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Atentado contra Jair Bolsonaro

Em 6 de setembro de 2018, durante um comício de sua campanha presidencial, o então deputado federal Jair Bolsonaro foi vítima de um atentado. Enquanto era carregado por apoiadores em meio à multidão, ele sofreu um golpe de faca na região abdominal, desferido por Adélio Bispo de Oliveira. O ataque ocorreu em Juiz de Fora, Minas Gerais.

Fonte: Wikipédia (pt)Texto didático por IAAtualizado em 01/08/2026

Pontos-chave

  • O atentado ocorreu em 6 de setembro de 2018, durante um comício de campanha presidencial.
  • Jair Bolsonaro foi ferido por uma facada no abdômen, desferida por Adélio Bispo de Oliveira.
  • O ataque gerou grande repercussão nacional e internacional, com debates sobre desinformação e teorias conspiratórias.
  • Adélio Bispo foi considerado inimputável por transtorno delirante persistente, sendo sua prisão convertida em internação.
  • O atentado é considerado um marco histórico, sendo o primeiro ataque a um candidato à presidência do Brasil em campanha.
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Contexto Político Brasileiro

O Brasil vivia um período de intensa polarização política, marcado por crises de representatividade e forte mobilização popular desde as Jornadas de Junho de 2013. A eleição presidencial de 2014 já demonstrava um acirramento entre petistas e antipetistas, agravado pela crise econômica. Novos grupos políticos surgiram, aumentando a divisão ideológica, e as redes sociais amplificaram essa polarização. A direita se uniu em torno da questão da corrupção, enquanto a esquerda focava em programas sociais. O impeachment de Dilma Rousseff em 2016 acentuou ainda mais a fragmentação partidária e a polarização.

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O Ataque em Juiz de Fora

Adélio Bispo de Oliveira chegou a Juiz de Fora em 19 de agosto de 2018, vindo de Florianópolis, com a intenção de arrumar emprego. Hospedou-se em uma pensão e trabalhou como garçom. Ele começou a planejar o atentado após ver um outdoor anunciando a visita de Bolsonaro à cidade. Adélio fotografou locais onde o candidato estaria. Em 6 de setembro, Bolsonaro, com uma equipe de segurança reforçada, visitou o Hospital Ascomcer, participou de um almoço e se dirigiu a um ato público em frente à Câmara Municipal, onde ocorreria seu comício. Foi nesse momento, enquanto era carregado por seguranças, que Adélio Bispo o esfaqueou no abdômen.

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Recuperação Médica

Após ser esfaqueado, Bolsonaro foi levado à Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora por volta das 15h40. A facada causou três lesões no intestino delgado, uma perfuração no intestino grosso com contaminação fecal e uma lesão na veia mesentérica superior. A perda de cerca de dois litros de sangue provocou choque hipovolêmico. A equipe médica realizou uma laparotomia exploradora, estancou o sangramento, suturou as lesões e fez uma colostomia temporária. A cirurgia durou três horas, e Bolsonaro recebeu quatro bolsas de sangue. A diretora técnica da Santa Casa destacou que o ferimento, por pouco, não atingiu vasos sanguíneos maiores.

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O Autor do Atentado

Adélio Bispo de Oliveira, 40 anos, natural de Montes Claros, foi preso em flagrante pela Polícia Federal. Ele afirmou ter agido "a mando de Deus" e possuía transtorno delirante persistente com alucinações religiosas, persecutórias e políticas. Adélio teve um histórico de 39 empregos em 18 anos, atuando em diversas áreas. No final dos anos 1990, ingressou na igreja e se tornou pastor. Ele agiu sozinho, segundo sua própria declaração.

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Investigações e Processo Judicial

A Polícia Federal abriu inquérito contra Adélio Bispo por atentado pessoal, com base na Lei de Segurança Nacional. Sua prisão em flagrante foi convertida em preventiva e ele foi transferido para a Penitenciária Federal de Campo Grande. Investigações iniciais consideraram a hipótese de Adélio ter agido sozinho. A faca usada no crime foi apreendida e confirmou-se, por meio de DNA, ter sido a utilizada no ataque. Adélio esteve em um clube de tiro onde filhos de Bolsonaro são associados, mas a PF considerou insuficientes os indícios de motivação ligada a eles. A defesa de Adélio alegou ter sido contratado por terceiros, com declarações divergentes sobre a identidade do mandante.

Defesa de Adélio Bispo

Adélio Bispo foi defendido por quatro advogados. As declarações sobre quem o contratou divergiram: um advogado afirmou ter sido contratado por um homem da mesma igreja de Adélio, em Montes Claros, e mencionou uma estratégia de marketing e um acordo de pagamento mensal. Outro advogado declarou que o financiador arcou com os custos da defesa por "amor ao próximo". As igrejas mencionadas negaram qualquer envolvimento.

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Desinformação e Teorias Conspiratórias

O atentado gerou um grande volume de desinformação e teorias da conspiração, disseminadas tanto por apoiadores quanto por opositores de Bolsonaro, incluindo políticos e influenciadores. Alegações de que o ataque foi forjado para beneficiar Bolsonaro na eleição ou que houve envolvimento de terceiros circularam amplamente. A complexidade do caso e o sigilo dos inquéritos judiciais contribuíram para o surgimento dessas teorias.

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Legado e Impacto Eleitoral

O atentado a Jair Bolsonaro foi o primeiro ataque contra um candidato à presidência do Brasil em campanha eleitoral, sendo comparado a eventos históricos como o assassinato de João Pessoa e o atentado da Rua Tonelero. A faca utilizada foi incorporada ao acervo da Academia Nacional de Polícia Federal. O incidente impactou a eleição presidencial de 2018, aumentando a exposição midiática de Bolsonaro e permitindo que ele se ausentasse de debates e entrevistas, o que alguns analistas chamaram de "tripé virtuoso" para sua campanha.

Eleição Presidencial

A tentativa de assassinato influenciou o cenário da eleição presidencial de 2018. A cobertura da recuperação de Bolsonaro aumentou sua exposição na mídia, especialmente na televisão, onde antes tinha pouco tempo de propaganda. Além disso, ele pôde evitar debates e entrevistas que poderiam ser desfavoráveis, beneficiando sua campanha nas redes sociais.

Internacional

A Organização das Nações Unidas, por meio do Escritório para a América do Sul do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), condenou o esfaqueamento e notou o crescimento das tensões nas eleições na América Latina, manifestando preocupação com as ameaças a candidatos a cargos executivos e legislativos. A Human Rights Watch afirmou que as diferenças políticas e ideológicas devem ser resolvidas por meio do diálogo e que as autoridades brasileiras devem garantir que o responsável pelo crime seja punido. A imprensa internacional repercutiu o esfaqueamento de Bolsonaro. O jornal estadunidense The New York Times relatou o evento e apresentou Bolsonaro como um outsider político que é uma "figura profundamente polarizadora", que costuma fazer comentários depreciativos sobre minorias e é nostálgico da ditadura militar. O argentino Clarín destacou a comoção dos apoiadores do candidato e que a repercussão do evento excedeu a do concorrente Geraldo Alckmin, que possuía cinco minutos de propaganda gratuita na televisão. As redes de televisão CNN e BBC noticiaram o ataque em suas programações.

Na internet

O incidente teve uma grande repercussão no Twitter, onde o tópico Jair Bolsonaro esteve presente nos Trending Topics de doze países e as menções ao candidato aumentaram 2 500% nas horas após o ataque. Por volta das 16h40, o atentado foi citado 11,8 mil vezes por minuto. Entre os assuntos discutidos estavam a veracidade e a gravidade da facada, seu impacto na eleição, o apoio de Bolsonaro ao porte de armas, manifestações de solidariedade ao candidato e a responsabilização da esquerda. Também foram feitas comparações com o ataque a tiros na caravana de Lula em março de 2018, o assassinato da vereadora Marielle Franco, a série de drama político House of Cards e o assassinato do presidente dos Estados Unidos John F. Kennedy. A revista Piauí relatou que, desde o início de 2018, só a prisão de Lula gerou mais interesse no Google entre os temas relacionados às eleições. Segundo a revista, o incidente gerou mais repercussão do que as mortes de Eduardo Campos, candidato na eleição presidencial de 2014, e de Teori Zavascki, que era o relator da Lava Jato no Supremo, em janeiro de 2017. A facada também chamou mais atenção do que o impeachment de Dilma Rousseff.

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Notícias falsas e teorias conspiratórias

O ataque contra Bolsonaro gerou desinformação e teorias da conspiração tanto pelos apoiadores e opositores do político. Essas teorias foram compartilhadas por congressistas, dirigentes partidários, influenciadores digitais de esquerda e de direita, assim como por Bolsonaro e seus filhos. Entre as alegações, estão as de que o ataque foi forjado para beneficiar Bolsonaro na eleição e de que houve envolvimento de terceiros no atentado. Segundo Isabela Kalil, da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, as teorias emergiram pelo ataque ser "uma história intrincada, cheia de complicações e detalhes complexos" e porque os "inquéritos judiciais [relacionados ao ataque] necessariamente correm em sigilo."

Alegações de que o ataque foi forjado

Dúvidas sobre se o ataque de fato ocorreu ganharam popularidade rapidamente no Twitter. Uma análise da Fundação Getúlio Vargas em 7 de setembro de 2018 relatou que 40,5% dos retuítes feitos nas horas seguintes do atentado questionavam sua veracidade. As alegações falsas incluem afirmações de que o ataque foi forjado para favorecer Bolsonaro eleitoralmente, criminalizar a esquerda ou permitir que ele tratasse um câncer de estômago sem que fosse revelado. Além disso, a ausência de sangue visível nas imagens do ataque, causada pelo fato da hemorragia ser interna, alimentou essas teses. O termo "fakeada", junção das palavras fake (falso em inglês) e facada, foi adotado para referir-se a essas teorias conspiratórias e figurou nos Trending Topics do Twitter quando Bolsonaro passava por uma cirurgia decorrente do esfaqueamento.

Alegações de que houve um mandante ou ajuda de terceiros

Bolsonaristas difundiram teorias da conspiração alegando que Adélio Bispo recebeu ajuda de outras pessoas ou obedeceu a um mandante. Essas teorias buscam associar a tentativa de assassinato à esquerda e também foram disseminadas por Bolsonaro, seus filhos, políticos e influenciadores de direita. A filiação de Adélio ao PSOL até 2014 foi usada como evidência de que Bolsonaro fora alvo de uma conspiração comunista. No dia do ataque, o cantor Netinho escreveu na sua conta do Instagram que o partido teria ordenado o atentado. Diversas figuras da direita, incluindo deputados federais, o vereador Carlos Bolsonaro e o escritor Olavo de Carvalho, acusaram o deputado federal Jean Wyllys de contatar Adélio e tê-lo recebido em seu gabinete.

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Legado

O atentado a Bolsonaro foi o primeiro ataque a um candidato a presidente do Brasil durante uma campanha eleitoral. O incidente foi comparado a outros episódios na história do Brasil, como o assassinato do presidente da Paraíba e candidato a vice-presidente do Brasil João Pessoa, em 1930, e ao atentado da Rua Tonelero, em 1954. A faca usada no ataque foi incorporada ao acervo da Academia Nacional de Polícia Federal, em Brasília, devido à sua importância histórica. Bruno Savino, o juiz responsável pela decisão, argumentou que a faca simboliza uma "agressão cometida contra o próprio regime representativo e democrático de direito"

Eleição presidencial

A tentativa de assassinato impactou o cenário da eleição presidencial daquele ano, embora não haja consenso sobre o quanto isso influenciou o resultado final. A exposição de Bolsonaro na mídia, especialmente na televisão, aumentou com a cobertura de sua recuperação; antes do incidente, ele tinha direito a oito segundos de propaganda eleitoral televisiva.[181.1] Além disso, Bolsonaro pôde se ausentar de debates e de entrevistas em que ele poderia ser alvo de confrontos e críticas de entrevistadores e presidenciáveis.[181.2] Leonardo Belinelli, professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, chamou de "tripé virtuoso" a falta de ataques dos concorrentes, a menor exposição pública e a divulgação própria feita nas redes sociais.

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Fontes consultadas

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