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Arqueologia bíblica

A arqueologia bíblica é um ramo da arqueologia especializado em estudos dos restos materiais relacionados direta ou indiretamente com os relatos bíblicos e com a história das religiões judaico-cristãs. A região mais estudada pela arqueologia bíblica, na perspectiva ocidental, é a denominada Terra Santa, localizada no Médio Oriente.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 16/07/2026
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A alta crítica

A historicidade e autenticidade dos registros bíblicos tem sido alvo de controvérsia por parte de estudiosos críticos, cuja forma de pensar é usualmente chamada de alta crítica. Nestes estudos junto com a crítica textual, várias vezes são proferidas declarações polémicas sobre o que a autoridade escriturística exige e o que ela implica. Este ceticismo em relação à confiabilidade das Escrituras iniciou-se no século XIX e subsiste em muitos círculos acadêmicos. Esta alta crítica acabou por incentivar pesquisas arqueológicas mais extensas por parte de muitos historiadores e arqueólogos. O principal objetivo da ciência arqueológica não é provar ou desacreditar a Bíblia em sentido teológico. Neste sentido, o artigo arqueologia bíblica se concentra primariamente em pesquisas e descobertas arqueológicas relacionadas com os relatos bíblicos. Ainda assim, a arqueologia bíblica é uma matéria de estudo polémica, com várias perspetivas sobre qual o seu propósito e as suas metas. Analisando os comentários de historiadores e de destacados arqueólogos, podem encontrar-se os mais variados pontos de vista.

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A arqueologia

Para compreender plenamente o objetivo da arqueologia bíblica é necessário entender a arqueologia como método científico e a Bíblia como objeto de investigação. A arqueologia é ao mesmo tempo técnica e ciência. Como técnica, busca os restos materiais das civilizações antigas e trata de reconstruir, na medida do possível, o ambiente e as civilizações de uma ou várias épocas históricas. Trata-se de uma ciência moderna, ainda considerada recente, com apenas duzentos anos. Poder-se-ia pensar que a arqueologia tende a omitir os dados oferecidos pelas religiões e por muitos sistemas filosóficos. No entanto, além dos artefatos e locais arqueológicos tais como lugares de culto, relíquias e outros elementos de ordem sagrada bem como outros objetos cientificamente observáveis, existem aspectos que são igualmente importantes para a investigação científica arqueológica. Entre estes estão conceitos imateriais como os ritos, livros sagrados e a cultura. O mito é usualmente utilizado na arqueologia e na história como uma pista da verdade que poderá esconder. Esta nova percepção contemporânea do mito motivou a ciência arqueológica a buscar novos dados nos territórios descritos nos relatos bíblicos.

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Campo de estudo

A arqueologia bíblica é a disciplina que se ocupa da recuperação e investigação científica dos restos materiais de culturas passadas que podem iluminar os períodos e descrições da Bíblia. Usa-se como base de tempo, um amplo período entre o ano 2 000 a.C. e 100 d.C. Outros preferem falar de arqueologia da Palestina, referindo-se aos territórios situados ao leste e oeste do Rio Jordão. Esta designação expressa o facto da arqueologia bíblica estar especialmente circunscrita aos territórios que serviram de cenário aos relatos bíblicos. A função da arqueologia bíblica não é confirmar ou desmentir os eventos bíblicos, nem pretende influenciar determinadas doutrinas teológicas, tal como a da salvação. Limita-se ao plano científico e não entra no terreno da fé. Ainda assim, alguns resultados da arqueologia bíblica podem e têm contribuído para:

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Espaço

O espaço geográfico da arqueologia bíblica envolve as terras bíblicas chamadas, no sentido religioso, de "Terra Santa". Assim sendo, os trabalhos de pesquisa centralizam-se especialmente em Israel, Palestina e Jordânia. Também existem outros cenários mencionados pelos relatos bíblicos com grande importância tais como o Egito, Assíria, Síria, Mesopotâmia e o Império Aquemênida. Outras regiões como a Ásia Menor, Macedônia, Grécia e Roma estão particularmente relacionadas com os relatos do Novo Testamento.

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Tempo

Da mesma maneira que os critérios de espaço variam segundo os diversos pontos de vista de autores diferentes, o mesmo acontece com os critérios do tempo, ou seja, do período temporal sobre o qual as pesquisas devem incidir. Peter Kaswalder, professor de arqueologia do Antigo Testamento em Jerusalém, define esse tempo como um período que vai desde o século IX a.C., que corresponde às primeiras datações de Jericó, até o ano 700 que marca o início das invasões muçulmanas. Este período de tempo é muito discutido por alguns autores. Um segundo período ainda maior e também referido nos relatos bíblicos tem início na Idade do Bronze, por volta do ano 2 000 a.C. que corresponde desde os Patriarcas (Abraão, Isaque e Jacó), até finais do século I, com a morte do último apóstolo, João, o Evangelista, e o fim da chamada Igreja Apostólica. Estes termos, igreja primitiva ou dos apóstolos, refere-se à época de vida das primeiras pessoas que se identificavam como cristãs, tempo em que teriam vivido os apóstolos de Jesus, incluindo Paulo de Tarso. Este período apostólico terminou com a morte de João, o Evangelista, numa data desconhecida que se presume rondar o ano 110.

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História

A história da arqueologia bíblica é tão recente como a da arqueologia em geral. O seu desenvolvimento despontou com a descoberta de achados de primeira importância para a mesma. Alistam-se em seguida alguns dos achados arqueológicos bíblicos mais importantes das últimas décadas segundo a compilação do Centro de Estudos Ratisbonne de Jerusalém.

Algumas descobertas relevantes

A arqueologia bíblica é também objeto de célebres falsificações motivadas por múltiplos interesses. Uma das mais conhecidas surgiu em 2002 quando se publicou o suposto achado de um túmulo (ossário) com uma inscrição que dizia "Tiago, filho de José e irmão de Jesus". Na realidade, o artefacto havia sido construído apenas vinte anos antes, portanto numa época muitíssimo posterior. As características do objeto encontrado não correspondiam ao padrão do século I, revelando a sua falsidade e expondo as estranhas circunstâncias relacionadas com a sua posse e descoberta.

Etapas da arqueologia bíblica

O desenvolvimento da arqueologia bíblica tem sido marcado por diferentes períodos da história da humanidade, entre os quais se referem os seguintes:

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Escolas arqueológicas

A arqueologia bíblica é matéria de permanente debate. Um dos assuntos de maior disputa tem sido o período da História do antigo Reino de Israel. Também, de um modo geral, a historicidade da Bíblia tornou-se motivo de controvérsias, dividindo os estudiosos em diferentes correntes ou escolas de pensamento, tais como o minimalismo e maximalismo. Também, o método não-histórico de ler a Bíblia difere da sua tradicional leitura religiosa.

Minimalismo bíblico

O minimalismo bíblico, segundo a chamada Escola de Copenhague ou Copenhaga, enfatiza que a Bíblia deve ser lida e analisada, no seu todo, como um conjunto de narrativas e não como uma detalhada coleção histórica da pré-história do Médio Oriente. Em 1968, Niels Peter Lemche e Heike Friis escreveram ensaios nos quais efetuaram uma revisão completa do modo de se ler a Bíblia por forma a tirar conclusões históricas dela. G. Garbini, com a sua História e ideologia do Israel antigo, T.L. Thompson com a sua "História antiga dos israelitas: de fontes escritas e arqueológicas" e P.R. Davies com a sua obra "Em busca do "Antigo Israel", construíram as bases do que se considera ser o minimalismo bíblico. Davies, por exemplo, afirma que o Israel histórico só pode ser encontrado nos restos arqueológicos, sendo que o Israel bíblico se percebe somente nas Escrituras e o Israel antigo numa amálgama de ambos. Thomson e Davies vêem o Antigo Testamento como uma criação imaginária de uma minoritária comunidade de judeus em Jerusalém depois do período descrito na Bíblia como o retorno do Cativeiro de Babilônia (após 539 a.C. em diante). Para esta escola de pensamento, nenhum dos primitivos relatos bíblicos tem solidez histórica e só alguns dos mais recentes possuem fragmentos de uma genuína memória, sendo estes eventos os únicos apoiados pelas descobertas arqueológicas. Em consequência, os relatos acerca dos patriarcas bíblicos são tidos como ficção, assim como as Tribos de Israel, que nunca teriam existido, tampouco os reis David e Saul ou a unidade da monarquia de David e Salomão.

Maximalismo bíblico

O termo "maximalismo" pode gerar confusão, visto que alguns o relacionam com a "infalibilidade bíblica", doutrina que sustenta que a Bíblia é sem erro desde a sua forma original, o que inclui os trechos que abordam temáticas históricas e científicas. Alguns associam todos os maximalistas com essa doutrina. A maioria dos maximalistas bíblicos aceita as descobertas da arqueologia e os modernos estudos bíblicos, no entanto, sustentam que todo o conjunto de relatos bíblicos são na realidade referências históricas sendo que os mais recentes livros possuem maior solidez histórica que os mais primitivos. A arqueologia marca eras históricas e reinos, modos de vida e comércio, crenças e estruturas sociais. No entanto, apenas em pouquíssimos relatos, os estudos arqueológicos apresentam informações sobre famílias individuais não sendo possível, portanto, esperar tais elos a partir da arqueologia. Por exemplo, atualmente não se espera que a arqueologia apresente qualquer prova que assegure ou negue a existência dos patriarcas.

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Sítios arqueológicos

Na atualidade, os territórios bíblicos estão cheios de escavações, sítios arqueológicos e museus abertos ao público em geral. Entre os mais destacados podem-se encontrar: Um complexo de sítios que compreende o alegado túmulo de Jesus e o Calvário. Sua identificação leva em conta achados arqueológicos, mas baseia-se na maior parte em tradição do século IV, devido a evidências de tumbas judaicas, artefatos romanos, construções constantinas e influências otomanas. A identificação continua sendo conjetura. Reúne objetos de valor universal, para estudos bíblicos, a história e pré-história do chamado Oriente Médio. Este museu é conhecido como um dos mais importantes museus relacionados à arqueologia bíblica. Passando por baixo da Cidade Antiga de Jerusalém e seus Muros, é um dos elementos declarados na bíblia tanto nas Escrituras Hebraicas como nas Escrituras Gregas Cristãs. Em 1986, um dos últimos achados foi um barco enterrado perto do Mar da Galileia, perto da antiga Cafarnaum e com surpresa, datado do século I, portanto do tempo de Jesus. Por esta razão, "O barco da Galileia" tem sido chamado de "O Barco de Pedro", porque se permite ter uma ideia do tipo de navios que os pescadores que conheceram Jesus, usavam. O barco da Galileia mede cerca de 8 metros de comprimento e 2,3 metros de largura.

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Objetos de escavações documentadas

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Objetos de procedência conhecida, mas não proveem de escavações

Os seguintes objetos vêem de estudos do século XIX e coleções não documentadas cuja procedência não é relevante apesar da natureza genuína de seu conteúdo. Em outras palavras foram descobertos num tempo em que o conhecimento era limitado e não há razões para crer que tenham sido falsificados. Situada originalmente na saída do túnel de Ezequias, retirada de Jerusalém em 1880, a inscrição registra a construção do túnel no século VIII a.C.. Encontra-se entre os registros mais antigos escritos na língua hebraica

Objetos de procedência desconhecida, discutida ou reprovada

Os objetos na lista a seguir, em geral são de coleções privadas por meio de antigos mercados. Sua autenticidade é altamente controvertida e em alguns casos pode-se demonstrar sua falsidade:

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Disciplinas relacionadas

Assim como todas as ciências, a arqueologia, no seu ramo de pesquisas bíblicas tem suas próprias especializações assim como seu trabalho interdisciplinar. A arqueologia bíblica tem como prioridade, o trabalho de equipe com disciplinas como a antropologia, a geologia e outras ciências que permitem ter-se una Ideia do mundo antigo. Outras disciplinas como a filosofia, a teologia, a exegese, a hermenêutica, servem-se dos resultados científicos da arqueologia. Por exemplo, algumas vezes a Bíblia utiliza uma linguagem simbólica, menção que pertence ao plano estritamente teológico, e não necessariamente verificável. No entanto, a maioria das passagens bíblicas deverá ser verificável, e graças à arqueologia, tem-se achado uma explicação concreta para estas. Por exemplo, junto com estudos de outros arqueólogos, em 1981 o professor John J. Bimson examinou a questão da destruição dos muros de Jericó. Atualmente, sabe-se, que o relato bíblico mencionado no Livro de Josué sobre a destruição de Jericó e a imigração israelita à Terra Prometida coincide com os estudos arqueológicos das ruínas escavadas, que puderam ser datadas ao mesmo período mencionado na Bíblia, em meados do século XV a.C.

Papirologia

A papirologia tem uma relação especial com a arqueologia em geral, sendo uma das maiores autoridades em terreno bíblico. Graças aos papirólogos e seu paciente labor de busca, reconstrução e investigação, tem sido possível determinar a datação de numerosos documentos antigos, e a originalidade ou não de seus autores. Muitos dos livros bíblicos que são atualmente publicados em modernas imprensas ou por meios digitais, foram escritos inicialmente em rolos de papiro. Obviamente, a grande maioria desses originais se perdeu, e tem-se apenas cópias de cópias. Qumrán, junto ao mar Morto, se converteu na principal fonte de papiros sobre os livros bíblicos canônicos e apócrifos. Perto de Qumrán há muitas cavernas onde foram encontrados cerca de 800 documentos que estavam guardados no interior de jarros de argila, sendo que 98 % deles referentes a temas religiosos, como livros bíblicos, e um papiro do Novo Testamento conhecido como (7Q5).

Fragmentos de cerâmica e pergaminhos

De igual importância para a arqueologia é um óstraco, uma forma muito popular na antiguidade e usada como alternativa de escrita em papiro (planta que cresce no delta do Nilo e facilmente encontrada) e em pergaminho, que eram mais custosos. O uso destes pedaços de cerâmica contendo escrita, encontra-se em pinturas que revelam a cultura e a antropologia dos povos antigos. Outro material muito buscado e apreciado pelos arqueólogos é o pergaminho, feito a partir da peles de animais, especialmente os domésticos. Foi em Pérgamo que esta técnica teve um grande florescimento, sendo esta a origem do seu nome, mas a verdadeira origem do pergaminho remonta a 1 500 a.C., mas sendo amplamente usado a partir de 190 a.C. Assim como sucedia com o papiro, o pergaminho era um material caro, restringido a quem tinha a capacidade de comprá-lo.

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Fontes consultadas

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