Brigada Azov
A Brigada de Assalto Azov, conhecida anteriormente como o Regimento Azov, Destacamento de Operações Especiais "Azov" ou mais comumente chamado pelo seu nome antigo de até Setembro de 2014, Batalhão Azov, é uma unidade da Guarda Nacional da Ucrânia, anteriormente sediada em Mariupol, na região costeira do Mar de Azov, de onde deriva seu nome. O grupo é controverso por suas origens como uma milícia paramilitar fundado por neonazistas e ultranacionalistas ucranianos. Foi fundada pelo ativista de extrema-direita Andriy Biletsky e luta à favor da Ucrânia contra as forças separatistas pró-Rússia na Guerra em Donbas e mais recentemente contra as Forças Armadas Russas durante a Invasão Russa da Ucrânia.
Fundação
Durante as primeiras fases da Guerra em Donbas, as Forças Armadas da Ucrânia estavam mal preparadas, mal equipadas, com falta de profissionalismo, moral, espírito de luta e incompetência no alto comando, resultando em derrotas contra as forças separatistas. Como reação houve a formação dos "Batalhões de Defesa Territorial", milícias e grupos paramilitares formadas por civis voluntários, para “preencher a lacuna” nas defesas militares ucranianas. Muito desses grupos eram geralmente ligados por movimentos e partidos políticos, principalmente grupos nacionalistas que haviam se tornado espaço após o Euromaidan e a Revolução da Dignidade. Os batalhões foram regulamentadas pelo Ministério de Assuntos Internos como unidades de "Polícia de Patrulha de Tarefas Especiais."
Unidade de polícia voluntária
O Batalhão teve seu batismo de fogo em Mariupol em maio de 2014, onde esteve envolvido em combate durante a Primeira Batalha de Mariupol como parte da contra-ofensiva para recapturar a cidade dos separatistas da autoproclamada República Popular de Donetsk (RPD). Em 13 de junho, juntamente com o batalhão voluntário Dnipro-1, eles retomaram os principais edifícios e redutos ocupados por separatistas, matando pelo menos 5 separatistas e destruindo um veículo blindado inimigo BRDM-2 e um caminhão blindado durante a batalha. Após a Batalha, Azov permaneceu como guarnição em Mariupol por um tempo, onde foram encarregados de patrulhar a região ao redor do Mar de Azov para impedir o tráfico de armas da Rússia para mãos separatistas.
Reorganização e incorporação à Guarda Nacional da Ucrânia
Em setembro de 2014, o Batalhão Azov passou por uma reorganização, e foi atualizado de um batalhão para um regimento, e em 11 de novembro, o regimento foi oficialmente inscrito na Guarda Nacional da Ucrânia. Isso foi parte de mudanças políticas maiores pelo governo ucraniano de integrar os batalhões voluntários independentes sob as Forças Terrestres Ucranianas ou a Guarda Nacional na cadeia de comando formal da Operação Antiterrorista (ATO). O agora Regimento Azov foi designado como "Unidade Militar 3057" e oficialmente chamado de Destacamento de Operações Especiais "Azov". Após sua inscrição oficial na Guarda Nacional, Azov recebeu financiamento oficial do Ministério do Interior ucraniano e de outras fontes (que se acredita serem oligarcas ucranianos). Por volta dessa época, Azov começou a receber suprimentos cada vez maiores de armas pesadas. O fundador do Azov, Andriy Biletsky deixou o batalhão em outubro de 2014 e sua influência se dissipou depois.
Batalha de Shyrokyne
Em 24 de janeiro de 2015, Mariupol foi alvo de um bombardeio indiscriminado com foguetes por separatistas, que deixou 31 mortos e 108 feridos. Em 28 de janeiro, dois membros do Azov foram mortos em um bombardeio de um posto de controle na parte leste de Mariupol. Ambos os ataques foram realizados a partir de uma área perto da aldeia de Shyrokyne, 11 km a leste de Mariupol, onde houve movimento significativo de tropas separatistas na região, alimentando temores de uma terceira ofensiva contra Mariupol. Em fevereiro de 2015, o Batalhão Azov respondeu liderando uma ofensiva surpresa contra os separatistas em Shyrokyne. O objetivo era criar uma zona tampão para evitar mais bombardeios de Mariupol e empurrar as forças separatistas de volta para Novoazovsk. O ataque do Regimento Azov foi reforçado pelo Exército Ucraniano, e Forças de Assalto Aéreo, bem como o Batalhão de Donbas da Guarda Nacional e os batalhões voluntários independentes Corpo Voluntário Ucraniano e o checheno-muçulmano Batalhão Sheikh Mansour.
Invasão Russa da Ucrânia em 2022
O Regimento Azov recuperou a atenção durante a invasão russa da Ucrânia em 2022 . Antes do conflito, Azov foi alvo de uma guerra de propaganda : a Rússia usou a incorporação oficial do regimento à Guarda Nacional da Ucrânia como uma das provas de seu retrato do governo e dos militares ucranianos sob controle nazista, com a "desnazificação" como um casus belli chave. O regimento, por outro lado, era conhecido por sua capacidade de autopromoção, produzindo vídeos de alta qualidade de seus ataques de drones e outras atividades militares; O Daily Telegraph chamou de "máquina de publicidade bem lubrificada". Outros notaram como sua participação na guerra e defesa de Mariupol aumentou a notoriedade nacional e internacional e a popularidade do grupo. A destruição do regimento está entre os objetivos de guerra de Moscou.
O Batalhão Azov criou seu próprio movimento político civil, conhecido coletivamente como "Movimento Azov", um grupo guarda-chuva de organizações formadas por ex-veteranos Azov ou grupos ligados a Azov, e com raízes na organização ultranacionalista Patriota da Ucrânia e no partido Assembleia Social-Nacional, ambos liderados por Andriy Biletsky.
Acampamento de verão para crianças e adolescentes
O Batalhão Azov também administra acampamentos militares de verão no país onde ensina crianças de 9 a 18 anos, as habilidades militares de atirar com rifles, praticar poses de combate e patrulhar. O acampamento de verão Azovets aceita crianças dos membros do Batalhão Azov, bem como crianças do distrito de Obolon, nas proximidades de Kiev, e mais distantes. Inaugurado em 22 de junho, realiza programas de atividades de uma semana para grupos de 30 a 40 crianças. Oficialmente, é para crianças de nove a 18 anos, mas há crianças de até sete anos lá. Algumas das crianças já tinham frequentado por várias semanas seguidas.
Milícia Nacional (2017-2020)
Em 2017, foi formado um grupo paramilitar chamado Milícia Nacional (Natsionalni Druzhyny), intimamente ligado ao movimento Azov. Seu objetivo declarado era ajudar as agências policiais, o que é permitido pela lei ucraniana, e conduzir patrulhas nas ruas. Em 29 de janeiro de 2018, membros da Milícia Nacional invadiram uma reunião do conselho municipal em Cherkasy e se recusaram a deixar as autoridades saírem do prédio até que tivessem aprovado o orçamento da cidade, há muito atrasado. Em 2018, a Milícia Nacional também foi acusada de uma série de ataques a assentamentos ciganos. Desde 2020, o grupo se encontra inativo e suas atividades encerradas.
Casa Cossaca
A Casa Cossaca é um centro comunitário fundado em abril de 2016 por jovens ativistas nacionalistas, é amplamente conhecida por ser um bastião civil do movimento radical de Azov, dedicado a promover visões de direita e trazer um renascimento do nacionalismo ucraniano. Sediada na Rua Taras Shevchenko, no centro histórico de Kiev, dentro de um edifício que já abrigou o Hotel Cossack, o edifício foi tomado pelos “homenzinhos pretos”, os jovens patriotas ucranianos durante a Revolução da Dignidade. Embora legalmente ainda pertença ao seu proprietário original, desde o Euro Maidan tornou-se um espaço de ocupação de várias organizações de mentalidade patriótica e do movimento voluntário de jovens. Também foi usado como a principal base educacional para o que mais tarde se tornou o batlhão Azov. Hoje, de acordo com AzovPress (voz oficial de relações públicas do regimento Azov), a casa é um bastião civil do movimento Azov mais amplo.
Participação política
Na primavera de 2015, veteranos do batalhão de voluntários Azov criaram o núcleo de uma organização não militar não governamental "Corpo Civil Azov" (Tsyvilnyi Korpus "Azov"), com o objetivo de "luta política e social". Em 2017, o grupo criou o seu braço político, o Corpo Nacional, um partido ultranacionalista que se opõe tanto à Rússia quanto a entrada da Ucrânia na OTAN e na União Europeia. Em 2016, Andriy Biletsky, foi eleito como parlamentar no Conselho Supremo da Ucrânia, representando Kharkiv. Durante as Eleições parlamentares na Ucrânia em 2019, o Corpo Nacional fez parte de uma coligação política de partidos de extrema-direita, que incluíam o Setor Direito, Svoboda e a "Iniciativa Governamental de Yarosh". Essa coaligação ganhou 2,15% dos votos da lista eleitoral em todo o país, mas acabou não conseguindo nenhum assento no Conselho Supremo da Ucrânia.
Banimento das redes sociais
Em abril de 2016, o Facebook proibiu páginas e publicações apoiando o batalhão de Azov, no entanto, o primeiro banimento ocorreu em 2015 devido a discursos de ódio e imagens de violência. O Facebook designou o Batalhão Azov como uma “organização perigosa” porém as páginas vinculadas ao grupo continuaram a espalhar propaganda e anunciar mercadorias na plataforma em 2020, de acordo com pesquisa do Center for Countering Digital Hate publicada em novembro de 2021. Mesmo em dezembro, a ala política do movimento Azov, o Corpo Nacional e sua ala jovem mantinham pelo menos uma dúzia de páginas no Facebook. Alguns começaram a desaparecer depois que a TIME fez perguntas sobre o Azov ao Facebook.
Andriy Biletsky (de março de 2014 a outubro de 2014): Biletsky era o líder original do grupo. Ele era anteriormente o líder do grupo de extrema-direita "Patriotas da Ucrânia" e da Organização Nacionalista da Assembleia Social. Em 2011, ele foi preso como parte de uma grande busca de membros do Patriotas da Ucrânia por uma tentativa de assassinato. Em fevereiro de 2014, ele foi libertado da prisão após uma lei do governo que exonera todos os presos políticos. Ele deixou o grupo em outubro de 2014 para se tornar membro do Parlamento da Ucrânia onde ocupou o cargo até 2019. Ihor Mosiychuk (de 2014 a 2014): Mosiychuk foi um membro fundador e vice-comandante do grupo. Ele foi acusado de tentar bombardear uma estátua de Vladimir Lenin em 2011, o que levou à sua prisão como parte do “Vasylkiv 3” junto com Serhiy Bevza e Volodymyr Shpara. Em fevereiro de 2014, ele foi libertado da prisão após uma lei do governo que exonera todos os presos políticos e então ajudou a criar o Batalhão de Azov. No outono de 2014, ele deixou o Batalhão Azov para concorrer ao Parlamento com o Partido Radical e venceu. Ele serviu no Parlamento de novembro de 2014 a outubro de 2019 até que seu partido perdeu todos os seus assentos.
Status
O Batalhão de Azov foi fundado oficialmente em Maio de 2014, embora já existisse anteriormente como uma milícia não-oficial. Sua primeira forma foi uma unidade policial voluntária, sendo subordinada ao Ministério do Interior da Ucrânia. Em 2015, o governo ucraniano decidiu transformar todos os batalhões voluntários – tanto os "Batalhões de Defesa Territorial" associados às forças armadas quanto a "Polícia de Patrulha de Tarefas Especiais" do Ministério do Interior – em unidades regulares das Forças Armadas Ucranianas e da Guarda Nacional, respectivamente. Azov é um dos últimos. Desde de 2015 sua inclusão dentro da Guarda Nacional da Ucrânia, a unidade se profissionalizaou, passando a receber amplo treinamento tático e estratégico, além de se armar com veículos blindados, artilharia e veículo aéreo não tripulado (VANTs). Entretanto, diferente de outras unidades da Guarda Nacional, o Regimento Azov goza de significante autonomia.
Recrutamento de estrangeiros
O Batalhão de Azov confirma que possui vários voluntários estrangeiros em suas fileiras, principalmente georgianos, romenos, alemães, ingleses, franceses, libaneses e até mesmo alguns russos. Em 2016, a Polícia Federal do Brasil desmantelou uma célula do Batalhão de Azov no Rio Grande do Sul que recrutava neonazistas brasileiros para serem enviados para a Ucrânia. Uma pesquisa de 2019, realizada por Adriana Dias, doutora em Antropologia Social pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) conseguiu rastrear e contabilizar 334 células neonazistas ativas atualmente no Brasil sendo a célula neonazista Azov a maior de todas as localizadas em Goiás e está ativa na capital de estado. A Azov em Goiás, tem traços neonazistas de limpeza étnica e perseguição a homossexuais; conforme Adriana, o movimento chegou ao estado vindo da Ucrânia e Inglaterra. Na capital, onde a célula é majoritária, a ideologia do Batalhão de Azov está presente em academias de luta, onde alguns dos membros, ligados à essa vertente de extrema-direita, organizam lutas e competições entre si.
Diferentes órgãos de direitos humanos acusaram os combatentes do Azov, juntamente com os de outros batalhões de voluntários, de violações de direitos humanos, sequestros de tortura e execuções extrajudiciais. Foram documentados saques em massa de casas de civis, bem como alvos de áreas civis entre setembro de 2014 e fevereiro de 2015." Em maio de 2014, membros do batalhão “Azov”, que alegavam estar agindo sob as ordens da Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU), sequestrou uma mulher perto de sua casa na região de Zaporizhzhia, eles a submeteram a ameaças e torturas que duraram quatro a cinco horas. Em 2016, a Anistia Internacional e a Human Rights Watch receberam várias alegações críveis de abuso e tortura por parte do regimento. Relatórios publicados pelo Escritório do Alto-comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) conectaram o Batalhão Azov a crimes de guerra, como saques em massa, detenção ilegal e tortura. Um relatório do ACNUDH de março de 2016 afirmou que a organização havia "coletado informações detalhadas sobre a condução das hostilidades das forças armadas ucranianas e do regimento Azov em e ao redor de Shyrokyne (31 km a leste de Mariupol), desde o verão de 2014 até hoje.
Neonazismo
O Batalhão Azov foi descrito como uma milícia de extrema-direita com conexões com o neonazismo, com membros usando símbolos e insígnias neonazistas e SS e expressando pontos de vista neonazistas." A insígnia do grupo apresenta o Wolfsangel e o sol negro, dois símbolos neonazistas. O Batalhão de Azov e seus membros negam que seja um grupo neonazista ou conexões com a ideologia. Um porta-voz da unidade disse que "apenas 10 a 20%" de seus recrutas são nazistas, com um comandante atribuindo a ideologia neonazista a jovens mal orientados. Soldados Azov foram observados usando símbolos associados aos nazistas em seus uniformes. Em 2014, a rede de televisão alemã ZDF mostrou imagens de combatentes Azov usando capacetes com símbolos da suástica e "as runas SS do infame corpo de elite uniformizado de preto de Hitler". Em 2015, Marcin Ogdowski, um correspondente de guerra polonês, obteve acesso a uma das bases de Azov localizadas na antiga estância de férias Majak; Os combatentes Azov mostraram a ele tatuagens nazistas, bem como emblemas nazistas em seus uniformes.
Acusações de antissemitismo
O fundador do batalhão, Andriy Biletsky, disse em 2010 que a missão da nação ucraniana é "liderar as raças brancas do mundo em uma cruzada final... contra o Untermenschen liderado pelos semitas". Segundo várias fontes, desde se tornar uma figura pública em 2014, Biletsky começou a atenuar sua retórica radical e manteve-se de fazer comentários antissemitas. Embora ainda assim ele tenha admitido que o antisemitismo seja uma "visão comum em nível local" em seu partido político. Mais de 40 ativistas de direitos humanos israelenses assinaram uma petição para interromper a venda de armas para a Ucrânia argumentando que Israel está vendendo armas automáticas IMI Tavor TAR-21 e IWI Negev ao governo ucraniano sabendo que algumas dessas armas acabar nas mãos da milícia de direita Azov.


