Assis Chateaubriand
Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Mello, mais conhecido como Assis Chateaubriand ou Chatô, foi um jornalista, escritor, advogado, professor de direito, empresário, mecenas e político brasileiro. Destacou-se como um dos homens públicos mais influentes do Brasil entre as décadas de 1940 e 1960. Era membro da Academia Brasileira de Letras.
Família
Filho de Francisco José Bandeira de Melo e de Maria Carmem Guedes Gondim, foi batizado Francisco de Assis por ter nascido no dia dedicado ao santo, de quem a mãe era devota. O nome "Chateaubriand" tem origem na admiração do pai pelo poeta e pensador francês François-René de Chateaubriand, a ponto de comprar uma escola em meados do século XIX, na região de São João do Cariri, dando-lhe o nome do pensador francês. Logo, Francisco José passou a ser conhecido na região como "seu José do Chateaubriand", que, por corruptela, derivou para "José Chateaubriand". O nome ficou tão vinculado a Francisco José que ele batizou seus filhos com o sobrenome francês.
Carreira
Nasceu na Paraíba e formou-se pela Faculdade de Direito do Recife. A estreia no jornalismo aconteceu aos quinze anos, na Gazeta do Norte, escrevendo para o Jornal Pequeno e para o veterano Diario de Pernambuco. Neste, enfrentou uma situação inusitada: teve que dormir na redação do jornal, chegando a pegar em armas, para se defender da multidão que se empoleirava à frente do jornal em protesto contra a vitória do candidato Francisco de Assis Rosa e Silva (proprietário do jornal). Em 1917, já no Rio de Janeiro, colaborou para o Correio da Manhã, em cujas páginas publicaria impressões da viagem à Europa que realizou em 1920. Nessa mesma época, foi correspondente do La Nacion, de Buenos Aires.
Projetos culturais
Já em 1927 Assis Chateaubriand idealizava uma casa de pintura e escultura “para formar o interesse de nossa gente pelas artes plásticas”, segundo o próprio jornalista. Para tanto, iniciou naquele ano a coleta de itens de arte, apoiado por Frederico Barata e Eliseu Visconti, em cujo ateliê da Av. Mem de Sá, no Rio de Janeiro, eram armazenadas as primeiras peças que iriam compor o acervo do futuro museu. Além de outras doações, Assis Chateaubriand receberia do próprio Visconti quatro telas de sua autoria, além do apoio e ajuda para o empreendimento, o que o levou a incluir o artista, junto com Frederico Barata, na linha dos projetistas do futuro museu.
Morte
Em fevereiro de 1960, Assis Chateaubriand foi acometido de uma trombose. Morreu em 4 de abril de 1968, em São Paulo, depois da pertinaz doença, a que ele resistiu por longos anos, continuando, mesmo paraplégico e impossibilitado de falar, a escrever seus artigos. Foi velado ao lado de duas pinturas dos grandes mestres: um cardeal de Ticiano e um nu de Renoir, simbolizando, segundo seu protegido, o arquiteto italiano e organizador do acervo do MASP Pietro Maria Bardi, as três coisas que mais amou na vida: O poder, a arte e a mulher pelada. Seu cortejo fúnebre reuniu mais de 60 mil pessoas pelas ruas de São Paulo. Está sepultado no Cemitério do Araçá.
No dia 20 de agosto de 1966 o jornalista pousava numa pista de terra vermelha no então município de Toledo, Paraná. O povoado que até então era conhecido como Tupãssi ou Campo dos Baianos seria elevado à condição de Município com o nome de Assis Chateabriand. O jornalista, debilitado por uma trombose, foi conduzido em sua cadeira de rodas até a Praça São Francisco de Assis onde uma grande barraca e um palanque estavam armados. Um grande churrasco fora organizado e o evento contou com a presença do governador Paulo Pimentel. O ator Lima Duarte foi o mestre de cerimônias e leu o discurso escrito por Assis Chateaubriand, que já não conseguia mais falar. Segundo Rudy Alvarez, primeiro prefeito do município, o então titular da Chefatura de Polícia do Estado do Paraná (equivalente à atual Secretaria de Estado da Segurança Pública) e futuro governador Ney Braga pretendia cancelar todos os títulos de terra concedidos pelo antigo governador Moisés Lupion após severas alegações de tomada e revenda de terra por grupos armados ligados ao antigo governador e à Colonizadora Norte do Paraná, chefiada por Oscar Martinez (pai do futuro Deputado Federal e aliado de Fernando Collor, José Carlos Martinez). Alvarez conta que o lobista e jornalista paranaense David Nasser, empregado por Assis Chateaubriand e aliado aos políticos locais, foi responsável por articular a emancipação do município e a simultânea homenagem ao seu chefe. O município atingiu a marca de 130 mil habitantes no final dos anos 60, mas em 2019 esse número havia reduzido para 33 362.
Assis Chateaubriand já foi retratado como personagem no cinema e na televisão, interpretado por Luiz Ramalho no filme "Chateaubriand, Cabeça de Paraíba" (2000) e por Antonio Calloni em trecho da minissérie "Um Só Coração" (2004).
Filmes
Guilherme Fontes adquiriu os direitos de adaptação para o cinema do livro Chatô, o Rei do Brasil, de Fernando Morais. O projeto começou a ser produzido em 1995, foi interrompido em 1999. O filme Chatô, o Rei do Brasil, lançado em 2015, tem Marco Ricca no papel de Chateaubriand. Em 2006, Fontes foi condenado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) a devolver 15 milhões de reais pela não-entrega da série de 36 documentários 500 Anos de História do Brasil. O tribunal julgou irregulares as contas da Guilherme Fontes Filmes Ltda. Embora treze episódios tenham sido produzidos e até mesmo exibidos no canal a cabo GNT, a série, um subproduto do projeto Chatô, não havia sido concluída.
Enredos de escola de samba
No carnaval de 1999, o Acadêmicos do Grande Rio homenageou com o enredo Ei, ei, ei, Chateau é o nosso rei! obtendo o 6.º lugar entre as escolas de samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro. A Inocentes de Belford Roxo também homenageou com o enredo Chatô – a fanfarra do homem sério mais engraçado do Brasil, terminando em 2.º lugar entre as escolas de samba do Grupo de Acesso B, quase perto de subir para o Grupo de Acesso A.
Teatro
Chatô e os Diários Associados - 100 Anos de Paixão Em 27 de março de 2025, Chatô e os Diários Associados - 100 Anos de Paixão, peça de teatro musical escrita por Fernando Morais e Eduardo Bakr, estreou no no Teatro João Caetano (Rio de Janeiro) para depois seguir turnê por Belo Horizonte, Brasília e São Paulo. A peça tem a Direção de Tadeu Aguiar e nomes importantes da cena teatral brasileira como Stepan Nercessian, Cláudio Lins, Sylvia Massari, Patrícia França fazem parte do seu elenco; contando ainda com Coregrafias de Carlinhos de Jesus, Direção Musical de Thalyson Rodrigues e Supervisão Musical de Guto Graça Mello. O espetáculo trata da vida de Assis Chateaubriand sob o viés da sua importância para comunicação, fazendo um recorte de 100 anos da história do Brasil, revivendo personagens, músicas e resgatando memórias que aquecem o coração do espectador e que se misturam com a história da cultura, da imprensa e da democracia do nosso país através de um espetáculo original e brasileiro.
Foi o quarto ocupante da cadeira 37, eleito em 30 de dezembro de 1954, na sucessão de Getúlio Vargas, recebido pelo acadêmico Aníbal Freire da Fonseca em 27 de agosto de 1955.


