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Arquitetura da Roma Antiga

A arquitetura da Roma Antiga é um legado da civilização romana para o mundo ocidental. Embora às vezes considerada como derivada da arquitetura grega, diferenciou-se por características próprias. Alguns autores agrupam ambos estilos designando-os por arquitetura clássica.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 13/07/2026
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Origens e influências

Os romanos constituíam uma sociedade em constante expansão, com grande contato com outros povos e culturas, e portanto cosmopolita. Isso fez com que a cultura romana fosse muito diversificada, sofrendo influências e incorporando as características dos locais pelos quais passava e dominava. A arquitetura de Roma seguiu esta linha, sendo influenciada principalmente pela arquitetura grega e etrusca. A herança da Grécia deu-se através das ordens dórica e jônica - nomes de regiões gregas onde esses estilos eram mais empregados. Essas duas ordens correspondem, de forma geral, às colunas dos templos. O dórico, usado sobretudo no exterior dos templos gregos, acabou sendo mais frequente nas colônias gregas e no sul da península Itálica (a Magna Grécia). O jônico, estrutura mais elaborada e usada em templos de devoção a divindades femininas, esteve presente em maior quantidade na costa oeste da Ásia Menor e nas ilhas do mar Egeu. Ambos os estilos, no entanto, coexistiram em alguns locais. Ainda foi usada como referência para os romanos a ordem coríntia, uma variedade do jônico, porém mais trabalhada e rebuscada.

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Características da arquitetura romana

O Templo da Fortuna Viril, ainda em bom estado de conservação, é uma mostra de que os romanos conseguiram criar uma arquitetura particular. Ele tanto tinha características gregas, como as colunas jônicas, quanto etruscas - marcadas pelo alto pódio, o profundo pórtico e a larga cela. Os romanos construíram templos conforme as suas demandas: precisavam de santuários com interiores espaçosos porque os usavam para abrigar as imagens e também os troféus trazidos pelos exércitos. Não se tratava, portanto, de uma imitação dos templos gregos. As referências eram adaptadas de acordo com as necessidades. Prova de que os romanos conseguiram imprimir suas próprias características na arquitetura é a criação das ordens toscana e compósita. A primeira tem inspiração no estilo porém mais simplificado. E a segunda busca a referência no coríntio e no jônico. O império absorveu características regionais e as fundiu em um padrão comum estabelecido pela cidade de Roma.

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Inovações técnicas e funcionais

A arquitetura romana caracterizou-se pela forte influência dos modelos etrusco e grego, e pode ser dividida em duas fases estilísticas: primeiro o estilo pré-imperial (republicano), e posteriormente o estilo imperial. Enquanto o estilo republicano se consolidou principalmente na arquitetura, como são exemplos o Teatro de Marcelo e a Basílica Júlia, o estilo imperial se expandiu no domínio das artes. Diferentemente da arquitetura grega, na romana o trabalho técnico dos engenheiros era predominante. As soluções para novos modelos de construção são mais importantes que a decoração artística, de forma que a funcionalidade sobressai. Ainda hoje temos exemplos desse traço da arquitetura romana nas ruínas de vários edifícios, pontes, aquedutos e outras obras, além das rotas que ligavam o Império Romano, como a Via Ápia (312 a.C.) e a Via Flamínia (220 a.C.). Entre as inovações técnicas, o período republicano destacou-se pelo uso de uma espécie de cimento, composto por diferentes materiais, que permitiram um melhor desenvolvimento das construções. Além das pedras e tijolos utilizados, o cimento romano permitia a formação de uma liga na junção dos materiais, tornando as construções mais sólidas. A partir do século II a.C., os arquitetos trabalhavam com dois novos materiais de construção: o opus caementicium (cimento romano) e o latericium (ladrilho que tinha mais versatilidade que o concreto). Com combinação dos dois novos materiais era possível construir obras de enormes dimensões e ao mesmo tempo leves. Os principais materiais utilizados nas construções eram pedra cortada em blocos regulares, tijolo de concreto, alvenaria, madeira, gesso, mármore e azulejos.

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Materiais de construção

Pedras vulcânicas

Desde o século VI a.C., a maioria dos edifícios romanos foram construídos com blocos de pedra permitindo uma melhor durabilidade dos edifícios. Até finais do século II a.C., os romanos utilizavam principalmente o tufo vulcânico, uma pedra vulcânica local com muitas variedades cuja exploração corresponde a diferentes fases arquitetónicas. O primeiro tipo de tufo utilizado, entre os séculos VII e V a.C., é o cappellaccio, um tufo cinzento de má qualidade por ser pouco sólido e friável. Esta pedra é extraída das próprias colinas de Roma (Palatino, Capitolino e Quirinal) para as grandes obras do final da monarquia. Depois da captura de Veii e do seu território no início do século IV a.C., os romanos exploraram os tufos amarelados de Fidenae e Grotta obscura até finais do século II a.C onde a sua extração diminuiu diante de outras variedades que ofereciam melhores propriedades.

Tijolo romano

Os romanos faziam tijolos de argila decantados e limpos em água com adição de areia, seguindo um procedimento semelhante ao utilizado para a cerâmica. A argila assim tratada é despejada em moldes de madeira e os tijolos obtidos são secos ao sol por vários dias. Depois de secos, os tijolos eram levados ao forno a 1.000 °C . O tijolo romano é mais fino que o tijolo moderno e pode assumir formatos muito diversos: quadrado, retangular, triangular ou até circular. Os romanos começaram a utilizar o tijolo no final da República e aperfeiçoaram a técnica de fabrico do tijolo durante o século I. É utilizado indistintamente na construção de edifícios públicos e privados. Os primeiros edifícios construídos inteiramente em tijolo surgiram a partir do reinado de Cláudio, por volta de meados do século I.

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Principais construções romanas

A típica casa romana, a domus, era mais modesta que os templos religiosos, mas também possuía uma organização particular. No centro das casas ficava o átrio, uma espécie de pátio interno, ao qual se acedia diretamente da rua pelo óstio. Compreendia o implúvio, que armazenava a água da chuva por meio de calhas dirigidas para o interior da casa. Como esse era localizado no centro da casa, os aposentos sociais ficavam nas laterais do átrio, e atrás, oposto a entrada, ficava o tablínio, espécie de escritório do chefe da casa. Esse modelo de casa foi muito comum durante o período republicano, sendo encontrado sobretudo nos vestígios arqueológicos de Pompeia. Além desse modelo, eram recorrentes também as insulas, que reuniam pequenas casas em um único prédio, como edifícios de apartamentos.

Termas

As termas romanas eram edifícios para banhos públicos e constituíam um ponto de encontro muito frequentado pelos romanos, principalmente no período imperial. Possuíam local separado para vestiário, piscina, banho quente, frio e com temperatura intermediária, além de locais para exercícios, jardins e até bibliotecas. Os primeiros edifícios termais datam do século I a.C. As Termas de Caracala foram inauguradas em 216 d.C. e são consideradas a maior construção do tipo.

Teatros e anfiteatros

Esse tipo de edificação começou a aparecer no fim do período republicano, instalada preferencialmente no coração das cidades romanas. Para isso, eram construídas sobre uma estrutura de pilares e abóbadas, uma diferenciação importante dos teatros gregos, que utilizavam declives naturais. Os teatros romanos recebiam principalmente os combates entre gladiadores ou entre gladiadores e feras. O mais antigo anfiteatro conhecido é o de Pompeia (75 a.C.) e o maior e mais famoso é o Coliseu de Roma (70-80 d.C.), que tinha capacidade para pelo menos 45 mil espectadores sentados e mais cerca de 5 mil em pé. O anfiteatro é uma grande edificação ao ar livre da arquitetura romana clássica, normalmente de planta oval com um espaço central ao nível do solo e coberto de areia (em latim arena), que era rodeado por três níveis de bancadas (cavea): em termos gerais, o primeiro junto da arena destinava-se às personagens importantes da comunidade (imma cavea), o segundo onde se sentava a plebe romana (media cavea), e o terceiro espaço, no topo das bancadas, onde se sentavam as mulheres (summa cavea). A arena e as bancadas estavam separadas por um muro alto que protegia o público. Nos alicerces das bancadas existiam vários espaços confinados onde se encerravam os gladiadores (spolia) ou as jaulas das feras (carcere).

Estradas

As estradas romanas eram um grande diferencial do império. Suas principais funções eram na esfera militar e da comunicação, no serviço de mensageiros, de cuja rapidez dependia a administração do extenso império. As estradas eram construídas com grandes pedras, com traçado retilíneo e tipicamente alisadas. A Via Ápia foi a primeira e principal estrada romana, construída em 312 a.C. para ligar Roma à cidade de Cápua.

Aquedutos

Os romanos desenvolveram um complexo e grandioso sistema de aquedutos para abastecer as cidades com água. A cidade de Roma tinha a maior concentração de aquedutos: construídos num período de 500 anos, eram 11 ao todo, somando 416 km de extensão. Contudo, os aquedutos eram em grande parte subterrâneos — apenas 47 km eram elevados — o que os mantinha longe de carcaças de animais, e consequentemente de doenças, e ainda evitava ataques inimigos. Os europeus mantiveram da herança romana a arte de canalizar a água em aquedutos. Um exemplo dessa influência são os Arcos da Lapa, no Rio de Janeiro, construídos pelos portugueses.

Templos

Os templos romanos seguiam principalmente o estilo jônico. Diferentemente dos templos gregos, eles não possuíam abertura por todos os lados e sim uma entrada com degrau e pórtico apenas na parte frontal. O Panteão é o mais importante templo da cidade de Roma e se encontra até hoje em ótimo estado de conservação. Seu domo possui 43 metros de diâmetro e 43 metros de altura, sendo o maior do mundo da sua época. Dedicado a todos os deuses romanos, o Panteão foi construído em 27 a.C. por Marco Vipsânio Agripa, e depois reconstruído em 125 d.C., graças a um incêndio que atingiu o templo. Foi preservado ao ser transformado em igreja, no século VII, e continua conhecido hoje pelo nome de Igreja de Santa Maria e Todos os Santos.

Arcos do triunfo

Foram os romanos quem introduziram este tipo de monumento arquitetônico. O arco do triunfo era construído após vitórias em batalhas, para simbolizar e homenagear o triunfo do exército romano. Os arcos eram feitos inicialmente de madeira e possuíam as campanhas militares esculpidas nos baixos-relevos, além dos despojos dos vencidos. Atualmente existem cinco arcos de triunfo em Roma, representando os triunfos de Druso, Tito, Septímo Severo, Galiano e Constantino, todos em mármore.

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Legado

Mesmo com o fim do Império Romano, a cultura deste povo perdurou e influenciou todo o mundo ocidental, desde a Idade Média até os dias de hoje. Na Europa dos séculos XI e XII, por exemplo, surgiu um movimento arquitetônico denominado "Românico", por se inspirar na arquitetura da Roma Antiga. O movimento foi impulsionado principalmente por Carlos Magno, que utilizou a cultura greco-romana como modelo para as oficinas da sua corte. As principais características da arquitetura românica são as abóbodas, os pilares maciços que as sustentam e as paredes espessas com aberturas estreitas usadas como janelas. A designação "Românico" surgiu no século XIX e significava "semelhante ao romano". A arquitetura renascentista também teve como principal fonte a cultura greco-romana. Os arquitetos deste movimento utilizaram e reinventaram elementos como as abóbodas e as cúpulas, sem deixar de seguir as ordens jônicas e coríntias. Leon Battista Alberti, por exemplo, projetou a igreja de Santo André, em Mântua, cuja entrada possui o formato do arco do triunfo romano. Os arcos triunfais também serviram de inspiração para Donato Bramante na projeção de palácios. A principal característica era a tríade de aberturas adornadas com arcos de volta inteira, sendo dois deles dispostos a uma mesma altura, com o central maior. Além de Bramante, outros arquitetos renascentistas também projetaram palácios. Um dos modelos mais seguidos pelo movimento era a ordem das colunas variando de acordo com o andar, sendo o térreo geralmente construído de acordo com a ordem toscana, uma variante da arquitetura romana, como já foi explicado acima.

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Fontes consultadas

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