ASMR
ASMR refere-se a uma sensação agradável de parestesia ou formigamento, geralmente sentida na região do couro cabeludo, na parte de trás da cabeça ou do pescoço em resposta a algum estímulo sensorial. O fenômeno foi comparado a sinestesia auditiva-tátil.
Embora muitos termos coloquiais e formais que foram usados e propostos entre 2007 e 2010 incluíssem referência ao "orgasmo na cabeça", houve nesse período uma objeção majoritária significativa ao seu uso dentre a comunidade de discussões on-line sobre o tema, com o objetivo de diferenciar os aspectos eufóricos e relaxantes da natureza do ASMR do conceito de excitação sexual carregada pela palavra "orgasmo", já que os primeiros proponentes do ASMR concluíram que o fenômeno geralmente não estava relacionado à excitação sexual. Em 2010, Jennifer Allen, participante de um fórum on-line, propôs que o fenômeno fosse denominado "Autonomous Sensory Meridian Response" (em português: Resposta Sensorial Autônoma do Meridiano). Allen escolheu as palavras com a intenção ou considerando que elas tivessem os seguintes significados específicos: Allen declarou em uma entrevista de 2016 que ela propositadamente selecionou esses termos porque eram mais objetivos, confortáveis e clínicos do que termos alternativos para a sensação. Na entrevista, Allen explicou que selecionou a palavra meridiano para substituir a palavra orgasmo e disse que havia encontrado um dicionário que definia meridiano como "um ponto ou período de maior desenvolvimento, maior prosperidade ou algo parecido".
Imagem: Gibi ASMR · BY-SA · Openverse
Artigos revisados por pares
Apesar de ainda não existir consenso dentro da comunidade científica a respeito do ASMR, diversos artigos científicos revisados por pares sobre o tema foram publicados com o objetivo de compreender o fenômeno, a partir de diferentes áreas de conhecimento, como a Medicina, Comunicação, Arte, Psicologia e Neurociência.[excesso de citações] Estudo realizado pelos departamentos de Psicologia da Universidade de Sheffield e Universidade Metropolitana de Manchester de 2018, concluiu que os centenas de milhares de relatos anedóticos de pessoas que assistem a vídeos de ASMR como forma de auxílio para dormir, relaxar e combater o estresse e a ansiedade são consistentes com os resultados obtidos por sua pesquisa denominada "More than a feeling: Autonomous sensory meridian response (ASMR) is characterized by reliable changes in affect and physiology" (em português: Mais do que um sentimento: resposta sensorial autônoma do meridiano (ASMR) é caracterizada por mudanças confiáveis no afeto e na fisiologia), que demonstrou que os vídeos de ASMR regulam a emoção e podem ter benefícios terapêuticos para aqueles que são capazes de experienciar o ASMR, reduzindo, por exemplo, a frequência cardíaca e promovendo sentimentos de afeto positivo e conexão interpessoal. Os autores finalizam afirmando: "Juntas, as evidências atuais devem ajudar a dissipar ceticismo sobre se o ASMR é um fenômeno 'real' e fornecer a base sobre a qual futuras pesquisas podem ser construídas. Com relação ao ASMR, pesquisas futuras podem começar a explorar questões empolgantes sobre as causas proximais e distais do ASMR, quais são seus concomitantes e conseqüências e suas possíveis aplicações terapêuticas."
Declarações da comunidade científica
Vários cientistas publicaram ou tornaram públicas suas reações e opiniões da ASMR. Em 12 de março de 2012, Steven Novella, diretor de Neurologia Geral da Faculdade de Medicina de Yale, publicou um post sobre ASMR em seu blog Neurologica. Quanto à questão de saber se o ASMR é um fenômeno real, Novella disse "neste caso, não acho que exista uma resposta definitiva, mas estou inclinado a acreditar que sim. Há várias pessoas que parecem ter independentemente experienciado e descrito o fenômeno com detalhes bastante específicos. Dessa forma, é semelhante às dores de cabeça da enxaqueca - sabemos que elas existem como uma síndrome principalmente porque muitas pessoas diferentes relatam a mesma constelação de sintomas e história natural". Novella postulou provisoriamente as possibilidades de que o ASMR pudesse ser um tipo de ataque prazeroso ou outra maneira de ativar a "resposta ao prazer".
Imagem: User160802 · CC0 · Openverse
A maioria dos usuários de conteúdo ASMR reportam que utilizam os vídeos para propósito de relaxamento, indução ao sono ou como alternativa para lidar com o estresse. No entanto, uma minoria representada por apenas 5% dos consumidores do conteúdo relata que utiliza esse tipo de vídeo como estímulo sexual. Para suprir esta demanda, um fenômeno que tem crescido no YouTube e em sites direcionados ao público adulto é a criação de uma alternativa leve à pornografia tradicional conhecida como ASMRotica, que são vídeos deliberadamente projetados para serem sexualmente estimulantes. Esse tipo de vídeo tem gerado discussões sobre o erotismo relacionado ao ASMR dentro da comunidade online, pois enquanto alguns jornalistas e comentaristas retratam o ASMR como algo sexual, pesquisas demonstram que não existem evidências suficientes para suportar qualquer conexão entre o ASMR comum e a excitação sexual.
Imagem: Nabil Molinari Photography · BY-NC-SA · Openverse
Uma série de videos sem relação com o ASMR são classificados pela comunidade como "mídias não intencionais". Um exemplo de mídia não intencional é o do pintor Bob Ross. Nos episódios de sua série televisiva The Joy of Painting, sua fala suave e gentil e o som dele pintando e suas ferramentas acionariam o fenômeno em muitos de seus espectadores. O trabalho do cineasta de stop-motion PES também é citado. O primeiro canal do YouTube dedicado exclusivamente a sussuros foi o WhisperingLife, criado em 2009.
Imagem: ELLE TAIWAN · BY · Openverse
Alguns criadores de vídeos de ASMR usam técnicas de gravação binaural para desencadear respostas físicas que eles acreditam ser calmantes e tranquilizantes.


