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Lili Kraus

Lili Kraus foi uma pianista húngara naturalizada norte-americana. Reconhecida por suas interpretações de Mozart e Beethoven, desenvolveu uma carreira internacional que incluiu colaborações com destacados músicos de câmara, como o violinista Szymon Goldberg.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 22/10/2026
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Biografia

Juventude e formação

Filha de família modesta, Lili Kraus iniciou seus estudos de piano aos seis anos. Com apenas oito, foi admitida no Real Conservatório de Budapeste, onde teve aulas de teoria musical com Zoltán Kodály e de piano com Béla Bartók. Concluiu seus estudos com distinção aos 17 anos. Em 1922, transferiu-se para a Academia de Música de Viena, onde aperfeiçoou sua técnica pianística sob a orientação de Severin Eisenberger, discípulo de Theodor Leschetizky, e estudou música contemporânea com Eduard Steuermann, aluno de Arnold Schoenberg. Apesar de o curso de mestrado ter duração de três anos, Kraus concluiu-o em apenas um. Posteriormente, foi nomeada professora da própria academia, função que exerceu até 1930.

Cativeiro japonês (1943–1945)

Em junho de 1943, durante a Segunda Guerra Mundial, Lili Kraus foi detida em Jacarta pelas autoridades japonesas, sob um pretexto não esclarecido. Assim como o violinista Szymon Goldberg, foi separada da família e enviada para um campo de prisioneiros, permanecendo mais de um ano sem qualquer contato com seus entes queridos. No campo, dividia uma cela com outras doze mulheres e foi submetida a trabalhos forçados, como a limpeza de latrinas, que lhe causaram queimaduras químicas nas mãos. Sua alimentação diária consistia apenas de duas porções de arroz e chá de ervas amargas. Após cerca de um ano, graças à intervenção de um maestro japonês que a ouvira em Tóquio em 1936, foi transferida para outro campo e conseguiu reunir-se à família. Nesse novo local, teve acesso a um piano e pôde voltar a tocar. Foi libertada em agosto de 1945, ao término da guerra. Encontrava-se em estado físico crítico, com feridas abertas, infecções e significativa perda de peso. Seus bens pessoais haviam sido inteiramente perdidos.

Recomeço em 1948

Em 1948, Lili Kraus iniciou a segunda fase de sua carreira. Retornou à Europa e realizou sua primeira gravação após a guerra. No ano seguinte, apresentou-se com êxito em Nova Iorque. Ainda em 1949, estabeleceu-se com a família na África do Sul, onde lecionou na Universidade da Cidade do Cabo até 1950. Posteriormente, viveu em Paris e Viena, fixando residência definitiva em Nice, na França, após a morte de seu marido, em 1956. Na Alemanha da década de 1950, Kraus enfrentou certa resistência da crítica, dominada por nomes como Wilhelm Backhaus, Edwin Fischer e Wilhelm Kempff, cujas abordagens influenciavam fortemente a recepção do repertório beethoveniano. Em contrapartida, obteve maior reconhecimento na França, onde estabeleceu parceria com a gravadora Les Discophiles Français. O selo planejava com a artista a gravação integral das obras para piano e de câmara de Mozart e Haydn, projeto que, entretanto, não chegou a ser concluído.

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Importância

Lili Kraus foi uma das mais destacadas intérpretes da obra de Wolfgang Amadeus Mozart no século XX. Sua gravação integral das sonatas para piano, realizada no final da década de 1960, ainda hoje é considerada exemplar. Entre 1965 e 1966, registrou também a integral dos concertos para piano de Mozart, acompanhada pela Orquestra do Festival de Viena sob a regência de Stephen Simon. Essa coleção, lançada paralelamente à série de Géza Anda, iniciada em 1961, é amplamente reconhecida por seu alto valor artístico. Diferentemente de muitos pianistas de sua geração, Kraus não buscava intensidade sonora como prioridade; seu foco estava nos detalhes tímbricos e agógicos, sempre mantendo a fluidez e coerência da forma musical. Por nunca ter firmado contrato de exclusividade com uma gravadora, suas gravações permaneceram por muito tempo de difícil acesso. No entanto, diversos registros feitos entre 1933 e 1958 — incluindo interpretações de sonatas para violino de Mozart e Beethoven com Szymon Goldberg — foram relançados em CD pelos selos Parlophone, Ducretet-Thomson e Les Discophiles Français, assim como sua integral dos concertos de Mozart.

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Fontes consultadas

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