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Bomba nuclear

Bomba nuclear é um dispositivo explosivo que deriva sua força destrutiva das reações nucleares, tanto de fissão ou de uma combinação de fissão e fusão. Ambas as reações liberam grandes quantidades de energia a partir de quantidades relativamente pequenas de matéria. O primeiro teste de uma bomba de fissão, o teste Trinity, marco para a entrada na Era Nuclear, liberou a mesma quantidade de energia de cerca de 20 mil toneladas de TNT. O primeiro teste de uma bomba termonuclear liberou uma quantidade de energia equivalente a cerca de 10 milhões de toneladas de trinitrotolueno (TNT). Uma arma termonuclear moderna, pesando pouco mais de 1,1 quilograma, pode produzir uma força explosiva equivalente à detonação de mais de 1,2 milhão de toneladas de TNT. Assim, mesmo um pequeno dispositivo nuclear não muito maior do que bombas tradicionais, pode devastar uma cidade inteira através da gigantesca explosão e por incêndios e radiação subsequentes. As armas nucleares são consideradas armas de destruição em massa e seu uso e controle têm sido um dos principais focos da política de relações internacionais desde a sua criação.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 22/06/2026
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Tipos

As bombas atômicas são normalmente descritas como sendo apenas de fissão ou de fusão com base na forma predominante de liberação de sua energia. Esta classificação, porém, esconde o fato de que, na realidade, ambas são uma combinação de bombas: no interior das bombas de hidrogênio, uma bomba de fissão em tamanho menor é usada para fornecer as condições de temperatura e pressão elevadas que a fusão requer para se iniciar. Por outro lado, uma bomba de fissão é mais eficiente quando um dispositivo de fusão impulsiona a energia da bomba. Assim, os dois tipos de bomba são genericamente chamados bombas nucleares.[carece de fontes?]

Fissão nuclear

São as que utilizam a chamada fissão nuclear, onde os pesados núcleos atômicos do urânio ou plutônio são desintegrados em elementos mais leves quando são bombardeados por nêutrons. Ao bombardear-se um núcleo produzem-se mais nêutrons, que bombardeiam outros núcleos, gerando uma reação em cadeia. Estas são as historicamente chamadas "Bombas-A", apesar de este nome não ser preciso pelo fato de que a chamada fusão nuclear também é tão atômica quanto a fissão. O isótopo mais utilizado para sofrer fissão nuclear é o urânio-235, o qual ao capturar um nêutron transforma-se em U-236 durante muito pouco e então sofre fissão.

Fusão nuclear

Baseiam-se na chamada fusão nuclear, onde núcleos leves de hidrogênio e hélio combinam-se para formar elementos mais pesados e liberam neste processo enormes quantidades de energia. Bombas que utilizam a fusão são também chamadas bombas-H, bombas de hidrogênio ou bombas termonucleares, pois a fusão requer uma altíssima temperatura para que a sua reação em cadeia ocorra. A bomba de fusão nuclear é considerada a maior força destrutiva já criada pelo homem, embora nunca tenha sido usada em uma guerra. Oficialmente, a mais poderosa Bomba de fusão nuclear já testada atingiu o poder de destruição de 57 Megatons - conhecida como Tsar Bomba - em um teste realizado pela URSS em outubro de 1961. Esta bomba tinha mais de 5 mil vezes o poder explosivo da bomba de Hiroshima, e maior poder explosivo que todas as bombas usadas na II Guerra Mundial somadas (incluindo as 2 bombas nucleares lançadas sobre o Japão) multiplicado 10 vezes.

Bomba suja

Bomba suja é um termo atualmente empregado para designar uma arma radioativa, uma bomba não nuclear que dispersa material radioativo que fica armazenado em seu interior. Quando explode, a dispersão de material radioativo causa contaminação nuclear e doenças semelhantes às que ocorrem quando uma pessoa é contaminada pela radiação de uma bomba atômica. As bombas sujas podem deixar uma área inabitável por décadas. Um exemplo prático do que pode acontecer no caso de um lançamento de uma bomba suja foi o bombardeamento da Usina Nuclear iraquiana (Israel bombardeou o reator nuclear iraquiano de Osirak em 1981, o que causou a morte de milhares de iraquianos). Após o bombardeio por Israel, pessoas apresentaram problemas respiratórios irreversíveis e contaminação corporal intensa vindo a falecer ou desenvolver sintomas cancerígenos irreversíveis.

Bomba de nêutrons (neutrões)

Uma última variante da bomba atômica é a chamada bomba de nêutrons, em geral um dispositivo termonuclear pequeno, com corpo de níquel ou cromo, onde os nêutrons gerados na reação de fusão intencionalmente não são absorvidos pelo interior da bomba, permitindo que escapem. As emanações de raios-X e de nêutrons de alta energia são seu principal mecanismo destrutivo. Os nêutrons são mais penetrantes que outros tipos de radiação, de tal forma que muitos materiais de proteção que bloqueiam raios gama são pouco eficientes contra eles. As bombas de nêutrons têm ação destrutiva apenas sobre organismos vivos, mantendo, por exemplo, a estrutura de uma cidade intacta. Isso pode representar uma vantagem militar, visto que existe a possibilidade de se eliminar os inimigos e apoderar-se de seus recursos.

Armas nucleares táticas ou de uso tático

São armas nucleares de pequeno poder explosivo, geralmente na faixa de 0,5 a 5 quilotons de TNT. Geralmente seu uso tático é muito específico e envolve utilizar apenas uma das principais formas de energia liberada pela bomba, o poder de destruição e calor ou o PEM (pulso eletromagnético). Mesmo com poder explosivo reduzido, estas armas têm efeito radioativo, o que sempre dificultou seu amplo emprego. O uso de armas nucleares táticas seria destinado principalmente para o emprego contra as forças armadas do adversário. Esta função seria de importância maior se as forças-alvo se encontrassem próximas às forças que estão lançando a bomba, já que isto impediria o uso de uma arma de grande poder destrutivo que pudessem atingir também a força lançadora.

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Administração, controle e legislação

Devido ao imenso poder militar que esse tipo de armamento pode conferir a quem o possui, o controle político das armas nucleares tem sido uma questão chave desde que elas existem; na maioria dos países o uso da força nuclear só pode ser autorizado pelo chefe de governo ou chefe de Estado. No final de 1940, a falta de confiança entre os Estados Unidos e a União Soviética impediam a realização de acordos internacionais de controle de armas. O Manifesto Russell-Einstein foi publicado em Londres em 9 de julho de 1955 por Bertrand Russell, no meio da Guerra Fria. Ele destacou os perigos colocados pelas armas nucleares e pediu aos líderes mundiais que busquem resoluções pacíficas para os conflitos internacionais. Os signatários do manifesto incluem onze intelectuais e cientistas proeminentes, como Albert Einstein, que o assinou poucos dias antes de sua morte, em 18 de abril de 1955. Poucos dias após o lançamento, o filantropo Cyrus S. Eaton ofereceu para patrocinar uma conferência, o manifesto, em Pugwash, Nova Escócia, terra natal de Eaton. Esta conferência foi a primeira das Conferências Pugwash sobre Ciência e Negócios Mundiais, realizadas em julho de 1957.

Desarmamento

O desarmamento nuclear refere-se ao ato de redução ou de eliminação de armas nucleares, até o objetivo final de um mundo livre de armas nucleares. Desde o Tratado de Interdição Parcial de Ensaios Nucleares em 1963 até o Tratado de Interdição Completa de Ensaios Nucleares em 1996, tem havido muitos acordos para limitar ou reduzir os ensaios e os arsenais de armas nucleares. O Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares de 1968 tem como uma de suas condições explícitas que todos os seus signatários devem "prosseguir as negociações de boa-fé" em direção à meta de longo prazo de "desarmamento total". Os Estados com armas nucleares, em sua maioria, tratam esse aspecto do acordo como "decorativo" e sem força.

Nações Unidas

O Escritório das Nações Unidas para Assuntos de Desarmamento é um departamento do Secretariado das Nações Unidas criado em janeiro de 1998 como parte do plano do então Secretário-Geral Kofi Annan de reformar a ONU como apresentou em seu relatório à Assembleia Geral, em julho de 1997. Seu objetivo é promover o desarmamento nuclear e a não proliferação, além de fortalecer regimes de desarmamento em relação a outras armas de destruição em massa, como armas biológicas e químicas. Além disso, promove esforços de desarmamento na área de armas convencionais, especialmente em relação a minas terrestres e armas de pequeno porte, que são muitas vezes as armas mais usadas nos conflitos contemporâneos.

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Efeitos

Os efeitos predominantes de uma bomba atômica são a explosão e a energia térmica (calor), a liberação de radiação (raios-X, gama, nêutrons) e o pulso eletromagnético. Em relação aos efeitos térmicos da bomba, estes são muito semelhantes aos dos explosivos convencionais de alta potência. A principal diferença é a capacidade de liberar uma quantidade imensamente maior de energia de uma só vez. O dano produzido pelas três formas iniciais de energia liberada (calor, pulso eletromagnético e radiação) difere de acordo com o tamanho da arma. As bombas de nêutrons, por exemplo, foram criadas para produzir o máximo possível de radiação, enquanto a bomba de PEM para liberar energia eletromagnética na faixa das micro-ondas. A energia liberada na explosão segue a equação de Einstein, E=mc², onde E é a energia liberada, m é a massa da bomba que "some" na explosão e c (celeritas) é a velocidade da luz.

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Uso pacífico

Além da sua utilização como armas, os explosivos nucleares também foram testados e utilizados em fins pacíficos, como a remoção de terra em larga escala e a criação de baías artificiais. Devido à incapacidade de reduzir a fração da fissão nuclear de pequenos dispositivos, o que seria necessário para obras de engenharia civil, e quando os custos de descontaminação dos produtos de fissão são incluídos, não há nenhuma vantagem econômica em relação ao uso de explosivos convencionais. Nos Estados Unidos, este trabalho foi feito durante a Operação Plowshare, que incluiu 27 testes nucleares projetados para investigar possíveis usos civis dessa tecnologia entre 1961 e 1973. O programa soviético "Explosões Nucleares para a Economia Nacional" pesquisava vários usos pacíficos para as explosões nucleares. Estes incluíram o uso de uma explosão de 30 quilotons para fechar a fonte de gás natural de Urtabulak, no Uzbequistão, em 1966, que estava aberta desde 1963, e alguns meses depois, o uso de um explosivo de 47 kilotons para selar um desastre maior, nas proximidades do campo de gás de Pamuk.

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Controvérsias

A cinza nuclear radioativa proveniente de testes nucleares chamou a atenção do público pela primeira vez em 1954, quando o teste de uma bomba de hidrogênio chamado Castle Bravo, realizado nas Ilhas Marshall, contaminou a tripulação do barco de pesca japonês Lucky Dragon. Um dos pescadores morreu no Japão sete meses depois e o medo de atum contaminado por radiação levou a um boicote temporário ao produto no Japão. O incidente causou uma preocupação generalizada, especialmente em relação aos efeitos da radiação nuclear e de testes nucleares na atmosfera, e "forneceu um impulso decisivo para o surgimento do movimento de antiarmas nucleares em muitos países". Em 1963, muitos países ratificaram o Tratado de Interdição Parcial de Ensaios Nucleares, que proíbe testes nucleares na atmosfera. A precipitação radioativa tornou-se um problema menor e o movimento antiarmas nucleares entrou em declínio há alguns anos. Um ressurgimento do interesse ocorreu em meio a temores de europeus e norte-americanos de uma guerra nuclear na década de 1980.

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Fontes consultadas

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