a vida monástica; a Universidade de Alcalá, fundada por ele, foi um grande pólo de estudos teológicos, que publicou a célebre Bíblia Poliglota Complutense, os teólogos espanóis tiveram papel destacado em Trento. A Reforma Católica, também conhecida como Contrarreforma, teve como ponto principal o Concílio de Trento, embora este movimento tenha começado anteriormente em vários setores da Igreja. O Concílio não conseguiu o objetivo almejado por Carlos V de restaurar a unidade cristã, mas realizou uma obra imensa, tanto no campo da doutrina católica como no da disciplina eclesiástica.

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Época Moderna

É um período de descristianização (1648-1914) e compreende dois subperíodos, em linhas gerais é uma época em que os nacionalismos e as monarquias absolutas procuram subjugar a Igreja, este período terminará em 1789 com a Revolução Francesa; de 1789 a 1914 é um período em que consideráveis massas humanas, sob a influência principalmente do liberalismo, do marxismo e do positivismo, dentre outras correntes de pensamento, afastam-se da Igreja. Sobressai, nesta época, o Concílio Vaticano I e a condenação do Modernismo pelo Papa São Pio X.«CATHOLIC ENCYCLOPEDIA: The Martyrs of Compiegne». www.newadvent.org. Consultado em 9 de dezembro de 2025 </ref>. Procedeu-se à matança dos clérigos que não jurassem a Constituição Civil do Clero, proibida por Pio VI. Institui-se uma religião-ideologia de estado e tentou-se difundir o culto pagão à "Deusa-Razão" numa encenação da sua coroação na Catedral de Notre-Dame de Paris, em 10 de novembro de 1793.

O Século Das Coisas Novas

Em 1802 em consequência de uma Concordata entre Napoleão e a Cúria Romana, a Igreja Católica recuperou sua autonomia e legalidade na França. As ondas do nacionalismo fizeram com que o Papado percebesse que estava perdendo terreno no poder temporal, assim passou a garantir sua hegemonia espiritual sobre toda a Igreja Católica: em 1847 foi estabelecido um Patriarcado Latino de facto em Jerusalém (desde as cruzadas o título era somente honorário); a hierarquia católica foi restabelecida e reconhecida pelo parlamento na Inglaterra, graças em parte às campanhas do irlandês O'Connel. Surge nesta época o Movimento de Oxford na Igreja Anglicana que procurava uma aproximação com a Igreja Católica. Teólogos anglicanos como John Henry Newman que se converteu em 1845 e depois nomeado Cardeal e Edward Manning arcediago da Catedral de Chichester que converteu-se em 1851 e depois nomeado também Cardeal são fatos marcantes da vida da Igreja na Inglaterra deste século.

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Época Contemporânea

É assim denominado o período que vai de 1914 aos dias atuais, marcado como sendo uma época de crise espiritual, fato marcante deste período é o Concílio Vaticano II e o chamamento universal à santidade.

Os primórdios do Século XX

Leão XIII foi sucedido por pelo Cardeal Sarto que assumiu o nome de Pio X e que viria a ser canonizado. Este iniciou os trabalhos de unificação das leis eclesiásticas que mais tarde se tornariam no Código de Direito Canônico de 1917, determinou a redação de um Catecismo, combateu o modernismo e recomendou a comunhão das crianças a partir da idade do discernimento. Faleceu nas primeiras semanas da Primeira Guerra Mundial. Bento XV, Cardeal della Chiesa, exerceria o pontificado de 1914 a 1922. Durante a Guerra, a Santa Sé realizaria um grande trabalho em favor das suas vítimas e de localização de soldados desaparecidos. A Bento XV sucedeu Pio XI (1922-1939): durante o seu período na Santa Sé assinou o Tratado de Latrão que instituiu o Estado da Cidade do Vaticano. Condenou os erros do fascismo na carta Encíclica Non abbiamo bisogno, escrita não em latim, mas na língua italiana, para que não se tivesse dúvida a quem se dirigia. Criou e incentivou a Acção Católica destinada a orientar o apostolado dos leigos, desenvolveu também a ação missionária. Inaugurou a Rádio Vaticano inserindo a Igreja na era da tecnologia das comunicações, criou um observatório astronômico e foram criadas universidades católicas na Itália, Holanda e Polônia.

A Segunda Guerra e o pós-Guerra

A Segunda Grande Guerra produziu muitos mártires católicos, dentre eles se destacam Edith Stein e Maximiliano Kolbe e ainda os beatos Rupert Mayer e Alojs Andritzki, nesta mesma época o Arcebispo de Berlim, Cardeal von Preysing e o beato von Galen, cardeal e bispo de Münster, destacaram-se na denúncia dos crimes do nazismo. O Cardeal Pacelli tomou o nome de Pio XII (1939-1959), quando os nazistas ocuparam Roma, acolheu no Vaticano milhares de perseguidos, de todos os credos e raças e nacionalidades. Por uma grande soma de dinheiro resgatou 200 judeus e, com a sua aprovação, Monsenhor Hugh O'Flaherty, alto funcionário da Congregação do Santo Ofício, organizou uma rede clandestina de auxílio aos perseguidos que permitiu que fossem salvos milhares de judeus e comunistas.

O Concílio Vaticano II

O Concílio Vaticano II foi convocado por João XXIII, em 25 de dezembro de 1961, através da bula Humanae salutis, com o objetivo de promover o incremento da fé católica e uma saudável renovação dos costumes do povo cristão, e adaptar a disciplina eclesiástica às condições do nosso tempo. Os trabalhos foram abertos oficialmente em 11 de outubro de 1962 e foi encerrado em 8 de dezembro de 1965. O Concílio recordou o chamamento universal à santidade. A era do Concílio ficou conhecida como a "Primavera da Igreja". O Concílio estabeleceu um importante programa de renovação da Igreja e promulgou documentos que servem de parâmetro para ação da Igreja. Um dos mais conhecidos documentos conciliares é a Constituição Pastoral Gaudium et Spes sobre a Igreja no mundo atual. Entre várias renovações, este Concílio reformou a Liturgia, a constituição e a pastoral da Igreja (que passou a ser alicerçada na igual dignidade de todos os fiéis e a ser mais virada para o mundo), clarificou a relação entre a Revelação divina e a Tradição e impulsionou a liberdade religiosa, o ecumenismo e o apostolado dos leigos. Não foi proclamado nenhum dogma, mas as suas orientações doutrinais e práticas são de extrema importância para a Igreja atual.

João Paulo II e o Terceiro Milênio

Pela primeira vez em quatro séculos e meio foi eleito um Papa que não tinha origem na Itália. O cardeal Karol Wojtyla, de origem eslava, para surpresa do mundo, é eleito para exercer um dos pontificados mais longos em dois mil anos de história da Igreja. João Paulo II realiza uma grande reforma na Igreja em extensão e profundidade com os olhos postos no Concílio Vaticano II do qual tomou parte. Segundo Bento XVI "João Paulo II acolheu particularmente em todos os seus documentos, e ainda mais nas suas opções e no seu comportamento como Pontífice, as exigências do Concílio Ecuménico Vaticano II, tornando-se assim qualificado intérprete e testemunha coerente. Foi sua preocupação constante fazer conhecer a todos que vantagens podiam surgir do acolhimento da visão conciliar, não só para o bem da Igreja, mas também para o da própria sociedade civil e das pessoas que nela trabalham".

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