Associação Cultural do Negro
Associação Cultural do Negro (ACN) foi um grupo de ativismo negro brasileiro que deixou um expressivo legado cultural, político e literário, procurando lutar contra o racismo e a desigualdade e recuperar a dignidade, a identidade, a cultura e a memória do negro no país. Entre 1954 e 1976 promoveu muitos eventos, palestras, cursos e publicações, atraindo um grande grupo de associados e colaboradores. Foi uma inspiração para a criação de outros grupos ativistas.
A associação surgiu como uma reação à ideologia que norteou as comemorações dos 400 anos de fundação da cidade de São Paulo. Nesta ocasião se articulava um discurso que procurava estabelecer para a cidade uma imagem de progresso e modernidade, e ao mesmo tempo se recuperava sua memória coletiva e sua história sob um prisma épico e apologético. Vários grupos sociais foram celebrados como promotores da fundação e crescimento da metrópole, entre eles os jesuítas, os bandeirantes, as famílias portuguesas chamadas "quatrocentonas" e alguns grupos de imigrantes, mas foram quase totalmente omitidos nessa reconstrução os índios e os negros. A Comissão dos Festejos chegou a receber uma proposta de ereção de um monumento à Mãe Negra no largo do Paissandu, que só foi aprovada, depois de várias negativas, pela pressão de um abaixo-assinado. O apagamento do negro nas festas do IV Centenário mostrou a um grupo de ativistas que o debate sobre a desigualdade e o racismo no Brasil havia progredido pouco. Assim, idealizada por José´de Assis Barbosa, reuniu-se um grupo de ativistas, entre eles José Correia Leite, Jayme de Aguiar, Raul Joviano do Amaral, Henrique Antunes Cunha, Geraldo Campos de Oliveira, Adélio Alves, Nestor Silva, Américo Orlando, Otávio Tavares, Américo dos Santos, e em 28 de dezembro de 1954 fundaram a Associação Cultural do Negro para resgatar sua dignidade, cultura e história. Em seus estatutos, ficava declarada a finalidade fundamental: "a desmarginalização e recuperação social de todos os elementos que vivem em situação marginal, principalmente o negro". Vários dos fundadores eram antigos membros da Frente Negra Brasileira, ativa na década de 1930. O primeiro diretor foi Geraldo Campos de Oliveira.


